sábado, 11 de maio de 2013
O 5º ARGUMENTO DE BEETHOVEN...
Beethoven's 5th Argument - Clicar...
FILMADO AO VIVO NOS ANOS 50 (SEC.XX)
Actores - Sid Caesar e Nanette Fabray
Colab. Amendes
Colab. Amendes
sexta-feira, 10 de maio de 2013
FRUTA DA PRIMAVERA...
ESTAMOS NA PRIMAVERA...
APROVEITE A FRUTA DA ÉPOCA...
***
MORANGOS - FRAMBOESAS
CEREJAS
PÊSSEGOS - DAMASCOS
AMEIXAS
BANANAS - ABACATES
NECTARINAS
***
NA ÉPOCA PRÓPRIA, AS FRUTAS SÃO
MAIS SABOROSAS,
MAIS ABUNDANTES,
MAIS BARATAS!
*
COMA FRUTA, PELA SUA SAÚDE!
CONCURSO VIDEO-TALENTOS 2013...
CONCURSO VIDEO-TALENTOS
2013
Curta-metragem roduzida pela BURBUR e escolhida entre 300 concorrentes para o lote de 20 finalistas a cuncurso.
Pode votar até 20 de Maio, pelo link
http://www.youtube.com/user/videotalentos?x=z3tPjd09NMg
PARA LÁ DA RUA DE PRAIA - 3
O amigo e colaborador Valdemar Pereira também tem algo a dizer sobre este mal-cheiroso assunto e, para dourar um pouco a pílula, resolveu contar a sua história...em verso!
***
CRIADA DE DIA, CRIADA DE SERVENTIA...
*
Esta, ali na esquina é a Maria das Dores, a Bia
Há anos quando não havia água canalizada,
Ela era jovem criada de servir, criada de dia,
Carregava água de Madeiral para a moradia.
Ela era garbosa, agradável, contentinha,
Andara pela escola e outros predicados tinha.
Depois, a jovem pretinha, cheirava a sabão,
Com frescura no corpo que não sabia dizer não,
Perdeu a juventude, a honra e a sua inocência
E, para com ela, já ninguém tinha paciência.
Chegou a perigosa velhice, lançou as raízes,
A miséria e a doença nas pernas com varizes.
A vitalidade da sua juventude desaparecia
Já não tinha forças para ser criada de dia,
Sem a água canalizada a merda era enlatada
E, ao cair da noite, por ela era despejada.
Como a Bia tinha que ganhar a subsistência
Para não pedir esmola e viver de assistência,
Então, na esquina, contava as horas do dia
E às nove ia buscar a lata de serventia!
***
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CRIADA DE DIA, CRIADA DE SERVENTIA...
*
Esta, ali na esquina é a Maria das Dores, a Bia
Há anos quando não havia água canalizada,
Ela era jovem criada de servir, criada de dia,
Carregava água de Madeiral para a moradia.
Ela era garbosa, agradável, contentinha,
Andara pela escola e outros predicados tinha.
Depois, a jovem pretinha, cheirava a sabão,
Com frescura no corpo que não sabia dizer não,
Perdeu a juventude, a honra e a sua inocência
E, para com ela, já ninguém tinha paciência.
Chegou a perigosa velhice, lançou as raízes,
A miséria e a doença nas pernas com varizes.
A vitalidade da sua juventude desaparecia
Já não tinha forças para ser criada de dia,
Sem a água canalizada a merda era enlatada
E, ao cair da noite, por ela era despejada.
Como a Bia tinha que ganhar a subsistência
Para não pedir esmola e viver de assistência,
Então, na esquina, contava as horas do dia
E às nove ia buscar a lata de serventia!
***
PARA LÁ DA RUA DE PRAIA - 2
Djack não aceita a foto do post precedente como sendo do célebre "caizin", enviando-nos esta, com algumas anotações do Djibla, que se explicam por si próprias...E, assim, da "discussão" nasce a luz sobre um assunto de algum melindre para alem do "folclore" que possa suscitar...
quinta-feira, 9 de maio de 2013
PARA LÁ DA RUA DE PRAIA...
O amigo e colaborador A.Mendes lá conseguiu imagem do final incontornável da Rua de Praia, o imprescindivel "caizin", terminal do esgoto aéreo que servia a cidade ainda na segunda metade do século passado, sob a batuta de Maria Salema...
O QUE É ISTO ?!
