domingo, 23 de novembro de 2014

[7655] - VULCÃO DO FOGO ACORDA, DE NOVO...

Foto TACV

"A erupção vulcânica iniciada às últimas horas de sábado na ilha cabo-verdiana do Fogo era previsível, pois o vulcão já dava sinais disso há algum tempo", afirmou hoje o vulcanólogo que coordenou as operações em 1995.

Mota Gomes, o "decano" dos especialistas cabo-verdianos em vulcanologia, adiantou que a atividade vulcânica das últimas semanas dava indicações de que "mais tarde ou mais cedo" seria possível uma erupção, embora este tipo de fenómenos seja sempre imprevisível.

O especialista, que tem acompanhado a atividade vulcânica desde 1995, não indicou, porém, porque não alertou as autoridades competentes.

A última erupção do vulcão na ilha do Fogo ocorreu a 02 de abril de 1995, e teve a duração de um mês, destruindo centenas de casas e de culturas, mas sem provocar vítimas mortais.

Fonte do Serviço Nacional de Proteção Civil (SNPC) cabo-verdiano indicou que a boca do vulcão "é afinal só uma", de onde a lava está a deslocar-se de forma "lenta" aparentemente pela zona sul da ilha.

Segundo a Rádio Nacional de Cabo Verde (RCV), os cerca de mil habitantes de Chã das Caldeiras, onde se situa a base do vulcão e considerada Parque Natural, estão já a abandonar a localidade, havendo "comboios" de viaturas apinhados, mas sem qualquer incidente ou pânico.

Preocupação das autoridades sanitárias e da proteção civil de Cabo Verde é também a nuvem de enxofre que entretanto se acumulou na zona de Chã das Caldeiras, o que tem provocado uma "chuva miudinha", "típica" deste tipo de fenómenos naturais e que pode provocar problemas respiratórios e criar mais um constrangimento.

A nova cratera, de onde está a sair a corrente de lava, situa-se na zona do Pico Novo, a poucas dezenas de metros onde decorreu a erupção de 1995, a pouco mais de dois quilómetros do pico do vulcão principal da ilha, cujo ponto mais alto atinge 2.829 metros. (in Dnotícias)

Foto DR


[7654] - O CRESPÚSCULO DOS DEUSES...


Detido há dois dias para interrogatório judicial, o ex-Primeiro Ministro José Sócrates poderá não vir a ser condenado por nenhuma das acusações que sobre si pendem mas jamais se libertará das dúvidas que, desde há muitos anos, se foram acumulando sobre a sua pessoa...
O facto de ter sido detido em pleno Aeroporto de Lisboa, empresta ao facto a sensação de que o role de culpas decorrente das investigações que duram há mais de um ano não apresentarão grande margem para dúvidas mas não podemos ignorar o princípio da jurisprudencia da presunção de inocência dos acusados até prova em contrário produzida em julgamento...
Simplesmente, tal como à mulher de César, não basta ser inocente, é necessário parecê-lo!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

[7653] - A NÃO PERDER...


[7652] - INSTANTÂNEOS PROÍBIDOS...


[7651] - OS CABO-VERDIANOS DE S.TOMÉ E PRINCIPE...



A meu pedido, Nouredini, a nossa amiga brasileira, mandou umas dicas acerca de caminhos possíveis de percorrer para acudir à situação quase infra-humana em que vivem milhares de cabo-verdianos em S.Tomé e Principe, triste herança de uma política de contratação de mão-de-obra para as roças que prometia o ceu e acabou por desterrar para o inferno cidadãos de pleno direito hoje despojados de tudo e esquecidos por todos...
As manifestações  dispensadas aos conselhos profissionais de Heide Oliveira (Nouredini) não atingiram o grau de interesse que eu esperava e, salvo honrosas excepções, foi quase ensurdecedor o silêncio que se seguiu à publicação do nosso "post" 7645 e o "Grande Desafio" transformou-se num enorme fiasco...
Se me pedissem para formar uma equipa capaz de fazer ouvir a sua voz nas mais altas instâncias, eu lembrar-me-ia, assim, a talhe de foice, de Adriano Miranda Lima, Arsénio Fermino de Pina, Filomena Vieira, Joaquim Saial, José Fortes Lopes, Luis Silva, Manuel Brito-Semedo, Ondina Vieira, Valdemar Pereira, Veladimir Cruz... Tudo gente com provas dadas, capaz de fazer ondas, agitando as águas até às calemas e, porque não, até ao tsunami...
É que, sendo inviável ou desaconselhável a intervenção dos comuns mortais nesta matéria a nível institucional, nada impede a sociedade civil de se manifestar e, por isso, eu perguntaria se haverá por aí alguém que, no mínimo, consiga reunir uma multidão de patrícios que unam as suas vozes num Manifesto a remeter aos Governos de Portugal, de Cabo Verde e de S.Tomé e Príncipe...
No mínimo, repito!!!

[7650] - A HISTÓRIA REPETE-SE...


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

[7649] - ESCANDALOSO...


O antigo embaixador português no Brasil (2005-2009) e em França (2009 -2013), Francisco Seixas da Costa, considerou um “escândalo” o modelo de atribuição das estrelas Michelin. Em causa está o facto de a “esmagadora maioria dos inspetores” envolvidos na seleção do guia ser de nacionalidade espanhola, o que na sua opinião justifica a discrepância entre o número de restaurantes galardoados – 169 espanhóis contra 14 portugueses. No total foram distribuídas 17 estrelas para Portugal (3 restaurantes lusos com 2 estrelas e os restantes com apenas uma) e 203 estrelas para Espanha (oito restaurantes espanhóis com três estrelas, 18 com duas e 143 com uma estrela).

