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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

[9917] - HITLER, O PINTOR...





Parece inegável que Adolf Hitler, o psicopata genocida que aterrorizou meia Europa durante longos anos tivesse queda para a pintura, nomeadamente, para a aguarela... Chega a ser difícil conceber que um tal e desumano exterminador tenha, no entanto, conseguido cultivar os átomos da sensibilidade necessária à criação artística... Será que o Hitler, como infelizmente o conhecemos, teria existido se, por ventura, tivesse sido aceite na Academia das Artes de Viena, numa da duas vezes em que o acesso lhe foi recusado?

[9915] - THE AMERICAN DREAM...


Esta foto data de 5 de Dezembro de 1933 e foi obtida, como se nota, ao balcão de um Bar, em Nova Iorque... Estes enchapelados e os restantes, não comemoravam, porém,  o fim de nenhuma das inúmeras guerras em que os Estados Unidos já estiveram envolvidos, mas sim o fim da chamada Lei Seca que, durante 13 anos (de 1920 a 1933) vigorou naquele país em consequência da  18ª emenda Constitucional que proíbía a fabricação, comércio, transporte, importação e exportação de bebidas com qualquer teor álcoolico...
Esta emenda pretendia combater os efeitos nefastos atribuídos ao consumo exagerado de cerveja, rum, whisky, e outros preparados de base etílica como a embriaguez - que era crime - a corrupção e a criminalidade...
Claro que os efeitos desta Lei Seca foram, exactamente, os opostos do que pretendia alcançar mas, mesmo assim, foram necessários uns longos 13 anos para as autoridades emendarem a emenda Nº 18!

(De uma colecção de fotos antigas
remetida por Arsénio Pina)

sábado, 12 de novembro de 2016

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

[9901] - A COR DO TERROR...



Attentats sur 20 ans : PETITE MISE AU POINT.

En France ...

Les Portugais sont venus par millions
Les Espagnols sont venus par millions
Les Italiens sont venus par millions
Les Polonais sont venus par millions
Les Arméniens sont venus par millions
Les Juifs sont venus par millions

Rappelez-moi s’il vous plait combien il y a eu de terroristes
Parmi eux ou parmi leurs descendants ?
Rappelez-moi quand un Polonais a tiré sur des enfants ?
Des Espagnols ont-ils massacrés gratuitement des militaires non armés ?
Qui parmi les Italiens s’est fait sauter au milieu de passants ?
Combien de Portugais ont tirés sur des adolescents pendant un concert ?
Dites-moi s’il vous plait où et quand un Arménien a tiré sur des restaurants ?
Combien de Juifs ont tiré sur un enfant au cri de "Moïse est grand" ?
Alors, qu’est-ce qui cloche ?

Constatons plutôt :

Pas d’italien, pas d’espagnol, pas de portugais, pas de Suisse, pas de Belge, pas de juif, pas de Grec, pas d’allemand, pas d’autrichien, etc...
Pas d’européens donc !

Les auteurs d'attentats en France depuis 20 ans :
Que des “Français” !

Khaled Kelkal 1995 - Boualem Bonsai 1995 - Karim Boussa 1995 - Abdelkader Bouhadjar1995
- Abdelkader Mameri 1995 - Main Ait Ali Belkacem 1995 - Nasserine Slimani 1995 - Rachid Ramsa 1995 - Safe Bourada 1995 - Mohamed Merah 2012 - Abdelkarim Dekhar 2013 - Mehdi Nemmouche 2014 - Bilal Nzohabonayo 2014 - Chérif Kouachi 2015 - Said Kouachi 2015 - Amedy Coulibaly 2015 - Sid Ahmed Ghlam2015 - Yassin Salhi 2015 - Ayoub El-Khazzani 2015 - Ahmad Al Mohammad 2015 - Samy Amimour 2015 - Omar Ismaïl Mostefaï 2015 - Salah Abdeslam 2015 - Brahim Abdeslam 2015 - Bilal Hadfi 2015

Mais attention!
Pas d'amalgame !
 Juste un constat !

Autor desconhecido
Sugestão de V. Pereira

[9900] - A FACE ESCONDIDA DA HISTÓRIA...


"1143, quem não sabe esta data não é bom português" é das primeiras frases que o
professor de História nos ensina. Mas há pormenores peculiares da história nacional que
continuam na sombra.
Procure nas entrelinhas de todos os seus livros de História, vasculhe a biblioteca da sua
antiga escola, pergunte aos mais sábios e só muito dificilmente alguém saberá estes
pormenores da História de Portugal. É que todos conhecemos a saga dos
Descobrimentos, a sequência de reis à frente e até as datas mais simbólicas. Mas contam-se
pelos dedos da mão os que sabem que, afinal, Lisboa não é, no papel, a capital de
Portugal ou que os lusitanos têm um gene único.
Regressámos à sala de aula, mas desta vez com histórias que contrariam muitas das
verdades absolutas que conservamos desde os tempos de escola. Descubra tudo nos
próximos 10 tópicos. 

Lisboa não é a capital oficial de Portugal 

A capital oficial do país é Coimbra, onde a corte morou até 1255. Nesse ano, D. Afonso III
quis mudar toda a corte para Lisboa, que se havia tornado numa cidade cada vez mais
próspera. O estuário estava de tal forma desenvolvido que podia receber os navios de
mercadorias, o que motivou muita gente a escolher viver por perto. A certa altura,
Coimbra tinha ficado para trás nas condições de vida que oferecia. Então D. Afonso III fez
as malas e rumou para a cidade. Mas nem ele, nem nenhum outro rei assinou qualquer
documento que oficializasse Lisboa como capital oficial portuguesa: passou a sê-lo de
facto, na prática, porque a corte lá vivia em permanência. Algo que nunca foi oficializado,
pelo que Coimbra continua a ser a capital oficial de Portugal.

Badajoz já foi capital de meio Portugal

Houve em tempos um reino muçulmano na Península Ibérica cuja capital era a cidade de
Badajoz. O Emirado de Badajoz – em muçulmano chamada Ta’waif al-Batalyaws – vinha
desde o rio Douro até ao Alentejo, incluía as cidades de Lisboa e de Santarém, mas
também Castela e Leão.

