segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[7538] - REFLEXOS...

A 2 de fevereiro de 1905, nasceu em S. Petersburgo a filósofa e escritora americana Alissa Zinovievna Rosenbaum, mais conhecida como Ayn Rand, falecida em Março de 1982, em Nova York. Ficou famosa esta frase dela, que se aplica como uma luva ao que vivemos em Portugal nos dias de hoje:

"Quando te deres conta de que para produzir necessitas obter a autorização de quem nada produz, quando te deres conta de que o dinheiro flui para o bolso daqueles que traficam não com bens, mas com favores, quando te deres conta de que muitos na tua sociedade enriquecem graças ao suborno e influências, e não ao seu trabalho, e que as leis do teu país não te protegem a ti, mas protegem-nos a eles contra ti, quando enfim descubras ainda que a corrupção é recompensada e a honradez se converte num auto-sacrificio, poderás afirmar, taxativamente, sem temor a equivocar-te, que a tua sociedade está condenada. “

Agradec. a Adriano M. Lima

[7537] - CABO VERDE - BABEL GENÉTICA...


 CABO VERDE - UMA ENCRUZILHADA
DE GENES...

Fotos e legenda -Clube Matiota

[7536] - DEFININDO PRIORIDADES...

Cedida por Adriano M. Lima

[7535] - MINDELO: DA FICÇÃO À REALIDADE - (8)


O mito


Apesar desta impressionante sucessão de crises, não só a cidade de Mindelo sobreviveu e cresceu, como ainda foi, durante muitos anos, a principal fonte de receitas e sustento do arquipélago. Este facto, aliado à extraordinária pobreza das outras ilhas, ilhas agrícolas onde as secas provocavam fomes terrivelmente devastadoras e mortíferas, como nunca aconteceram nesta cidade, poderá explicar por que motivo para os cabo-verdianos a cidade de Mindelo era vista como um símbolo de riqueza e de oportunidades, “a terra em que a civilização do mundo passa em desfile”, como a imaginava o Chiquinho de Baltasar Lopes. Esta discrepância entre o Mindelo da ficção e o Mindelo real coloca-nos, não apenas perante uma cidade ficcionada, de longe a mais ficcionada na literatura cabo-verdiana, mas perante uma cidade mitificada, ou, talvez seja melhor dizer, mitificada em resultado do encantamento que sobre nós exerce a re-criação literária.
Germano Almeida é de opinião que: “Nas nossas ilhas criámos e vivemos o nostálgico mito de um passado de abundância e fartura que sonhamos sempre ver reproduzidas num qualquer tempo futuro, nosso ou dos nossos descendentes. Em S. Vicente esse mito foi eternizado através de uma das mais belas mornas de repertório nacional: Tempo de Canequinha da autoria do poeta popular Sérgio Frusoni”,33 já acima referido. Mas se estamos perante um mito, estamos perante aquilo que Fernando Pessoa dizia “que é o nada e que é tudo” e que é afinal o lugar para a memória, a imaginação e o sonho dos homens. Mindelo tem sido esse lugar e talvez seja aí que reside o misterioso fascínio desta cidade, capaz de seduzir e adoptar poetas, escritores, artistas e todos, enfim, os que a ela aportam.

Mindelo, Janeiro de 2003
publicado nos n.ºs 1 e 2 da Revista Soncent da Cãmara Municipal de SV, 2005

1. António L. Correia e Silva, Nos tempos do Porto Grande do Mindelo. Praia, C.C. Português, 2000, p. 48
2. ob. cit., p. 51
3. Cristiano de Sena Barcelos, O Arquipélago de Cabo Verde, “Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa”, Lisboa,1908, 27ª série, nº3 – Março. p. 73
4. Linhas Gerais da História do Desenvolvimento Urbano da Cidade do Mindelo, Praia, ed. do F.D.N. – Min. da Economia e Finanças, 1984, p.25
5. Francisco Travassos Valdez, África Ocidental, Lisboa, Imprensa Nacional, 1864, p. 120
6. Joaquim Vieira Botelho da Costa, A Ilha de S. Vicente de Cabo Verde, “Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa”, 1882, 3ª série, nº 2.
7. Barjona de Freitas, Conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, 1904. apud G. Almeida in Viagem pela História das Ilhas, Mindelo, Ilhéu Editora, 2003, p.
8. Linhas Gerais da História do Desenvolvimento Urbano da Cidade do Mindelo, Praia, ed. do F.D.N. – Min. da Economia e Finanças, 1984, p.85
9. J. Boisse de Black, Voyage aux Îles du Cap Vert, “ La Géographie ”, Paris,1924, tomo 42, nº1, pp.38-56
10. Eugénio Tavares, Pelos Jornais, Praia, ICL, 1997, p. 43
11. Manuel Lopes, Chuva Braba, 2ªed., Lisboa, Ed. Ulisseia, 1965, p.
12. Baltasar Lopes, Chiquinho, 7ª ed., Lisboa, Ed. ALAC, 1993, pp. 116 e 247
13. Immanuel Friedlaender, Subsídios para o conhecimento das ilhas de Cabo Verde, ed. da Soc. de Geografia de Lisboa, 1914, in jornal O Cidadão de 5/11/99
14. João Augusto Martins, Madeira, Cabo Verde e Guiné, Lisboa, 1891, in Linhas Gerais da História do Desenvolvimento Urbano da Cidade do Mindelo, Praia, ed. do F.D.N. – Min. da Economia e Finanças, 1984, p. 62
15. João de Sousa Machado, Estudo sobre o Commercio do Carvão no Porto Grande da ilha de S. Vicente (archipelago de Cabo Verde) e no Porto da Luz em Gran Canaria (archipelago das Canárias), Lisboa, Imprensa Nacional, 1891, in António L. Correia e Silva, Nos tempos do Porto Grande do Mindelo, Praia, C.C. Português, 2000, p. 124
16. Joaquim Vieira Botelho da Costa, A Ilha de S. Vicente de Cabo Verde, “Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa”,1882, 3ª série, nº 3.
17. Albert Picquié, Îes du Cap Vert et Colonisation Portugaise, “Revue Maritime et Coloniale », Paris, 1881, tomo 71
18. António Aurélio Gonçalves, Noite de Vento, 2ª ed., Praia, ICLD, 1989, p. 122
19. ob. cit., p. 79-80
20. Manuel Lopes, Galo Cantou na Baía, 2ª ed., Lisboa Ed. Caminho, 1998, p. 30
21. Teixeira de Sousa, Capitão de Mar e Terra, Publ. Europa-América, 1984, p. 268
22. Germano Almeida, A longa agonia do Porto Grande in jornal A Semana de 6/7/01
23. Mesquitela Lima, A Poética de Sérgio Frusoni, Lisboa, ed. ICALP, 1992, p. 37
24. João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana.1820-1975, Macau, Ed. da Fundação Macau, 1998, p. 392
25. Marie-Christine Hanras, Manuel Lopes Um Itinerário Iniciático, Praia, ICLD, 1995, p. 268
26. Manuel Lopes, Galo Cantou na Baía, 2ª ed., Caminho, 1998, p. 29
27. António Aurélio Gonçalves, idem, ibidem, p. 117
28. Germano Almeida, O Meu Poeta, Mindelo, Ilhéu Editora, 1990, p. 208
29. Teixeira de Sousa, idem, ibidem, p. 380
30. Manuel Bonaparte Figueira, Subsídios para o Estudo Evolutivo da Cidade de Mindelo de S. Vicente de Cabo Verde, tese de licenciatura, Lisboa, 1978
31. BO 193/1856, Parte Não Oficial in Linhas Gerais da História do Desenvolvimento Urbano da Cidade do Mindelo, Praia, ed. do F.D.N. – Min. da Economia e Finanças, 1984, p. 20
32. Joaquim Vieira Botelho da Costa, A Ilha de S. Vicente de Cabo Verde. 1886 a 1891. “Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa”, Lisboa, 1882, 3ª série, nº 2
33. Germano Almeida, A longa agonia do Porto Grande in jornal A Semana de 6/7/01
por Ana Cordeiro  - Cidade | 17 Junho 2010 | Cabo Verde, Mindelo, porto