“Há um escândalo – e meço a palavra – que urge notar e que as autoridades turísticas portuguesas deveriam empenhar-se em denunciar: nenhum dos inspetores que o “Guide Michelin” enviou aos nossos restaurantes é de nacionalidade portuguesa, sendo que na esmagadora maioria são espanhóis”, pode ler-se no blogue “duas ou três coisas”, da autoria do antigo embaixador e diplomata português, que foi também representante de Portugal na ONU e na UNESCO.

Francisco Seixas da Costa fez questão de sublinhar que “não está em causa a grande qualidade da restauração espanhola”, mas questionou: “Alguém acha normal que Portugal tenha apenas 14 restaurantes “estrelados” (e nenhum com três estrelas) e a Espanha bem mais do que decuplique esse número, com 169?!”. E considera “inaceitável que, ano após ano, esta situação discriminatória se prolongue, sem uma reação da nossa parte”.

A edição de 2015 do Guia Michelin foi apresentada esta quarta-feira, em Marbelha, e foram reconhecidos 14 restaurantes portugueses, um número recorde – três deles tiveram mesmo direito a duas estrelas. Ainda assim, nenhum dos restaurantes recebeu a distinção máxima do “guia vermelho” de três estrelas Michelin – em Espanha foram oito os merecedores desse galardão...

in Observador


   

[7648] - A FRASE DO DIA...



“Hoje fala-se muito
 em direitos,
esquecendo, com frequência, 
os deveres!...”

[7647] - A FAVOR DOS SEM ABRIGO...


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

[7646] - O SONHO DOS SONHOS...




[7645] - OS FORÇADOS DAS ROÇAS DE S.TOMÉ...


Recente leitura neste blog instigou a fazermos algo pelo povo de S. Tomé e Príncipe, em especial o povo de cabo Verde que lá se encontra,  e pensando no que apregoa os objectivos de desenvolvimento  do milênio – ODM  e o comprometimento da ONU como desenvolvimento econômico e social, assumidos nas conferências globais, a Assembleia do Milênio, em 2000, e a Cúpula Mundial, em 2005,  as minhas inquietações encontram eco especial no que declaram como pretensão:

1. Erradicar a extrema pobreza e a fome;
2. Atingir o ensino básico universal;
3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4. Reduzir a mortalidade infantil;
5. Melhorar a saúde materna;
6. Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças;
7. Garantir a sustentabilidade ambiental;
8. Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento.

Estes compromissos baseiam-se num estratégia global e deve-se adequar as diversas realidades regionais em cada pais. Os países membros e instituidores de diversos fundos de desenvolvimento, a exemplo do Banco Mundial e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) já marcam presença com avaliações e até projectos em São Tomé e Príncipe.

Em rápida pesquisa encontrei a presença do FIDA desde 1985 em atividades com pesca e agricultura, desenvolvimento de capacidades para fortalecimento o capital humano e social local.  Este Fundo é o mesmo que financia os projectos de desenvolvimento nos quais trabalho a 10 (dez) anos. Possui metodologia participativa e preza pela erradicação da pobreza extrema. Lá o FIDA investiu em programas e projectos que trabalham para :
melhorar a infraestrutura e tecnologias de processamento do país e apoiar os serviços agrícolas e de mercados; melhorar o acesso das pessoas aos mercados e serviços, enfim o objectivo resumiu-se em capacitar os pobres rurais para cuidar de seu próprio desenvolvimento, nomeadamente através das suas próprias associações , trabalhando com prestadores de serviços , ONGs e governo.

Também existe uma recente avaliação feita sobre a actuação do  Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas ( PNUD) que recebeu recursos para O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas ( PNUD) , através de seu escritório em São Tomé e Príncipe acerca de  financiamento da Governação Democrática Temática Fundo Fiduciário( DGTFF ) para a implementação do Projecto de Fortalecimento de Liderança, cujo Projecto responsabilizava-se pela formação e  ajuda a líderes das instituições públicas, ministérios , parlamento e dos Municípios , bem como as instituições regionais  para desenvolver capacitação em suas instituições e após qualificados,   transformar os desafios locais em vantagens e fomentar o  crescimento do país, garantindo uma distribuição mais equitativa das oportunidades e do uso  recursos naturais do país.

Diante deste quadro e do vasto material de referência que podemos encontrar proponho aos que se interessarem uma consulta ao PNUD, através do escritório local e ao FIDA através da divisão da África e ao Banco mundial  sobre a possibilidade de aporte de novos recursos.

Saliento que nos relatórios referenciados existem os registos da participação dos bancos locais, ONGs e outros parceiros, o que nos credita a reconhecer a possibilidade de contrapartida, inclusive do banco da África do Sul. Precisamos entender melhor onde entraria Cabo Verde e com que tipo de aporte, talvez resgate a cultura e tradições, as contrapartidas muitas vezes não são financeiras mas podem ser monitorizáveis.

