Receita de Valdemar Pereira
terça-feira, 23 de setembro de 2014
[7443] - DESPEDIDA VIOLENTA...
O Verão despediu-se, ontem, de Lisboa com inusitada violência...Chuvas torrenciais e queda de granizo que chegou a acumular-se acima do meio metro, mergulharam a cidade no caos...Acontece que sofri, pessoalmente, os efeitos desta autêntica tromba de água, em consequência da qual levei mais de uma hora para fazer o trajecto entre o Aqueduto das Águas Livres e a Praça de Espanha...No total, saí de Queluz às 14,30 e cheguei ao Areeiro às 16,15...
Foi-se, assim, um dos Verões menos quentes das ultimas décadas e que, por isso, não terá deixado grandes saudades...
E, o Outono aí está, em toda a sua dourada beleza...
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
[7442] - POEIRA DO TEMPO...
CRISTIANO JOSÉ DE SENNA BARCELLOS
SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DE CABO VERDE E GUINÉ – 1460 A 1466
A História destas ilhas não é para nós, filho delas, um estudo indiferente, de mera curiosidade, em que toquemos ao de leve.
Consultámos os principais cronistas, Fernão Lopes, Rui de Pina, Damião de Gois, João de Barros, André de Rezende, e lemos com atenção as viagens do piloto veneziano Luís de Cadamosto; passámos pela vista trabalhos de Lopes de Lima e de outros escritores modernos; com sossego vimos os arquivos das ilhas, Torre do Tombo e as bibliotecas públicas de Lisboa, Évora, Porto, Coimbra, e particularmente a da Ajuda, as quais encerram preciosos manuscritos.
Encandear todos os sucessos que se deram desde o descobrimento até hoje, seguindo um moderno critério na apreciação das notícias espalhadas em centenas de antigos e empoeirados volumes e boletins oficiais, nos pareceu tarefa de não pequena monta.
Sobre a descoberta encontrámos alguns cronistas e abalizados escritores em perfeita discordância, e improfícuo seria este estudo se lhe déssemos crédito, pondo de parte documentos que eles certamente desconheciam e que existem nos arquivos públicos.
Sem método, todo o estudo é vão, e quanto mais o desta História nos parece importante tanto mais cresce a precisão de varrer as nebulosidades em que as ilhas andavam envoltas, formando cada um a seu respeito puras lendas e caprichosas narrativas.
Os vestígios que de si deixam as pessoas nos monumentos e a narração dos coevos é tudo o que deles fica, e sem estas fontes não há viveza de engenho nem agudeza de raciocínio que lhes possam suprir a falta.
Supõem alguns que estas ilhas já eram conhecidas dos antigos geógrafos com o nome de Hesperíidas ou Gorgonas, como diz Plínio.
Plínio e outros, falando das ilhas próximas a Cabo Verde, promontorium Hesperius, não se referiam decerto às do arquipélago de Cabo Verde, que ficam mui distantes do continente negro. Deste não se avista a mais leve sombra daquelas.
Não nega a História que os fenícios, cartagineses e outros povos fossem navegadores, porém é um facto que a navegação deles era toda costeira, mui diferente da do século XV em diante, século em que Portugal abriu caminhos marítimos, ligando assim todos os povos do mundo. Descobriu esse caminho para o oriente e pelo ocidente até à América.
Como explicar, pois, o conhecimento destas ilhas por Plínio e outros, se para isso lhes era preciso fazer uma navegação larga?
Não seriam as Hesperidas ou Gorgonas as mesmas ilhas de que nos fala o Livro 1º. Fl.61 da Chancelaria de D. Afonso V (Torre do Tombo), da temporalidade das quais fez o Infante D. Henrique, doação a seu sobrinho D. Afonso V, incluindo o Cabo Verde? Não seriam as de S. Luis, S. Denis, S. Jorge, S. Tomás e Santa Eiria? Não duvidamos.
Estas ilhas que foram descobertas por Denis Fernandes, acham-se arrumadas nas proximidades do promontorium Hesperius.