[7534] - HISTÓRIA...HISTÓRIA...

Foi assim que começou...

                           
 Nos tempos em que os reis mandavam, numa noite escura, à entrada de Dezembro, o rei veio à varanda do seu iluminado palácio e reparou que toda a cidade estava escura como breu.
Chamou o seu primeiro-ministro e ordenou-lhe:
- Antes do Natal quero ver a cidade toda iluminada. Toma lá 500 cruzados e trata já de resolver o problema.

O primeiro-ministro chamou o presidente da câmara e ordenou-lhe:
- O nosso rei quer a cidade toda iluminada ainda antes do Natal. Toma lá 250 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O presidente da câmara chamou o chefe da polícia e disse-lhe:
- O nosso rei ordenou que puséssemos a cidade toda iluminada para o Natal.
Toma lá 100 cruzados e trata imediatamente de resolver o problema.

O chefe da polícia emitiu um edital a dizer:
“Por ordem do rei em todas as ruas e em todas as casas deve imediatamente ser colocada iluminação de Natal.  Quem não cumprir esta ordem será enforcado”.

Uns dias depois o rei veio à varanda e, ao ver a cidade profusamente iluminada, exclamou:
- "Que lindo! Abençoado o dinheiro que gastei. Valeu a pena".

… E foi assim que Portugal começou a funcionar, até os dias de hoje…

Agrad. a Amendes








[7533] - I N S Ó N I A ...


O olhar mortiço de P.C. denuncia a insónia que lhe perturbou o sono, de sábado para domingo, povoado, segundo ele, de imagens monstruosas de três lagartos verdes...



[7532] - O REGRESSO...


... V O L T O U !!! 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


O SUPORTE DIGITAL DESTE BLOG
ENCERROU PARA OBRAS ÁS
16H55, DE 16.OUT.2014.
CONTAMOS ESTAR DE VOLTA
NO DIA 20.OUT.2014...
BOA TARDE!

[7530] - MINDELO: FICÇÃO E REALIDDE...(7)

 
 
