sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[7810] - PERDA DE CREDILIDADE...

Monumento à Liberade de Imprensa
Gustavo Penna

O amigo Amendes, respondeu assim ao Post Nº 7809 do "Arrozcatum":
[amendes 20 de fevereiro de 2015 às 14:20

Não tem a ver com "Androids & Malweres.... Mas com DEVASSAS:

Noticia da SIC- " Cabo Verde desceu de 24 para 36 no ranking da liberdade de Imprensa"

Desconhecia que na "nós terra" havia "pide" censória!

O que mais nos irá surpreender?]

N.E. - SÓ ME OCORRE SECUNDAR A INTERROGAÇÃO DO AMENDES...

[7809] - OS "ANDROID" DEVASSADOS...

c.Reuters/Jussi Nukari/Lehtkuva
A empresa de segurança informática AVG descobriu um tipo de malware (programas maliciosos) capaz de "sequestrar" telemóveis Android quando estes são desligados, mantendo os aparelhos a funcionar às escondidas e fora do controlo dos utilizadores.
O malware sequestra o telemóvel durante o encerramento, explica a AVG, interrompendo o processo, ao mesmo tempo que o simula, ou seja, o utilizador vê a mensagem de encerramento no ecrã e depois este fica negro, como se desligado.
Mas o telemóvel continua a funcionar e o malware pode gravar sons e fazer chamadas, tirar fotografias e fazer outras tarefas, sem intervenção do utilizador, tornando o telemóvel num meio eficaz de espiar o seu dono.
O conselho da AVG: "se se quiser certificar que o telemóvel está mesmo desligado, tire a bateria".  A empresa não esclarece, no entanto, como encontrou este malware ou quantos aparelhos podem estar infectados. (DN-Ciência)

[7808] - DE BOAS INTENÇÕES ESTÁ O INFERNO CHEIO...


[7807] - QUANDO A REALIDADE ULTRAPASSA A FICÇÃO...


Parece anedota, mas é autêntico: no dia 11 de Abril do ano passado, um homem armado assaltou a dependência do Banco Português de Negócios, ou simplesmente BPN, na Portela de Sintra, arredores de Lisboa e levou 22 mil euros. Tratou-se de um assalto histórico: foi a primeira vez que o BPN foi assaltado por alguém que não fazia parte da administração do banco!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

[7806] - OS DEZ MELHORES SABORES DA EUROPA...



O sítio inglês "The Culture Trip", acaba de eleger os DEZ MELHORES SABORES LOCAIS DA EUROPA...Eis, por ordem alfabética, os nomes e proveniencias  de tais sabores, sem qualquer ordem de precedência, pois estão, todos, classificados ao mesmo nível:


Cachorros Quentes de Rejqujavic, Islândia
Cerveja de Munique, Alemanha
Chocolate de Bruxelas, Bélgica
Francesinhas do Porto, Portugal
Goulash de Budapeste, Hungria
Paellas de Valência, Espanha
Pizzas de Nápoles, Itália
Trufas de Ístria, Croácia
Vinhos de Langhe, Itália
Waffles de Antuérpia, Bélgica

O que se estranha deste rol de sabores é a ausência da França, cuja cozinha é apreciada em todo o mundo, o que se  deverá, naturalmente, ao facto de a lista ter sido elaborada por inglêses, que nunca perdem a oportunidade de patentear o seu ódio de estimação pelos gaulêses... Tal facto, como é óbvio, retira alguma credibilidade à escolha dos bretões, que tambem não escolheram nada da sua terra, o que parece ser um sinal de imparcialidade...Quanto às "Francesinhas" claro que, por diversas razões e mais uma, concordamos com a escolha...



[7805] - O SOM DE HUMBERTONA...


Como devem ter reparado, o som de fundo do "Arrozcatum" mudou...Depois do Bana, ouvem-se, agora, as notas inconfundíveis do violão de Humbertona, um "virtuose" que considero um dos maiores executantes cabo-verdianos de todos os tempos! Obrigado, Humbertona, velho amigo!

[7804] - ERA UMA VEZ, ANGOLA...(49)


Retomando o fio à meada, recordemos que era noite fechada e, acompanhado do Chefe Cardoso de Mattos, lá estava eu a encetar uma viagem de cerca de 1.074 km, entre Cazombo (Moxico) e Malange...
O percurso incluía escalas em Vila Teixeira de Sousa,  Luso, Kuito, Andulo, Mussende, Xá-Mutaba e...chegada a Malange...
Segundo as estimativas do Mário Matos, uma viagem normal entre V.T.Sousa e Malange (mais ou menos 830 km) era coisa para cerca de 10 horas de caminho, já que o percurso entre V.T.Sousa e o Kuito seria feito pelo Caminho de Ferro de Benguela o que, para as estradas da época, até era capaz de ser algo optimista...Aliás, veio a provar-se que, afinal, era...irrealista!
O percurso entre Cazombo e V.T.Sousa decorreu sem incidentes dignos de referência a não ser que, como habitualmente, o repelente de insectos se mostrou perfeitamente inócuo no combate às arremetidas dos mosquitos que nos acompanharam durante longas 6 horas (para fazer 25o km...)! Eram quase 7 horas da manhã quando estacionámos frente ao Hotel Términus, sedentos, suados e estafados de tantos solavancos a bordo de um dos Jeeps recuperados  dos confrontos entre os Aliados de Montgomery e o Afrika-Korps de Romel, no norte de África, durante a II Grande Guerra...
Lavado de fresco,  "matabichado" e de roupa lavada, eram cerca das 11 quando, ao som dos apitos roufenhos do combóio lancei um ultimo aceno ao Mattos e ao cabo de cipaios Caputula e foi com aquele aperto no estômago que eu bem conhecia que me sentei e recostei no assento de napa, olhando sem ver o casario que ia desfilando pela janela do comboio, como cena de um filme já visto mas de final incerto...Daí a cerca de 400 quilómetros - mais ou menos 5 horas de viagem (!) - estaria no Kuito e algo me segredava que seria aí que as coisas se íam complicar...
Embalado pelos gingar da carruagem acabei por adormecer, num sono inquieto de que acordei sacudido pela brusca travagem da locomotiva...Estiquei o pescoço através da janela a tempo de me maravilhar com o espectáculo de uma manada de elefantes atravessando a linha, pachorrentamente, ignorando por completo a máquina e as dez carruagens do comboio ora imobilizado pelo majestático desfile! Estas imagens são daquelas que, depois, nos acompanharão para o resto das nossas vidas...(Continua)

[7803] - DÓLARES AFRICANOS NO CARNAVAL DO RIO...