Delas falam Ptolomeu, Pompónio Mela, que lhes dá o nome de Gorgonidas, e até os poetas lá descobriram a morada de três irmãs Medusa, Sthenion e Euriala.
Ignorada evidentemente a existência do arquipélago de Cabo Verde durante séculos, deles foram descobertas em 1460 cinco ilhas, ainda em vida do Infante D. Henrique, pelos navegadores Diogo Gomes, português e António de Noli, genovês.
Os documentos comprovando esse grande facto na brilhante história marítima portuguesa eram ignorados pelos nossos antigos historiadores, e até pelo ambicioso Luís de Cadamosto, que pelos anos de 1460, andando ao serviço do infante, queria partilhar a glória desta descoberta, eliminando, numa falsa narrativa que fez, o nome do navegador Diogo Gomes, e substituindo-o pelo seu.
Esta narrativa mereceu encómios e alguns dos nossos historiadores, enquanto a crónica de Azurara, então desconhecida, não veio derramar a precisa luz sobre tão importante assunto; e ainda mais tarde, para tirar todas as dúvidas, mostrou o inglês Richard Henri Major a verdade, fazendo sair do pó da biblioteca de Munich a descrição da viagem do arrojado português Diogo Gomes”…
Pesquisa de A.Mendes
domingo, 21 de setembro de 2014
[7440] - GEORGIOS, O GRÊGO...
Em pose mais ou menos atlética, este sorridente mindelense, era grego e chamava-se Georgios Karantonis...Era, segundo constava, homem de força hercúlea que, dizia-se, conseguia dobrar varões de aço, em exibições públicas que nunca cheguei a testemunhar...
Casou em S.Vicente e deixou uma bela descendência...Mau grado o aspecto musculado, era um homem calmo, cordial, que adorava bicuda, segundo ele, o melhor peixe do mundo...Por causa disto, teve, com meu pai, adepto da pescada, uma disputa que durou trinta anos...O resultado desta animada discórdia, claro, não podia ser diverso: meu pai não comia bicuda, pois cheirava muito a peixe, e o Jorge Grego não comia pescada que, segundo ele, era tão branca que devia sofrer de anemia! Foi um privilégio conhecer e privar com este bom gigante e a sua maravilhosa família!
[7438] - OPERAÇÃO RESGATE...
“As Ilhas Desertas” é o nome do documentário realizado por Alexandre Vaz e Madalena Boto, que foca os esforços de conservação da calhandra-do-raso – uma espécie endémica do ilhéu inabitado do Raso, pertencente ao arquipélago de Cabo Verde -, que está criticamente em perigo de extinção.
Durante seis semanas, os dois realizadores portugueses acompanharam uma acção de conservação da biodiversidade e restauro do equilíbrio ecológico nas ilhas de Raso e de Santa Luzia, a Biosfera 1, em colaboração coma Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e a Royal Society for the Protection of Birds.
A rodagem do documentário acompanhou ainda vários estudos paralelos que estas organizações desenvolvem nas ilhas, como a monitorização de tartarugas marinhas e a protecção de colónias de cagarras. O projecto cinematográfico retrata ainda a história de um antigo pescador que se tornou conservacionista.
O resultado final é o documentário “As Ilhas Desertas”, que foi exibido em ante-estreia no dia 18 de Setembro, às 19h00, no Oceanário de Lisboa. A sessão foi aberta ao público, mediante a inscrição prévia.
O projecto foi totalmente financiado através de uma campanha de crowdfunding e o trabalho desenvolvido por estes dois realizadores portugueses integra já a selecção oficial de vários festivais, entre os quais um nacional e três internacionais.
In "GreenSavers"
[7437] - EM PERIGO DE EXTINÇÃO...
Esta ave - uma das mais raras do mundo - chama-se "Calhandra-do-Raso" pois foi pela primeira vez localizada no Ilhéu Raso, um dos três denominados Ilhas Desertas - Raso, Santa Luzia e Branco, ao largo de S.Vicente - Cabo Verde...