Creio que muito mais que metade das pessoas responderão que SÃO DIOSPIROS, como palavra grave, com acento tónico da penúltima sílaba = PI...Só que, infelizmente para esses, a palavra é esdrúxula e, assim, SÃO DIÓSPIROS, com acento tónico e gráfico sobre a antepenultima sílaba = ÓS...Nem mais nem menos!
A RUA DE PRAIA E O BINDE DE CUSCUZ...
Há dias, o amigo e colaborador A.Mendes desafiou a malta a descobrir o nome "oficial" desta rua, coisa que o Saial, "adivinhou" num estalar de dedos, ele que por ali vagueou alguns anos, pois morava na Capitania...Ganhou o "binde" que não sei como nem quando será entregue...
Entretanto, o inventor do passa-tempo recebeu um e.mail de Rui Tuda (Rui Fonseca) que, com a devida vénia transcrevo, pois se trata de uma saborosa declaração de ignorância do nome "deveras", a que anexa uma série de "outros" nomes:
- Dia 28 de Maio de 2013 tâ fazê três mês cum bem de soncente. Pôque gente ê capaz de ganhá êsse bô binde de cuscus pâ dzê nome verdadere dêsse rua, pâ móde êle ê conchide pâ um data de nome e sê nome verdadere ninguem câ sabê dezêbe êle.
Sê nome rincipal quêl ê conchide é RUA DE PRAIA DE BOTE, ma um tita bem dobe más alguns nome:
RUA DE CAPTANIA, RUA DE PLURIM DE PÊCHE, RUA DE VASCÓNA, RUA DE LOPES E MADÊRA, RUA DE FIGUÊRA (Ship Chandler)...Câ tem dia de um ganhóbe bô binde de cuscus, pamóde sê nome verdadere um câ sabê...Um braçona - Rui de Tuda.
Tambem êle ê conchide pâ rua de Sr. Carlos Nascimento - pai de bê grande amigo Vicente...-
O ADEUS A MARY...
Recebi a noticia com o mesmo aturdimento do céu desabando sobre a minha cabeça: MARY, MORREU !!!
Mas, pensei, não pode ser: gente como Mary não morre, ainda por cima tão jovem!
Conheci Mary, ou Mary Melo, ou Mary de Tuta, ainda ela era uma criança...Esta foto, com ela já espigadota, fi-la eu na Vila da Ribeira Brava, quando passava por S.Nicolau em Busca da Ilha Brava e da minha amada...Era uma loura natural, linda de morrer e não conheci nenhum fulano da minha criação que não suspirasse ao vê-la passar, airosa, alegre, comunicativa, de uma simpatia sem limites...
Mary era um bálsamo para os nossos olhos e para os nossos sentidos e tinha com ela aquela aura invisível que transmitia a essa atracção um sentimento de quase veneração...Nunca ouvi falar que alguma vez, um qualquer "voluntário" lhe tenha faltado ao respeito: é que, mesmo quando era jovem, Mary já era uma Senhora...Rezam as crónicas que assim se manteve, até ao fim dos seus breves dias...
Eu, que tive o privilégio de a ter conhecido bem e com ela ter partilhado a amizade que contraí com os pais, choro lágrimas verdadeiras de uma dor profunda mas mansa porque iluminada pelo seu sorriso inesquecivel... ADEUS, MARY, CRETCHEU DE MINDELO!
DAS ORIGENS DA PERA ROCHA...
Nativa de Portugal e apreciada pelo Mundo fora, foi na sua Quinta de Sintra que, em 1836, o agricultor António Rocha a baptizou...
Amendes
Amendes
quarta-feira, 8 de maio de 2013
O ÚLTIMO PATRIARCA...
Este elegante cavalheiro de cãs, barba branca e farto bigode, chamava-se João Maria Feijóo, natural da Brava, onde sempre viveu e onde viria a falecer...Na verdade, Nhô John ou Pá John era avô de minha mulher que, como toda a gente da família, nutria um receio visceral pelo avô, que era homem de colocar em respeito o mais destrambelhado dos rufias...
De pequena estatura, consta que os filhos - seis meninas e um rapaz - nunca o terão visto em mangas de camisa...Pessoalmente, nunca o vi, durante todos os anos que com ele convivi, a não ser de fato preto, incluindo colete, gravata negra e camisa branca...