 
Crises, epidemias, fomes e desemprego

Como já foi referido, é a partir de 1840 que começa a ser significativo o número de vapores entrados, mas só em 1850 se instala um segundo depósito de carvão. Contudo, logo em 1851, há falta de trabalho devido a excesso de trabalhadores vindos das outras ilhas, o que provoca desordens e a necessidade de enviar arroz para ser distribuído entre a população. A situação foi agravada com o aparecimento de febres epidémicas e palustres que, por falta de médico e de medicamentos eram tratadas com chás, essência de terebentina, tintura de mostarda e hóstias.30
 Em 1855 houve a primeira greve em Mindelo. “os trabalhadores se recusavam ao trabalho porque não aceitavam o salário todo a dinheiro, exigindo parte em mantimentos visto que com o dinheiro os não podiam obter.”31
 Em 1856 a ilha é atingida pela epidemia de cólera que desde o ano anterior grassava no arquipélago. Cerca de metade da população morreu, pois dos 1400 habitantes restaram 705 almas. Nos anos seguintes a cidade progrediu e cresceu mas em 1864, uma grave crise alimentícia, trava de novo o seu crescimento. Em 1869 com a abertura do canal de Suez muitos barcos deixaram de cruzar estas águas.
 Entre 1875 e o fim do século, o Porto Grande viveu aquele que é considerado o seu período áureo, mas mesmo assim com grandes irregularidades no movimento de navios entrados, o que estava relacionado com as frequentes quarentenas declaradas, devido a epidemias, (só em 1888, houve por exemplo três surtos de varíola) mas sobretudo devido ao facto do preço do carvão ser mais elevado que o praticado nos portos das Canárias e Dakar. O já citado Albert Picquié, que por aqui passou cerca de 1881, considera que se o Porto Grande não se desenvolve é devido à rotina e desinteresse da administração portuguesa, pouco dada a adoptar modelos espanhóis, pelo que se tem recusado a transformá-lo em porto franco, como a Espanha fez com as Canárias em 1852.
 Em 1890 cerca de 2000 trabalhadores são despedidos pelas carvoeiras o que aliado à humilhação causada pelo ultimato inglês, que exigia a retirada imediata de uma expedição militar portuguesa de uma zona da África Oriental protegida pelos britânicos, aumenta a hostilidade e desconfiança relativamente às companhias inglesas. A situação foi agravada pela presença, durante alguns dias, do couraçado inglês Australia no Porto Grande de S. Vicente, até o governo português ter aceite o referido ultimato, facto que, felizmente, não provocou “alterações no sossego público, que apesar do descontentamento geral, pôde ser mantido”32. A crise instala-se e um ano depois, em Abril de 1891 há uma manifestação de mais de duas mil pessoas que invadem os Paços do Conselho, reclamando medidas para acabar com a fome. São abertos trabalhos públicos que consistem fundamentalmente no calcetamento de ruas. Em 1892, uma nova política de impostos e taxas e a autorização para se instalar uma companhia nacional de carvão, fazem baixar o preço deste e revertem a situação.
 Se a segunda metade do século XIX é feita de altos e baixos, a partir de 1900, ano em que há um novo pico de movimento devido à guerra com os Boers no Transval, o movimento de navios no Porto Grande entra em gradual e definitivo decréscimo. As referências a fome e crises de falta de trabalho, nas Actas da Câmara Municipal, são cada vez mais frequentes. Entre 1900-1904 há uma das piores fomes em Cabo Verde. A população reduziu-se outra vez só tendo atingido os valores de 1900 em 1909. Em 1908 aparece na Câmara, um grande número de trabalhadores do carvão a pedir trabalho. Em 1912 mais de 4000 trabalhadores ocuparam o edifício da Câmara e a Praça, devido à seca e à falta de trabalho no Porto. Em 1913 há fome. A proibição nesse ano, de entrada na América a emigrantes analfabetos, é também um duro golpe para desempregados e camponeses sem terras. Em 1914, a crise que Cabo Verde e Mindelo atravessam, é novamente objecto de debate na Câmara.
 Em Março de 1917 volta a referir-se a falta de trabalho na ilha e no mês seguinte a Câmara reúne-se em sessão extraordinária para avaliar a situação de fome. De 1920 a 24 grassa, mais uma vez, a fome em Cabo Verde. Em 1921 há nova sessão na Câmara, que praticamente é invadida pelo povo que clama fome e falta de trabalho. Em 1924 há uma greve dos trabalhadores do carvão.
 1926 é um ano de grande instabilidade social pois há população a mais em Mindelo, tanto no que se refere a emprego como no que se refere a falta de habitações e de água potável. A Associação de Socorros Mútuos dos Operários de Cabo Verde, criada em 1921, teve as suas actividades fiscalizadas e censuradas pelo facto de tentar interferir na administração das companhias de carvão e pelo facto de suprimir parte do nome apresentando-se como Associação Operária Caboverdeana.
 Em 1927 volta a aparecer nas Actas da Câmara referência a nova crise económica e financeira que a cidade atravessa. A grande depressão económica nos EUA em 1929-30, teve um impacto negativo em S. Vicente tanto pela diminuição de navios entrados, como pela diminuição de remessas dos emigrantes. Em 24 e 25 de Janeiro de 1929 houve manifestações e protestos de que resultaram alguns feridos. A Associação Operária foi considerada responsável e, em consequência, dissolvida.
 Em 1931-33 há novo período de seca em Cabo Verde. Se em Mindelo não houve falta de géneros houve sim falta de dinheiro devido ao desemprego. Abrem-se trabalhos públicos em 1934, mas são insuficientes e mal pagos. Em 7 de Junho de 1934 estala a revolta nas ruas de Mindelo. Um grupo de operários sai de Monte Sossego e vai buscar o carpinteiro Ambrósio para chefiar a manifestação. Quando chegam ao centro da cidade já são um enorme grupo e arrombam a Alfândega e diversas casas comerciais que são saqueadas. Há um morto e vários feridos e só depois de António Augusto Martins, Baltasar Lopes da Silva e Augusto Miranda, terem usado da palavra, comprometendo-se a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para defender a causa do povo trabalhador, a manifestação se desfaz.
 Depois de 1935 a situação melhorou, pois a conjuntura de pré-guerra que então se vivia, provocou um aumento de movimentação de navios mas, na década de quarenta, o bloqueio dos aliados e as fomes de 41/43 e 47/48 criaram grandes dificuldades. Em Mindelo as consequências destas fomes foram amortecidas pelo facto de aqui se ter vindo instalar, entre 1940-45, a Força Expedicionária Portuguesa pois o aumento do movimento de navios e o impacto, em termos de emprego, provocado pela vinda de milhares de homens, salvaram muita gente desta ilha de morrer à fome.


 Mindelo - c. 1910

[7529] - RUA DE LISBOA...

ESTA AVENIDA MINDELENSE
É UM ESPECTÁCULO...
 

Foto enviada por José F. Lopes

[7528] - JIHAD TENTACULAR...

 
TENDÊNCIAS: HÁ CABO-VERDIANOS NA JIHAD DA SÍRIA E DO IRAQUE
 
Há jovens cabo-verdianos nascidos na Europa a combeterem nas fileiras do Estado Islâmico do Iraque e do Levante contra o Ocidente. Um deles, Luís Carlos B., casado com uma tunisina, viajou de França para a Síria há três semanas com a família da mulher para abraçar a causa jihadista. A preocupação, agora, é saber se crioulos convertidos ao Islão em Cabo Verde e estrangeiros a residir no país, acudiram também ao chamamento desta nova e moderna Jihad, que amedronta o mundo e torna a Al-Qaida numa mera diversão.
 
in Jornal A Nação
16.10.2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

[7527] - A V I S O ...

TRABALHOS...


AVISAMOS OS NOSSOS AMIGOS E
CORRESPONDENTES, QUE,
ENTRE AS 19h00 DE 16.10.2014
E
AS 19h00 DE 20.10.2014,
O P.C. QUE SUPORTA ESTA BLOG
E O E-MAIL
zitoazevedo@gmail.com
ESTARÁ INACTIVO PARA
TRABALHOS DE LIMPEZA  E
MELHORIA DO "SOFTWARE"...
REGRESSAREMOS Á NET COM
REDOBRADA ENERGIA E MELHOR
QUALIDADE GRÁFICA NA PRÓXIMA
SEMANA...
MELHORES SAUDAÇÕES!!!
Zito Azevedo

[7526] - AS BRUMAS DO RIO GÃMBIA...

Rosário da Luz
Em 1976 o escritor afro-americano Alex Haley publicou o seminal Roots, um romance que se tornaria num dos textos mais influentes da modernidade do seu país. Nele o autor, inspirado pelas reminiscências da sua avó materna, ela mesma filha de escravos, traça a história da sua família até ao Século XVIII, a um antepassado africano chamado Kunta Kinte, a quem a avó se referia como “the farthest back person”. Originário de uma aldeia na atual Gâmbia, o Kinte da saga de Haley foi raptado aos dezasseis anos por traficantes de escravos, embarcado para a América e vendido a uma plantação na Virgínia.
Em finais da década de 1960, Haley chega ao rio Gâmbia; as suas investigações levaram-no a localizar um velho griot na aldeia de Juffureh, que lhe confirma a existência local da família Kinte, assim como a história do rapto de Kunta nos mesmos termos da sua tradição familiar – enquanto este procurava madeira para um tambor. Na série televisiva do mesmo nome (1977), Haley é interpretado pelo ator James Earl Jones – Darth Vader em Guerra das Estrelas – que, na encenação deste episódio, exclama emocionado “I found you, old African!”
Roots suscitou reações di­ver­sas: o sucesso popular do romance e da série foi bom­­­­bás­tico; mas apesar da sua contenção de que a investigação fora rigorosamente documentada, Haley foi alvo de fortes críticas, oriundas principalmente da academia. Os seus críticos questionavam fundamentalmente a  fiabilidade metodológica da obra; mas alguns iam mais longe, afirmando que a confirmação do griot tinha sido encenada e que toda a aldeia se teria unido num complot para a validação da história, em consequência de um forte conjunto de interesses simbólicos e materiais. A sua contenção era que o valor de Roots residia no seu poder narrativo e emocional; mas o rigor histórico não pode ser comprometido a favor do interesse ideológico – e muito menos do melodrama.
A agitação em torno desta obra ilustra bem o dinamismo secular da intelligentsia e da sociedade civil americanas: a paixão e a tenacidade do autor na abordagem do tema; o objetivo admirável de contribuir para o restabelecimento da origem e da memória de um povo que foi tão violentamente despojado; forças cívicas capazes de articular sólidos contraditórios, tanto metodológicos como ideológicos; e uma comunidade fortemente engajada no debate analítico do seu processo histórico.
Nós, coitados, não partilha­mos as mesmas tradições intelectuais ou profundidade cultural; e, justiça nos seja feita, também não temos os mesmos dólares. Mas o que realmente diferencia a relação da psique Cabo-verdiana com a África e com o seu passado escravo é a profundidade do trauma. Para o afro-americano, a escravatura e a segregação racial constituem traumas recentes, brutais, cujas sequelas são parte integrante do seu universo contemporâneo. Mas para o espírito Cabo-verdiano, durante uma longa estação cultural, a escravatura não passou de uma abstração, tratada exclusivamente pelos intelectuais da terra, sem qualquer representação na memória popular.

