quinta-feira, 2 de abril de 2009

A TRISTE MADRUGADA DO ADEUS!

Morreu Anibal Lopes da Silva ou, simplesmente, Dr. Anibal, com a linda idade de 93 anos, dos quais tive o privilégio de, durante alguns deles, privar com esse Senhor, raro exemplo de profissionalismo, cortesia, inteligência, educação, pessoa intectualmente brilhante, interessada no fenómeno social, escritor de rara sensibilidade, radialista de quem herdei o programa "Revista Sonora" que durante anos passou na Rádio Barlavento de que foi, aliás, Director por largo período de tempo. Daqui lhe agradeço a amizade com que me honrou, os ensinamentos com que me ilustrou, nesta triste madrugada do adeus que me fere a alma com um irredutivel sentimento de orfandade afectiva... Paz à alma de um Homem Bom!
Zito Azevedo

quarta-feira, 4 de março de 2009

...E VENHA DAÍ MAIS UM !!!
Olá, camarada Carlos...Seja bem vindo a esta mesa de, aínda, escassos pratos mas, de qualquer forma, mais um, dos poucos que, até agora, consegui reúnir para degustar este ARROZ C'ATUM caseiro...
Quanto à "estória" do cinema, eu comentava a infelicidade de um amigo de S.Vicente que não tem "um" cinema onde ver cinema, o que, óbviamente, só consegue via DVD... Ora, a ambiência que tentei retratar era a do cinema (Eden-Park) que existía no Mindelo e onde, pode estar certo, não se consumíam pipocas, que eram, na época, uma americanice pouco divulgada... Mas, e isso posso jurá-lo, a geral (de bancos corridos, sem encosto) e uma parte da bancada (de bancos corridos com encosto), ficavam, depois de cada sessão, submersas num tsunami de cascas de...
mancarra, que é como por lá se chama o amendoím... Aliás, o ruído característico da descasca dos saborosos grãos, não raro se sobrepunha ao da música de fundo dos filmes... Bons tempos!
E, muito embora desconfie da esmola, sempre me considero um tanto orgulhoso de qualquer escassa emoção que os meus escritos lhe possam ter causado pois até existem emoções de sinais os mais antagónicos possivel, desde as do maior agrado às da mais completa sensaboria... Já me sentirei feliz com uma simples equidistância...
Adorei, no sentido menos ecuménico do termo, os títulos... Alguns são, mesmo, de quebrar a moca (perdão pelo vernáculo...).
Até sempre, meu amigo, com ou sem "catchupa"...
Zito Azevedo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

IR AO CINEMA-2.

Consegui "cheirar" essa espécie de raiva que transparece do seu grito de revolta de QUERER IR AO CINEMA...
E está tudo certo pois IR AO CINEMA, é outra coisa... É uma espécie de ritual em que se antecipa o prazer que a "fita" nos vai proporcionar, é todo o clima e calor da sala repleta falando em segredo, um ou outro dito espirituoso, um aceno largo para o amigo sentado lá atrás, a inquietação do nervoso mal contido porque o filme nunca mais começa, a chatice dos comerciais e, finalmente, um suspiro profundo , um acomodar na cadeira, um esfregar os olhos, um distender dos músculos e estamos preparados, de corpo e alma, para, finalmente, nos entregarmos, total e incondicionalmente ao que, durante as próximas horas, se vai passar, perante os nossos sentidos, todos eles, dispertos por doses abissais de adrenalina...
É este "antes de..." ou seja, a sua intensidade quase mórbida, que distingue o cinéfilo do "fulano que vai ao cinema" por ir ao cinema e não para ver o filme, seja ele qual for...
Eu não consigo conceber um lugar deste nosso mundo dito civilizado onde não se possa ir ao cinema...
P.S.- Recuperámos este post feito há já vários meses, a propósito da "raiva" de um companheiro do Mindelo, impossibilitado de "ir ao cinema", por razões óbvias, e fazemo-lo em intenção do Eden-Park...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

UM DIA ATRÁS DO OUTRO...