Afinal, o senhor Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, alem de presidente da Guiné Equatorial há mais de 35 anos, considerado pela Forbes como o oitavo governante mais rico do mundo, embora à frente dos destinos de um dos países mais pobres do planeta, é um folião de primeira água e amante confesso do Carnaval do Rio de Janeiro...Tão amante, que desembolsou três milhões de dólares para financiar a Escola do Beija-Flor que, graças ao ditador africano, ganhou, pela 13ª vez o título de campeã do Carnaval Carioca...
Claro que, denunciada a bronca, a coisa tende a tomar proporções políticas inimagináveis, até porque o tema da Escola vencedora era, precisamente, de louvor ao país-coutada do senhor Teodoro, a Guiné Equatorial...

[7802] - 2015 - O ANO DA CABRA...


OS CHINESES ESTÃO EM FESTA - COMEÇA HOJE O SEU NOVO ANO, O DA CABRA...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

[7801] - A CORAGEM JÁ NÃO É O QUE ERA...


A Win Gallup International levou a cabo um inquérito aos habitantes de 65 países de todo o mundo com o intuito de saber quantos estariam dispostos a ir para a guerra defender a sua nação.

Em termos globais, 60% dos inquiridos disse que defenderia a pátria em caso de guerra. Já 27% dos habitantes asseguraram que não o fariam, enquanto 12% optou por não responder ou disse não saber o que responder.

Olhando agora para uma análise a nível geográfico, os dados da Win Gallup International, de que nos dá conta a Marktest, mostram que são os habitantes do Médio Oriente e do Norte de África (77%) os que mais se mostram disponíveis para ir para o campo de batalha.

Depois são os asiáticos, com 71% dos inquiridos a afirmar estar disposto a ir para a guerra, os europeus de leste (54%) e a fechar o pódio surgem os americanos (48%).

Em sentido contrário, apenas 25% dos europeus ocidentais responderam estar disponíveis a ir para o campo de batalha para defender a nação.

Mais especificamente, só 28% dos portugueses deram uma resposta afirmativa à questão contra 47% que assegurou não estar disponível para lutar pelo país. Já 24% optou por não responder à pergunta. (Noticias ao Minuto)

[7800] - DARWIN EM SANTIAGO...

HISTÓRIAS SOLTAS
16.Janeiro.1832


Beagle

Tínhamos lançado ferro no Porto da Praia, uma cidadezinha da ilha de Santiago, no arquipélago de Cabo Verde. O Sr. Darwin disse que a ilha tinha sido expelida do mar por um vulcão. Talvez esperássemos ver grandes florestas cobrindo as montanhas até ao cume. Não era este o caso, todavia. Havia áreas enormes de lava vulcânica negra que, muitos anos atrás, fora expelida do topo da montanha. Agora, a ilha era fria e sem vida e pouca coisa crescia nela. O Sr. Darwin e dois dos oficiais alugaram cavalos e embrenharam se um pouco no interior.
À chegada, já a hora tardia, relatou tudo o que lhe tinha acontecido.
— Sabes, Jorge, que a população nativa nos contou que já não chove há mais de um ano? No entanto existem vales escavados na lava, o que certamente acontece após os aguaceiros ocasionais, quando a água se precipita do cume das montanhas para o mar. Presentemente, os arbustos secos destes vales não têm folhas. É espantoso como a natureza consegue sobreviver nestas condições tão secas e quentes.
No outro lado da ilha, na aldeia de S. Domingos, o cenário muda notoriamente e é belo de verdade.
Chegámos num dia festivo em que a população negra nativa cantava e dançava. Um pequeno ribeiro cristalino atravessa a aldeia e as plantas crescem nas imediações. Tudo é viçoso e verde. Aproveitei a oportunidade para examinar a lava vulcânica. Que maravilha poder observá-la aqui, no sítio a que pertence! Tomei várias notas para o meu livro. Mais tarde vou escrever sobre o assunto aos meus amigos de Inglaterra. E agora, Jorge, aqui está a minha maior descoberta.
― Sr. Darwin, o que é que o senhor meteu aqui dentro?
O Sr. Darwin soltou uma gargalhada sonora...
― É um animal delicioso. Chama-se polvo!

Charles Darwin

[7799] - LAXISMO POLICIAL...

Uma óptica de Chaves foi assaltada na madrugada do dia 16, com os proprietários a queixarem-se de um prejuízo de "30 mil euros" em óculos de sol e de dificuldades em contactar a PSP porque o número de telefone mudou. Contactada pela agência Lusa, fonte da PSP de Chaves referiu que o número fixo da polícia de Chaves foi alterado há uma semana mas adiantou que o número de emergência 112 não mudou e está em funcionamento. Manuela Pimentel Aires disse à Lusa que a óptica de que é proprietária no centro da cidade de Chaves foi assaltada cerca das 5h30 e que, após o alarme tocar, a central de alarmes tentou ligar à PSP, mas o número "dava sempre ocupado". Como tinha o telemóvel desligado, Manuela diz que só soube do assalto às 09h00, quando foi abrir a loja e que tentou também ligar ao fixo da polícia, mas que também lhe dava sempre sinal de ocupado. "A operadora não deu qualquer informação de que o número foi alterado, nem fez reencaminhamento da chamada. Tivemos que nos deslocar directamente à esquadra da polícia e foi aí que tomamos conhecimento de o número foi alterado", salientou. A proprietária queixou-se da falta de informação relativamente à mudança de contacto e mostrou-se "muito preocupada" com esta situação. A PSP de Chaves referiu que, com a mudança de número, foi solicitado à operadora que fosse transmitida uma mensagem de aviso a quem ligasse para o contacto antigo. A fonte referiu que foi, entretanto, contactada a PT e que a empresa diz que essa situação está a ser resolvida. No entanto, a polícia ressalvou que os contactos podem sempre ser feitos através do número de emergência 112, que está em funcionamento. O número actualizado da polícia de Chaves é o 276309050. A PSP referiu ainda que a alteração foi divulgada através dos meios de comunicação social locais. A fonte referiu que o assalto está a ser investigado por agentes da Esquadra de Investigação Criminal, tendo sido encontrados alguns indícios e estando a ser analisadas as imagens de video-vigilâncias. A PSP suspeita que o assalto foi efectuado por dois suspeitos. Manuela Pimentel Aires referiu o assalto causou um prejuízo de "cerca de 30 mil euros" em óculos de sol de "gama alta". "Levaram tudo o que puderam e das melhores marcas", lamentou. (Correio da Manhã)...