Como instituição económica.cv, a escravatura falhou redon­damente, tal como atestam todos os nossos historiadores; o tráfico negreiro e as grandes plantações que faziam uso da mão de obra escrava conheceram um declínio abrupto a partir do século XVII, e a sua memória foi suplantada pelo trauma de quatro séculos de estiagens e fome. O nosso trauma é a fome; é a memória social da fome que ainda incute temor em quem não a sofreu, ou sequer a testemunhou; é o espectro da fome e não o da escravidão que ainda povoa o nosso universo psicológico e cultural.
Quanto ao continente dos nossos antepassados, nunca se evidenciou no Cabo-verdiano a necessidade emocional de procurar as suas origens nos Rios da Guiné. Se excluirmos o tráfico entusiástico que sempre se desenvolveu no sentido de dnher d’Angola, veremos que o interesse económico e cultural dos Cabo-verdianos pelo continente Africano é incrivelmente limitado. Não obstante, a nossa indiferença em relação à África real – tão criticada por Carlos Lopes, e tão assumida pelo Primeiro-ministro, bem haja – coincide com uma prodigiosa agitação discursiva e simbólica em torno do útero sagrado de uma Mamãe África por nós imaginada.
Em 1983, Marion Zimmer Bradley publicou As Brumas de Avalon, um verdadeiro fenómeno da literatura popular. No romance, Avalon é um universo paralelo à região de Glastonbury, na Inglaterra; coexiste no mesmo espaço mas só é acessível através da invocação de uma bruma mágica. Avalon representa o velho centro da religião britânica pré-cristã; as suas sacerdotisas têm como missão a defesa do paganismo ancestral, numa Bretanha pós-Romana onde o Cristianismo ganha progressivamente a proteção do Estado e a aceitação popular.
O romance de Bradley evoca uma era edénica da identidade bretã, e celebra a superioridade do seu ethos social e espiritual sobre a Bretanha cristã que lhe sucedeu. Porém, obviamente – ao contrário de Haley – a autora nunca tentou convencer ninguém da veracidade histórica da sua trama: o leitor está ciente a todo o momento que o mundo mágico de Avalon retrata uma Bretanha imaginada, que bebe predominantemente em interpretações literárias da História. Escusado será dizer que nenhum país de ascendência bretã – Inglaterra, Irlanda, EUA – reinstituiu a sua identidade pagã em consequência desta fantasia ou erigiu o estudo de Avalon em pilar do programa educativo e cultural do Estado.
Chez nous, apesar do seu óbito social e cultural, a identidade africana e o passado escravo.cv foram invocados das brumas da memória pelas narrativas da Independência e restabelecidas como elementos centrais do nosso universo simbólico. Num primeiro tempo, o processo resultou linearmente da vontade expressa de um Estado autoritário a quem a ideologia convinha; mas e depois? Em pleno 2014, o que nos faz reforçar maquinalmente as narrativas korda skrabu, sem qualquer questionamento ou contraditório?
O culto obstinado de um passado edénico – em oposição ao seu tratamento como distração literária – é característico das sociedades em disfunção. A população Cabo-verdiana suportou quatro décadas de metamorfoses sociais que a deixaram exaurida; e agora vê-se sub-empregada, sub-educada e sub-capitalizada; não se encontra, certamente, num estado de fortaleza identitária. Neste momento, qualquer aventura social ou conceptual que nos leve para fora da ribeira resulta necessariamente num angstexistencial atroz.
A alternativa é o entrin­chei­ramento cultural: a negação ideológica das línguas que não aprendemos a falar, dos livros que temos dificuldade em ler, dos quadros que não sabemos apreciar, dos talheres que não sabemos usar. Atribuímos essa rejeição à rejeição do Outro – ao seu racismo, paternalismo e arrogância – e refugiamo-nos no nosso quintal paroquial, onde a troça que imaginamos no seu rosto não nos poderá alcançar.  Neste contexto, as identidades globalmente vitimizadas do negro e do escravo prestam-se lindamente à desculpabilização das nossas falhas – e do nosso ego.

Tragicamente, o terreno da fragilidade identitária é sempre fértil para a demagogia. Na perspetiva de cair no goto do eleitor, o estabelecimento político, eleitoral e cultural reforça as imagens que lhe dão segurança: abaixo o branco que nos escravizou; abaixo o seu descendente que se refastela nas nossas praias; abaixo o empresário ricalhaço que compra o que nós não podemos; abaixo a língua Portuguesa que nos secundariza a maternu; abaixo o  profissional que sabe mais do que nós; viva a nossa mediocridade espelhada na TV.
in Expresso da Ilhas...




[7425] - RESSONAR PODE SER PERIGOSO?!