Portugal já teve cinco capitais ao longo da
História

São 900 anos de História, portanto o número não é de espantar. Tudo começou em
Guimarães, o berço de Portugal, seguindo depois para Coimbra – que permaneceu
efetivamente como capital até ao reinado de Afonso III em 125 [?] – e mudou para Lisboa
quando a residência oficial da corte passou a ser em terras do Tejo. Pelo caminho
estiveram também o Rio de Janeiro (Brasil) e Angra do Heroísmo (Açores), a primeira
durante as Invasões Francesas e a segunda durante o conflito entre liberais e absolutistas.

Há um gene que só os portugueses têm

Chama-se A26 – B38 – DR13 e é um gene que só existe nos descendentes de lusitanos. A
informação presente nesse gene não existe em mais nenhum lugar, nem mesmo noutros
povos fixados junto ao Mediterrâneo.

Tivemos um rei chamado D. Martinho I

Não é que haja um rei escondido do povo português durante séculos. Apenas o
conhecemos por outro nome: D. Sancho I. Quando nasceu, o pequeno Sancho não estava
destinado a subir ao trono: quem devia assumir as rédeas da corte era o seu irmão, o
infante D. Henrique. Por isso, os pais da criança – D. Afonso Henriques e D. Mafalda de
Sabóia – decidiram-lhe dar-lhe um nome que, embora não tivesse tradição monárquica,
combinava bem com ela: D. Sancho I nasceu a 11 de novembro, daí ter sido agraciado
com o nome Martinho. Mas a vida deu voltas. O infante D. Henrique morreu aos oito anos
e foi Martinho quem teve de o substituir. Foi então rebatizado com o nome que chegou
aos nossos livros de História: D. Sancho I. 


Um dos nossos reis era sobredotado

D. Pedro V veio ao mundo a 16 de setembro de 1837. E veio com algo mais particular que
os outros: era sobredotado. Com dois anos sabia falar português, alemão e francês. Ainda
em criança, com cerca de 12 anos, já aprendia filosofia e escrevia de forma anónima em
publicações nacionais sobre assuntos sociais, como os meios de transporte e a
modernização de Portugal. O povo sabia das suas capacidades e colocava nele grande
esperança na forma como lideraria o país, mas Pedro V morreu aos 24 anos sem colocar
nenhuma das suas ideias em prática. 


Portugal já se chamou “Ofiússa”

Não há certezas sobre onde moravam exatamente os ofis. Alguns estudos dizem que vivia nas montanhas a norte, entre o Gerês, Trás os Montes e a Galiza, enquanto outros estudos juram que eles são da foz do rio Douro. De um modo ou de outro, os ofis eram famosos pelo facto de idolatrarem as serpentes. Por isso é que se chamava “Ofiússa“, que significava “Terra das Serpentes”. Daí o símbolo dos reis de Portugal ter sido uma serpente alada, a “Serpe Real”. No entanto, esse símbolo também surgiu por influência celta.

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Espanha nem sempre foi a nossa única
vizinha

Entre nós havia um pequeno país, o Couto Misto, que chega mesmo a ser mencionado
nos relatórios diplomáticos que antecederam o Tratado de Lisboa de 1864. Era um micro
estado que nasceu no século X e que se extinguiu apenas quatro anos depois de o
Tratado ter sido assinado. Este país não tinha mais do que 27 quilómetros quadrados e
era completamente independente: não tinha qualquer relação com a Coroa portuguesa
nem com a espanhola.

Antes dos lusitanos, estavam cá os
estrímnios

Os estrímnios – uma palavra que deriva do latim “Oestremni”, ou seja, “povo do extremo
ocidente” – foram o primeiro povo nativo em Portugal. Viviam entre a Galiza, no noroeste
espanhol, e o Algarve. Só mais tarde vieram os sefes, um povo que idolatrava a deusaserpente
Ofiusa e que eram menos numerosos que os estrímnios. A seguirchegaram à
Hispânia os galaicos e os lusitanos, que encontraram uma terra destruída pela guerra entre os
sefes e os estrímnios. Também estes recém-chegados tiveram de lutar com os sefes para se
poderem fixar por cá.

O pai de D. Afonso Henriques era um pastor
transmontano?

Pelo menos é o que sussurram os rumores. A versão oficial é que D. Afonso Henriques, o
primeiro rei de Portugal, nasceu do amor entre Teresa de Leão e Henrique de Borgonha,
conde de Portucale. No entanto, há outras que dizem que é filho de Egas Moniz ou mesmo
de pastor natural de Trás-os-Montes que teria sido incumbido por Egas Moniz de cuidar
do pequeno futuro rei. Os rumores até vão mais longe: sugerem que o rei era muito mais
alto que qualquer pessoa da sua família…

N.E. - Artigo de Maria Leite Ferreira
Jornal "Observador"
Sugestão de Tuta Azevedo

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

[9897] - PORQUE NÃO O URUGUAY?