N.E. - Está na cara que não houve grande preocupação em avisar a população da  mudança do numero do telefone da PSP de Chaves e fica por explicar porque diabo é que a policia havía de mudar de numero de telefone... Por outro lado, quem garante que o serviço 112 sabia da mudança?! Enfim parece que este assunto foi tratado com alguma leviandade por parte da PSP de Chaves...

P.S. - O texto do Correio da Manhã foi adaptado à ortografia pré-Acordo! 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[7798] - POEIRA DO TEMPO...


Esquadra Britânica no Porto Grande - Mindelo.

Fotografia de Foto Melo 1948 - Home Fleet Britânica, na sua viagem de agradecimento aos Países Aliados pelo esforço e apoios prestados durante a II Grande Guerra.
De salientar que Mindelo foi o único porto português (à época) onde a esquadra fundeou.
Houve desembarque, desfile militar e cerimónia de boas vindas na CMSV.
O Porto Grande, do Mindelo, esteve sempre aberto aos Ingleses, visto ser dominado pelas empresas de carvão inglesas e a população Mindelense ser maioritariamente apoiante dos Aliados, como ficou imortalizado na famosa coladeira de B'Leza - "Hitler câ tâ ganhá Guerra".
O final da II Grande Guerra coincidiu com a decadência do Porto Grande de Mindelo, em virtude não só da evolução dos meios de transporte marítimo, como da falta de aposta do governo colonial no apetrechamento do Porto, em relação às Canárias e a Dacar.
Ainda assim, de 1949 a 55/56, os movimentos mensais no Porto Grande situavam-se na ordem dos 80 a 90 embarcações por mês.
Mantenhas
Djo Martins
Fotolog




[7797] - POSTAIS DA LISBOA ANTIGA...

 1017 - Marquês de Pombal - Início das obras da Estátua

 1918 - Largo da Estrela

1930 - Pr. Duque de Saldanha
(Tuta Azevedo)

[7796] - O CARNAVAL ENTRE OS CRIOULOS DO MUNDO...

José Almada Dias
“A maioria dos estudiosos afirma que o Carnaval brasileiro surgiu em 1723, com a chegada de portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de correrias, mela-mela de farinha, água com limão, vindo depois as batalhas de confetes e serpentinas”.
Surpresos? Vamos continuar: “... foram os portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde que trouxeram o Carnaval para o Brasil. Muitos deles eram marranos, cristãos-novos que mantinham uma vida judaica em segredo, fugindo da Inquisição. Os judeus portugueses fugindo à Inquisição foram primeiro para as Ilhas Atlânticas (Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) e depois para o Brasil. Muitos se dedicavam à cultura da cana de açúcar, que depois continuaram no Brasil”. Para todos os efeitos em 1723 os cabo-verdianos eram portugueses de Cabo Verde, de modo que até prova em contrário a essas citações retiradas de vários sites brasileiros, parece que tivemos uma perninha na introdução do Carnaval no Brasil. E esta?!  Até parece uma brincadeira de Entrudo!
Proponho em plena folia de carnaval mindelense, uma viagem ao mundo da fantasia do Carnaval, a festa que os crioulos deste mundo festejam como ninguém.
A origem do Carnaval
Vários historiadores, entre os quais o conceituado brasileiro Voltaire Schilling, afirmam que o Carnaval é a festa profana mais antiga de que se tem registo, existindo há mais de 3 mil anos. A festa terá origens agrárias e não religiosas cujas origens parecem provir do antigo Egipto e o seu processo de formalização foi concluído com a oficialização das festas dedicadas ao deus Dioníso da Grécia Antiga, de 605 a 527 a.C., que passou depois a ser celebrado em Roma como o deus Baco, passando daí para os países de cultura neolatina. Digno de registo é que nesse tempo o mote dessas festas era dado pelas mulheres que as usavam para escapar à vigilância dos maridos e cair na folia, saindo em bandos, com o rosto coberto de pó e com vestes transformadas ou rasgadas, cantando e gritando!! Segundo consta, esta tradição continua viva em Munique na Alemanha, entre outros sítios.
De acordo com Hiram Aráujo, pesquisador de Carnaval, director cultural da LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) e autor do livro “Carnaval – Seis Milénios de História”, essas festas dedicadas a Dionísio duravam 3 dias, durante os quais os pagãos dançavam, cantavam e faziam orgias, numa espécie de “vale-tudo”. De forma metafórica, actuavam num autêntico teatro colectivo de inversão de papéis, em que homens pobres se transformavam em reis, mulheres do povo em damas, num anonimato permitido pelas pinturas e máscaras e onde se podia fazer diálogos de “acerto de contas” com as autoridades.
Houve tentativas de parar estas homenagens a  Dionísio – o deus brincalhão, do deboche e da irreverência – mas as autoridades acabaram por render-se às mesmas, ao ponto do tirano grego Pisístrato no século VI a.C. ter mandado construir um templo na Acrópole, o teatro Dionísio, dedicado a concursos de peças cómicas e dramáticas. Daí o Carnaval terá chegado a Veneza e perde a característica pagã com a sua oficialização pela Igreja Católica em 590 d.C.
Carnaval – de festa europeia a celebração mundial
O Carnaval espalhou-se pela Europa, com maior ênfase pelos países católicos, quando o Cristianismo a vinculou à Páscoa, passando a ser comemorada como Terça-Feira Gorda, 47 dias antes do domingo de Páscoa, significando um tempo de diversão e exagero,  que antecede o período de reflexão e jejum dos cristãos antes da Páscoa.
A palavra Carnaval terá origem nas palavras do latim carnis (carne) e valles (prazeres). Outras fontes falam em “Carrum Navales” que eram os carros navais que abriam as Dionísias Gregas nos séculos VII e VI a.C.  Em Portugal a festa era denominada Entrudo, palavra derivado do latim introitus e que significa entrada, início, nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma.
Ainda hoje são famosos os exuberantes Carnavais de Veneza em Itália e de Nice em França, que inspiraram os desfiles que hoje se fazem por todo o mundo. Na Alemanha o “Karneval” ou “Fasching” é muito animado em cidades como Dusseldorf, Bona e Colonia, começando a 11 de Novembro e estendendo-se até à quarta-feira de Cinzas. E depois dizem que a produtividade é afectada pelo espirito folgazão: na maior economia da Europa, o Carnaval dura meses!