Se não forem tomadas medidas consequentes, teme-se que este pequeno ser se extinga em poucos anos!
sábado, 20 de setembro de 2014
[7436] - NAS ÁGUAS MANSAS DA BAIA...
Alegre passeata de alguns ilustres com Giogios Karantonis (Jorge Grego), ao leme: Nhô Roque, Nhô Balta, Quim Ribeiro e Raul Ribeiro...Há uma sexta figura, incógnita...
Colecção de Djô Martins
[7435] - POEIRA DO TEMPO...
ARBORIZAÇÃO
DAS ILHAS DE CABO VERDE
PELO
Coronel GUEDES VAZ
Governador da Colónia
Laranjeira: …” Encontra-se em quasi todas as ilhas e vegeta admiravelmente nas terras de regadio. As laranjas, são de óptima qualidade, superiores às da Baía, sendo muito apreciadas em Dakar e nos navios de longo curso que tocam nos portos do Arquipélago”…
1929 - Boletim da Agencia G. Colonial
...oooOooo...
...oooOooo...
...oooOooo...
Pesquisa de A.Mendes
[7434] - O PREÇO DA MANTEIGUINHA...
Quando, eventualmente, acontece ir almoçar ou jantar a um dos restaurantes cá da freguesia, raramente consumo o chamado "couvert", que costuma ter preços que convidam, precisamente, à sua recusa...
Mas, quando, como hoje às 13,00 horas, o estabelecimento está a rebentar pelas costuras - sinal evidente da crise - lá vai uma bola e uma manteiguinha com sabor a alho, porque o prato, com o restaurante assim cheio, iria, demorar, como demorou...
Tal demora, custou-me uma despesa extra de € 1,80, de 1 bolinhas e 2 manteiguinhas, aquela, por € 0,30 e estas por...€ 1,50!
E isto, embora não parecendo, é uma coisa extraordinária pois, custando cada dose € 0,75, isso corresponde a vender a manteiga a uma média de € 75,00 o quilo, pois cada manteiguinha pesa, apenas...10 gramas!
[7433] - O DIA SEGUINTE...
Contrariando as perspectivas mais optimistas da maioria dos observadores, as agências noticiosas dão hoje conta de confrontos, em Glasgow, entre defensores dos SIM e do NÃO, do referendo de quinta-feira...
Creio que a Europa e o mundo, em geral, dispensam uma nova Irlanda do Norte...
Recorde-se que, em Glasgow, o SIM ganhou, embora por escassa margem.
Agora, será de esperar que os escoceses consigam sobreviver às suas diferenças e façam regressar ao seu país o clima de sã convivência que reinou durante a campanha e o próprio plebiscito; protestar, agora, não faz o menor sentido!
[7431] - RECONHECIMENTO...
Cesária Évora é nome de escola, em França!
19 Setembro 2014
Cesária Évora passa a ser a partir desta sexta-feira, 19, o nome de uma escola secundária em Montreuil, na periferia de Paris, França. O “Collège Cesária Évora” vai ser a partir de hoje baptizado em homenagem à Diva dos Pés Descalços, de Cabo Verde.
Esta não é no entanto a primeira vez que a Cise é homenageada pela França, país que é tido como o palco que catapultou, a partir dos anos 80, a sua carreira ao nível planetário. Ainda em vida, foi homenageada com especial destaque com a prestigiada Legião de Honra, pelo Presidente Jacques Chirac, insígnias lhe foram outorgadas em 2009, pela então ministra da Cultura, Christine Albanel.
A título de reconhecimento póstumo, em terras francesas, Cesária Évora deu ainda o nome ao anteriormente denominado Salão Azul, do recinto municipal de artes e espectáculos, Theatre Rutebeuf em Clichy.
Uma outra homenagem, prevista para breve, à grandiosa Diva dos Pés descalços, da Cidade do Monte Cara, será, segundo nota endereçada ao A Semana online, a atribuição pela Câmara de Paris, do nome Cesária Évora a uma rua que vai emergir num quarteirão da 19ª circunscrição (actualmente em obras) da Cidade-luz.