Se você é do género da maioria das pessoas,  nunca dormirá oito horas por noite!
Porém, se com frequência se sente muito cansado, sofre de dores de cabeça sem causas aparentes ou de pressão arterial alta, pode estar com um problema sério...
É que, tais sintomas, podem resultar do facto de ressonar durante o sono, que é o mais comum dos prenuncios de um problema de saúde a requerer muita atenção - APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO ou, simplificadamente, A.O.S.!
Enquanto muita gente, para não dizer toda a gente, pensa que ressonar é, apenas, uma pequena contrariedade, os estudos mais recentes apontam para a possibilidade de ser sintoma de algo verdadeiramente perigoso para a saúde...
Existem para cima de 18 milhões de americanos cuja A.O.S. foi diagnosticada como sendo uma consequência do ressonar!
As pessoas que sofrem de A.O.S. estão sujeitas a frequentes e estranhas paragens respiratórios durante o sono, por obstrução das vias respectivas. Tal, ocorre quando os músculos do maxilar inferior, da garganta e da língua relaxam, bloqueando a passagem do ar aspirado pelo nariz e pela boca. A consequente descida brusca dos níveis de oxigénio pode durar até um minuto e acontecem centenas de vezes durante uma noite...
Felizmente, a maior parte das pessoas acorda aquando de uma obstrução total ou parcial mas sentir-se-á, decerto, completamente exausta!
Todas as pessoas com mais de 35 anos, consideram-se incluidas no grupo de risco de A.O.S....
Aconselha-se pois que, quem ressona - homem ou mulher - se submeta a exames de diagnóstico da A.O.S atempados...Pela vossa saúde!

[7424] - GOVERNABILIZAR O PAÍS...

PROVINCIAS
A organização territorial: um problema em aberto

Debate Regionalização

António Cândido de Oliveira, professor e investigador da Universidade do Minho

Portugal tem por resolver, desde 1974, o problema da organização territorial do Estado.
A Constituição da República Portuguesa de 1976, que estabeleceu um Estado de direito democrático, unitário mas descentralizado, definiu essa organização de uma forma bem clara. Na base e por todo o território nacional haveria freguesias e municípios. No continente europeu haveria regiões administrativas e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira regiões autónomas. No cimo desta pirâmide continuaria o Estado-administração, tendo como órgão superior o Governo. 
Como estamos 40 anos depois? As freguesias e municípios estão consolidados, como previsto, como entes de administração local autónoma (as primeiras eleições democráticas ocorreram em 12 de Dezembro de 1976). As regiões autónomas dos Açores e da Madeira funcionam desde o mesmo ano (eleições de 27 de Junho de 1976) e o Estado-administração mantém a sua secular actividade, tendo o primeiro Governo constitucional resultado das eleições de 25 de Abril de 1976. Faltam apenas as regiões administrativas.
O edifício constitucional da organização territorial do Estado ficou assim incompleto e não se vê forma de o concluir. Há um desfasamento entre a Constituição e a realidade que importa enfrentar abertamente. Seria um erro pensar que o problema é de fácil solução. Há uma clivagem em Portugal entre defensores e opositores da regionalização que importa ter em conta e procurar solucionar de forma democrática. E a forma democrática exige que se opere um debate entre as duas correntes que conduza a uma decisão em pé de igualdade. Ora, essa igualdade não existe actualmente. Temos o paradoxo de uma Constituição que, ao mesmo tempo que ordena a criação de regiões administrativas, introduziu em 1998 um mecanismo de criação das mesmas que as inviabiliza. O professor Marcelo Rebelo de Sousa, principal responsável pela introdução desse mecanismo referendário na lei fundamental, escreveu a esse propósito o seguinte: “É mesmo difícil conceber regime constitucional mais convidativo a uma rejeição de qualquer divisão regional do continente” (Lições de Direito Administrativo, vol. I, 1999, p. 401.) 
Não cabe no âmbito deste artigo terçar armas por uma das partes neste diferendo, bastando apenas enunciar o problema e afirmar que não é aceitável esta situação que apouca a nossa lei fundamental. Paradoxalmente, a Constituição dar-se-ia ao respeito se pura e simplesmente nem ordenasse nem proibisse a regionalização ou outra forma de organização territorial a nível supramunicipal.
Seria redutor, entretanto, considerar que em Portugal existe apenas este problema da organização territorial do Estado. Este é um tema que convoca outras discussões que importa fazer com a liberdade que é própria dos regimes democráticos. Enunciemos alguns.
As freguesias devem fazer parte da nossa organização administrativa ou devem ser delas retiradas como defendem alguns? E qual o papel que elas devem ter a manterem-se? Que balanço se pode começar a fazer da reforma territorial de 2013?
E quanto aos municípios? Temos efectivamente municípios a mais? Ou a menos? A que título impedir a criação de novos municípios, sem mais, ou seja, sem discutir essa possibilidade? 
E ainda qual a razão para impedir a existência do distrito como autarquia local ou a província ou mesmo estas fi guras novas das comunidades intermunicipais? Sabemos que há, neste momento, um obstáculo constitucional, pois só estão previstas regiões administrativas. Mas por que há-de ser assim?
A Constituição não é intocável em matéria de organização territorial do Estado e o que se pede é que este tema seja amplamente discutido para que na altura de uma próxima revisão constitucional não se faça um simulacro de debate sobre a matéria com posições políticas de circunstância a sobreporem-se a estudos feitos em devido tempo.
É neste contexto que é de saudar vivamente a iniciativa da Associação Nacional de Municípios de levar a cabo, com inteira abertura, uma conferência sobre A Organização Territorial do Estado e a Democracia de Proximidade, no dia 15 de Outubro, em plena semana europeia da democracia local.

Sugestão de
Adriano M. Lima

[7523] - MINDELO: ENTRE A FICÇÃO E REALIDADE - (6)...

 
 
 
 
A nostalgia do Mindelo dourado

 É este Mindelo em profunda crise, que sonha com o regresso de um passado de bem-estar e riqueza, que encontramos em muitas mornas e coladeiras e em praticamente toda a literatura cabo-verdiana. De acordo com Manuel Lopes, em 1936, com a revista Claridade, nasceu uma “literatura de expressão ou motivos caboverdianos …que exprime a sensibilidade e a idiossincrasia do povo deste arquipélago”25 pelo que, essa literatura naturalmente espelha a profunda decadência do Porto Grande. O que causa alguma estranheza é a persistente e recorrente reminiscência dum passado de grande bem-estar, riqueza e até luxo.
 Baltasar Lopes em Chiquinho, refere o tempo dos ingleses quando as libras corriam e a província vivia dos rendimentos do Porto Grande. Manuel Lopes em Galo Cantou na Baía pela boca de Jul’ Antone diz que “Não compreendia, achava esquisito, este porto sem nenhum vapor. Para que serviam os portos se não era para terem vapores dentro? Já houve tempo que não faltava dinheiro aos que viviam na ourela da baía. Tinha tanta maneira, antigamente, de um vivente viver folgado.”26
 Aurélio Gonçalves passeia numa ruela que lhe traz “à lembrança cenas de um Mindelo de há muitos anos, com um porto animado de um movimento tumultuoso, insuflando vida a uma população atarefada e variada de trabalhadores da baía, delirando em bailes a pau-e-corda, oferecendo ligações fáceis, consumindo vidas…” 27.
 Em O Meu Poeta, Germano Almeida, pela boca do secretário-narrador fala da necessidade de “perpetuar para as gerações futuras esta cidade grandiosa por onde muito dinheiro e muito luxo já correu”28.
 Teixeira de Sousa conta que “antigamente as vagonetas não paravam, nas vinte e quatro horas do dia, em qualquer das companhias abastecedoras. Bons tempos esses, que até os gatos de Manel Jon eram engordados com gemada, segundo brejeiramente se cantava.”29. Somos aqui remetidos para o texto mais emblemático e popular desta saudade dos tempos dourados de Mindelo, a morna Tempe de Caniquinha, em que Sérgio Frusoni fala da alegria e abundância em que a cidade vivia, com o porto cheio de vapores, as ruas cheias de estrangeiros e o gato de Manel Jon a ser alimentado com gemadas.
 Seriam inúmeras as citações possíveis mas curioso é que, se formos à procura desta época dourada de Mindelo, dificilmente a encontramos. Deparamo-nos sim, com uma sucessiva, e quase ininterrupta, série de crises.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