Aos que toparem, sugiro que qualifiquemos melhor os beneficiários, sua presença no pais com trajectória histórica, os potenciais parceiros a serem consultados, a participação de Cabo Verde e a receptividade do Projecto  para elaboração de um nota de consulta – chamada normalmente de nota de conceito  neste organismos. Quanto aos órgãos citados, todos possuem modelos próprios de carta consulta – etapa posterior, que  oportunamente nos enviarão, se a nota de consulta/ conceito for respondida.

Assim, conclamo os muitos profissionais e amantes de Cabo Verde que se interessarem para formamos um grupo de trabalho on line e darmos segmento a questão.

Avante!

Heide Oliveira
Salvador - Bahía
Brasil



[7644] - PIOR A EMENTA DO QUE O SONETO...


A vacina contra a gripe suína,
em 1976, provocou mais mortes
e padecimentos do que a doença
 que pretendia evitar.

[7643] - L O B B Y ...



Sobre o assunto do Post Nº 7636, do amigo Arsénio de Pina, pronunciou-se outro ilustre amigo, frequentador assíduo deste espaço, cujo comentário aqui deixamos para gáudio dos admiradores do precisão das suas ideias e da qualidade da sua prosa...

Inteiramente de acordo com as explicações do amigo Arsénio.
Diz que o poder económico é tendencialmente o suporte da direita, e isso é uma verdade em todo o mundo, com as raras excepções onde a social-democracia conseguiu realmente implantar-se, pugnando por políticas sociais viradas para as classes mais desfavorecidas. Mas mesmo esses casos de feliz realização política estão hoje ameaçados pelo chamado capitalismo de casino, com o seu efeito maligno sobre as organizações sociais e políticas.
Os lobbies, como bem demonstra o Arsénio, constituem hoje um fenómeno que perverte as regras da moralidade e da justiça, ameaçando a democracia e a soberania dos Estados. Mas se sempre houve lobbies ao longo da História da humanidade, hoje atingiram uma sofisticação que é fruto da globalização, das tecnologias e da liberalização dos mercados.
Vemos que de facto nem o mais bem intencionado governo consegue hoje adoptar políticas de cariz social, porque o sistema económico-financeiro global tudo capturou e passou a impor as suas regras. O fenómeno dos lobbies, que dele decorre, exerce-se à escala planetária e ajusta-se a qualquer realidade social, desde os países poderosos até aos mais pequenos (Portugal) ou aos mais insignificantes (Cabo Verde). Contudo, a natureza moral do lobby é a mesma, independentemente do país em causa. Traduz o triunfo do ter sobre o ser.
Com isto, é de perguntar o que nos espera. O que é que se pode fazer para suster e se possível mudar o sistema? Não é fácil, e com frequência vemos o ror de contradições entre aqueles que lideram as instituições financeiras regionais e mundiais. Hoje, num assomo de consciência, dizem uma coisa, para amanhã se desmentirem com as próprias acções do seu mando.
Este problema é extremamente complexo e as respostas não no-las dá nem o Keynes, nem o Hayek, nem o Friedman, nem o Marx, porque o mundo actual é impulsionado por variáveis que não entraram no viés do seu pensamento. Mas então outra pergunta se coloca. Se o poder económico em si é tendencialmente de Direita, o poder económico global tem de pertencer à esfera da Direita mais extrema, que é aquela que coloca o ser humano a uma escala ínfima, ao nível da coisa que se comercia. E como o mundo é constituído maioritariamente pelos excluídos do poder económico global, ou seja, daquela  Direita mais pura e mais abjecta, lógico será que os primeiros tenham de pertencer à Esquerda, ou seja, à força social global, que por princípio devia contrariar a pulsão do poder ameaçador.
No entanto, as coisas não se passam com esta simplicidade linear porque o mundo é tão complexo como a natureza humana. E é por isso que vemos pessoas de camadas sociais baixas a votar em forças políticas de direita, assim como o inverso é verdadeiro. Este será, por conseguinte, um problema sem solução. A menos que os povos do mundo consigam criar lobbies com a capacidade de se oporem aos do capitalismo de casino, o que terá o significado de uma revolução à escala mundial.
Obrigado, Arsénio, por este pedaço de conversa.

 Adriano Miranda Lima

[7642] - OS CABO-VERDIANO DE S.TOMÉ...



A nossa amiga Nouredini (Heide Oliveira) de Salvador da Bahia, Brasil, respondeu ao meu desafio feito em comentário ao post anterior sobre o problema do estatuto e do futuro dos contratados e seus descendentes cabo-verdianos que hoje sobrevivem em S.Tomé e Principe em condições degradantes...Recebi dela o seguinte mail:

Caro amigo,
creio que podemos partir deste planejamento estratégico  existente para o período de 2012-16 e desta avaliação feita. Neles são citados locais, agências e fundos internacionais vinculados à ONU envolvidos com o desenvolvimento.
Não os consegui traduzidos, mas porque conheço a estrutura deste tipo de documentos, creio que uma boa contextualização feita pelos nossos amigos historiadores, somada aos dados sócio-econômicos e das justificativas encontradas nos textos teremos como avançar numa proposta a várias mãos.
Sugiro criarmos um grupo de trabalho... O que acha?

