quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

[10039] - FOME

PARA QUE AS NAÇÕES ACORDEM!

“Armazéns de gente.
Bocas cantando dramas na variedade dos casos.
Florestas de braços.
Mãos pintalgando o vácuo em ademanes.
Loucos distraindo a plateia dos cegos.
Palhaços rindo nos volteios da Fome
trazendo no íntimo o amargo dos que ficaram
os anónimos
perdidos pelas ruelas dos povoados
ou chicoteados pela mão da Assistência.
Desenhos animados.
Atenção Grande Público
Estiagem! Secas!
Gente encurralada.
Homens transformados  em sombras empalhadas.
Ocasiões únicas para estudos anatómicos.
Exames de esqueleto grátis.
Aproveitar que o Circo é só de Seca em Seca.
Vejam isto
Um menino comendo excrementos de cães.
Apreciem o poder deformante da miséria.
Aqui
Uma jovem violentada por uns bagos de milho.
Olhem os loucos! Não percam o grande conjunto desta tragédia”

Luis Romano (Famintos)

COLABORAÇÃO: DJEU

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

[10038] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

PURCHAVE - Calhau Setembro 2017
O petisco preferido do "nosso" Zito, e que também consta do meu top de preferências, pelo que foi presença obrigatória na ementa da semana!
Em Portugal, conhecido por Percebes, esta iguaria que se encontra especialmente nas costas rochosas do Atlântico como: Portugal, Espanha, França e cuja presença ainda se estende pela costa Africana, de Marrocos ao Senegal, passando pelas ilhas Canárias e chegando ao nosso Arquipélago, é um verdadeiro pedaço de mar, com um sabor inconfundível.
Pena é, que em terras Lusas, o calibre das mesmas seja cada vez menor. Em Cabo-Verde ainda se conseguem encontrar um "purchaves" belíssimos, nomeadamente em São Nicolau.
Estes belos exemplares que aqui apresento,fizeram parte de um belo repasto no Calhau, em setembro de 2017.

Mais tarde apresentarei outros digníssimos convidados!!!

São servidos?

sábado, 24 de fevereiro de 2018

[10036] - REGIONALIZAÇÃO

Hoje dia 23 de Fevereiro de 2018, a Regionalização saiu da Clandestinidade.