[7522] - COSMÉTICA URBANA...


Segundo o jornal Notícias do Norte, a Câmara Municipal de S.Vicente (CaboVerde), à semelhança do que fez na fachada do Liceu Velho - para nós, Liceu Gil Eanes - mandou "requalificar" o antigo edifício das Conservatórias do Mindelo, lavando-lhe a face e destruindo a cobertura da longa varanda... Ficou o prédio como que "despido"... A traça original deste bem patrimonial foi, assim, alterada e não sei em que medida é que isso será legítimo, `a luz dos princípios que norteiam a conservação do património urbanístico, para além do facto da supressão da dita cobertura da varanda ter retirado ao conjunto um elemento caracteristico da traça arquitectónica da época a que o edifício remonta... Não sei se a "requalificação" dessa cobertura teria sido mais onerosa do que o seu desmantelamento!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[7521] - EM BUSCA DE JUSTIÇA...

 
TENDO ESGOTADO TODAS AS HIPÓTESES DE BUSCA, SOLICITO AJUDA PARA CONHECER O CONTEÚDO DO ACORDO ESPECIAL PORTUGAL - CABO VERDE, DE 15.04.1976, QUE PREVÊ A PROIBIÇÃO ABSOLUTA DE EXPULSÃO E RESTRIÇÕES Á POSSIBILIDADE DE EXTRADIÇÃO...
DESCONFIO QUE ALGUÉM TERÁ FEITO TÁBUA-RASA DESTE ACORDO QUANDO ME EXPULSOU DE CABO VERDE, EM JUNHO DE 1977...
AGRADECE - José Manuel Faria de Azevedo

[7520] - UM BARBEIRO OCUPADO...

 
Um homem entra no salão do barbeiro, e pergunta:
  «Quanto tempo, até chegar a minha vez?» 
O barbeiro olha em volta do seu salão, e responde:
  «Mais ou menos 2 horas!» 
O homem sai. Passam alguns dias, volta e pergunta:
  «Quanto tempo, até chegar a minha vez?
O barbeiro olha em volta do seu salão, e responde: 
  «Mais ou menos 3 horas!»
O homem sai. Passa uma semana, o mesmo homem entra e pergunta de novo:
  «Quanto tempo, até chegar a minha vez?» 
O barbeiro olha em sua volta e responde: 
  «Mais ou menos 1 hora e meia!» 
O homem sai. O barbeiro vira-se para um seu amigo e diz:   
  «Oh Paulo, faz-me só um favor! Segue aquele homem e vê para onde vai... O gajo sempre que  entra aqui, pergunta quanto tempo até a sua vez, vai-se, mas nunca volta».
Uns minutos depois, Paulo regressa ao salão a rir perdidamente... O barbeiro, curioso, pergunta: 
  «Então? Onde é que ele vai, depois de vir aqui?!» 
Paulo, levanta a cara, enxuga as lágrimas do riso e responde:
  «Quando sai daqui... ele vai para tua casa, homem!!!»

Contada pelo Valdemar Pereira

[7519] - FALAR PORTUGUÊS, HOJE...


Hoje não se fala português... linguareja-se!

Por Helena Sacadura Cabral.

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos 'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se agora para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico'.
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram todos a 'auxiliares da acção educativa' e agora são 'assistentes operacionais'.
Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em 'técnicos de vendas'.
O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez'.
Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'.
Os operários fizeram-se de repente 'colaboradores'.
As fábricas, essas, vistas de dentro são 'unidades produtivas' e vistas de exterior são 'centros de decisão nacionais'.
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante. Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo' Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação' , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.
Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
As p.... passaram a ser 'senhoras de alterne'.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem. E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
Estamos "tramados" com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.

Colabor. de Adriano M. Lima

domingo, 12 de outubro de 2014

[7518] - MINDELO: FICÇÃO E REALIDADE - (5)...