E, assim, se passou mais um Natal - que, entre outras coisas com mais ou menos açucar, me dá a visão simultania dos meus cinco netos - com as palavras sempre iguais, os mesmos aromas, os mesmos exageros, as mesmas saudades dos que já se foram mas continuam a povoar as nossas vidas no mais íntimo da nossa memória afectiva... Parece tudo igual mas, bem vistas as coisas, é todos os anos diferente: todos vamos mudando um pouco a cada momento que passa...

E para o Ano Novo, a noticia do Eden-Park em ruínas é pouco menos do que catastrófica e ocupar o espaço com um Centro Comercial é o mesmo que »subtraír» ao povo uma hipótese de cultura porque o local tem as medidas e a localização exactas, sim, para um CENTRO CULTURAL...
Zito Azevedo
P.S. Este texto andou esquecido pelos rascunhos uma data de tempo...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ALEGRIA III

Ora, viva, de novo, meu caro...
Lembra bem a "barriga de atum", uma especialidade que fui descobrir quando, há poucos anos atrás regressei em romagem de saudade ao Mindelo. É uma raridade culinária recentemente "inventada" pois não pertencia ao meu imaginário gastronómico mas merecedora, decerto, de um Prémio Nobel...
Calha bem, pois também fiz jograis (com o saudoso Dante Mariano e outros...), em espectáculos no antigo-novo Eden Park onde, aliás, apresentei a VOZ DE CABO VERDE, na sua primeira visita a S.Vicente. Amigos do peito, como Morgadinho, Frank Cavaquinho e mestre Luis Morais, que tanto fizeram pelo nome da terra... Lembro-me de nessa altutra ter tido a honra de cantar pela primira vez em publico e logo acompanhado pela V.C.V.....
Aliás, gostaria de ter noticia sobre o que se passa com o Eden-Park pois tive informação de que estava absolutamente desactivado... É uma pena...Aínda me lembro de ter ali visto o meu primeiro filme em cinemascópio: "As Aventuras de Adji-Baba" , cujo genérico era suportado por uma mui arábica melodia na voz inconfundivel de Nat King Cole... que Deus tenha!
Aqui ficam mais umas achegas que possam trazer à ilha do Arroz c'Atum outros naufragos da conversa fiada (ou talvez não...)
Aquele abraço do,
Zito Azevedo

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ALEGRIA II

Muito obrigado, amigo, pelo retorno... Isso faz-me acreditar que aida vou acabar por ter bastos esfomeados à mesa deste arroz com atum (cabeça de atum, de preferência...) Oxalá que assim seja pois, na minha idade, as pessoas começam a sentir-se sós e isoladas, carentes do calor de uma coversa amiga, à volta de temas que lhes sejam queridos, enfim do contacto humano...
Desculpar-me-á que, agora, monopolize a sua atenção mas, como sabe, para além de umas palavras breves de uma filha e de uma sobrinha, você é o meu único interLOCUTOR (?) a sério!
Tem graça essa do Tratrakacia porque, desde muito jóvem, sempre tive uma certa atracção pela arte mas acabei por não ter ido além das récitas do Liceu em que até tive honras de autor de uma peça que, imagine-se, terá provocado a admiração do Dr. Baltazar (que saudade...) ao ponto de este me ter enviado um livro com peças de Molière, no original... Livro esse que bastante tarde lhe devolvi para ficar a ideia que o teria lido todo... Enfim, coisas de miudo!
Aquele abraço
Zito Azevedo

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

ALEGRIA I

Eu sabia que o destino não conseguiria resistir à amargura da minha SOLIDÃO II e, vai daí, aparece-me o senhor da casa das maquinas, ajudante de estúdio, candidato a locutor e, finalmente, actor, Fonseca de seu nome, Teatrakacio de profissão... Longo caminho, meu caro!
Por estranho que isso até possa parecer, ao dar de caras com o seu nome no e.mail, disse para com os meus botões: "Isto cheira-me a Rário Barlavento..." Era o cheiro da saudade, da saudade das coisas que se fizeram e das pessoas que caminharam ao nosso lado, na casa das máquinas ou na cadeira de locução...nos tempos em que nada, mas mesmo NADA, era virtual, era tudo, ou quáse tudo, "feito à mão"...
Muito lhe agradeço, amigo Fonseca, o prazer da sua visita a este sítio que pretende ser, precisamente, mais uma ilha onde todo o mundo possa "entrar sem bater" e botar palavra, mas palavra de "morabeza", de respeito mútuo, de fraternidade.
Longa vida para o "Teatrakacia" e seus mentores e seus actores e seus sonhos...
Um abraço do tamanho da imensidão azul que nos separa (mas não nos afasta...)
Zito Azevedo