Mais de meio século sobre o debate da Regionalização de Cabo Verde e quase 10 anos após o Lançamento do Manifesto da Regionalização, o governo promoveu hoje uma Conferência da Regionalização que decorreu na sala de conferências do Palácio do Governo da Praia. Foram convidadas várias personalidades, políticos, autarcas ex-ministro, até um ex-primeiro-ministros, e membros da sociedade civil, a maioria praiense, e alguma elite que dá as cartas no país. Após excelentes intervenções do Primeiro e Vice Primeiro Ministros as questões levantadas foram de excelente qualidade.
Esvanece assim a tese de que a Regionalização é uma cabala bairrista contra a ilha de Santiago, e que iria dividir Cabo Verde, já que a região mais pobre de Santiago, Santiago Norte, já reconhece as virtudes desta reforma e antevê ganhos. Paradoxalmente, alguns já até vêm na regionalização uma ferramenta que vai unir, já que vem colmatar lacunas deixadas pelo estado e diminuir as assimetrias. Vinga-se com esta adesão o conceito, e a batalha está praticamente ganha, já que se torna consensual de que Cabo Verde deve ser organizado como um país regional e não continental. O resto logo se vê, obviamente que não será um detalhe. Mas o importante é o consenso que se alcançou hoje.
Este evento é um marco importante pois a Regionalização sai da clandestinidade, deixa de ser encarada como subversiva, e já constitui uma futura ferramenta para a governação do país, como defendem com muito optimismo o governo e a maioria da classe política. Imaginem o caminho que foi percorrido a tinta vertida por um grupo reduzido de carolas para que este dia acontecesse?!!
A Regionalização não é um assunto novo tem quase dois séculos. Com efeito o decreto ministerial e de uma portaria régia, datada de 11 de Junho de 1838, decide que a capital de Cabo Verde sai da Praia e passa para Mindelo em São Vicente. Este decreto nunca foi aplicado já que a resistência política localizada na então capital inviabilizara a decisão, que nunca chegou a ser concretizada. Com efeito nesta altura Mindelo já era uma grande cidade como a conhecemos hoje, impulsionada pela presença britânica e do fluxo de população de todo o arquipélago e do mundo, ao passo que a Praia não passava de uma pequena aldeia com meia dúzia de ruas.
Ao longo do século XX a cidade do Mindelo era o paradigma do cosmopolitismo, constituída por uma forte elite intelectual cultural e económica. O seu protagonismo em todo o arquipélago era reconhecido em todo Mundo. A elite local reivindicou para a ilha um outro estatuto, em vez de depender da capital colonial que era a Praia. Na carta aberta do importante industrial mindelense, Jonaz Whanon a Bento Levy, influente advogado da Praia e deputado de Cabo Verde em Lisboa, intitulada 'NOTAS DO CANHENHO DE UM CABO-VERDIANO', JONAS WHANON' (http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/notas-do-canhenho-de-um-c…) revela o estado de lama dos mindelnses da época. É assim, que resultantes das pressões da elite mindelense, os poderes de Lisboa decidiram uma espécie de Regionalização de Cabo Verde, com a colocação de um governador para a Região Barlavento a partir de 1973, o que não veio a acontecer com o evento do 25 de Abril de 1974. Esta decisão não tinha motivações políticas de Lisboa, para contrariar a independência, tal como alguns defendiam, mas sim reconhecia o estatuto e a importância de Mindelo no contexto da época, já que era notoriamente impossibilidade transferir a capital para a ilha de S. Vicente.
Cabo Verde entra assim num novo ciclo e poderá afastar-se definitivamente dos países menos democráticos aprofundando a sua democracia com uma forte componente do poder local que é a Regionalização. Como disse o debate teve um bom nível, foram levantadas várias questões e abordado vários modelos, tendo sido apontados várias problemas e insuficiências do modelo do partido do poder, e até indicado soluções e modelos alternativos. O governo mostrou-se bastante aberto e até convidou ao envio de sugestões e contrapropostas. E seria bom que o PAICV principal partido da oposição apresentasse as suas ideias ou mesmo a sua proposta, já que a UCID tem desde o seu nascimento uma proposta federal para Cabo Verde, tal como defendeu hoje o seu representante.
Aguarda-se agora para a proposta definitiva do governo, estando ciente que o modelo que se decidir proximamente, não será estático nem definitivo, já que o modelo de Ilha-Região, sendo o mais consensual e viável na presente conjuntura, tem detractores e há modelos alternativos desde o modelo de duas Regiões, Barlavento Sotavento, ao de grupo de Ilhas e mesmo o modelo federativo da UCID. Neste momento alinho com a tese do Dr Rui Moreira, mais vale começar por um mau modelo, que se aperfeiçoa com o tempo, do que matar a Regionalização eternizando-a em querelas infinitas e sem solução. Nesta e noutras matérias o Bom é inimigo do Óptimo.

COLABORAÇÃO: JOSÉ F. LOPES

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

[10035] - CAIS

CAIS
Nunca parto deste cais
e tenho o mundo na mão!
Para mim nunca é demais responder sim
cinquenta vezes a cada não.
Por cada barco que me negou
Cinquenta partem por mim
e o mar é plano e o céu azul sempre que vou!
Mundo pequeno para quem ficou.


Manuel Lopes

COLABORAÇÃO: DJEU

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

[10034] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017?

CABO VERDE - SETEMBRO 2017
Continuando pela minha fantástica viagem Crioula!
Desta feita julgo que a resposta estaria mais simples, mas vou complicar um pouco, pedindo que identifiquem o exacto local que se vislumbra na foto!!!

Paulo Azevedo

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

[10033] - O "SERPA PINTO"

O "Serpa Pinto" na II Guerra Mundial

CHEGADA AO TEJO EM 19 ABRIL 1940

…” Durante a II Guerra Mundial, o paquete “Serpa Pinto” – apelidado pelo jornal americano “New York Times” de “Refugee Ship” (“Navio de Refugiados” – foi dos poucos que continuou para o transporte de passageiros e refugiadas para os Estados Unidos da América, devido ao papel neutral de Portugal. Fez cinco viagens para New York entre janeiro de 1941 e Junho de 1942, e catorze viagens para Philadelphia entre novembro de 1942 e junho de 1945. 

Cerca de 7.800 passageiros e tripulantes foram transportados em condições muitas vezes complicadas, incómodas e acima de tudo perigosas.

O incidente mais grave ocorreu na noite de 26 de maio de 1944, quando se dirigia para Philadelphia. Um submarino alemão U-2 ordenou a evacuação total dos passageiros para os salva-vidas e solicitou a Berlim o torpedeamento do “Serpa-Pinto”.
Durante a noite a tripulação e os passageiros aguardaram nos botes pela decisão do Estado Maior da Marinha Alemã...