Colónia de Sacramento - Uruguay
Por: Rui Tavares

Passo pelo centro da cidade e vejo de repente, em plena Praça do Comércio,  a bandeira da Guiné Equatorial. Lá estava ela ao lado das outras oito da  Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Para nos lembrar como os  interesses petrolíferos levaram à CPLP uma ditadura brutal onde há uma suposta moratória à pena de morte (que ninguém verifica), e onde o ditador rouba os recursos naturais do país para que o seu filho seja um colecionador de carros de luxo que não podem andar nas poucas estradas asfaltadas daquela desventurada terra.
Não que faltem razões históricas para uma relação com o povo da Guiné Equatorial, por onde os portugueses também andaram e onde há ainda quem fale um dialeto de base portuguesa na ilha de Ano Bom. Mas se essas fossem razões suficientes para entrar um país na CPLP, eu 
preferiria ter visto outro na frente da fila: o Uruguai.
Antes que alguém diga: “mas o Uruguai tem como língua oficial o espanhol!” — interrompo para responder que não tem. O Uruguai não tem idioma oficial. E isso não acontece por acaso, mas pela razão histórica de que a República Oriental do Uruguai, como é seu nome constitucional, foi 
criada como uma espécie de Bélgica da América do Sul, ou seja, para servir de tampão entre o Brasil e a Argentina, sucessores do império português e do império espanhol. Por isso foi deixada propositadamente sem língua oficial, nem português nem espanhol, num esforço de neutralidade.
Muita gente já ouviu falar da uruguaia Colónia do Sacramento, que foi a mais meridional das cidades portuguesas e se situa mesmo em frente a Buenos Aires, na margem uruguaia do Rio da Prata. 
Esta cidade foi intermitentemente portuguesa e espanhola durante século e meio, e serviu de moeda de troca nas negociações pela posse do território das Missões, no atual estado brasileiro do Rio Grande do Sul.
Mas há menos quem saiba que todo o Uruguai foi, no início do século XIX, parte do Reino Unido de Portugal, do Brasil e dos Algarves, com o nome de Província Cisplatina. Após 1822, o Uruguai passou a fazer parte do Império Brasileiro. Em 1825, o Uruguai tornou-se independente, não – como muita gente pensa – do império espanhol, mas sim do império brasileiro.
Este é um caso único na América de língua espanhola — mas o Uruguai é também, embora minoritariamente, de língua portuguesa. Há cidades de fronteira com o Brasil, onde o português é língua materna. O “portunhol riverense”, também chamado de “fronteiriço”, é um dialeto de base portuguesa reconhecido pelo estado uruguaio. 
E a língua portuguesa é de ensino obrigatório nas escolas do país.
Para mais, o Uruguai é um país democrático e respeitador dos direitos humanos. A pena de morte foi abolida em 1907. Foi um dos primeiros países na América a reconhecer o casamento gay e um dos primeiros no mundo a legalizar as drogas leves. E — esta é a melhor — já pediu e repetiu o pedido para ser observador na CPLP. Se tivéssemos sido um pouco mais ativos ainda poderíamos ter tido José “Pepe” Mujica nas cimeiras da lusofonia.
É por isso que, de cada vez que eu passar pelas bandeiras da CPLP e lá vir a da Guiné Equatorial hei de suspirar e pensar: mal por mal, preferia o Uruguai.

Sugestão de Carolino Gama

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[9861] - O MAIS ANTIGO...


Trata-se do sinal de trânsito mais antigo de Lisboa, na Rua do Salvador, n.º 26, em Alfama. É uma placa que data de 1686 e mandada afixar por D. Pedro II para orientar os coches e carroças passavam por esta rua estreita:

 ANO DE 1686

SUA MAJESTADE ORDENA QUE OS COCHES, SEGES

E LITEIRAS QUE VIEREM DA PORTARIA

DO SALVADOR RECUEM PARA A MESMA PARTE

 Ou seja, que viesse de cima perdia a prioridade em relação a quem subisse.

Esta rua, que foi muito importante há quatro séculos, quando ligava as portas do Castelo de São Jorge à Baixa, hoje em dia é uma pequena travessa cheia de prédios arruinados entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São Tomé. A meio da pequena subida há um edifício fora do alinhamento dos restantes que a estrangula. No tempo de D. Pedro II este estreitamento era causa de muitas discórdias entre quem subia ou descia a rua. Se dois se encontrassem a meio, nenhum queria ceder a passagem uma vez que era tarefa difícil fazer recuar os animais. Consta que chegou mesmo a haver lutas e duelos, com feridos e mortos.

Para evitar a discórdia, foi publicado então um édito real estabelecendo a prioridade a respeitar em tal situação.

tags: "henrique salles da fonseca", história
Sugerido por Valdemar Pereira






domingo, 23 de outubro de 2016

[9823] - CONHECER A HISTÓRIA...



Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África. 
Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.
- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo os   americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência dos EUA, mas depois de 1776, era cada um por si.
- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas para resgate dos reféns e os preços subiam sempre a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson opôs-se veementemente aos pagamentos, mas foi vencido pelo voto. Os EUA e as outras nações com navios sequestrados, aceitavam pagar os resgates e subornar os piratas. O Presidente americano era George Washington.
- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como Embaixadores, para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e desde então, estavam mergulhados  na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três grandes figuras  saem em missão diplomática para representar o país.
- Em 1786, depois de dois anos de conversações diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram-se com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, actual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado devido aos ataques que não acabavam, mesmo com todos os esforços de paz. Quis saber por isso, com que direito os muçulmanos continuavam a sequestrar e a matar os americanos. 
- A resposta que ouviu, marcou Jefferson para sempre: "o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra os seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos; e que todo o muçulmano que for morto na batalha irá de certeza para o Paraíso." 
Jefferson ficou chocado. Ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os que considerava infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.
- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes, por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos fizeram mudar esta ideia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares permanentes, mas não estavam a funcionar porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume a Presidência dos EUA, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.
- Em 1801, Jefferson  torna-se  no terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o preço da autorização para  navegar naquela área. Jefferson fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.
- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência. A marinha de guerra americana foi criada exactamente para esse conflito. As actuais regiões da Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios na guerra contra os americanos, o que representava praticamente todo norte da África com excepção do Egipto.
- Jefferson não estava para brincadeiras. Mandou os seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com a vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando o norte de África, para manter a situação sob controle.
Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra as guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas  entendeu que o Islão é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.
Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que o povo americano conhecesse o Corão e entendesse aqueles povos do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.
Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, que os americanos eram atacados porque não atacavam de volta, sendo vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época, como é hoje para o ISIS.  
Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, ocupando depois  o território. Só assim  foi conseguida a paz. 
Barack Obama quer saber hoje como os muçulmanos estão na história americana? 
Eles estão como os motivadores da primeira guerra; foram eles que forçaram a criação das forças armadas que nem existiam, e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Hills of Montezuma / To the shores of Tripoli".

Como é bom e importante conhecer a História Mundial!...


domingo, 3 de julho de 2016

[9403] - LIBERDADE EM SEGURANÇA...