O valor da cultura e do ensino

Apesar da fome e da insegurança que nunca deixaram de acompanhar a vida destas gentes, sempre valorizaram de forma extraordinária a escola e a instrução o que é uma característica que, vinda do séc. XIX, atravessa todo o séc. XX e chega aos nossos dias. É evidente que tal se deve ao facto de ser através dos estudos que se consegue um emprego capaz de garantir a subsistência a cada final de mês e a promoção na escala social. Mas também é verdade que não se trata apenas de atingir o bem-estar económico e social, pois o enriquecimento através do comércio ou da emigração, sendo um caminho possível, habitual e muito apetecido pelos filhos das ilhas, não é tão valorizado como o caminho da instrução. Há algo mais, que Mesquitela Lima, num estudo sobre Sérgio Frusoni realça: “A maior parte do mindelense, mesmo o menos dotado, tem o culto da cultura, conhece os seus poetas e escritores, cita os seus nomes, possivelmente sem os ter lido. As salas de conferências enchem-se e nelas vê-se muito pé-descalço. Nos bailes nacionais de Bia de Djacó ou de João Tolentino, há indivíduos que fazem discursos com pretensões eruditas, o mesmo sucedendo em certos clubes populares como o Castilho, o Derby e Amarante”23.
Desde os últimos anos do séc. XIX que, nesta cidade, se criaram associações recreativas e culturais onde as elites conseguiam acesso a livros e revistas mas também organizavam récitas, espectáculos teatrais e musicais, bailes e festas. O povo, embora tivesse as suas festas populares, trazidas de todo o arquipélago, não estava completamente afastado da vida cultural da cidade. Pires Laranjeira refere que os muitos jornais e revistas culturais cabo-verdianos que com grande irregularidade circularam em Mindelo no séc. XIX e XX, não eram com certeza lidos por toda a população, mas o eco das lutas políticas e culturais que os atravessaram chegou sem dúvida a todos os cantos desta pequena cidade, e os cidadãos e intelectuais que neles mais colaboraram eram de todos conhecidos. O facto de aqui se encontrarem as maiores empresas e casas comerciais do arquipélago, bem como importantes serviços administrativos e o Liceu, atraiu a esta ilha um número significativo de quadros que naturalmente propiciaram uma vida cultural excepcionalmente rica.
Sem dúvida que primeiro o Seminário-Liceu de S. Nicolau e, a partir de 1917, o Liceu de Mindelo, contribuíram para reforçar esta extraordinária apetência pelo estudo e pela cultura. Ao abrirem as suas portas a filhos de famílias modestas, sem posses para custearem estudos em Portugal, e a mestiços, (o que só veio a acontecer nas outras colónias muito mais tarde, pois os liceus destinavam-se aos filhos dos colonos) permitiram que um grande número de naturais destas ilhas estudasse e ocupasse postos importantes na administração e no comércio, conduzindo assim a uma certa democratização da sociedade.
Nos anos 20 e 30 do século passado, dão-se em Cabo Verde profundas mudanças sociais e económicas. A crise interna na agricultura, a grande crise económica mundial dos anos trinta e a consequente diminuição de movimento no Porto Grande faz com que as famílias brancas mais ricas percam poder económico e acabem por emigrar para a metrópole, procurando empregos compatíveis com a sua situação social. De acordo com as estatísticas oficiais da época, o número de brancos em Cabo Verde aumenta de 1900 até finais da década de trinta, tendo atingido então o número máximo de 5.580, e a partir daí começa a decrescer ao contrário do que acontece com o número de mestiços que aumentam regularmente24. Como já tínhamos visto, a instalação do liceu em Mindelo, em 1917, permitiu que os filhos e filhas de gente modesta e de poucas posses, independentemente da cor da pele, pudessem fazer estudos secundários. Este facto, aliado à saída das famílias brancas, permitiu uma ascenção dos mulatos tanto no campo económico, como cultural e social e se os preconceitos sociais não deixaram de existir, pelo menos os preconceitos raciais atenuaram-se substancialmente.
Mesquitela Lima caracteriza assim a sociedade mindelense da primeira metade do séc. XX: uma elite formada por médicos, advogados, comerciantes e proprietários abastados, funcionários e quadros superiores, ingleses e oficiais do Exército português que eram membros do Grémio, o clube mais importante e exclusivo da cidade. Havia depois um grupo mais modesto formado por pequenos comerciantes, mestres artífices, empregados de boas firmas, pequenos funcionários que frequentavam o Rádio-Club e finalmente havia o povo. O espaço urbano que estas classes podiam ocupar estava perfeitamente delimitado e definido só se misturando em ocasiões ou festas especiais. Aparentemente, e segundo o mesmo autor, esta separação era perfeitamente aceite, pelo menos sem contestações visíveis. Emblemático desta situação era o passeio na Praça Nova em que a elite se sentava nos bancos ou no quiosque, a classe modesta passeava na parte superior da praça e o povo limitava-se a circular no passeio que a circundava.
No pós-guerra acentua-se o declínio do Porto Grande. Aumenta o recrutamento de mão-de-obra para S. Tomé e Príncipe. A emigração será a solução para o desemprego e diminuição da actividade agrícola, provocada por ciclos de seca cada vez mais prolongados. Calcula-se que só entre 1940 e início dos anos setenta, tenham emigrado mais de 200.000 cabo-verdianos. Em 1958 as companhias carvoeiras abandonam definitivamente S. Vicente, deixando um grande número de funcionários administrativos no desemprego. A telegrafia sem fios faz diminuir o interesse por S. Vicente e, em consequência, as actividades do telégrafo inglês começam a diminuir até ao encerramento definitivo em 1973-74.
Apesar das companhias inglesas terem tentado acompanhar a evolução tecnológica em termos de navegação, tendo a Miller & Cory , logo em 1919, e de seguida a Shell, instalado depósitos de óleos o facto é que a inexistência de um cais acostável, que só veio a ser inaugurado em 1961, foi determinante na perda de competitividade com os outros portos da região. Se estes e outros investimentos, feitos já depois da independência, impediram o descalabro total do Porto Grande não conseguiram restituir-lhe a importância de outros tempos.
 ...Continua...

[7517] - POEIRA DOS TEMPOS...



Um grupo de colaboradores da Italcable, em  que facilmente se reconhecem Sérgio Frusoni, Tony Marques, Adriano Morais...Mas, há outros!
Foto disponibilizada no FaceBook por Joe da Silva, filho do Tony...

Colabor. de José F. Lopes

[7516] - A ARTE DE MESTRE POLU...



O João Branco fez publicar esta foto o FaceBook, que fixa um pormenor da porta da residência de Baltasar Lopes da Silva, no Mindelo e que o próprio terá encomendado a Mestre Polu - Clarimundo Faria de Andrade, um bravense que conheci muito bem e com quem privei durante muitos anos. Era um artista extraordinário, sendo célebres os seus cachimbos e outros artefactos em madeira, material que manipulava com inexcedível mestria e perfeição. Homem de sete ofícios, sabia de construção naval e civil, mecânica, marcenaria, electricidade, etc... Um destes dias, Arrozcatum contará parte da história deste homem a quem a sociedade da sua terra não terá, ainda, prestado a homenagem devida...



Foto - Esquina do Tempo




{7515] - POLITICAMENTE CORRECTO...

 
Na Universidade de Griffiths, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo.
Neste ano, o termo escolhido foi "politicamente correcto". O estudante vencedor escreveu:
 
"Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pela "media"oficial; ela sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo."
 
Colabor. Adriano M. Lima

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

[7514] - MINDELO: ENTRE A FICÇÃO E A REALIDADE - (4)...