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

SOLIDÃO II

Ora, aqui estou eu na posição peculiar de maior visitante do meu próprio "blog"... Continua todo o mundo surdo â minha solidão que, pelos vistos, apenas provoca um insurdecedor silêncio...
Mas eu creio, eu acredito que, um destes dias, aínda aparece por aí um chorrilho de comentários, qual deles o mais interessante..
Até lá, por cá me fico...
Zito Azevedo

sábado, 1 de novembro de 2008

SOLIDÃO...

Sinto-me ignorado e, portanto, solitário, como o Lucky Luck mas...sem cavalo...
Ninguém liga puto a ninguém...
Nem o irmão, nem os filhos, nem os netos, nem os sobrinhos, nem os amigos nem, imagine-se, nem os inimigos!
Das duas, uma: ou grassa por aí, uma grande quantidade de preguiça ou anda todo o mundo ocupado a fazer mais coisas do que o tempo disponivel...
Enfim, desejo melhoras!
Zito Azevedo

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

AO ANTONIO O QUE É DO JOAQUIM...

Do amigão António Joaquim Vera-Cruz, veio um fax que tomo a liberdade de reproduzir:
"Ainda não fui provar o arroz catum, mas já estou com água na boca. Felicito-te e desejo ao teu blog uma longa vida. Saudades à Maiuca e para ti aquele abraço do
AJ"
Muito obrigado ao AJ, velho guerreiro e companheiro de armas das infindáveis campanhas da era White & Mackay's on the Rocks... Bons tempos!
E, já agora, aquelas mantenhas do fundo coração para a Manuela!
Zito Azevedo

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Origem das Coisas

Porque razão "Arroz c'Atum" ?

Vamos por partes.

O primeiro título que escolhi foi "Morabeza" mas, infelizmente, não está disponível...

A seguir, tentei "Cretcheu" mas, inesperadamente (ou talvez não), também não é aceitável...

Ora - pensei eu - o que é que haverá em C.Verde de realmente "gostoso" para além da morabeza e de um chetcheu ? Óbviamente, ARROZ C'ATUM !!! (note-se que estamos a falar de arroz COM atum e não de arroz DE atum. A diferença parece-me que é mais do que evidente, mas convém sempre precisar as coisas devidamente).

Mas, perguntar-se-á, porque não catchupa? Nem tentei, porque se não pode ser morabeza nem cretcheu, de catchupa, nem falar e, além do mais, um arroz c'atum à maneira não fica a dever nada à mais rica das catchupas...

Quem é que concorda?

E quem é que discorda?

Senhoras e senhores, todos à pesca...Já !!!

Zito Azevedo
Oi, Caluxa...
Lamento os motivos dos seus vagidos e desejo que logo, logo a coisa irá mudar para gargalhada:
palavra de Obama...
Gostei de ouvi-la; pode dar conta dos seus vagidos e outras manifestações sonoras sempre que queira. Eu sou um ouvinte atento, interessados e... amigão!
Tio Zito
Olá, filhota!
Aínda bem que "ganhaste" alguma coisa com o primeiro "vagido"... Só por isso terá valido a pena o nascimento do blogue...
Aparece quando quizeres: as portas estarão sempre abertas...
Pai

terça-feira, 21 de outubro de 2008

PRIMEIRO VAGIDO...

O primeiro vagido é o primeiro grito de revolta mas também de vitória, a primeira afirmação de presença, de ser, de estar, de sentir e, mau grado tudo isto é, apenas, um vagido, o primeiro que é, sempre, o prenuncio do último... Figas!
E como será o primeiro vagido de ARROZ C'ATUM? Ou será que arroz c'atum não chora, nós é que choramos por ele?
Fico à espera do primeiro vagido, aí desse lado.
Mantenhas
Zito Azevedo