Um eterno obrigado à nossa Diva por nos ter embalado a alma com aquela voz “sabim”. Um outro obrigado ao A Semana por ter levado e colocado Cabo Verde e os cabo-verdianos nos ouvidos do mundo.
Valdemar Pereira
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
[7429] - A LENDA (?) DO PEIXE TUQUEIA,,,
DEDICADO AO AMIGO ADRIANO M. LIMA, MEU CUMPLICE NA
ADMIRAÇÃO PELA ANGOLA QUE CONHECEMOS...
Tukeia, O Peixe Voador
sábado, 21 de Maio de 2005, 14:29:26 | noreply@blogger.com (Eduardo Cunha)
Até onde sei, a lenda dos peixes voadores que vestem de prata as anharas do Moxico, foi criada por D. António d’Almeida, o governador-poeta e descobridor de um vasto campo com milhões e milhões de peixinhos empoleirados nas árvores. Na verdade, as árvores não eram árvores, senão arbustos ou, por outro dizer, bissapas comuns e capim alto, a normal vegetação das chanas do Leste de Angola. Isso sim, o governador não encontrou maneira de explicar nem a sua misteriosa origem, nem o porquê daquele lugar de reunião e de tão insólito e fabuloso amontoamento.
Se não existe o termo, invento agora mesmo: legendificação. A legendificação da «tukeya» deve-se, talvez, a que sómente dois homens da caravana do governador conheciam e podiam comentar acerca do mar, do seu aspecto e imensidão, da quantidade de peixe que havia nessas águas profundas, tão salgadas que não se podiam beber. O mar era, para eles, um rio infinito e assustador, cheio de peixes enormes, enfeitiçados, porque nunca tinham sede, jamais bebiam água doce. Tinham visto tudo isso com os próprios olhos mas, estavam convencidos de que o feitiço daquele mato era mais poderoso, porque criava peixes nas bissapas e peixes que tão pouco bebiam água.
Para facilitar a legendificação do assunto, outros integrantes da caravana manifestaram conhecer a «tukeya», mas registavam a sua existência apenas ao nível de estranha comida dos povos da chana. Contavam-se pelos dedos os que já haviam provado o manjar. Coincidiam em que, apesar do seu cheiro nauseabundo e penetrante, oferecia um prato muito saboroso. À parte isto e como ninguém tinha pescado, apanhado, ou visto pescar a «tukeya», não havia testemunhas, quem soubesse alguma coisa àcerca da origem dos peixes do areal. Nestas circunstâncias, é fácil imaginar a conversa que se estabeleceu entre Don António e os acompanhantes e estes entre si, na sua língua de origem, que traduzo, para facilitar a vida aos leitores. A cena e o diálogo que se seguem são imaginários e não foram relatados pelo governador.
Don António mandou dois escravos que fossem buscar algumas daquelas coisas prateadas que se viam à distância. Entretanto, abandonou a tipóia onde se fazia transportar, estirou as pernas, ergueu o comprido pescoço sobre a vegetação. Quando, por fim, pôde tomar nas mãos os peixinhos que lhe alcançavam, viu que estavam secos, mumificados pelo sol. Procurou entender o fenómeno e interpretar o confuso palavreado dos vassalos. Tarefa impossível mas que, mesmo assim, empreendeu.
