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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

[6591] - GATO ESCONDIDO?


Se há coisas que eu gostaria de ver esclarecidas, esta de se andar às voltas com a possível entrada da Guiné Equatorial na CPLP é a prioridade presente, quando o assunto se discute em Lisboa, na Assembleia da República...
Como seria de esperar, a esquerda portuguesa é contra, enquanto o Governo parece ser a favor, bem como os partidos que naquela Assembleia o suportam...
Nós desconfiamos que um país onde não se sabe se a pena de morte já foi ou não extinta, governado por um regime ditatorial onde a riqueza se restringe ao clã presidencial e pouco mais, onde as línguas já oficiais são o castelhano e o francês e o parentesco com o português se resume a uma espécie de crioulo falado na ilha do Ano Bom semelhante ao de S.Tomé e Príncipe, pouco ou nada tem  a oferecer à Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a não ser, claro, o petróleo!
Será este o rabo que o gato deixou de fora?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

(5967) - AINDA, O "AFFAIRE" MACHETE...

Então, Sr. Presidente de Angola?!


Exmo. Sr. Presidente da República de Angola,



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O meu nome é Cláudio Almeida. Logo, por consequência, o meu nome não é Rui Machete. É bom esclarecer isto, não vá V.Exa. andar a carta toda à procura de pedidos de desculpas e eu cá sou como o meu primeiro-ministro, não gosto de criar falsas expetativas. Ou QUASE como o meu primeiro-ministro, porque esse não cria mesmo expetativas nenhumas. Eu, por enquanto, ainda é só as falsas.
Escrevo-lhe com sincera preocupação. Então que raio de coisa é essa de cancelar a parceria estratégica com um povo irmão como Portugal?!
Em primeiro: é feio cancelar uma coisa que ainda não existe. É como eu ligar para a ZON a dizer “Boa tarde, eu queria cancelar o meu contrato convosco.” e a operadora “Com certeza, qual é o seu número de cliente?” e eu “Não tenho, sou Meo.” Uma pessoa fica baralhada, senhor Presidente.
Em segundo, e desculpe a sinceridade (vê, afinal tinha um pedido de desculpas. Enganei-o, seu malandro!): soa um bocado a pieguice cancelar uma parceria estratégica só porque V.Exa. está chateada com o Governo português. Eu também estou, há vários anos e não é por isso que não continuo estrategicamente a dar-lhes uma boa parte daquilo que ganho. “Ah, mas eu sinto-me roubado pelo Estado e pelas grandes empresas portuguesas!” Também nós, isso não é desculpa. Bem sei que é duro ver um país onde há poucos com muito e muitos com pouco. Deve ter sido um choque para V.Exa. Mas faça como nós: vá a uns festivais de verão e veja a Casa dos Segredos, que isso passa. Ou se está mesmo, mas mesmo chateado com o Passos Coelho, pronto, vá: faça uma manif. Se tiver problemas em escolher o local, ligue para a agência de manifs “CGTP” e peça para falar com o Sr. Arménio. Ele tem um pacote de sítios exóticos que o vai pôr de boca aberta. Senão, faça a típica Avenida da Liberdade. É aquela da Louis Vuitton e da Cartier, pergunte por aí que a malta conhece.
Agora, cancelar acordos com Portugal é que não. Assim de repente, dá ideia de que vocês não querem pagar a nossa dívida! Onde é que se já se viu isso?! Cheira até um bocado a Bloco de Esquerda. E olhe que nós ainda agora demos uma coça eleitoral ao Bloco de Esquerda. Ainda bem que V.Exa. não participa em eleições livres em Portugal. (e segundo algumas más línguas, em mais lado nenhum no mundo).
Em resumo: não percebo este cancelamento da parceria com Portugal – principalmente se for uma Parceria Público-Privada: quem faz PPP com Portugal fica sempre a ganhar. A menos que o Presidente me diga que a Isabel se portou mal e o senhor pô-la de castigo e proibiu-a de jogar ao Monopólio. Aí já não me meto, que cada um trata dos seus filhos da melhor forma que pode. Olhe, o meu ainda a semana passada portou-se mal numa aula e eu proibi-o de jogar Wii durante uma semana. Portanto, não se preocupe: castigue a sua filha à vontade, que nós ainda vamos cá estar quando ela aprender a lição. E é possível que ainda nem tenhamos vendido a Rua Augusta.
Cumrimentos,
Cláudio
 
Por e.mail - Paulo Azevedo