Em Novembro de 1755, Benjamim Franklin terá escrito a frase que chegou aos nossos dias como um paradigma indiscutível:

"Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem a liberdade nem a segurança".

Ocorreu-me, no entanto, a meio da insónia desta noite, interrogar-me sobre se o insigne e multifacetado personagem da História Universal, subscreveria a mesma frase e os seus fundamentos, hoje, no meio da carnificina que diariamente mata e estropia homens, mulheres e crianças, indiscriminadamente, em atentados perpetrados em nome da fúria satânica de fundamentalismos que cerceiam a nossa liberdade numa ameaça permanente à nossa segurança...
Sim, porque me parece lícito indagar até que ponto a civilização tem a sua liberdade essencial assegurada quando a morte e a destruição nos espreitam ao virar de cada esquina das nossas cidades!
Há paradigmas que não resistem à realidade histórica mergulhada nas trevas do mal pela turba que, não sendo livre porque escrava do preconceito, professa a violência que semeia a insegurança como liturgia de uma falsa fé!
Até que limites nos será lícito suportar a insegurança - a nossa e a dos nossos filhos e netos - em nome de uma liberdade que, ao fim e ao cabo, estamos inibidos de gozar em  toda a sua plenitude?!

sábado, 2 de julho de 2016

[9402] - SOMOS MUITOS MILHÕES...


Não há quem não saiba que são os taxistas quem mais depressa, e melhor, faz a leitura da realidade. Ora, eu comecei o dia na cidade da Praia com um motorista de táxi a dizer-me que "o Benfica é universal" - coisa que eu dispensava ouvir - para iniciar uma conversa sobre futebol em que o Miguel - assim se chama o taxista - me garantiu que o apoio a Portugal é total. "Cabo Verde é Portugal", lembrou o Miguel, secundado pelo presidente da República de Cabo Verde, que, há dias, chamou à conversa as origens cabo-verdianas de Renato Sanches, Nani e Eliseu, os três titulares na selecção portuguesa.
Houve uma polémica sobre o onze da selecção apoiado por onze milhões que, afinal, eram mais porque faltavam lá os cinco milhões da diáspora. Pois que se esqueceram, como dizia Pessoa, que a nossa pátria é a nossa língua. Por Portugal somos dezenas de milhões. Ninguém me contou, eu vi na ilha de Santiago em Cabo Verde. A nossa vitória é a vitória de dezenas de milhões.
Foi nos penáltis, malditos penáltis. É uma dor no coração, uma lotaria, uma coisa que devia ser proibida sempre que não houvesse a certeza de que Portugal ia ganhar. Mas a diáspora é muito grande. "Cabo Verde é Portugal", todo o mundo que fala português é Portugal. Que lindo foi ver este jogo em Cabo Verde, com portugueses e com cabo-verdianos, todos juntos em defesa da língua que grita bem alto o apoio a Portugal. Fica o conselho para os governantes portugueses: a diáspora e os cidadãos dos países que falam português merecem também uma homenagem. Somos dezenas de milhões em apoio à selecção de Fernando Santos. Aqui em Cabo Verde, para lá de Cristiano Ronaldo, herói de toda a miudagem, há que destacar Nani, Eliseu e Renato Sanches. Daqui partiram para fazer Portugal mais forte.

(D.N. Paulo Baldaia - Colab. J.F.Lopes)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

[8951] - EVOCAÇÃO ENVERGONHADA...


Há 130 anos, em 1885, terminava na Alemanha um encontro de líderes europeus que ficou conhecido como Conferência de Berlim. O objetivo era dividir África e definir arbitrariamente fronteiras, que existem até hoje.

Tinha cinco metros o mapa que dominou o encontro em Berlim, que teve lugar na Chancelaria do Reich. Mostrava o continente africano, com rios, lagos, nomes de alguns locais e muitas manchas brancas.
Quando a Conferência de Berlim chegou ao fim, a 26 de fevereiro de 1885, depois de mais de três meses de discussões, ainda havia grandes extensões de África onde nenhum europeu tinha posto os pés.
Representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos da América e do Império Otomano deslocaram-se a Berlim a convite do chanceler alemão Otto von Bismarck para dividirem África entre si, "em conformidade com o direito internacional". Os africanos não foram convidados para a reunião.
À excepção da Etiópia e da Libéria, todos os Estados que hoje compõem África foram divididos entre as potências coloniais poucos anos após o encontro. Muitos historiadores, como Olyaemi Akinwumi, da Universidade Estatal de Nasarawa, na Nigéria, consideram que a Conferência de Berlim foi o fundamento de futuros conflitos internos em África.
"A divisão de África foi feita sem qualquer consideração pela história da sociedade, sem ter em conta as estruturas políticas, sociais e económicas existentes." Segundo Akinwumi, a Conferência de Berlim causou danos irreparáveis e alguns países sofrem até hoje com isso.
Novas fronteiras
Foram definidas novas fronteiras e muitas rotas de comércio desapareceram porque já não era permitido fazer negócios com pessoas fora da sua própria colónia.
Em muitos países, como foi o caso dos Camarões, os europeus desconsideraram completamente as comunidades locais e as suas necessidades, lembra o investigador alemão Michael Pesek, da Universidade de Erfurt.
  