Abraços

Os documentos a que ela se refere, são:

"Groupe de la Banque Africaine de Developpment"
Republique Democratique de Sao Tome et Principe
Document de Strategie-Pays (DSP) 2012 - 2016
Departement Régional-Ouest II (ORWB) - Juin 2012

U.N.D.P.~
Unite Nations Program for the Development of
São Tomé and Principe
Final External Evaluation Report
Project "Strengthening Leaderships"
August 2011
Globus - Consultoria
Consultor - Dilson Tiny


Fico, agora, a aguardar as reacções dos habituais e muitos outros visitantes deste espaço, na certeza de que é forçoso que alguma coisa se faça no sentido de devolver a esses cidadãos alguma da dignidade de foram espoliados a coberto de falsas promessas...

[7641] - O EMBUSTE DE OLD STAFFORD...

0 - 1

Quando, no início da segunda parte do jogo, parte da assistência começou a abandonar o estádio, consumava-se a ideia de que este encontro de futebol realizado no campo do Manchester United era uma fraude completa...
Com entradas a 80 euros, e mais, apenas cerca de 35.000 dos mais de 70.000 que Old Stafford comporta, compareceram ao evento, onde, a presença de dois jogadores, Cristiano e Messi era, sem sombra de dúvidas, o principal motivo de interesse que a partida oferecia. Ora, quando, precisamente, estes dois elementos não regressam ao campo após o descanso, parte importante dos espectadores entende que tinha ido ao engano e, em sinal de repúdio, abandona o recinto. Aliás, a segunda parte do jogo foi de uma pobreza franciscana, enquanto na primeira, os jogadores lusos se limitaram, durante mais de meia hora, a ver os argentinos a jogar...Foi uma jornada para esquecer em que, até o resultado, é ofensivo da verdade do que se passou no campo do jogo...
Alguma vez tinha que acontecer aos outros!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

[7640] - NOVOS DESAFIOS...VELHOS DEFEITOS...


REGIONALIZAÇÃO E NOVOS DESAFIOS POLÍTICOS EM CABO VERDE

Tal como o planeta, na sociedade, nada permanece estático pela simples razão dos seres inteligentes colocarem a vida entre dúvidas, o erro, a certeza em busca da vontade de ser perfeito.

Da batalha, sempre nasce alguma aclaração, bem como razões conscientes que levam governantes a repensar novas sociedades; assim, não admira, o recente anúncio dos maiorais do Palácio da Praia (para dezembro) sobre cimeira nacional em discutir ativos duma "Regionalização". Sobras dúbias que precisam ser também colocadas ao Governo!

Quem viveu, acompanhou movimentos de libertação contra o Estado Novo e as arbitrariedades da ditadura colonial, épocas geradas na instabilidade do mundo possuído de absolutismo; olha agora novos desafios, sem porém deixar de identificar velhos defeitos, certas teimosias apoderarem-se da personalidade, invadindo sensibilidades mais diversas do consciente como sequência democrática.

É verdade: a democracia, sem querer, ficou um fardo. Com isso, hoje, razões de tanto ouvir nas ruas protestos do povo. Das mesas de café a pequenas tertúlias observando novos métodos com velhas tendências relacionadas à "ditadura". Certamente, "ditadura" em outros moldes, sem deixar esse lado assustador, uma total desconfiança marca ultimamente as sociedades; esta, criada em torno da última geração de políticos dominadores da cena.

Não podia faltar nesta onda avassaladora sobre créditos políticos, a Cabo Verde, eterna caminhada dos partidos que, em vez de iluminarem o existencial das ilhas, foram deixando rasto incerto, parca lucidez, prejuízo farto estabelecendo níveis de perigosa confusão numa sociedade de recursos limitados, sempre à beira do precipício.

Aqui, de certo modo em rota de colisão com todo o processo democrático caboverdiano, pelos desafios devoradores da imagem partidária e dos próprios responsáveis. Esta, de todo, tem sido a "normalidade" com a qual foi chegando uma maré doutros conceitos políticos pela qual a "Regionalização", apresenta oportunidades de extrema complexidade pela responsabilidade de processos, frontal transparência, sem preconceitos, fugindo da maldita descrença a um povo em falta.

Assim, "Regionalização", remissão construtiva igualmente na ordem dos ideais. Em primeiro lugar, luta contra centralismos estatizantes; propõe modificações à ordem territorial em unidades (neste particular, pelo preceito das micro-regiões) onde a coesão é distribuída por todos.

A base, é confrontar desigualdades, mantendo estratégias comuns sem abandonar valores, realizar (melhor) os poderes, transparências e liquidar tentativas de má gestão.

No entanto, não foge esta opção às tentações defeituosas dos seres humanos quando pode também criar caciquismos locais, fazer entrar restrição orçamental. Por regra, exige programas autárquicos com pessoas inteligentes, determinadas na criação de municípios fortes em torno de responsáveis preparados e credíveis, mais interessadas no desenvolvimento local do que nos estratagemas partidários; dando lugar a estruturas de ordem produtiva entre o capital e o aforro, injetando vigor ao mercado e articular ações comuns onde se incluam realmente gente de valor.

"Regionalização": exige especificidades locais, combate princípios de corrupção onde o centralismo falha, alimentando mal (quase) indómito; aqui, "Regionalização", formata normas eficientes, disciplina, pede exatidão.

Naturalmente, ao caboverdiano, este, terá de adaptar-se a novos estímulos, regulada competição, opções onde implique metodologias processuais duma nova intervenção política, novos atores pelo comando ao melhor ordenamento dos recursos existentes, com responsabilidade acrescida.