Em Portugal são tradicionais as celebrações em cidades como Loulé, Torres Vedras e Ovar, entre outras. O maior Carnaval em Portugal situa-se contudo na cidade do Funchal, na ilha da Madeira, que foi trabalhado para ser um cartaz turístico que atrai milhares de turistas todos os anos. Idem aspas para o Carnaval nas ilhas Canárias, cartaz turístico internacional nas cidades de Santa Cruz de Tenerife e Las Plamas. Excelentes exemplos para serem seguidos aqui no planeta verdiano.
Da Europa esta festa espalhou-se pelo mundo sendo hoje comemorado desde as Américas à Ásia, seguindo o percurso e a rota dos Descobrimentos e a posterior colonização de vários territórios.
Carnaval a festa adoptiva dos povos crioulos
Não deixa de ser um facto curioso a grande ligação existente entre o Carnaval e as sociedades crioulas do pós-Descobrimentos, um campo interessante para estudos aprofundados.
Nos países de colonização católica a festa é celebrada nas mesmas datas que na Europa latina, ou seja na Terça-Feira Gorda.
Tomemos por exemplo as Caraíbas. Em Aruba, Bonaire, Curaçao, Dominica, República Dominicana, Granada, Guadalupe, Haiti, Martinica, Porto Rico, São Bartolomeu, São Martinho, Trinidad & Tobago festejam na Terça-Feira Gorda. São regiões que foram colonizadas predominantemente por franceses e espanhóis, mesmo que em alguns casos como Aruba, Curaçau e Bonaire tenham mudado posteriormente de “mãos”, passando a ser holandesas.
Um caso especial é Cuba, onde tradicionalmente se festejavam dois Carnavais, um de “Inverno” com ligações religiosas e festejado na Terça-Feira Gorda e outro de Verão. O de Inverno trazido pelos colonos espanhóis era denominado o “Carnaval por los blancos cubanos”, celebrado em clubes privados. O outro era o “Carnaval de los mamarrachos” ou “Carnaval de las clases bajas”, muito ligado à cidade de Santiago de Cuba e aos escravos. É uma festa que se começou por celebrar no fim das colheitas nas plantações de cana-de-açúcar no mês de Maio, onde aos trabalhadores dessas plantações, na sua maioria negros e mulatos, era permitido festejar o fim dessas colheitas. Era igualmente uma forma de distrair esses trabalhadores, alguns escravos outros já libertos de eventuais actividades subversivas. O Carnaval continua a ser a maior e mais popular festa de Cuba.
Nos territórios caribenhos de colonização britânica, o Carnaval é festejado no Verão e está ligado igualmente à safra da cana-de-açúcar. É o caso da ilha de Babados, da famosa e para muitos leviana Rhyana, e dos arquipélagos de Anguilla, Antigua & Barbuda, Belize, Ilhas Virgens Britânicas, Santa Lúcia, São Vicente e Grenadinas, entre outros.
Um outro fenómeno mais recente são os Carnavais de Verão que se celebram no Canadá, EUA, França, Alemanha, Reino Unido e Holanda onde emigrantes originários das Caraíbas reproduzem o carnaval caribenho. Na Holanda o desfile acontece em Julho na cidade de Roterdão, cidade de acolhimento de milhares de crioulos caribenhos e cabo-verdianos.  
Nos Estados Unidos da América o Carnaval festeja-se em Nova Orleães e noutras cidades que foram colonizadas por franceses católicos, celebrando todas o “Mardi Gras” (Terça-Feira Gorda) com exuberantes e coloridos desfiles com carros alegóricos e ritmos onde se vislumbram as influências africanas, celebrações que remontam ao ano de 1857. Essa região conhecida como a terra da música Jazz, é considerada a “América crioula”, e é povoada pelos Louisiana Creole, uma comunidade que resultou da mistura de colonos franceses e espanhóis com populações de origem africana e índia e com fortes influências da cultura francesa, e de onde provém a mãe da cantora Beyoncée.
Mas é em plena América Latina que o Carnaval atingiu o seu esplendor máximo como festa popular. Introduzida pelos portugueses e espanhóis, a festa ganhou ao longo dos séculos uma dimensão popular inigualável, incorporando elementos diversos de outras culturas, designadamente africanas e ameríndias. De festa com ligações religiosas e ligada ao cultivo da terra, saltou para o palco urbano das cidades cosmopolitas de todo o sub-continente.
É celebrada como a maior festa popular da Venezuela, Panamá, Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Nicaragua, Honduras, Mexico, Costa Rica, Equador, Guatemala, México. Um continente  carnavalesco! É também nesta carnavalesca América Latina, terra por excelência de povos crioulos, que se realizam os dois maiores desfiles de Carnaval do planeta: o maior, o do Rio de Janeiro no Brasil e o segundo, o Carnaval de Barranquilha na Colômbia. Este último foi agraciado pela UNESCO em 2003 como um dosMasterpiece of the Oral Intangible Heritage of Humanity, título que o Carnaval de Oruro na Bolívia, as performances artísiticas do Frevo do Carnaval do Recife no Brasil, e o Samba de Roda de São Salvador da Baía também ostentam. 
No Brasil, o Entrudo era descrito da seguinte forma: “Tanto em Portugal, como no Brasil, o Carnaval não se assemelhava aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta. Escravos molhavam-se uns aos outros, usando ovos, farinha, cal, laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas se divertiam nas suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados, num clima de quebra consentida de extrema rigidez da família patriarcal.” Aqui em Mindelo ainda me lembro das brincadeiras de atirar ovos às pessoas, mas sobretudo da temível farinha que era atirada aos olhos de quem passava, hábitos que felizmente cairam em desuso no nosso Carnaval.
Segundo Rita Cássia Araújo, após a independência do Brasil em 1822, o Entrudo de origem portuguesa passou a ser visto como algo negativo e atrasado e por iniciativa de intelectuais, artistas e da imprensa foi substituído pelo modelo das festas da Itália e da França já com o nome de Carnaval, e incluindo bailes e desfiles nas ruas com alegorias.
Carnaval em África e no resto do mundo
Em conversa há dias com um amigo da Guiné-Conackry, que já vive em Mindelo há muitos anos e se considera o “Mandjaco mais mindelense que existe”, ele explicou-me que infelizmente na sua terra natal não existe Carnaval, ele que vive intensamente o Carnaval mindelense. Ao que parece os franceses esqueceram-se de introduzir o Carnaval em África, só o levando para o Sul dos Estados Unidos e para as Caraíbas.
O Carnaval é basicamente desconhecido em África, à excepção de Cabo Verde e de algumas cidades onde os portugueses o introduziram e do Carnaval da Cidade do Cabo a cidade crioula da África do Sul. Os crioulos das ilhas Seychelles querem inverter isso por razões de oferta turística. 
Na longínqua Malásia o povo crioulo de Malaca, que fala a língua crioula de base lexical portuguesa papiá criston, celebra o Entrudo há mais de quatrocentos anos, uma herança portuguesa. De existência recente é o Carnaval de Tóquio, no Japão, onde Escolas de Samba desfilam no Asakusa Samba Carnival...