Pela madrugada chegou a resposta do Almirante Donitz a não autorizar o afundamento. Felizmente os salva-vidas voltaram ao navio, mas, na operação de abordagem faleceram três passageiros”

REFUGIADOS JUDEUS – ROCHA DE CONDE ÓBIDOS – 1 SETEMBRO 1941

In: História da Marinha Portuguesa na II GM (RC)  

   EPÍLOGO: 


O PAQUETE “ DA AMIZADE” DA CCN

O dia 9 de Julho de 1954, marca a última viagem para Santos, antes o definitivo regresso a Lisboa, 7 de Agosto do mesmo ano. Contando 15 anos de actividade com a bandeira Portuguesa e tornando-se num mito de grande popularidade, pelos passageiros e pelas pessoas em geral dos países visitados, sai de Lisboa cansado, a reboque, vazio e silencioso, desaparecendo a pouco e pouco, através do implacável maçarico do demolidor de navios”… ( Navios Navegadores)

COLABORAÇÃO: DJEU

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

[10032] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017 ?

SETEMBRO DE 2017 - CABO VERDE

Em setembro do ano passado, fui beber um pouco de energia vital à terra que me viu, nascer. Nos últimos 25 anos tenho feito este exercício várias vezes, e os resultados têm sido invariavelmente positivos.
Vou iniciar uma rubrica, que passeará pelos lugares por onde andei com a minha cara metade e também por vezes, com a ajuda do meu insubstituível "Xerpa Ronnas"!
Para a esmagadora maioria dos fieis seguidores deste blogue (espero que ainda subsistam alguns!), a pergunta será fácil!
Onde estava eu neste dia?

Paulo Azevedo

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

[10031] - "SODADE"!


…” Obrigado pela fotografia que “sgrovetá nhâ lembrança”….

Êl sogrovetá tant que mi tê’m sabê nome de quês navio que stá fundiód….
Bziá: (1) quel prumer de lod squerd de 2 mastr ê ILDUT isê don tâ tchamá ZEZINHO, êl ê de Saniclau, ê era nhâ amig e mi,n tem um stória sabin quél (depois conto); quel ôt de 3 mastr ê AREIAS (um vez mi’n fazê um versinho para AREIAS que era de gvern, um navio bacalhoêr transformod – “ Senhora das Areias/Rainha da preguisa/Quando mais motor atiça/ Mais aumenta diarreia”; (3) quel de 2 mastr que na fotografia stâ quaje enconstad ê ATALANTA (de nhô Xinxim; (4) quel de 3 mastr, mais afastod ê SAGRES (navio de instrussaum de Marinha de Guerra de Portugal); (5) quel vaporzin que stâ lâ má um fumacinha ê BARLAVENTO (que era de pai di Wilm (holandês) que bem morá Soncente mâ sê família sê fidj fémia tava tmá conta d’quel barzin na Prasa Nova e era und nô tava tmá 5 tustôn de groguin (mi, Djê, Teodorico, Nhelas, etc ….”SODADE”!

Waldmiro Koenig (Brasil)

Colaboração: Djeu

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

[10030] - 365 VOLTAS DEPOIS

365 VOLTAS DEPOIS
O carrossel deu 365 voltas, muita coisa mudou e outro tanto se quedou.
Um Trump igual a si mesmo, uma Coreia do Desnorte.
Um verão longo e infernal, deixou no ar cinzas e lamentos.
Água que cai do céu a conta gotas, deixa as terras enrugadas.
Obras do velho liceu, põe leves sorrisos nas gentes.
Ambiente social menos crispado, tribunais todos perfumados.
Mar gigante da Nazaré vergado pela Lusa tábua de David.
E um marco histórico assinalável, no pequeno futebol dos Ricardinhos.
Só faltaste tu, para analisar e ironizar com a tua singular mestria, cada momento desta estonteante volta.
Quisera eu, que ao céu chegasse a fibra óptica, para poderes dar asas à tua pena. Fico aqui eu com a minha, de não seguir os teus passos, na cadência que se impunha.
Quiçá, nesta nova volta, o carrossel seja mais meigo e não me roube o alento, e assim, talvez o vento não me leve a ponta da pena… precisava tanto dela!

Sentimos todos os dias a tua presença, contudo notamos tanto a tua ausência!

BRAÇA PERTOD PAPÁ!