No entanto, também não podem falhar planos ao prometido desenvolvimento, permitindo adiantar outros géneros programados. O conceito não poderá ser só geográfico-administrativo-político ou contra qualquer centralismo apenas pela ideia segregacionista podendo nascer resíduos perdidos da lástima (em tendência bairrista) social dalguns menos preparados.

O impacto da movimentação comunitária pedindo forte e decisiva mudança para Cabo Verde, a todos os níveis, uma saudável posição, início desse caminho aberto ao amanhecer onde cada caboverdiano, seja dentro ou fora, sem ficar alheio ao combate (na boa maneira de Amílcar Cabral), abrir portas à realidade, desbastar matas, arregaçar mangas pelas tarefas dentro da matriz determinante, sem medo, alienações nem covardia... porque vem aí, pela certa, outro futuro.

Pedir aos responsáveis que possam compreender a mais-valia sobre um novo projeto para Cabo Verde: outra oportunidade, desenvolvimento continuado, outra liberdade, independência em movimento... uma aposta por onde tanto a integridade como a coragem política devem oferecer nessa margem, a mais humanista e responsável de todas as opções e de vez liquidar a crónica fome e dramas que o povo de Cabo Verde não merece.

Veladimir Romano
Lisboa, 14-11-2014

[7639] - SERÁ VERDADE?!


O barulho que ouvimos quando colocamos um búzio junto ao nosso ouvido não é o oceano, mas sim o som do sangue correndo nas veias da orelha.

[7638] - C O A D O P Ç Ã O....


O que se está a passar em Portugal com o debate sobre a coadopção revela a anomia cívica da nossa sociedade e, sobretudo, a degradação a que chegou o nosso regime democrático.
Um setor ultraminoritário da sociedade, que age como uma seita, impõe arrogantemente as suas certezas e insulta e escarnece dos que exprimem opiniões diferentes.
O fanatismo heterofóbico dos seus prosélitos leva-os a apelidar de "ignorantes", "trogloditas" ou "homens das cavernas" todos os que ousam pôr em causa as suas certezas.
O que se viu no programa Prós e Contras da RTP, na semana passada, foi a atuação de um grupo bem organizado de pessoas lideradas por um fanático que, no intervalo do programa, subiu ao palco e se dirigiu a mim para me dizer que eu estava a usar no debate os mesmos métodos que os nazis tinham usado contra os judeus (!!!).
Esse delírio injurioso foi depois retomado em alguns órgãos de comunicação social, blogues e redes sociais, por outras pessoas imbuídas do mesmo fanatismo e da mesma desonestidade intelectual. 
Já, em tempos, uma das próceres da seita, a dra. Isabel Moreira, me chamara PIDE, para assim "vingar" a atual ministra da Justiça das críticas certeiras que eu lhe dirigia.
Afinal, parece que é nazi dizer que o movimento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) atua como um lobby que influencia os centros de decisão política devido à preponderância que muitos dos seus elementos têm no Governo, no Parlamento, na Comunicação Social, nas empresas e nos partidos políticos.
Sublinhe-se que os partidos de Esquerda aprovaram a lei sobre a coadopção exatamente no momento em que o povo mais preocupado (distraído) está com a austeridade que lhe é imposta pelo Governo e pelo presidente da República.
Foi, portanto, assim, à sorrelfa, com a ajuda cirúrgica da Direita, que se aprovou uma lei que ofende a consciência da esmagadora maioria da população.
O que se viu naquele programa da RTP foram exercícios de manipulação, de intolerância e de vitimização por parte dos defensores dessa lei e quem manifestou opiniões contrárias foi sumariamente apelidado de "ignorante" ou então brindado com estridentes risadas de escárnio. 
Eu próprio fui, no final do programa, veementemente apelidado de ignorante pelo líder da seita e por algumas histéricas seguidoras que o rodeavam.
O casal de lésbicas que ali foi exibir triunfantemente a gravidez de uma delas e proclamar o seu orgulho por a futura criança ser órfão de pai é bem o exemplo da heterofobia que domina a seita. 
Que direito tem uma mulher de gerar, deliberadamente, por fanatismo heterofóbico, uma criança duplamente órfã de pai (sem pai e sem nunca poderem vir a saber sequer a identidade dele)?
Com que fundamento o Estado se prepara para entregar a essas pessoas crianças que, por tragédias familiares, perderam os seus verdadeiros pais? 
É para que sejam destruídas (ou impedidas de nascer), no imaginário dessas crianças, todas as representações que elas têm (ou possam fazer) do pai ou da mãe que perderam?
Esse fanatismo mostra bem o que essas pessoas são capazes de fazer em matéria de manipulação genética com fins reprodutivos - como, aliás, uma das lésbicas deixou subtilmente anunciado no Prós e Contras.
Mas isso será mais tarde.
Para já o que importa é garantir que, em nome da felicidade onanística de alguns adultos, se possam entregar crianças a "casais" em que o lugar e o papel da mãe são desempenhados por um homem e os do pai por uma mulher.
Seguidamente, para não discriminar os gays e as lésbicas, substituir-se-ão nos documentos oficiais as palavras "mãe" e "pai" pelo termo "progenitores", tal como já se substituíram as palavras "paternidade" e "maternidade" pela neutra "parentalidade".
E quando estiver concluído o processo de "engenharia social" em curso, então passar-se-á à engenharia reprodutiva com vista a permitir que duas mulheres possam gerar filhos sem o repugnante contributo de um homem ou então que dois homens o possam fazer também sem a horrorosa participação de uma mulher.
Estarão, então, finalmente, corrigidos dois "erros grosseiros" da evolução: o de ter dividido os seres humanos em dois géneros e o de exigir o contributo de ambos para a fecundação e para a criação dos seus filhos.