Carnaval tá aí, vamos vadiar, vamos vadiar para a polícia não pegar...
Mindelo ê nossa, Mindelo ê de quele bom... Ariá!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[7795] - AMOR À PRIMEIRA VISTA...

(Google)

[7794] - O ÉDEN-PARK E A URBANIZAÇÃO DO MINDELO...


Entre 29 de Julho e 5 de Agosto de 2006, realizou-se o 1º Seminário Internacional de Reabilitação Urbana do Mindelo, sob os auspícios de diversas entidades e tendo como "alma mater" o Prof. Walter Rossa, do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
Este e outros assuntos, são abjecto da Revista ECDJ.10, editada em 2007, pelo citado Departamento de Arquitectura onde, exaustivamente, se referem todas as intervenções, conclusões e propostas dos 18 monitores e 11 professores  que conduziram os trabalhos do Seminário.
Interessa-nos, particularmente, a página 85, que reproduzimos, pois menciona, especificamente, o Éden-Park, nos seguintes termos:
"Cinema Velho - Recuperação do edifício e do espaço circundante..."
Nenhuma referência, portanto, ao aproveitamento mercantilista da área pelo aumento desmesurado da volumetria, o que perturba, de forma brutal, a harmonia arquitectónica de toda a zona adjacente...
Não parece que aqueles 29 especialistas na matéria estivessem enganados em 2006 e não é provável que, entretanto, tenham mudado de ideias...
A Revista a que nos referimos e da qual dispomos de um exemplar cedido pelo amigo Amendes, está disponível no Google...

[7793] - OS "MANDINGAS" DO MINDELO...