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Conferência de Berlim: Partilha de África decidiu-se há 130 anos
"Os africanos aprenderam a viver com fronteiras que muitas vezes só existiam no papel. As fronteiras são importantes para a interpretação do panorama geopolítico de África, mas para as populações locais têm pouco significado", defende.
Na década de 1960, quando as colónias em África começaram a tornar-se independentes, os políticos africanos tiveram a oportunidade de rever os limites coloniais. No entanto, não o fizeram.
"Em 1960, grande parte dos políticos africanos disse: se fizermos isso, então vamos abrir a caixa de Pandora", explica Michael Pesek. "E provavelmente tinham razão. Se olharmos para todos os problemas que África teve nos últimos 80 anos, vemos que houve muitos conflitos internos, mas muito poucos entre Estados por causa de fronteiras."
Compensações pelo colonialismo
Em 2010, no 125º aniversário da Conferência de Berlim, representantes de muitos países africanos em Berlim exigiram compensações para reparar os danos do colonialismo. A divisão arbitrária do continente africano entre as potências europeias foi um crime contra a humanidade, disseram em comunicado.
Defendiam, por exemplo, o financiamento de monumentos em locais históricos, a devolução de terra e outros recursos roubados e a restituição de bens culturais.
Mas, até hoje, nada disso foi feito. O historiador Michael Pesek não se mostra surpreendido. "Fala-se muito em compensações por causa do comércio de escravos e do Holocausto. Mas pouco se fala dos crimes cometidos pelas potências coloniais europeias durante os anos que passaram em África."
O investigador nigeriano Olyaemi Akinwumi também não acredita que algum dia haverá qualquer tipo de indemnização...

in D.W. Made for Minds
Pesquisa de Valdemar Pereira

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

[8808] - UM PESO, DUAS MEDIDAS...


A PROPÓSITO DE UMA ESTÁTUA REFERIDA NO POST Nº 1794 DO BLOGUE-IRMÃO, "PRAIA-DE-BOTE", ACHAMOS OPORTUNO MOSTRAR ESTA FOTO DO MONUMENTO QUE OS BRASILEIROS TIVERAM POR BEM DEDICAR AO  DESCOBRIDOR DO SEU PAÍS, PEDRO ÁLVARES CABRAL, LOCALIZADO NO PARQUE DE IBIRAPUERA, S. PAULO...

domingo, 11 de outubro de 2015

[8538] - SIRIA - A OUTRA FACE...

A família Assad pertence ao Islão tolerante da orientação Alawid.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e à educação.
Na Síria as mulheres não são obrigadas a usar burca. A Chária (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do Mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da história houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma discriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora consiga compreender melhor a razão de tanto interesse da guerra civil na Síria e de quem a patrocina ...

(Por e.mail- Valdemar Pereira)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

[8500] - RAÇAS IMPURAS...

José Eduardo Agualus

Os portugueses são, de fato, essa mistura antiga de árabes, judeus e negros

Assim como os brasileiros gostam de contar piadas de portugueses, os portugueses gostam de contar piadas de alentejanos. Os alentejanos são, digamos assim, os portugueses dos portugueses. Amo o Alentejo. Tenho uma enorme simpatia pelos alentejanos. Se tivesse nascido em Portugal gostaria que fosse em Évora. As largas planícies alentejanas lembram, até certo ponto, as savanas africanas. O Alentejo é o único lugar onde Portugal parece grande.
Durante séculos, o sul de Portugal recebeu escravos negros. Em 1761, ano em que o Marquês de Pombal determinou o fim da entrada de escravos em Portugal, ainda haveria pelo menos cinco mil a trabalhar nas planícies alentejanas. Persistem sinais dessa presença em alguma toponímia e até em certos nomes de família, de origem banto.
A influência árabe, essa, é evidente. Inclusive na música. O fado, aliás, está tão próximo de alguma tradição árabe que há quem junte as duas e é como se sempre tivesse sido assim. Ouçam por exemplo o jovem Ricardo Ribeiro, cantando, em árabe e português, na feliz companhia do alaúde do libanês Rabih Abou-Khalil. Ouçam a seguir a cantora tunisina Amina Alaoui em “Arco-íris”, um dos mais belos discos de fado que eu conheço.
Pensei nisto tudo no aniversário de Zambujo, enquanto um grupo de alentejanos, numa mesa próxima, começava a cantar. Aquele pátio belíssimo podia ser em Tanger. Podia ser em Marrakech ou em Casablanca. Neste mesmo dia, à tarde, assisti a uma reportagem sobre o drama dos refugiados sírios. Uma moça de voz estridente, entrevistada na rua, insurgiu-se contra a possibilidade de Portugal receber alguns desses refugiados ou quaisquer outros “árabes”, gente, afirmava ela, sem laços de sangue e de cultura com Portugal. Escutei-a horrorizado. Não há maneira de me conformar com a ignorância.
Lembrei-me de um episódio que me contou Mário Soares. Um dia, num encontro que o antigo presidente português teve com Yasser Arafat, para discutir o interminável conflito israelo-árabe, este chamou-lhe a atenção para a herança árabe da Península Ibérica: “Vocês, portugueses, têm de nos apoiar. Afinal, vocês são árabes”.
“É verdade.” Reconheceu Soares, e logo acrescentou: “Mas também somos judeus”.
Os portugueses são, de fato, essa mistura antiga de árabes, judeus e negros. Os brasileiros são a mistura, ainda mais desvairada, de portugueses, africanos, índios, libaneses, japoneses etc. Um português que odeie “árabes” é um português que se odeia a si próprio. Um neonazi português ou brasileiro é o mais esdrúxulo, ridículo e repulsivo dos oximoros. Contudo — pasme-se! — eles existem. Os comentários nas redes sociais, ou nos jornais on-line, são uma versão moderna dos antigos gabinetes de curiosidades, ou quartos de maravilhas, salas onde, nos séculos XVI e XVII, os fidalgos endinheirados acumulavam coleções de bizarrias, sortilégios e impossibilidades, como sereias empalhadas, cornos de unicórnios ou lágrimas de crocodilo. Nas caixas de comentários dos jornais, os prodígios, deformidades e monstruosidades não são físicos, mas ideológicos e morais. As pessoas exibem ali, com um estranho orgulho, as suas piores deformidades morais, a estreiteza aflitiva dos espíritos, as ideias mais monstruosas. Ali está a exaltada patricinha carioca, defendendo a interdição das praias da Zona Sul aos negros e pobres, ou o operário lisboeta que quer destruir a mesquita de Lisboa. Há de tudo.
Em Dresden, na Alemanha, um grupo de neonazis colombianos foi espancado por neonazis alemães quando tentava juntar-se a uma manifestação contra a entrada de refugiados sírios. Um deles queixou-se amargamente: “Já não basta que na Colômbia nos chamem morenonazis. Nós somos de raça pura, sim, apenas escurecemos um pouco por causa do clima”.
É a história do ratinho que achava que era um gato, até que um gato o comeu.
António Zambujo fez 40 anos. Para festejar o acontecimento, juntou um grupo de amigos num pátio de Lisboa. Quando cheguei, o rio Tejo, lá ao fundo, ainda guardava o último fulgor do dia. Era como um incêndio desaguando na escuridão. A escuridão era o mar. Conheci António Zambujo em São Paulo. Foi Marília Gabriela quem pela primeira vez me falou dele: “Você já ouviu um fadista português chamado António Zambujo?” — perguntou-me. Disse-lhe que não: “Não existe. Se existisse eu saberia”. Então ela ofereceu-me um disco, era o “Outro sentido”, de 2007, e eu fiquei maravilhado. Não sabia que havia em Portugal alguém a fazer música assim. Tentei justificar a minha ignorância: “Você disse-me que era um cantor português e este António é alentejano”. (in O Globo)


