Mas, a questão é que eu ainda estava a 250 quilómetros do meu destino e para onde não havia transportes institucionais de espécie alguma: caminhos de ferro ou camionagem. Na Administração de Teixeira de Sousa disseram-me que, com o não podiam dispensar nenhum funcionário nem nenhum veículo para me ir levar a Cazombo, eu teria que ir à boleia de algum camionista dos que usualmente levavam para o Alto Zambeze carga geral, desde comestíveis a combustíveis, e traziam de volta arroz, amendoim e cera de abelha que eram as três maiores e mais importantes produções daquela rica planura quase do tamanho de Portugal que era atravessada por um dos mais importantes rios de África...
Foi preciso esperar dois dias para aparecer um camionista com um lugar disponível na cabina e que já vinha do Luso (Luena), a cerca de 400 quilómetros...Avisou que tínhamos que fazer viagem pelo Congo Belga, não só por causa do preço do gasóleo quase 20% mais barato do que em Angola, mas porque as estradas eram decentes e transitáveis todo o ano, embora tivéssemos que percorrer mais 70 quilómetros ou seja, tínhamos cerca de 320 quilómetros à n/ frente, o que dava aí para 8 horas de caminho que, pela amostra da ultima semana, seria percorrido debaixo de chuva quase diluviana. Partiríamos às 06h00 da manhã a tempo de ir almoçar em Nana-Candundo onde havia um Posto Administrativo a dois terços do nosso destino. O Chefe de Posto Gonçalves costumava ter sempre um petisco à espera, em resposta a um telegrama que, pelo seguro, o camionista lhe enviava de T.Sousa, não fosse o homem ir para a caça que era onde passava 90% do seu tempo livre...
Ficámos quase gelados quando o cipaio nos informou que o Senhor Chefe tinha ido com o Jeep buscar o Soba Njamba que tinha partido uma perna e levá-lo a T.Sousa, pelo que só regressaria no dia seguinte...Foi quando apareceu o cozinheiro do Posto, que já conhecia o nosso camionista Ismael e nos devolveu a esperança: "Sinhô Ximel, Sinhô Chefe manda fazê uma petisca pro'cê!"... A cerveja, como tive que me habituar, estava quase morna mas o churrasco de frango com milho verde assado estava uma verdadeira delícia...Ismael ofereceu ao cozinheiro uma caixa de fósforos de cera. Na altura lembro-me de ter pensado que mais valia não ter dado nada ao pobre homem... Agora, uma caixa de fósforos?!
Continua...