José Almada Dias
Os Mandingas do Mindelo pela sua recente capacidade de mobilização de pessoas constituem um fenómeno que ultrapassa a compreensão em relação aos grupos de Carnaval.
Sou um fã incondicional de manifestações de cultura urbana moderna e descomplexada, como já várias vezes afirmei aqui neste espaço. Sou assim desde que comecei a articular o meu nome neste paraíso de cultura urbana que é a minha cidade. E por isso mesmo tenho seguido com entusiasmo a crescente adesão de pessoas aos desfiles dos grupos de cariz popular denominados “Mandingas” que, seguindo uma tradição antiga, saem todos os domingos à tarde descendo dos bairros limítrofes para o centro da cidade anunciando com um mês de antecedência a chegada do Carnaval, o maior evento cultural deste país, alinhando a cidade do Mindelo com a maior festa do planeta – não poderia ser de outra forma, porque “esta cidade nasceu com o Mundo”, no dizer de Humberto Cardoso.
Mas os milhares de pessoas que seguem os Mandingas pela cidade são um fenómeno recente. Porquê agora, no século XI?
No domingo passado resolvo ir assistir à partida dos Mandingas da Ribeira Bote, o grupo que movimenta mais gente. Chego ao coração do bairro cerca das 15h e pergunto pelos Mandingas. Indicam-me o local, no meio de ruelas estreitas da “Ilha de Madeira”.
Os Mandingas da R. Bote já estão na fase final da preparação. São dezenas com os corpos seminus cobertos de tinta preta e com as saias já vestidas. Estão a ultimar a pintura, a colocar adereços, ajudando-se mutuamente. Entro no “estaleiro” e poucos segundos depois dá-se o inevitável: um Mandinga adolescente encosta-se inadvertidamente em mim e fico com o lado esquerdo pintado de preto! O chã é de terra e os Mandingas pintam-se a céu aberto. Sinal dos tempos há vários Mandingas mulheres, algo impensável na minha juventude. São de todas as idades, de adolescentes a homens e mulheres de meia-idade, embora em média sejam jovens.
Cá fora já estão umas quantas dezenas de pessoas, animadas com música de Carnaval distribuída por potentes colunas de som. Os membros da batucada já aquecem acompanhando a música e o ambiente já é de frenesim. Os Mandingas vão saindo do estaleiro, mas há ainda muitos a pintarem-se. Ao microfone está um activista que vai publicitando a venda de camisolas: há de todos os tipos, mas todas de cor negra como convém. Os dizeres vão desde “100% Mandinga” até um actualizado “Je suis Mandinga”, que o pessoal não brinca no aproveitamento das vantagens da bendita globalização.
Chegam alguns turistas com as caras pintadas de negro, prontos para a festa.
Antes do arranque há pedagógicos apelos no microfone ao civismo, para evitar distúrbios e prejudicar a imagem do grupo. Fico contente e confirmo que não são os Mandingas os responsáveis pelos excessos dos seus seguidores, como já tinha chamado a atenção no ano passado nas duas crónicas que escrevi sobre o Carnaval.
Os chefes com cajados e lanças de madeira dão ordens para a tão ansiada partida. Alinhados à frente da batucada, os Mandingas iniciam a contagiante e típica dança tribal africana. O momento é arrepiante e a assistência cai na dança também, que os ritmos da mãe África são irresistíveis. O chão é de terra batida e no meio de uma poeirada lá partimos por entre estreitas ruelas e becos rodeados de casas cheias de gente nas varandas, portas e janelas. A maioria são “tias” com netos e bisnetos ao colo, todas sorrisos e a marcar o ritmo num afirmativo e aprovador movimento pendular das cabeças, como a querer dizer “se eu tivesse menos 40 anos iria convosco”. Os Mandingas da R. Bote partem do seu bairro debaixo da bênção das suas mães e avós, que isto da tradição é para manter – e os bebés do bairro aprendem a marcar o compasso no conforto do colo das suas avós e bisavós.  
Estou intrigado: a turba já conta com centenas de pessoas, mas onde estão os milhares que costumo ver a regressar da varanda da minha casa?
A resposta chega de seguida. Ainda sem sairmos do bairro começam a chegar vários grupos de jovens vestidos de negro de todas as ruas perpendiculares. São autênticas hordas galopantes que chegam a correr vindos de todos os lados. Em segundos passamos de centenas para mais de um milhar.
A batucada faz um repique e a turba responde num clamor ensurdecedor. O ambiente atinge os píncaros de histeria global e a dança atinge o seu apogeu. Ainda surpreendido com a evolução da coisa, reparo que já não caminho, as minhas pernas dançam sem que eu lhes tenha dado nenhuma ordem. Durante alguns minutos trava-se uma batalha entre os meus genes africanos e a reprimida educação ocidental – o cérebro clama por compostura e as pernas respondem “que se lixe a imagem e o que os outros pensam”. Filho de um exímio bailarino e eu próprio um apaixonado praticante de todos os tipos de dança, acabo por sucumbir ao ritmo e passo a ser mais um no meio de uma multidão de gente de todas as idades, sexos, crenças religiosas e “classes sociais”. Todos unidos e contagiados por uma energia comum que resulta num frenesim indescritível.    Prosseguimos em direcção ao centro da cidade. As ruas vão-se tornando mais largas e a turba vai crescendo proporcionalmente com gente continuamente a chegar. Desisti de estimar quantos milhares já somos. Todas as ruas estão ladeadas de uma multidão que espera a chegada do grupo e se vai juntando a ele.
Perto do Liceu Velho uma amiga grita-me com típico humor mindelense: “estás com uma cara muito branca para estar nos Mandingas!”. E eu que tinha passado a manhã na praia da Lajinha a tentar apanhar alguma cor debaixo do abrasador sol que temos tido.
Chegamos ao centro da cidade, na majestosa e larga avenida Baltazar Lopes da Silva. Como esta cidade foi bem concebida, aproveitando a generosidade da mãe Natureza! Situada numa das baías mais bonitas do mundo, os nossos antepassados portugueses (e ingleses) construíram uma bonita cidade e legaram-nos um património construído inestimável.
Para vir dos bairros limítrofes para a “Morada” (centro ou down town) a população só tem que descer. A cidade convida as suas gentes todos os dias, e por isso os crioulos cabo-verdianos livres vindos de todas as ilhas aqui construíram a sua cidade mais democrática. E por isso é que é nesta cidade cosmopolita que um fenómeno como os Mandingas nasce, arrastando tudo e todos.
O cortejo de vários milhares acaba de conquistar a sua cidade. Um conhecido comerciante já septuagenário, afilhado da minha avó, apressa-se a fechar a porta da sua casa no preciso momento em que eu estou a passar uns metros à frente do grupo para fazer fotografias e filmar. Olha para mim com um ar incrédulo e cumprimenta-me. Não me disse nada, mas o olhar foi elucidativo: “também tu?!”.
Percebo o questionamento. As estimativas feitas inclusive pela polícia, são de 7 a 8 mil pessoas em cada desfile dominical dos Mandingas da R. Bote. Com tanta gente junta, na sua esmagadora maioria jovens, alguns excessos têm acontecido. Como é natural, há delinquentes que se aproveitam destas ocasiões. Mas não é assim em todos os Carnavais deste mundo?
Mas não exageremos! Morreu alguém como acontece todos os anos no Brasil? Houve montras de lojas assaltadas? Os desfiles passam por ruas onde estão estacionados carros e nada acontece… Eu estive a fotografar e a filmar com o meu telemóvel sem nenhum problema. O fenómeno é recente e entendo que as próprias autoridades ainda estejam a aprender a lidar com ele.
Questiona-se o consumo de álcool durante os desfiles. Estavam à espera de quê, que se consumisse sumo de manga?! O agronegócio ainda não dá para tanto!
Há quem se sinta importunado com os impropérios que alguns vão gritando e cantando. Estavam à espera de sonetos românticos?! Vamos impedir os nossos filhos de praticar desporto por causa dos insultos às mães dos jogadores e dos árbitros nos recintos desportivos?
O fenómeno dos desfiles de Mandingas é tão intenso que realmente ou se gosta, ou se detesta. Eu estou entre os primeiros. Há notícias de imitação do fenómeno noutras ilhas e inclusive em Roterdão na Holanda, a cidade que recebeu milhares de marinheiros cabo-verdianos foragidos nos barcos que escalavam o Porto Grande do Mindelo. É a internacionalização. Encontro um holandês que conheço há muitos anos. Passou a viver em Dakar e traz consigo uma namorada senegalesa que nunca tinha vindo a Cabo Verde. Estão ambos abismados, ela ainda mais. Lá vou explicando que Mandingas são povos da Guiné-Bissau, que faz fronteira com o país dela…    
Saindo da Avenida Baltazar Lopes chegamos à praça José Lopes, dois monstros sagrados da nossa cultura, dois dos democráticos pais da nossa nacionalidade. Não conheci José Lopes, mas convivi de perto com o seu sobrinho Baltazar. Tenho a certeza que Baltazar olharia para esta manifestação popular dos Mandingas com olhos tolerantes, ele que tanto apreciava tudo o que tinha a ver com o seu povo.
Do alto da praça José Lopes aprecio mais uma vez o desfile. Mais de 50 mandingas vêm na frente, dançando ao compasso da batucada, esforçando-se ao mesmo tempo para afastar a multidão que os comprime apesar da largura da avenida. Recordo a minha infância, quando havia um punhado de Mandingas que assustavam as pessoas com as suas espadas de ferro. Agora é o contrário, arrastam milhares de pessoas que querem ficar o mais perto possível deles. Por essa razão passaram a usar só lanças de madeira, para evitar acidentes. No meio da dança, consegue-se distinguir os chefes, que se movimentam com majestosa indiferença em relação à multidão.
Reconheço um deles, Dúdú, que conheci uns dias antes. Um rapaz claro de olhos claros e cabelo ao estilo rasta (dreadlocks) que lhe caem pelas costas. Com a cara toda pintada de preto os olhos ainda parecem mais claros, num desconcertante contraste com a pintura. Parece um chefe tribal africano. Poderá ser descendente de algum? Ninguém pode confirmar nem desmentir. Mas poderá também ser descendente de um chefe tribal europeu – antes de terem reis, os povos europeus viviam em tribos com chefes tribais. Como a maioria dos crioulos cabo-verdianos, os Mandingas possuem antepassados africanos e europeus. E estamos em tempo de Carnaval, pelo que fantasiar é o mote… 
Continuaremos na próxima crónica a analisar este fenómeno, cuja explosão recente até agora ninguém conseguiu explicar.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

[7792] - MARKETING COM OURO DE 14K...



DO JORNAL "VOZ DE CABO VERDE" - 1911
(Amendes)

N.E. - Esta "Caneta-tinteiro" seria, certamente, a que conhecemos como "estilográfica" ou "Caneta de tinta permanente"...Convenhamos que, ainda por cima com aparo de ouro de 14 quilates - conhecido como "ouro americano" - era um brinde de indiscutivel valor e bom gosto...Marketing puro!