Nhô John era professor primário de formação, mas foi Administrador do Concelho e fez os estudos e fiscalizou a construção da primeira estrada Furna-Nova Sintra, obra que, ainda hoje, recebe encómios de especialistas...Também foi "arquitecto" com diversos imóveis construídos a partir de projectos seus, adorava musica clássica e tinha um rádio a pilhas da Phillips que se tornou célebre. Nos anos conturbados da "guerra-fria", a B.B.C. transmitia às 9.00 ou 10.00 horas da noite um noticiário muito completo. Como àquela hora já não havia electricidade da rede publica, Nhô John colocava o seu potente rádio nas escadas que davam para o quintal enquanto se juntavam dezenas de pessoas, em silencio duplamente recomendado: por respeito para com o "patriarca" e para que todos conseguissem ouvir as notícias em condições mínimas. Acabado o noticiário, e ao som de muitos "boa noite, Nhô John" ou "obrigado, Nhô John", a audiência dispersava, o rádio recolhia ao seu lugar de destaque, na sala e Pá John sorvia, de pé, a sua tisana pré-recolha..Um "boa-noite" em surdina acabava com a "festa" pois, nos no prazo dos cinco minutos que se seguiam, o silêncio teria que reinar ou cairia o Céu e a Trindade.
Achava que os mariscos eram venenosos e lançava impropérios contra os inocentes crustáceos quando acontecia dar com os genros-netos - éramos dois - degustando uma lagostinha ou uns caranguejos negros da Furna...
Ainda não era aquilo a que se costuma chamar velho, quando morreu...Por isso, talvez, a sua morte foi sentida...Nhô John, o último dos patriarcas das ilhas, foi um homem ríspido mas justo, exigente mas trabalhador, um tanto sobranceiro mas extremamente educado. Foi condecorado com a Ordem da Instrução e deixou-me um vazio significativo, pois não conheci nenhum dos meus avós e Pá John foi quase isso, para mim. Que Deus o tenha!
PAU-DE-CABELEIRA...
Pau-de-cabeleira era, antigamente, uma espécie da pega de um galheteiro em que, as galhetas, eram, obviamente, dois namorados...Era uma espécie de guardiã ou confidente dela e, pela sua presença mais ou menos constante, garantia que as coisas se mantivessem dentro de limites de comportamento legitimados pela moral e os bons costumes...Era uma seca de todo o tamanho!
Na foto, este vosso amigo, impecavelmente penteado de risca ao lado, olhava, embevecido aquela que, anos mais tarde, viria a ser sua mulher, enquanto a Anita de Nhô Tuntum desempenhava o seu papel, fazendo de conta que era invisível...
E faço aqui um parêntesis para informar que esta Anita, natural da Ilha do Fogo e que se hospedava em casa da minha futura para poder frequentar o Liceu, é da família do marinheiro Avelino a quem o Arroscatum fez referencia há alguns dias, contanto a sua odisseia de herói da última Grande Guerra!
Mas, voltando ao "pau-de-cabeleira", é bem verdade que já naquele tempo, por volta dos anos 40 do séc. XX, a coisa estava em decadência, persistindo, apenas, nalgumas famílias ditas tradicionais ou, apenas, por mera precaução contra a "má-língua"...De resto, com ou sem "pau-de-cabeleira" acabámos por casar e a amizade de então com a Anita perdura, até hoje! Portanto, tudo está bem quando acaba bem! Um beijinho, Anita!
CONTRAPONTO...
EM CONTRAPONTO COM AS FOTOS DE DOMINGO À TARDE, QUE PUBLICÁMOS
ANTES, O AMIGO A. MENDES ENVIOU-NOS ESTA BELA FOTO DE
MINDELO À NOITE...
QUEM SABE ?
O AMIGO A.MENDES OFERECE
UM BINDE DE CUSCUS A QUEM
ACERTAR COM O NOME DESTA
RUA DO MINDELO, A MENINA
DOS NOSSOS OLHOS !
domingo, 5 de maio de 2013
RENOVAÇÃO...
Este é o novo "look" do Café Royal, da Rua de Lisboa, Mindelo, S.Vicente, Cabo Verde...Creio que foi feito um bom trabalho, respeitando, minimamente, a traça original, perfeitamente enquadrada no espírito dos imóveis circundantes...
Ocorre perguntar: "E agora, o Eden-Park???"
Fotos - J.Leão
sábado, 4 de maio de 2013
DESABAFO...