DON ANTÓNIO – Isto é quê ? VOZES – «Tukeia». Responderam-lhe. D.A. – E «tukeia» é quê ? CARREGADOR – «Tukeia», não vês, é mesmo os peixe ! D.A. – Peixe como ? Os peixes ficam em cima das árvores como passarinhos? UMA VOZ – (Dirigindo-se aos demais) – Oh pá... Esse gajo tá falar à tôa. Ele atão está só maluco dos cabeça dele, pôssa, pah ! É peixe. CARREGADOR – Não siô ! Eu não. Si siô. É mesmo os peixe. Não vês, atão ? São mesmo os peixe de comer. VOZES – Eh, eh, eh... Os peixe sai atão em cima dos pau ? Oh! Você viu? «Ombise, o kanjila ko?Aieku, ué!» Os peixe não é os passalinho, não ). .Todos opinavam mas ninguém explicava a razão pela qual havia peixinhos pousados nas folhas e a discussão não terminava. A caravana aproximou-se da misteriosa esteira prateada que o sol retocava de reflexos azuis. -«O aroma é pestilento. Só pode andar-se por aqui com o nariz tapado» - anotou D. António no canhenho de viagem. Rodeado de peixinhos e opiniões por todo o lado, queria entender o inintendivel e o diálogo generalizado não lhe entregava informação compreensível ou válida. O exame mais atento dos peixinhos tão pouco. «Que são peixes, são. Está fora de dúvida. Os mais compridos têm entre uma e duas polegadas, são barrigudos, prateados, de olhos minúsculos e barbatanas talvez mais largas e compridas do que o normal para peixes das suas dimensões. Parecem asas». Desta anotação à teoria dos peixes voadores foi um passo. Para melhor conclusão faltava, apenas, encontrar o rio ou lago de onde partiam os cardumes... – «...Cardumes ou enxames ?», interrogava-se o governador. «Nadam ou voam? Que distância ? A que altura? Porque razão aterram ou caem todos juntos? Acidente ou suicidio colectivo? Sobre os arbustos vêm-se nuvens de peixinhos prateados, ressequidos, tão extremadamente delgados que, em vida, são tão leves que podem deslocar-se pela planície, voando como enxames de gafanhotos, até caírem exaustos sobre as plantas».
Antes de continuar viagem, D. António investigou um pouco mais na região, mas sem descobrir nas proximidades e nem sequer longe dali, nenhum rio, lago ou qualquer lençol de água à vista, nem quem lhe explicasse o fenómeno. Nunca regressou ao lugar e morreu anos mais tarde sem desvendar o mistério ou os feitiços da «tukeia». Contudo a sua fantasia não andava longe da verdade. A «tukeia» brota do chão como as nuvens de gafanhotos.
Este peixe minúsculo nasce na anhara, nos lagos de curta vida que a água das chuvas forma, todos os anos. Nas gretas de lama seca, no fundo, ficaram depositados os ovos que produzem miríades de peixinhos de crescimento alucinantemente rápido. Em dois meses cumpre-se o ciclo vital e começa a desova. A forte evaporação devida à secura do clima e o baixo nivel das águas obrigam à concentração dos cardumes, facilitando a tarefa da recolha. As mulheres da região chegam em grupos, empunhando cestos com aspecto de raquetas enormes. Entram na água juntas, formando parede e avançam umas ao lado das outras, repetindo canções e técnicas seculares. Agitam os cestos com movimentos de baixo para cima e atiram os peixes ao ar, para que caiam sobre as plantas. Dias mais tarde, voltam à anhara, desta vez com kindas e juntam a «tukeya», como quem colhe frutos do alto das bissapas.
O cheiro fétido deve-se ao processo de semi-putrefacção que ocorre durante a secagem, mas os guizados de «tukeia» são famosos entre ganguelas e kiokos e são realmente saborosos. E sem cheiro. Custou-me a provar, por preconceito, depois aficionei-me e confirmo que são uma delicia. E sem cheiro.
A «tukeia» exporta-se em pequenas malas de mateba, de rede apertada à dimensão do conteúdo e a sua presença nos transportes ou comércios rurais é denunciada à distância pelo cheiro. Cheiro a quê? – «A peixe voador, Alteza, a «tukeia», Senhor Don António. A «tukeia»!
* Jornalista angolano. Adaptado do seu livro inédito «Manamafuika» ©.