[7791] - A PINGA `A MODA ANTIGA...


Por Alexandra Prado Coelho 

Abriu em Campo de Ourique, Lisboa, uma loja que recupera o espírito das adegas e que quer aproximar os consumidores dos pequenos produtores de vinho.
Já é possível num bairro de Lisboa — digamos, Campo de Ourique — agarrarmos num garrafão que podemos ter em casa e ir à loja enchê-lo de vinho. Ou seja, já é possível, no meio da cidade, comprar vinho a granel como se fazia antigamente. A ideia partiu de três amigos, os sócios Manuel Vargas, Jorge Encarnação e Rui Lucena, e a Oficina do Vinho abriu as portas a meio de Novembro — precisamente em Campo de Ourique, na Rua Correia Teles. 
“A distribuição do vinho está normalmente nas mãos de grandes distribuidores, e os pequenos produtores muitas vezes têm dificuldades em escoar o seu produto”, explica Jorge Encarnação. “O que nós quisemos aqui foi aproximar esses pequenos produtores do consumidor final.”
Assim, num pequeno espaço no centro de Lisboa, tentaram recriar “o ambiente de uma adega”. O enoturismo já começa a ganhar alguma importância em Portugal e as pessoas sabem que se visitarem o produtor na sua quinta podem conhecer a vinha, a adega e provar o vinho antes de o comprar. Na Oficina do Vinho não há vinha, claro, mas há quatro grandes reservatórios em aço inox com uma capacidade de 650 litros cada um, dois de vinho branco e dois de tinto, de duas regiões diferentes (no dia em que visitámos eram o Alentejo e o Tejo, mas a ideia é que vão rodando).

[7790] - REGRA OU EXCEPÇÃO?!

CABO VERDE - Boavista / Rabil
(José F. Lopes)

[7789] - OS PODERES DAS TUTELAS...



Mindelo-S.Vicente-Cabo Verde
1910

N.E. - Não há dúvida de que as tutelas que se estafam a esmiuçar banalidades, acabam por esquecer o essencial da sua acção...

[7788] - AFINAL, EM QUE É QUE FICAMOS?!


TEXTO DE UM E.MAIL RECEBIDO DE PESSOA AMIGA E FIÁVEL:

"Meus caros, tive informação
 segura de que o projecto ainda não foi aprovado na Câmara Municipal de São Vicente... Prometo outras informações..."

A SER ASSIM, 
ENTÃO QUEM LANÇOU
A ATOARDA DA APROVAÇÃO E
COM QUE INTENÇÕES?!


sábado, 14 de fevereiro de 2015

[7787] - AFINAL, O MAMARRACHO É ILEGAL...

Segundo o Director de Monumentos e Sítios, José Landim, que ontem foi entrevistado pela Rádio Morabeza, O IIPC, que é a autoridade cabo-verdiana  em matéria de Património, não aprovou o projecto e nem sequer o recebeu, o que já devia ter sido feito há um ano, pelo menos. Recorde-se que o Centro Histórico da Cidade está classificado, não se pode fazer intervenções estruturais que comprometam o seu equilíbrio arquitectónico no seu conjunto, sejam quais forem os argumentos económicos. Uma obra destas, que peca por violação completa de todos os parâmetros (o mais grosseiro é a sua volumetria) e que alguns já classificaram de ‘Passaron’ em cima da Praça Nova,  ponto nevrálgico de toda a cidade, é inaceitável. Esta vai romper com todos os equilíbrios desta cidade, Património único em CV. O centro da cidade está cobiçado por uns e invejado por outros e, sobretudo, na mira de interesses especulativos que não se poupam a meios para a aprovação de projectos os mais megalómanos.  Esta obra funciona como um efeito de dominó: se cair uma pedra toda a cidade cai. Agora, podemos concluir que foi a Câmara, traiçoeira, quem autorizou esta obra (como o tinha feito para o palacete do Dr Adriano D. Silva). Esta Câmara já não tem mais condições, está caindo no descrédito total. Eu, que até hoje tinha uma posição neutral em relação a esta Câmara, nunca a critiquei, achando-a muitas vezes vítima mas, na realidade, ela é vítima da sua própria incompetência e estupidez. Agora, digo alto e bom som, Rua com esta Câmara Municipal, bufa e traiçoeira. Amigos, estejamos atentos e vigilante, façamos tudo para que o Centro da Cidade não seja violado por esta e outras obras. A Câmara está vinculada à lei, não pode aprovar coisas que a violam... E ela só podia dar o seu aval depois do PARECER FAVORÁVEL do IIPC. Portanto, esta obra não pode avançar! Organizem-se no terreno para constituir um movimento cívico que zele pela protecção da nossa cidade, que é também de Cabo Verde, para que não seja inundada por projectos desta natureza. (José Fortes Lopes)


[7786] - OS NOVOS PURPURADOS LUSÓFONOS...

Dom Manuel Clemente
Portugal


Dom Arlindo Gomes Furtado
Cabo Verde


Dom Júlio Duarte Langa
Moçambique

[7785] - CABO VERDE - TORNEAR AS SECAS...


A “Introdução” a que se refere o documento em baixo designado consta de uma reedição do mesmo datada de 1985 (25 anos depois da sua publicação) no âmbito do Instituto de Investigação Científica Tropical/Lisboa. 
Um exemplar da publicação (em forma de livro, com 331 páginas) foi oferecido  ao nosso colaborador Adriano Miranda Lima pelo seu amigo Dr. Henrique Teixeira de Sousa, médico e escritor, falecido em 2006, que fez parte da comissão encarregada da sua elaboração.
Este Plano resultou de um despacho do então Governador de Cabo Verde, tenente-coronel Silvino Silvério Marques, homem de grande visão e extremamente sensível aos graves problemas do território sob a sua jurisdição.