Marinho Pinto

[7637] - A ILUMINAR...HÁ 110 ANOS!...


A mais velha lâmpada do mundo é tão antiga que o primeiro avião ainda não tinha sido posto a voar. Tem 110 anos, chama-se ‘The Centennial Light’ e é provavelmente o engenho elétrico mais antigo e continuamente utilizado pelo ser humano. Se pensarmos em tudo o que mudou desde que esta lâmpada foi acesa pela primeira vez torna-se ainda mais surpreendente.

Mas vamos à história. Estamos em 1901, em Livermore, na California. Uma banda toca na cidade, mas o capitão do quartel de bombeiros tem um anúncio para fazer. O departamento tinha acabado de instalar uma tecnologia moderna, uma das primeiras lâmpadas elétricas, feita de carbono (filamentos). Todos os curiosos foram chamados ao local e tiveram oportunidade para ver a invenção de perto.

A partir daí, o uso deste invento ‘magnifico’ foi estudado por forma a melhorar as condições de segurança das cidades. E depois disso já muitas foram trocadas, mas esta mantém-se acesa. O seu filamento de carbono poderá explicar este facto.

Na cidade, o orgulho nesta lâmpada é tanto que a Centennial Light, do departamento de bombeiros de Livermore, continua orgulhosamente a ser ‘cuidada’, mesmo depois da empresa que a manufaturou, a Shelby Electric Company, ter desaparecido depois de ter sido comprada.

Porém, a luz permanece acesa e nesta parte do país ainda há quem olhe para ela e se orgulhe do legado deixado por Adolphe A. Chaillet, que foi esquecido pela história.

in Noticias ao Minuto

[7636] - L O B B Y ...

   LOBBY
  
 Ouve-se, a torto e a direito, falar de lobbies, e eu próprio já utilizei a expressão em assuntos políticos e económicos. Como um meu leitor não distraído da Micadinaia – nome por que o malogrado Prof. João Manuel Varela gostava de chamar Mindelo –, que detesta estrangeirismos, me perguntou o seu significado e se não haveria palavra portuguesa para o bicho, vou tentar lançar um pouco de luz sobre o que significa.
Lobby é um termo que surgiu não há muito tempo, na esfera política e económica, e nada mais é do que um grupo de pressão nessa esfera, um grupo de pessoas ou organizações que tentam influenciar, aberta, velada ou secretamente, as decisões do poder público em favor de seus interesses.
O lobby medeia o relacionamento entre o poder político e o económico. Em qualquer democracia, o poder económico é tendencialmente um suporte da direita política, mas, quando o poder económico domina mesmo o poder político – o que vem acontecendo amiudadas vezes desde que vingou o neoliberalismo e a globalização -  e alguns interesses económicos se servem do poder político para dominar outros interesses concorrentes, estamos face a lobbies.
Os lobbies passaram, com o neoliberalismo a todo o pano, a ter uma força terrível, capaz de antecipar, inflectir, protelar ou impedir as decisões políticas de forma a melhor corresponderem aos seus interesses. As cumplicidades políticas, os conluios, a movimentação de funcionários públicos aposentados ou exonerados após bom comportamento militante para postos de direcção e administração de grandes empresas privadas e multinacionais rendem muito mais dividendos do que bons investimentos. Notamos isso em vários países, até de regimes aparentemente de esquerda, em que entre o Estado e as grandes empresas privadas há uma modalidade de comunicação subterrânea em vasos comunicantes, não, é bem de ver, em benefício dos interesses públicos mas dos amigos, apparatchiks e ex-governantes, como prémio pelo bom comportamento e pela capacidade demonstrada enquanto governantes de engolir grandes sapos sem enjoos nem regurgitações.
O lobby parasita o Estado e o património público, tal como fazem os empresários afilhados de ditaduras. Pelo seu poder de intervenção na esfera do político, cala e esmaga o empresário honesto e os chamados organismos intermédios da sociedade civil, podendo dar-se ao luxo e ter o gozo de se rir às escancaras na cara dos utentes e consumidores na maior impunidade, por ser arriscado meter-se com ele sabendo-se que está bem escorado em gente influente bem colocado no aparelho do Estado.
Como nos diz o meu contemporâneo dos tempos coimbrãos, actualmente reconhecido jurista e comentador político, Brederode Santos, a diferença entre a guerra dos lobbies e a dos gangs é uma questão de habilitações literárias: ao contrário do monsenhor Marcinkus, o célebre Alphonso Capone – vulgo Alcapone - não tinha formação teológica, mas ambicionava poder vir a comprar Deus na altura própria. A semelhança entre a guerra dos lobbies e a guerra dos gangs é que o adversário comum é a opinião pública e a sociedade civil, pelo que as pressões se devem fazer na penumbra das secretarias e os tiros devem dar-se com silenciador e sem testemunhas.
Presumo não necessitar de mais precisões para o meu leitor se aperceber de que se trata de reola danada, ruim, mesmo maligna. Se bem me lembro, referi-me um pouco a isso num programa da Adeco, na Rádio Nova, conduzido pela Dra Maïsa S. Vieira, aquando da minha última estada, há cerca de dois anos, em S. Vicente, a respeito dos preços dos combustíveis, da gestão dos telemóveis e da indigência de eficácia das nossas agências de regulação recentemente criadas.