terça-feira, 8 de setembro de 2015

[8446] - OPORTUNIDADE ADIADA OU ESBANJADA?!

 DINAMIZAÇÃO CULTURAL E ACÇÃO CÍVICA

Os mais velhos estão recordados das chamadas “Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica”, de 1974 e 1975, do âmbito da 5ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas. O objectivo era conquistar as comunidades rurais, especialmente no Norte e no Centro, para o projecto revolucionário em que o país estava envolvido. Actividade que se justificaria e se compreenderia à luz de uma mera pedagogia cívica, abastardou-se a partir do momento em que certa esquerda radical passou a influenciar os trâmites do processo, comprometendo a isenção política que a linha maioritária do MFA se propunha no seu programa inicial. No fundo, o que o senso comum esperaria era que se explicasse às populações o que mudara no país, o significado do novo regime político, o papel das forças partidárias, a finalidade e importância do acto eleitoral, em suma, que se fomentasse alguma consciencialização cívica nas mentes temerosas e entorpecidas por quarenta anos de ditadura.
Esse processo não constituiu o embrião de coisa alguma que pudesse ter tido continuidade ou produzido um resultado que se avaliasse em função da autenticidade da sua pureza, porque a deriva revolucionária se encarregou de o matar à nascença. E com o contragolpe de 25 de Novembro de 1975, tudo ficaria definitivamente arrumado. Devolvido o poder aos civis, entrámos então nos eixos deste regime democrático que hoje faz parte da nossa rotina, mas que não se isenta de um escrutínio sobre as suas virtudes e principalmente sobre as suas insuficiências e debilidades.
Numa altura em que se avizinha um novo acto eleitoral, em que a nação terá de decidir se cauciona a governação destes últimos quatro anos de austeridade e retrocesso social, ou se deve apostar firmemente numa alternativa, eis que nos sobressalta a sensação de que a sociedade civil pode não estar suficientemente esclarecida e motivada para se pronunciar com a expressão maioritária e inequívoca que o momento exige. E será então caso para perguntar o que falhou no processo da nossa transição para a democracia para que se assista actualmente a um elevado e desconcertante nível de abstenção eleitoral e a um adormecimento cívico que tem tudo para nos devolver à situação de carneirada dos tempos de má memória.
É claro que as respostas só as não encontra quem não quer, tão evidentes são os nossos constrangimentos cívicos. Poder-se-á pensar que “as campanhas de dinamização cultural” do período revolucionário podiam ter tido um sucedâneo qualquer, bastando que os governos democráticos que se seguiram curassem que o vector cívico-cultural não fosse alienado da vida nacional. Desde logo, e essencialmente, no papel da televisão, que teria de conter programas educativos e de esclarecimento cívico sobre as questões mais candentes da sociedade, ainda que numa democracia liberal haja que conciliar esse desiderato com a liberdade editorial que rege a comunicação social. Mas, concretamente, passaria, sobretudo, por evitar que as televisões ocupem o horário nobre com os programas confrangedores e alienantes que conhecemos, mas que alegadamente são os que mais lhes beneficiam o “share” de audiência; ou prevenir que em programas de teor político haja comentadores que deixam a isenção política e a honestidade intelectual em casa para entreterem o ouvinte com os mesmos discursos redondos e ambíguos; ou que alguns jornais procurem o sensacionalismo, a especulação e a devassa de vidas privadas, para realizarem boas vendas.
Bem, tudo isto é utopia numa sociedade livre, dir-se-á. E a comunicação social privada responderá que oferece ao consumidor aquilo que é do seu gosto, até porque a promoção da literacia e cultura não é objectivo primacial do seu negócio. Depara-se-nos assim um círculo vicioso e com tendência para o agravamento do problema, porque quanto mais persiste a acção deletéria nos espíritos mais estes se deixam anestesiar e capturar. De facto, a filantropia não está nos planos do sistema financeiro e, bem pelo contrário, pode ser contrária aos seus interesses um espírito de cidadania mais interventivo, mais selectivo e mais crítico.
Mas o pior é que esta via para a moldagem dos espíritos é apenas a parte visível de uma estratégia neoliberal cujos planos de dominação passam por voos bem mais altos. A persistência com que se busca a privatização de tudo o que é rentável ou pode vir a sê-lo nos países, assim como as decisões congeminadas nas agências de notação de risco e nas instituições financeiras internacionais, fazem parte de uma concertação para a submissão das vontades nacionais ao primado do mercado. Quem o diz são cientistas sociais de renome e alguns deles prémios Nobel, a quem repugna que a vida humana se cinja actualmente a um simples cálculo contabilístico.
Olhando ou não para o caso da Grécia, caber-nos-á em breve decidir até que ponto podemos ou não continuar reféns do mesmo receituário básico de austeridade e empobrecimento que nos tranca os sonhos legítimos de maior justiça e igualdade. Haja clarividência cívica para ao menos perceber a importância do momento.

Tomar, 24 de Agosto de 2015
Adriano Miranda Lima



sexta-feira, 6 de março de 2015

[7860] - DEMOCRACIA...