PLANO DE ABASTECIMENTO DE CABO VERDE EM ÉPOCA DE SECA
INTRODUÇÃO

O “Plano de Abastecimento do Arquipélago de Cabo Verde em Época de Seca” foi elaborado em 1959-1960, em consequência do despacho do governo da então colónia e teve por relatores o Capitão Arménio Ramires de Oliveira, o Dr. Júlio Monteiro  Jr. e o Dr. Henrique Teixeira de Sousa. Trata-se, por conseguinte, de um minucioso estudo de carácter oficial para o qual o Instituto de Investigação Científica Tropical não concorreu, nem com o seu pessoal, nem sequer com o seu patrocínio.
O seu relatório, que é hoje um documento de inegável importância histórica, baseia-se em dados económicos e demográficos, utiliza informadores sobre a circulação de bens e de pessoas, e recorre a todos os índices de interesse para se estabelecer o projecto de combate aos efeitos gravosos das secas cíclicas de Cabo Verde, com as suas consequências desastrosas na população e também na riqueza pecuária das ilhas. Todavia, para além de caracterizar situações, de pôr em confronto números que as indiciam, o projecto é mais ambicioso, visto propor soluções de emergência e soluções a longo prazo que poderiam, segundo os especialistas encarregados da missão, vir a mitigar os efeitos terríveis das secas.
É de salientar, em todo o caso, que os relatores agiram com toda a prudência, pois prevêem a “actualização” do plano no final da seca que então desabara sobre as ilhas. Ou seja, entendiam que as propostas adiantadas deveriam ser submetidas a um teste depois de feito o balanço das consequências dessas terríveis secas.
Deve ser também posto em evidência que fazem acompanhar a sua análise da proposta de uma “legislação adequada” às circunstâncias. Volvido um quarto de século sobre o presente texto, o conjunto de medidas preconizadas pode parecer na sua totalidade já ultrapassado, mas algumas delas terão ainda hoje um carácter válido, em especial as que se reportam a isenções e benefícios fiscais concedidos às populações mais atingidas pelas secas, a suspensão de procedimentos executórios de tipo judicial e administrativo, e, ainda, o propósito de incrementar as comunicações entre as ilhas , com vista a assegurar o abastecimento regular e seguro delas.
Outras medidas preconizadas não serão aplicáveis, e talvez até dificilmente o pudessem à data da conclusão do relatório; “promover e facilitar” a saída de Cabo Verde a todos os indivíduos a que pudesse ser assegurado trabalho fora das suas ilhas nativas, não seria decerto medida praticamente exequível; aliás, o cabo-verdiano é potencialmente um emigrante, não necessitando de incentivos externos para procurar ganhar a sua vida fora do arquipélago; e se a emigração  fosse fomentada, ela atingiria certamente níveis surpreendentes.
É certo que, depois da independência, as organizações internacionais têm procurado, por todas as vias ao seu alcance, atenuar em Cabo Verde o problema das secas.  Algumas das soluções apontadas neste relatório foram postas em prática, outras se implementaram e a situação geral sem dúvida acusa uma melhoria sensível. Isto não quer dizer, porém, que este documento tenha perdido o seu valor; com efeito, trata-se de um texto que atende à realidade, e que procura para ela as soluções que os relatores sabiam poder estar ao alcance das autoridades que, nesses tempos coloniais, tinham a responsabilidade de governar o território. Daí ter-se escrito que é inegável o seu valor histórico: é nesta perspectiva   que ressalta o seu verdadeiro interesse e o seu real valor.
(Luís Albuquerque)


Comissão encarregada da elaboração do Plano. Da esquerda para a direita: Dr. Henrique Teixeira de Sousa, Capitão Arménio Ramires de Oliveira, Sr. Albertino Martins (secretário), Sr. Carlos Adriano Soulé (dactilógrafo do documento) e Dr. Júlio Monteiro, ao tempo Administrador do Concelho. Dos presentes na foto, só sobrevive ainda o Carlos Adriano Soulé, por sinal tio pelo lado materno do colaborador Adriano Miranda Lima.

{7784] - POSTAIS DA LISBOA ANTIGA...


1871 - ROSSIO
 
 1906 - AV. DA LIBERDADE

1909 - AV. ANTONIO AUGUSTO DE AGUIAR

[7783] - E X E M P L A R...


NO RESTAURANTE DO PESSOAL DO VATICANO...
(Tuta Azevedo)

[7782] - ANIVERSÁRIO...


Fazêmo-nos aqui éco do companheiro "Praia-de-Bote" para assinalar a passagem do 5º aniversário do Blogue "Esquina do Tempo" a quem auguramos uma longa vida, bem como ao seu Administrador, o Prof. Brito-Semedo, a quem saudamos, efusivamente!

[7781] - DIA DE S. VALENTIM...

Existem várias teorias relativas à origem de São Valentim e à forma como este mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados. Uma das histórias retrata o São Valentim como um simples mártir que, em meados do séc. III d.C., havia recusado abdicar da fé cristã que professava. Outra defende que, na mesma altura, o Imperador Romano Claudius II teria proibido os casamentos, para assim angariar mais soldados para as suas frentes de batalha. Um sacerdote da época, de nome Valentim, teria violado este decreto imperial e realizava casamentos em sigilo absoluto. Este segredo teria sido descoberto e Valentim teria sido preso, torturado e condenado à morte. Ambas as teorias apresentam factores em comum, o que nos leva a acreditar neles: São Valentim fora um sacerdote cristão e um mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C.

Quanto à data, algumas pessoas acreditam que se comemora neste dia por ter sido a data da morte de São Valentim. No entanto, outros reivindicam que a Igreja Católica pode ter decidido celebrar a ocasião nesta data como uma forma de cristianizar as celebrações pagãs da Lupercalia. Isto porque, na Antiga Roma, Fevereiro era o mês oficial do início da Primavera e era considerado um tempo de purificação. O dia 14 de Fevereiro era o dia dedicado à Deusa Juno que, para além de rainha de todos os Deuses, era também, para os romanos, a Deusa das mulheres e do casamento. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, iniciava-se assim a Lupercalia que celebrava o amor e a juventude. No decorrer desta festa, sorteavam-se os nomes dos apaixonados que teriam de ficar juntos enquanto durasse o festival. Muitas vezes, estes casais apaixonavam-se e casavam. No entanto, e como aconteceu com muitas outras festas pagãs, também a Lupercalia foi um 'alvo a abater' pelo cristianismo primitivo. Numa tentativa de fazer uma transição entre paganismo e cristianismo, os primeiros cristãos substituíram os nomes dos enamorados dos jogos da Lupercalia por nomes de santos e mártires. Assim, conciliavam as festividades com a religião que professavam, aumentando a aceitabilidade por parte dos Romanos. São Valentim não foi excepção e, como tinha sido morto a 14 de Fevereiro, nada melhor para fazer uma adaptação da Lupercalia ao cristianismo, tornando-o como o patrono dos enamorados. (Do Blog "Cupido")

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N.E. - Claro que a visão mercantilista dos americanos transformou esta romântica história numa corrida desenfreada aos presentes de todas as formas e pretensiosas sofisticações, como se a riqueza e a ostentação fossem alimento essencial do relacionamento dos namorados de todas as latitudes, raças e estratos sociais