AUXILIAR DE LEITURA:
Anhara – Savana Bissapa – ou Vissapa – Qualquer arbusto silvestre. Chana – O m.q. anhara. Savana. Lezíria. Kanjila – Forma negativa de onjila, que significa pássaro, passarinho. Portanto, aquilo que não é pássaro. Kinda – Cesto cónico que as mulheres transportam à cabeça. Luxazes – ou Luchazes – Nome pelo qual se conhecia uma vasta região do Leste de Angola. Mato – Bosque. Floresta. Região do interior do país. Lugar afastado. Ombise – Peixe. Tipóia – Maca. Liteira em que as pessoas importantes ou poderosas viajavam pelo sertão, ao ombro de escravos. Tukeya – tukeia ou tuqueia – Peixe lacustre das anharas do leste da Angola.
* Jornalista angolano - Excerto do livro inédito «Manamafuika» *
2002-11-29
PESCA (?) DA TUKEIA NAS ANHARAS INUNDADAS PELO ZAMBEZE (Moxico)
QUADRO DE NEVES E SOUSA
[7428] - DEPOIS DO JOGO...
Vejo, com especial agrado, uma série de TV chamada "O Mentalista", que conta histórias policiais em que um ex-burlão virou conselheiro de uma equipa policial graças ao seu espírito de observação e de dedução lógica e que, chamando-se Jane, conduz um carro Citroën dos anos 60, orgulhosamente diferente dos espadas americanos que desfilam pelos episódios da série...
O protagonista, que trabalha em estreita colaboração com a chefe da equipa que se chama Lisbon, tem por vezes umas frases muito interessantes para caracterizar esta ou aquela situação com um fundo filosófico que, provavelmente, lhe advém do facto de conduzir um automóvel francês...Ontem, comentando com Lisbon a ostentação da residência onde se tinha verificado um crime, com a situação precária em que vive a maior parte dos cidadãos da cidade, dizia que lhe dava um certo prazer e lhe apaziguava a alma, saber que, depois do jogo, tanto o rei, como o peão, vão para a mesma caixa... Lapidar!
[7427] - POEIRA DO TEMPO...
1920 - Ilha do Maio - “Dois exemplares de “Black Fish” (globicephalus sp). Estes peixes, que chegam a pesar 400 Kgs, encalham nas costas desta ilha em certas épocas do ano. Amanhecem envoltos em areia, em grupos de 40 a 50. A sua carne, conservada em barricas, apenas com sal, é um verdadeiro maná caído na ilha, pois garante a alimentação aos seus habitantes durante praticamente todo o ano... Consta que é exactamente nos anos de maior miséria que os peixes aparecem em maior número."
Será que o "milagre" subsiste?...
Pesquisa de A.Mendes
[7426] - O REINO CONTINUA UNIDO...
O referendo ontem realizado na Escócia deu ao NÃO À INDEPENDÊNCIA uma vitória pela margem de cerca de 5%...
A meu ver, esta vitória pela negativa, acabou por redundar, em termos objectivos, numa vitória dos adeptos da Independência. Efectivamente, as concessões já disponibilizadas pelo Primeiro Ministro britânico para conquistar a simpatia dos adeptos do "status quo" mais as que, certamente, advirão da escassez numérica da vitória, acabarão por significar uma amplificação significativa da autonomia escocesa a níveis impensáveis algumas semanas atrás...
Efectivamente, a estreita vitória do não nas urnas, faz com que o espectro da Independência se mantenha vivo, à espreita de uma nova oportunidade...Até lá, os poderes autonómicos da Escócia não deixarão de se reforçar...
Segundo os especialistas nestas matérias, uma vitória do sim, seria uma viagem sem regresso, enquanto a do não, por tão escassa margem, não passa de um adiamento!
Entretanto, a Europa respira de alívio, em Espanha, na Bélgica, na Itália e até na Alemanha...
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
[7424] - UMA QUESTÃO DE TAMANHO...