Cruzei-me há pouco com um colega na rua e parámos a comentar os recentes acontecimentos. Dizia-me ele que já não acreditava em qualquer solução democrática. Perante essa desilusão , perguntei-lhe porquê, e a resposta deixou-me a meditar:

-Porque a primeira consulta democrática de que há memória foi a de Pôncio Pilatos ao povo: "quem quereis que liberte, Cristo ou Barrabás?" E o povo escolheu o ladrão...

 ESTÁ TUDO DITO !

(Col. Amendes)

sábado, 29 de novembro de 2014

[7674] - HISTÓRIA DO SEXO DAS MULHERES ATRAVÉS DA HISTÓRIA...

Em conversa com o colega e amigo João Manuel Varela (João Vário), há alguns anos, sobre as mutilações sexuais e preconceitos relativamente à mulher, pediu-me que escrevesse para a revista ANAIS, da AECCOM (Academia de Estudo de Ciências Comparadas), algo sobre o assunto – Academia que desapareceu após a morte do seu criador, Prof. Varela, e poderia ter tido continuidade não fora a vaidade de se ser o criador de outra -, face à minha experiência nos países africanos onde trabalhei, por ter reparado o apoio que sempre dei à luta feminina pela emancipação, em escritos e na minha missão para a introdução do planeamento familiar em Cabo Verde, através do Projecto de Saúde Materno-Infantil e Planeamento Familial; seguira a polémica que isso levantou com a Igreja por causa dos métodos modernos de controlo da natalidade, que fui enfrentando com habilidade e respeito pelas ideias contrárias, rebatidas com argumentos dificilmente refutáveis.
Num dos números de ANAIS debruço-me um pouco sobre as mutilações sexuais, e, posteriormente, em artigos publicados nos jornais nacionais, sobre vários aspectos ligados aos direitos das mulheres. Por ser assunto que continua a preencher o meu interesse, não negligencio publicações respeitantes à matéria, e, recentemente, encontrei um livro interessante da historiadora, filósofa e escritora, Diane Ducret, intitulado Chair Interdite, da Editora Albin Michel, e uma entrevista na revista La Revue (do Grupo Jeune Afrique), que me vão servir para fornecer aos leitores algumas constatações deveras interessantes e surpreendentes.
Não me vou deter na descrição das mutilações sexuais praticadas em África e noutras paragens por motivos supostamente religiosos e animistas, em boa verdade por estupidez e egoísmo masculinos, por já o ter feito noutros escritos – excisão do cliptoris, dos pequenos e grandes lábios, circuncisão (em rapazes), infibulação (em que se cose a fenda vaginal deixando um pequeno orifício para a saída das regras), etc., a sangue frio com instrumentos contaminados, geralmente em rapariguitas, mas também em mulheres adultas para preservar a fidelidade destas na ausência do marido. Como acontece com os teólogos muçulmanos (imãs, molas, muftis, iatolas, etc) que muito excepcionalmente se pronunciam nas mesquitas ou em público contra as barbaridades e crimes cometidos pelos extremistas islâmicos considerando-os crimes e pecados mortais, o que poderia levar à diminuição de tais práticas e dos seus defensores, a maioria dos presidentes e ministros africanos nunca se manifesta publicamente contra as referidas mutilações sexuais, não obstante haver leis que as interditam e condenam, o que nos convence de que, no fundo, concordam com tais crimes como práticas ancestrais respeitáveis que “os brancos não entendem”, como costumam dizer.
Diane Ducret descobriu nas suas investigações históricas, que, no século XIX e até 1910, se excisavam mulheres na Europa e EUA, altura em que desaparecia o Antigo Regime e se executava o Código Napoleónico, que considerava “a mulher” como parceira obediente do homem, que devia cumprir “missão” e “vocação” fundamentais: esposa e mãe ou prostituta. Inconcebível que a mulher pudesse usufruir de algum prazer no acto sexual que escapasse ao controlo do homem. Os médicos excisavam, ao termocautério (portanto, ao fogo) as mulheres histéricas, as que experimentavam, como se presumia, muito prazer no acto sexual. Um cirurgião Vienense, Gustavo Braun, especializou-se, em pleno século XIX, na excisão do cliptoris para prevenir as regras femininas e orgasmos muito expressivos! Os homens conseguiram convencer as mulheres de que o prazer sexual feminino era típico de prostitutas, não de mulheres-bem, honradas, o que as forçou a consultarem médicos quando tal acontecia. Mesmo para Freud, a mulher com prazer cliptoriano era uma menina que ficou bloqueada nesse estádio; aí entrava a Psicanálise. A excisão terminou, por fim, na Europa mas continuou por alguns anos nos EUA. Em 1872, Robert Battey, médico cirurgião, demonstrou que a castração feminina eliminava de facto toda a histeria sexual!
Recuando mais no tempo, descobrimos que no Cristianismo – ter presente que as religiões foram criadas e monopolizadas por homens -, a mulher perfeita não tem sexo. É a Virgem Maria intacta, pura, sem regras, nem sexo. Na Bíblia, a mulher é impura durante sete dias e deve ser banida. Tudo que ela toca, ou alguém que mexa nalgum objecto que ela tenha tocado fica impuro. Na corte de Luis XIV, o seu cirurgião preconizava a amputação do clíptoris para retirar à mulher a “lascívia contínua”.
Com a Renascença e a Revolução Francesa, o Cristianismo separou o poder temporal do espiritual e, a pouco-e-pouco, foi aceitando a não interpretação à letra de muitas afirmações das Sagradas Escrituras, abandonando alguns preconceitos sexuais, o que não aconteceu com o Islão, por os árabes não terem tido Renascença nem nada semelhante à Revolução francesa; pelo contrário, inicialmente mais tolerante do que o Cristianismo – nos reinos medievais da Espanha moura, os governantes islâmicos deram abrigo a cristãos e judeus perseguidos, enquanto a Europa cristã se atolava em conflitos religiosos -, o Islão foi dominado, a partir de certa altura, pelo clérigo reacionário e fundamentalista que não lhe permitiu evoluir, preferindo privilegiar atitudes extremistas e até criminosas como acontece na actualidade, sendo a mulher propriedade do homem e destituída de quaisquer direitos. Por exemplo, o criador da seita Irmandade Muçulmana, Sayyed Qutb, intelectual egípcio executado no tempo de Nasser, que viveu alguns anos no Ocidente e EUA, escreveu que “as americanas sabem que a sedução reside em seios hirtos e transbordantes, pernas bem torneadas e ao leu, cabelos soltos e ancas roliças”. Concluia: “É tudo quanto não queremos no Egipto”.