Nota do Gerente:
Este texto chegou-nos à mão em e-mail do amigo de longa data
M.M. da Silva, com o seguinte recado do autor:
"PARTILHANDO UM RETRATO ATUAL
DA SOCIEDADE PRAIENSE, COM
REFLEXOS NEGATIVOS E
CRIMINOSOS NAS
OUTRAS POBRES
ILHAS..."
sexta-feira, 3 de maio de 2013
UM HERÓI...LEMBRADO...
Afinal, a Municipalidade de Brielle (Holanda) parece que cumpriu os desejos da comunidade e acaba de colocar uma lápide, numa das rotundas da cidade, alusiva ao marinheiro Manuel Ernesto Avelino e aos actos heróicos que dele fizeram uma figura respeitada e de muita alegria, como parecem demonstrar os sorrisos destes três elementos da família Avelino, um holandês por mérito nascido na terra quente de Djarfog nos longínquos anos de 1800...
Glória e Paz Eterna para tão ilustre caboverdiano.. .
Colab. de
Amendes Foto de Barroso Brito
UM HERÓI ESQUECIDO...
Este garboso marinheiro chamava-se MANUEL ERNESTO AVELINO, era natural da Ilha do Fogo, Cabo Verde, e foi, talvez se não o primeiro um dos primeiros caboverdianos a emigrar para a Holanda, passou-se isso em 1898...Foi casado com Willenpje Heijndijk de quem teve dois filhos, Luzia e André e viviam, todos, na cidade de Brielle, enquanto Avelino ganhava a vida como marinheiro de 2ª classe, a bordo do navio mercante holandês Colômbia, da Companhia KNSM...
Com os estalar da guerra, o Colômbia foi requisitado pela Marinha da Holanda e, em 1941 foi transformado em barco de guerra na Escócia, armado com 18 canhões e metralhadoras, tendo como função fornecer os submarinos holandeses de víveres, combustíveis e munições...O emigrante Avelino viu-se, assim, transformado em marinheiro de guerra da Armada Holandesa, situação que, embora legalmente irregular não o assustou nem demoveu..
O Colômbia tinha a sua base em Colombo, na antiga Ceilão, hoje, Sri Lanka, mas, em 1943, viajou para a África do Sul, em má hora pois, perto da cidade do Cabo foi descoberto pelo submersível alemão U256 que disparou três torpedos, dois dos quais atingiram o navio de Avelino...Uma corveta da Marinha Britânica ainda tentou ajudar mas não conseguiu mais do que pôr a embarcação germânica em fuga...
Entretanto, os 318 tripulantes do Colômbia tentaram fazer descer as cinco enormes baleeiras salva-vidas...Avelino tomou lugar numa das primeiras a ser baixada mas depressa se verificou que havia problemas com três dos botes, presos num emaranhado de cordas e cabos...
Então, Avelino voltou a bordo, enquanto o navio se afundava rapidamente, ajudou a desembaraçar as três embarcações, e os seus colegas a embarcarem rapidamente e só quando todos estavam a salvo saltou da ré para o mar no instante em que o oceano reclamava mais uma vítima da mais ignóbil das guerras... Resgatado por uma das baleeiras, acabaram todos por ser recolhidos pelo Queen Mary, transformado em transporte de tropas, constatando-se que apenas havia 8 desaparecidos, não sendo estranho a este facto, o comportamento heróico do foguense Avelino que a Rainha Guilhermina, exilada na Inglaterra, condecorou em 1943, com a Cruz de Mérito. Foi louvado pelo Decreto Real Nº 21 e, antes do fim guerra ainda serviu em diversos navios da sua antiga Companhia.
Só em 1947 se reuniu à sua família, depois de lhe ter sido conferida a Cruz de Guerra da Holanda,
Avelino recebeu a nacionalidade holandesa em 1947 tendo falecido, serenamente, em Brielle, em 8 de Junho de 1980, tinha 81 anos.
A história de Manuel Ernesto Avelino, caboverdiano do Fogo, foi recentemente contada, com profusão de fotos, num jornal de grande circulação na Holanda e os filhos do herói-marinheiro estão certos de que, em breve, Brielle dará o nome de seu pai a uma praça ou rua ou praça da cidade...
E o Fogo, o que fará?
Recolha de Maria Odete Koene
(Adaptação)
quinta-feira, 2 de maio de 2013
ERA UMA VEZ, ANGOLA - XXIX...