Na última postagem dedicada ao tema "Era uma vez, Angola", fiz referencia a um peixe - o bagre - que era costume comer-se, frito, no Alto Zambeze, onde estive alguns anos...O amigo Adriano veio a terreiro recordar-se que também havia degustado o suculento peixe de rio que, segundo os hábitos dos pescadores autóctones era escalado e seco ao sol como, aliás, se faz a muitas coisas em Angola, nomeadamente, às carnes do elefante e do rinoceronte...
Andei a vasculhar no Google e encontrei a foto que encima este texto e que reproduz aquilo que se julga ser o maior peixe de água doce jamais pescado...Foi perto da cidade tailandesa de Chiang Khong que foi capturado, em 2005, este enorme Bagre Gigante do Rio Mekong, que pesava 292 quilos...
Existem para cima de 2.200 espécies de bagres, distribuídos por mais de 40 famílias. Há espécies que medem milímetros até ao Pangasiodon Giga, de enormes dimensões...
Abaixo, deixo o retrato do bagre que eu comia em Angola e a que os ingleses chama "catfish", vá-se lá saber porquê!...
[7423] - PRÉMIO INTERNACIONAL DE DESIGN...
Esta bela chaleira, concebida por um jovem casal de "designers" do Texas, USA, mereceu o grande prémio do Concurso de Design Doméstico realizado em Veneza, Itália...Para alem do acetinado da cor, repare-se na pureza das formas, em elegantes, perturbadoras e suaves elipses que resultam numa peça de inestimável valor artístico-cultural que dignificará, até o mais exótico dos chás que lhe estiverem destinados...Da Vinci, não teria feito melhor!
E a cor verde, como se sabe, encerra um significado muito próprio que, neste caso, se pode resumir ao natural anseio de possuir um exemplar de tão distinta produção...
A moça que, displicentemente, segura a belíssima chaleira, também não está mal de todo, pois não?!
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
[7422] - UTOPIA E REALIDADE...
Se os Muçulmanos baixassem
as armas,
não haveria mais violência no mundo!
Se os judeus baixassem
as armas,
as armas,
deixaria de existir o Estado de Israel!
[7421] - ERA UMA VEZ, ANGOLA...(44)
Afinal, o cardápio do jantar esteve longe dos meus sonhos...Comemos "bagre" frito com o simpático arroz de berbigão de lata , uma salada de beterraba avinagrada e uma canja...de miúdos, o que significava que iríamos ter frango de caril ao almoço do dia seguinte...Para comemorar o meu regresso, o Mário abriu uma garrafa de Casal Garcia, geladinha...Ao tempo, era uma bela "pomada", como era costume dizer-se...
À conversa de hora-e-meia, seguiu-se debandada para a cama. O corpo estava moído e a mente toldada por dois copos de vinho e outras tantas doses, generosas, de "Black & White" com o café...
Às oito da manhã, depois dos efusivos cumprimentos da malta da Administração, incluindo o Administrador e o Secretário, apanhei o primeiro "soco no estômago" do dia: passados os 23 dias de licença por doença que me eram concedidos, devia apresentar-me, com armas e bagagens, no Posto Administrativo de Cangandala, do Distrito de Malange...Era o fim da picada e a pior notícia que podia receber, quando ainda estavam bem vivas as saudades acumuladas pela prolongada ausência.
Mas, estas coisas eram assim mesmo...Aliás, esta mobilidade dos funcionários administrativos tinha como finalidade evitar o estabelecimento de relações de alguma promiscuidade entre a administração e o capital, nomeadamente, nas zonas de mão de obra intensiva, como as do café, do algodão, da cana do açúcar, etc...No Alto Zambeze, no entanto, a produção de volumes apreciáveis de amendoim e arroz, não corria esses riscos pois era a própria Administração que distribuía as semente aos produtores autóctones que, depois da colheita devolviam essa quantidade mais 10% e vendiam o remanescente aos comerciantes locais. Estes, por sua vez, tratavam de remeter o produto aos Grémios respectivos, em Benguela. Não havia as grandes explorações cujas necessidades de mão-de-obra sazonal levassem à criação de situações de beneficiacões ilegais , em consequência das quais enriqueceram muitos Chefes-de-Posto, Administradores e, até, Intendentes e Governadores de Distrito...Conheci alguns mas, isso, são contas de outro rosário...