Parede, Março de 2011 
                                          
Arsénio Fermino de Pina
(Pediatra e sócio honorário da Adeco)

{7635] - OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS...


Durante os 15 anos do seu reinado, o Imperador de França, Napoleão Bonaparte, terá usado cerca de 120 chapéus, dos quais 19 eram bicórnios...
Um deles foi, no passado Domingo, leiloado em Paris...A peça estava avaliada em cerca de 400.000 euros (o que já é um escândalo) mas, como se isso não bastasse, o pedaço de feltro acabou por ser arrematado por um coleccionador sul-coreano pela quantia surrealista de 1.884.000 euros!!!
Como é que é possível, ó deuses, esbanjar tamanha fortuna numa bagatela de um chapéu que nem sequer é peça única e que pertenceu a um imperador baixote - o mais pequeno dos ditadores conhecidos - que tinha mais de 120 acessórios similares no seu baú?!
Será que na Coreia do Sul não há necessitados?!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[7634] - O CHOCOLATE ESTÁ A ACABAR...

DR

Os dois maiores produtores de cacau, a Mars e a Barry Callebaut, revelaram ao jornal Huffington Post que desde há três anos que há um défice na produção de cacau.

Isto significa que, se a procura e a oferta continuarem a este ritmo, em 2030 serão apenas dois milhões de toneladas que irão separar o que é produzido do que é consumido.

A contribuir para esta escassez está o aumento da procura pelo chocolate negro, que contém uma percentagem maior de cacau, tornando-o mais saudável. Mas não só... O facto de o chocolate estar a conquistar o mercado chinês também contribui para este desfasamento entre a oferta e a procura.

Mas o problema não se resume à procura. A oferta também está escassa devido às secas que têm afectado a África ocidental e, ainda, devido a um fungo que atacou as plantações, tendo reduzido as colheitas a mínimos perigosos...

in Noticias ao Minuto

[7633] - RELÓGIOS DE RUA...

RELÓGIO "ATLAS" NA TIFFANY
Manhattan - N.York - USA
(1853)

[7632] - OLHAR COM OLHOS DE VER...


Um inquérito fiável conseguiu provar
que 99,9% dos homnes que viram
esta imagem não repararam no rato
que aparece sobre o bolo do topo
esquerdo do tabuleiro...
Distracção compreensível, diga-se!

(O Valdemar, viu!)

[7631] - FALAR DE TEATRO...

Hoje vamos falar do festival de teatro que acontece em Säo Vicente - Mindelac. 
Mindelact  É um dos mais prestigiados festivais de teatro de África. Todos os anos, durante dez dias do mês de Setembro, Mindelo é a capital do teatro da África Ocidental.
O Mindelact parecia ser um daqueles fenómenos improváveis que, à nascença, já têm a morte anunciada. Em 1995, os promotores do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact) chegaram ao ponto de pedir ao público que prestigiasse o certame.
"Pedíamos às pessoas que comprassem os bilhetes, pedíamos que fossem assistir às peças", revelou, certa vez, João Branco, antigo presidente da Associação Mindelact, a promotora do evento.
Na primeira edição, participaram apenas três grupos de teatro, das ilhas de São Vicente e Santo Antão. Um ano depois, são 14 grupos participantes, de cinco ilhas, numa declaração de força do teatro nacional. E, na terceira edição, em 1997, o Mindelact internacionaliza-se, para ganhar o estatuto de "maior evento de teatro de África", em 2005. Em 2014, foram 35 espectáculos, entre os quais estreias, peças infantis e performances de rua.
Como se conseguiu transformar o improvável num caso de sucesso? "O Mindelact é um festival de afectividades", disse, certa vez, João Branco, dando a ideia de que o certame é uma manifestação de amor ao teatro. É o que motiva a sua organização, dinamizada por um grupo de voluntários, amantes e amadores do teatro, que trabalham em prol da associação que dá nome ao festival.
Em quase 20 anos de festival, já participaram grupos de África, Américas, Europa e Ásia. A cada ano que passa, a programação diversifica-se. O chamado Palco Principal, no Centro Cultural do Mindelo, apresenta as peças em estreia e as companhias de maior prestígio em cena. Às crianças é dedicado um cartaz especial, a Teatrolândia, com peças contando sempre com casa cheia. Nos últimos anos, criou-se o Teatro Periferia, que leva peças de teatro a bairros satélites da cidade do Mindelo.
O Mindelact também tem uma forte componente de formação. Aproveita-se a presença de actores e encenadores de companhias internacionais para ministrar oficinas nas mais variadas áreas do teatro, da encenação à iluminação, da interpretação à dramaturgia.
Em 2013, o festival inovou na sua programação, ao promover o I Encontro Internacional de Programadores de Teatro, com a participação de Canárias, Brasil e Portugal. É uma bolsa de contactos que permite que grupos cabo-verdianos criem oportunidades para levar as suas produções aos palcos internacionais.

in
Turismo Sustentado em Cabo Verde
Praia

[7630] - OS SOBREVIVENTES DAS ROÇAS...