ERA UMA VEZ NEVES DE SOUSA
O PINTOR DE ANGOLA
- Albano Silvino Gama de Carvalho das Neves e Sousa -
Quando a Administração recebeu um telegrama do Governo do Distrito do Moxico a informar que o Alto Zambeze serra visitado, por três dias, pelo pintor Neves e Sousa, a quem deveríamos prestar toda a colaboração possível, fiquei em pulgas: eu já tinha ouvido falar do homem, que também era poeta e pintava com um vigor e um colorido que francamente me agradavam...
Felizmente, o Administrador Marques Estaca conhecia-o, pessoalmente e instalalo-ia na sua residência que, por acaso, até tinha quarto de hóspedes e tudo...Fui avisado que eu escoltaria o artista para onde quer que ele desejasse ir, mais um cipaio, ficando o Jeep Willis a meu cargo para todas as deslocações...
Falei longamente com o administrador que me esclareceu ser o pintor natural de Matosinhos, perto do Porto, onde nascera em 1921, pelo que era treze anos mais velho do que eu. Tinha feito o Liceu já em Luanda e em 1936 já tinha realizado a sua primeira exposição de pintura...Era um homem afável, fumador de cachimbo inveterado e conhecido, especialmente, pelos seus quadros de mulheres de todas as regiões do imenso território angolano. Alias, doze dessas figuras foram seleccionadas para uma colecção de selos notável.
Foram, afinal, três dias memoráveis, em que percorremos algumas centenas de quilómetros...Quer parados, quer em movimento, Neves e Sousa não parava de fazer esboços, a "crayon" sobre folhas de papel A5 com imensas notas escritas nas margens...Confidenciou-me que aquilo eram apenas umas indicações para que tudo, depois, ficasse dentro de limites que não dessem uma ideia distorcida das reais dimensões do "assunto"...As notas escritas eram sobretudo sobre as cores a utilizar, a luminosidade, a direcção dos raios solares, etc...
Sempre que possível, programávamos as deslocações por forma a estar de regresso a Cazombo às horas das refeições mas, quando isso não era possível, lá levávamos umas latas de sardinhas e de atum, alguns pães e cerveja, imaginem, dentro de garrafas térmicas! Claro que perdia muito gás mas, pelo menos, era uma bebida fresca...Até o cipaio gostava!
Saíamos sempre muito cedo pois, segundo Neves e Sousa, à medida que o Sol ia subindo no horizonte e a temperatura a aumentar, o calor provocava ondas térmicas de baixo para cima. que deturpavam a paisagem, esbatendo-lhe os contornos, deturpando as cores, escondendo pormenores, enfim, adulterando a realidade...Aliás, quando não voltávamos à base para almoçar, era fatal andarmos a procura de uma sombra segura onde acabávamos por dormir uma bela duma sesta, depois de uma sandes de atum e alguns goles de Cuca, entre as 12 e as 15 horas...
Na véspera do seu regresso, Neves e Sousa ofereceu-me um postal com uma cena dramática, que ele considerava um dos seus melhores trabalhos.
Nessa noite fui convidado, bem como o Dr. Poupinha das Neves e sua belíssima esposa, para o jantar de despedida do Neves e Sousa. Foi uma noite animada com o pintor a afirmar que, graças ao apoio que lhe tinha sido proporcionado tinha conseguido reunir material que lhe daria para muitos meses de trabalho...Até disse ao Administrador que me devia condecorar pela paciencia e boa vontade que eu tinha colocado à sua disposição ao que aquele retorquiu, com um sorriso um tanto amarelo que, condecoração, não, mas que um louvor no Diário da Circunscrição, talvez...Se me foi concedido, nunca cheguei a saber...
No dia seguinte, lá se foi, aproveitando a boleia do fiscal do Grémio do Arroz que tinha andado a visitar as lavras...
Gostei de conhecer este homem e grande artista que, infelizmente, foi forçado a abandonar Angola, que adorava, vindo a falecer, em 1995 na Bahia, Brasil...Paz à sua alma!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O SANTO FÁLICO...
Para alem das demonstrações de desagrado politico-social, por parte da população, a inauguração, em Barcelos, da estátua de S. Nuno de Santa Maria também suscitou alguns sorrisos acanhados porque, dum certo ângulo e descontada a cabeça do santo, o que resta causa uma certa perplexidade...Estamos certos que o escultor nunca olhou para o seu trabalho deste ângulo!
Colab.
Amendes
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