Ali estava eu, portanto, de Guia-de-Marcha para Malange onde, por acaso, era Governador o insigne cabo-verdiano Dr. Luis Terry, para ajudar o Chefe do Posto na tarefa hercúlea de fazer um recenseamento indígena, praticamente, de raiz!
Continua...
[7418] - O ÓDIO ESTÁ NA MODA...
Este modelo de camisa é produzido em grandes quantidades e vendido nas ruas de numerosos países muçulmanos do Médio Oriente à Indonésia, passando pelo Paquistão e pela Índia, sem que isso cause o menor problema, bem ao contrário: elas estão na moda!
Celebram-se assim os atentados do 11 de Setembro, sem o mínimo respeito para com os milhares de mortos deles resultantes...
O racismo, as acusações e as ofensas a outras raças e às suas convicções religiosas não se aplicam, a não ser em favor dos muçulmanos.
E, depois, aínda pedem ajuda humanitária intenacional à mínima situação de algum desconforto...
IMPRESSIONANTE!
Colbor. V.Pereira
Colbor. V.Pereira
terça-feira, 16 de setembro de 2014
{7417] - MAIS, OU MENOS DEPUTADOS?!...
Portugal já tem o menor número de deputados por habitante de todos os países da Europa Ocidental, com apenas uma câmara...
Comparando os 230 parlamentares portugueses com os seus colegas de países com uma população semelhante em número, verificamos que a Hungria tem 386, a Grécia 300 e a Republica Checa, com Parlamento e Senado, 281...
Por outro lado, a situação mantém-se em países com população inferior à portuguesa. A Finlândia tem 200-(400), a Eslováquia 150-(300) e a Dinamarca 179-(358)...Entre parêntesis, a quantidade de deputados a que corresponderia uma população ao nível da de Portugal.
Claro que isto é um mero exercício estatístico sem qualquer fundamento científico, recorrendo, apenas, à lógica elementar. E dizemos isto porque, segundo parece, o problema é de outra estirpe, que não de quantidade. O PSD, há muito que deseja 180 deputados e José Seguro aponta, agora, para 181, enquanto António Costa diz que isso tudo é um disparate anti-democrático pois menoriza os Partidos à esquerda do PS e beneficia o PSD, dilatando o fosso que o separa do CDS-PP...
Tudo, no entanto, são fogos fátuos a esconder o verdadeiro cerne da questão, que reside na forma como os "nossos" deputados são escolhidos pelos Partidos num sistema viciado em que os cidadãos deste País não se sentem, minimamente, representados por essa carneirada partidária que representa regiões e populações que, nem conhecem nem estão interessados em conhecer...
[7416] - O ASSASSINO INVISIVEL,,,
Parece
que a Humanidade ainda não se apercebeu da verdadeira dimensão deste surto de
ébola que já vitimou mais de 2.400 pessoas…
[7415] - HONESTIDADE...
O amigo Valdemar Pereira mandou-me esta foto acompanhada de uma história que, noutra conjuntura sócio-económica, teria passado despercebida, por retratar um comportamento que devia ser normal...
O atleta espanhol Ivan Fernández Anaya participava de uma prova de corta-mato, no principio do mês, atrás do queniano Abel Mutai, que comandava...
A certa altura, o queniano, quiçá convencido de que havia terminado a corrida, parou...O espanhol, que seguia em segundo, facilmente teria vencido a prova aproveitando-se do engano do seu adversário. Só que, Ivan é um atleta com uma consciência e, assim, conseguiu que Mutai entendesse que ainda havia algumas centenas de metros a correr e, praticamente, empurrou-o até à meta que ele, Ivan, cortou no segundo lugar como, desportivamente, lhe competia...
Este foi um gesto que encerra uma qualidade que hoje anda pelas ruas da amargura: A HONESTIDADE!!!
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