A situação de precariedade por que passam muitos cabo-verdianos e seus descendentes em São Tomé e Príncipe não é uma novidadfe para as autoridades dos dois países. Nos anos 70, numa das suas primeiras deslocações a São Tomé e Príncipe, o então Presidente de Cabo Verde, Aristides Pereira, fez questão de se inteirar da vida dos cabo-verdianos que tinham sido levados como contratados para trabalhar nas roças de café e cacau naquele arquipélago. Nessa altura, Aristides Pereira encontrou um quadro difícil e tomou uma decisão: todo aquele que estivesse interessado em regressar a Cabo Verde teria o apoio financeiro do então Ministério da Saúde e dos Assuntos Sociais.
Esses cabo-verdianos viviam e ainda vivem na extrema pobreza, muitos deles doentes e idosos, sem quaisquer meios de subsistência. Nos últimos anos, o Governo do primeiro-ministro José Maria Neves atribuiu uma pensão de 50 euros a alguns deles. O próprio primeiro-ministro, numa das suas deslocações a São Tomé e Príncipe, comoveu-se durante uma visita à comunidade, o que criou um certo mal-estar entre os dois governos. Trata-se, nas palavras de José Maria Neves, de “uma matéria muito sensível”.

Comunidades isoladas

“Ainda há muita precariedade, a situação é de extrema pobreza, há situações de indignidade”, enumera o primeiro-ministro de Cabo Verde, referindo-se a algumas das situações que os investigadores cabo-verdianos Nardi Sousa e Elias Moniz encontraram em São Tomé e Príncipe.
No estudo que estão a preparar, intitulado “Direitos Humanos e Cidadania dos Imigrantes em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe: um estudo comparado (1992-2014)”, os especialistas dizem que os cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe não têm rendimento que lhes permita viver dignamente, inclusive uma nutrição equilibrada.
De acordo com o professor Nardi Sousa, o resultado da investigação demonstra que existem comunidades de cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe encravadas no meio do mato, nas roças, a maioria sem energia eléctrica, água potável ou cuidados de saúde.
“O que nos preocupa é como é que estas pessoas podem acompanhar o salto que São Tomé e Príncipe poderá vir a dar”, explica Nardi Sousa.

Governo garante solução

 Emigrantes cabo-verdianos vivem na precariedade em São Tomé e Príncipe
O investigador considera que é preciso muita inteligência por parte das autoridades de Cabo Verde para resolver o problema dos cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe, lembrando que “há pouco tempo o Governo são-tomense lançou uma campanha internacional de desenvolvimento do turismo rural, em que as antigas roças poderão vir a ser privatizadas ou concedidas para exploração do turismo”. A questão que se coloca, segundo o especialista, é “até que ponto os investidores vão assumir o problema dessas comunidades”. “Caso as instituições cabo-verdianas não ajam de forma inteligente, estas pessoas poderão ficar fora desses empreendimentos”, alerta.
Com este estudo, diz Nardi Sousa, pretende-se despoletar um debate no seio da sociedade civil, uma vez que “a questão de São Tomé e Príncipe continua ainda muito actual” e os próprios investigadores sentem “uma certa responsabilidade e preocupação”.
O objectivo já foi conseguido. O primeiro-ministro, José Maria Neves, garantiu que o seu Governo está atento à situação dos cabo-verdianos em São Tomé e Príncipe e, na medida das suas possibilidades, o Executivo vai procurar resolver os seus problemas. “É algo extraordinariamente complexo. Esta questão não foi devidamente acautelada no momento das independências. É preciso continuar a trabalhar, envolvendo os dois governos e o Governo de Portugal”, afirma José Maria Neves.
A emigração dos cabo-verdianos para São Tomé e Príncipe começou em 1903, para trabalhar como mão-de-obra nas roças são-tomenses. Não há número exacto, mas pensa-se, por exemplo, que na ilha do Príncipe 80% da população seja constituída por cabo-verdianos e seus descendentes.

Nélio dos Santos
in Deutsche Welle (Online)

domingo, 16 de novembro de 2014

[7629] - C O N V I T E ...


[7628] - O SERMÃO DA MONTANHA...


VERSÃO PARA EDUCADORES...

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e,sentado sobre uma grande pedra, deixou que seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele preparava-os para serem os educadores capazes de transmitir a Boa Nova a todos os homens. Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...?
 Pedro interrompeu-o:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
 André perguntou:
- É pra copiar?
 Filipe lamentou-se:
- Esqueci o meu papiro!
 Bartolomeu quis saber:
- Vai sair no teste?
 João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
 Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
 Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
 Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?
 Tiago Maior indagou:
- Vai contar pra nota?
 Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandalhão à minha frente!
 Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?

 Mateus queixou-se:
- Eu não percebi nada, ninguém percebeu nada!

Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que está fazendo é dar uma aula?
- Onde está a sua planificação e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?

 Caifás emendou:
- Fez uma planificação que inclua os temas transversais e as atividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais e processuais?

 Pilatos, sentado lá no fundo, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e
reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E veja lá se não vai reprovar ninguém.

E foi nesse momento que Jesus disse: "Meu Deus, por que me abandonaste???..."

MORAL DA HISTÓRIA - Nem Jesus Cristo conseguiria ser professor, hoje em dia!!!

Tks. John Leão

[7627] - DIVAGAÇÕES...

Fotolog de SOFIAESBELLA2

[7626] - O SARAMAGO...VERDE!


SARAMAGO

 Do árabe sarmag, planta crucífera espontânea, comestivel...