 
O direito a folgar e a ser livre
 
Se, de uma maneira geral, o povo cabo-verdiano é um povo alegre que gosta de festas e se entrega à dança com paixão, em Mindelo adquiriu este povo alma de cigarra que não cuida da chegada do inverno nem precisa de lições de moral das formigas laboriosas e previdentes pois assume inteiramente que “Nôs vida é ganhá, gastá / Sem pensá na dia de amanhã”. Albert Picquié, que ao serviço da marinha francesa aportou a estas ilhas por volta de 1881, escreveu que “os cabo-verdianos são indolentes, doces, pacíficos, sem preocupações, vivendo sob o lema: “Para hoje há, para amanhã Deus dará” e acrescentou que “esta preguiça optimista é o seu estado predilecto.”17
 Em Virgens Loucas de António Aurélio Gonçalves o comerciante Léla de Memente invectiva as jovens que vão comprar petróleo a desoras com a desculpa de que o dinheiro era pouco. “toda a gente sabe que coisa é essa de dinheirinho que é pouco. Mas quando é para um piquenique na Matiota ou para um bailinho no Morrinho-de-Cavalo… ele é pouco, mas ele sempre aparece. Domingas, como das outras vezes, foi a mais pronta a advogar a sua causa:
- A gente tem de fugir à tristeza da vida. Você compreende nhô Léla . Você quer que a gente morra mais depressa, sempre metida com as preocupações? Hom’! Uma vivente há-de tomar uma coisinha de ar de quando em quando. Uma pessoa há-de folgar.”18
 É ainda António Aurélio Gonçalves que, em Pródiga, ilustra bem este apelo profundo pela vida de cigarra, descuidada, e alegre. Xandinha entre a miséria de um quartinho de terra batida, coberto de telha de madeira esburacada mas com uma “Vida de pândega, de mornas ao violão, de fome,…mas também,… deliberdade.” e a casa da mãe, com uma “vida de humildade, de obediência” garantia dos poucos tostões de cada dia, sabe que mais tarde ou mais cedo terá que ceder ao apelo da liberdade 19.
 O povo, constituído por carregadores, catraeiros, serventes, pequenos artífices, cicerones, prostitutas, etc. não vivia na cidade mas sim em pequenos povoados periféricos que com o tempo se transformaram em bairros de Mindelo. Com as companhias carvoeiras, tinham os trabalhadores braçais um vínculo laboral precário, pelo que era com muita dificuldade, que conseguiam garantir a única refeição quente diária, o jantar. Quem de facto lhes garantia o sustento eram os vapores que chegavam ao porto. Do estado nunca receberam nada e as companhias para as quais trabalhavam, às vezes durante anos e anos, viravam-lhes as costas em tempos de crise. A sobrevivência sempre lhes veio de fora, do imprevisível curso da história e da chegada dos navios. Escreve Manuel Lopes em Galo Cantou na Baía: “… é o porto e não o Governo quem sustenta a pobreza desta ilha” 20.
 Há, talvez por isso, neste povo, uma saudável e altiva insubmissão relativamente ao poder, sem agressividade, mas com humor e ironia. E não resisto a ilustrar esta afirmação com um episódio do livro de Teixeira de Sousa, Capitão de Mar e Terra. Conta ele que na sequência de um levantamento popular numa das muitas crises que esta cidade viveu, foi decretado o estado de sítio e proibida a circulação de pessoas a partir das nove da noite com excepção de funcionários e trabalhadores do porto e das mulheres que, de latas à cabeça, iam fazer despejos no caisinho, pois ainda não havia rede de esgotos. Todos eles teriam que ter um salvo-conduto. “Houve apenas um incidente, ocorrido com Nhá Constançona. Ela não trazia salvo-conduto mas trazia uma lata à cabeça. Foi interceptada por um guarda da Segurança Pública, que lhe exigiu o papel.
 - Qual papel?
 - Papel para andar na rua a estas horas.
 - Desde quando é preciso passaporte para carregar merda?
 O agente acompanhou-a ao caisinho para despejar o conteúdo da lata… e levou-a para a esquadra.”21
 De acordo com Germano Almeida “este povo, mais inconsciente que conscientemente, aprendeu à sua custa que o amanhã ou não lhe pertence ou pode ser bem pior que o hoje … é esse desencanto na esperança de uma vida de felicidade que faz do homem de S. Vicente um ser livre quase até à soberba, que aprendeu a viver de expedientes diversos, quer seja do jogo, quer seja do empréstimo, quer das pequenas trapaças que lhe vão garantindo o dia-a-dia.”22
 

 
- CONTINUA -
 

[7513] - C O N V I T E ...


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

[7512] - O CAMPUS DA POLÉMICA...


POLÉMICA: DEPUTADOS INSISTEM NO CAMPUS DA UNI-CV EM SÃO VICENTE

Deputados do PAICV e do MpD exortam o Governo a renegociar com a China a ideia de financiar o campus universitário público para São Vicente, como medida de combate ao desequilíbrio do país. O debate relança-se após o embaixador da China em Cabo Verde, Su Jian, ter dito a este jornal que a parte cabo-verdiana já definiu que o campus universitário a ser financiado pelo seu país deve ser edificado na Cidade da Praia.

[7511] - OS FILHOS DE DEUS...


 
No inconfessável desejo de alijamento das nossas culpas, passamos a vida a asnear "por vontade de Deus!", a almejar este mundo e o outro "se Deus quiser!", a festejar os sucessos "graças a Deus!" e, quando o azar nos bate à porta, erguemos as mãos aos céus e "que Deus nos ajude!"...
Neste pretensioso recurso ao poder e à protecção divinas, para tudo e para nada, a gente esquece, lamentavelmente, que Deus, seja Ele qual for sempre, e cada vez mais, necessita que O ajudemos a ajudar-nos!

[7510] - CRIADA DE DIA, CRIADA DE SERVENTIA...


 
Ess'ali na esquina é Maria dos Dores, a Bia.
Há anos, quando não havia água canalizada
Ela era jovem criada de servir, criada de dia
Carregava a água de Madeiral para morada.
Ela era tão garbosa, agradável, contentinha
Andou pela escola e outros predicados tinha.
Depois, a jovem pretinha cheirando a sabão
Com frescura no corpo, que nunca dizia não
Perdeu sua juventude, a honra e a inocência,
E para com ela, já ninguém tinha paciência.
Chegou a traiçoeira velhice, lançou as raízes
A miséria e a doença nas pernas com varizes.
A vitalidade da sua juventude desaparecia
Já não tinha forças para ser criada de dia.
Sem água canalizada a merda era enlatada
E na calada da noite por ela era despejada.
Como a Bia tinha de ganhar a subsistência
Para não pedir esmola e viver de assistência
Então, na esquina, contava as horas do dia:
às nove horas ia buscar a lata de serventia.

- Valdemar Pereira, Tours, França

[7509] - (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO...

 
O juiz Rui Teixeira, que conduziu a instrução do processo “Casa Pia” e que agora está colocado no Tribunal de Torres Vedras, não quer os pareceres técnicos sociais com o novo Acordo Ortográfico. O magistrado enviou uma nota à Direcção Geral de Reinserção Social (DGRS) em Abril, onde se podia ler que esta “fica advertida que deverá apresentar as peças em Língua Portuguesa e sem erros ortográficos decorrentes da aplicação da Resolução do Conselho de Ministros 8/2011 (…) a qual apenas vincula o Governo e não os tribunais”.
A DGRS pediu um esclarecimento ao juiz, tendo este respondido que “a Língua Portuguesa não é resultante de um tal «acordo ortográfico» que o Governo quis impor aos seus serviços”, diz o juiz, acrescentando que “nos tribunais, pelo menos neste, os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário”.

Colabor. de Valdemar Pereira