Durante muito tempo se pensou que o uso do cinto da castidade apareceu na Idade Média para prevenir o adultério das mulheres cujos maridos partiam nas Cruzadas ou em negócios à distância. Afinal o seu uso foi muito mais recente, século XVIII. Os cintos de castidade que vemos nos museus não eram da Idade Média, mas posteriores. Foram também utilizados para suavizar o ardor sexual feminino.
Esse médico famoso que conhecemos do liceu, Ambroise Paré, considerava o aparelho sexual feminino ignomínia da natureza. O que mais o intrigava era o cliptoris entrar em erecção por várias motivações, sem nunca se preocupar em saber a razão. Somente com o médico e anatomista Falópio, século XVI, é que se teve uma descrição anatómica dos órgãos sexuais femininos, mas sem aprofundar o seu estudo e fisiologia. 
Afirma Diane Ducret que quando o homem deixa de ter condições materiais ou de estabilidade social, quando começa a fraquejar a sua líbido ou se abeira da impotência, ataca a sexualidade feminina para controlar a sua capacidade reprodutora e erótica. Por exemplo, na actual crise económica e social mundial, põe em causa o direito ao abortamento, a legitimidade da contracepção. Tem havido todo um trabalho teoricamente estético visando a mulher levando-a a eliminar os pelos (depilação), primeiramente das axilas, e, a seguir, da púbis, por o pelo ser sinal de maturidade sexual, de animalidade. Os árabes (muçulmanos) chegam ao extremo de abominar tudo que seja pelo e pele femininos, obrigando a mulher a esconder o cabelo e a pele. Realmente, o egoísmo masculino não tem limites… e a mulher tem ido na conversa, quando não é forçada a isso, como acontece entre as muçulmanas e certas judias ortodoxas que usam variantes da burka, num excesso de pudor, para abreviar a chegada do Messias.
Diane Ducret valoriza também homens que se preocuparam e amaram verdadeiramente a mulher preconizando medidas e fazendo invenções que favoreceram a sua libertação, independência e domínio do seu corpo e fecundidade: à cabeça cita o médico Gregório Pincus, o inventor da pílula contraceptiva.
A falta de consideração que se tem pelo sexo da mulher modificou-se radicalmente entre os anos 1920 e 1940, com o desenvolvimento da sociedade de consumo. A firma americana Johnson & Johnson tinha fabricado pensos higiénicos em 1896, mas somente em 1920 é que a Kotex tirou proveito disso, surpreendendo todo o mundo com anúncios publicitários deles para mulheres, quebrando o tabu sobre assuntos sexuais. Os homens serviram-se desses pensos para enriquecer, o que fez melhorar a ideia que se tinha da sexualidade feminina.
Um outro benfeitor foi Ernest Grafenberg, judeu, o descobridor do chamado ponto G (equivalente vaginal erótico do cliptoris), médico que tratava a boa sociedade feminina nazi, em Berlim (emigrou depois para os EUA). Nos seus estudos conseguiu distinguir a ausência de orgasmo da frigidez feminina. Em 80% das mulheres que não conseguiam obter orgasmo, isso devia-se, segundo ele, precisamente por existirem zonas sexualmente excitáveis tanto no cliptoris como na vagina (Ponto G) com graus diferentes de excitação. Daí nasceu toda uma série de estimuladores vaginais para as mulheres com fraca excitabilidade cliptoriana, técnica reservada, no início, às mulheres histéricas, quando, antes, se acusava a equitação, a máquina de costura com pedal, a dança e a bicicleta de todas as vilanias excitantes.
Intrigante a posição do Papa PioXII que, já com 80 anos de idade e criticado por não ter feito muito para evitar o morticínio nazi de judeus – quando, em boa verdade, salvou muitos facilitando a sua fuga para a América Latina –, defendeu aberta e corajosamente, contrariando as Sagradas Escrituras (por a dor ser uma punição divina por Eva ter tentado Adão), a eliminação da dor no parto, técnica que, na altura, se praticava na ex-URSS, antes de se estender a todo o mundo.
Finalizo repetindo o que escrevi em Mulheres: Fieis de Segunda Fila. A luta das mulheres pelo reconhecimento dos seus direitos – o feminismo, como habitualmente se lhe chama – é o combate em favor da igualdade, é o meio para as mulheres acederem ao poder da palavra e da acção. […] Obviamente, são as mulheres que têm de continuar na primeira fila de luta pela sua emancipação visto que “nenhum agressor se demitiu voluntariamente do seu poder a favor do seu vassalo insubmisso”. Aos homens lúcidos e justos exige-se solidariedade.

Lisboa, Outubro de 2014                                                            Arsénio Fermino de Pina
                                                                                                   ( Pediatra e sócio honorário da Adeco)
  

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[7337] - MAUS AUSPÍCIOS...


O 25 de abril só chegou ao Tarrafal a 1 de maio de 1974, quando as portas se abriram e todos os presos políticos foram libertados. Em dezembro de 1974, porém, as portas voltaram a fechar-se. No interior ficaram 70 cidadãos cabo-verdianos, adversários do PAIGC e afetos na sua maioria à UDC e à UPICV, formações que não teriam lugar no regime de partido único. Libertados a pouco e pouco, os últimos foram abrangidos por uma amnistia decretada aquando da independência. O campo viria a ser extinto "para sempre" em 19 de julho de 1975, por uma das primeiras leis da República de Cabo Verde...

FaceBook - José Rui Além