quinta-feira, 5 de março de 2015

[7858] - A LÍNGUA EM QUESTÃO...


Caros amigos
Dada a relevância e actualidade do assunto resolvi trazer à tona estes artigos, de 2012 e 2013,  para uma reflexão sobre a problemática e os perigos  de uma oficialização leviana do crioulo tão cara aos fundamentalistas  e aos ideólogos fanáticos.
Ambos os artigos constam do livro os Caminhos da Regionalização e foram publicados nos jornais online. O meu (A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NOS DESAFIOS DO MUNDO GLOBAL) data de 2012 e o da Fátima (A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NOS DESAFIOS DO MUNDO GLOBAL) data de 2013

As pessoas dotadas de maior poder de análise dos problemas de C.Verde e do Mundo devem reflectir seriamente sobre esta problemática  e pesar os prós e os contra das diferentes opções. Para mim, a língua portuguesa,  para além de ser um património de Cabo Verde que deve ser cultivado e preservado, é uma ferramenta de trabalho e um elo de comunicação com o Mundo, para além de ser politicamente neutra numa situação em que um certo fundamentalismo está no poder. O Amigo Adriano Lima defende que o Crioulo se porta bem em companhia da língua portuguesa e que o destino das duas línguas é conviverem-se em simbiose em C.Verde... "O crioulo não precisa de amarras deixem-no viver livremente"... Temem-se   engenharias do crioulo e manipulação política deste assunto tão sério.
Uma ideia de supressão do português é muita cara aos fundamentalistas de Santiago e ao esquerdismo (doença infantil do comunismo, como dizia Lenine) mas suicidária para C.Verde. Era uma brincadeira do pós 25 de Abril, tão utópica na altura que ninguém a levava a sério,  mas hoje esta brincadeira já não tem piada pois alguns iluminados, charlatães e vendedores de banha da cobra, persistem nesta via que de certeza não é a solução para um diagnóstico do problema da língua portuguesa em Cabo Verde: diglossia e não bilinguismo que só existiu numa certa elite. Os cabo-verdianos falavam mal o português devido ao analfabetismo ao nível cultural fraco ou ao sistema de ensino deficiente. Hoje o problema é político apostou-se por puro nacionalismo cego obtuso na degradação da língua portuguesa em C.Verde e constatando os estragos irreversíveis a solução é cortar um braço ou uma perna aos cabo-verdianos, fechando-os numa pequena mundivivência do crioulo e num horizonte fechado do arquipélago, quando o Mundo é mais do que isso. Os culpados da situação são os regimes e as políticas desajustadas, não é a língua portuguesa, que não é inimiga do crioulo bem pelo contrário é o substracto, o húmus de onde o crioulo tira a sua substância. C.Verde não é uma potência, não tem recursos humanos nem económicos suficientes, é um país frágil e não tem como pagar esta aventura, para além de ter dúvidas sobre a idoneidade e a competência científica e política da  equipa que tem trabalhado o assunto, no segredo dos Deuses. E se as coisas derem para o torto como já está a acontecer nas Antilhas Holandesa em que a classe média desertou das escolas públicas por causa do fiasco do crioulo, quem é que se assume? Uma coisa é certa, os filhos dos ricos e poderosos e das pessoas de cultura, vão assegurar que os seus filhos dominem o português e o povo voltará ao estatuto do indigenato do gosto de alguns políticos demagogos. (José F. Lopes)

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OS CRIOULOS DE CABO VERDE – ESTATUTO MENOR OU 
MORTE LENTA (1)

Fátima Ramos Lopes

As línguas são entidades vivas em permanente evolução. As transformações que vão sofrendo efectuam-se de forma lenta, gradual e inconsciente, envolvendo a lei do menor esforço ou seja a tendência para se reduzir o esforço necessário para a pronúncia de certos fonemas assim como diversos outros fenómenos linguísticos (tais como supressões, substituição de sílabas, etc.) perfeitamente naturais e que contribuem para a formação de uma língua a partir de outra. 
    A língua está intimamente ligada à cultura e à história de um povo, reflecte os seus valores, as suas crenças, a sua forma de ser, pensar e estar. É através dela que são transmitidos às gerações seguintes os referidos valores, garantes da continuidade e da perenidade de uma sociedade. Uma criança que aprende a sua língua materna está a aprender e a interiorizar a sua própria cultura. Existe portanto uma forte interacção entre a língua e a cultura, sendo que aquela molda a cultura e vice-versa.
    Os crioulos definem-se como línguas originadas a partir do contacto entre duas ou mais civilizações, comunidades linguísticas, uma das quais europeia. Incorporam traços de ambas ou das várias línguas envolvidas e constituem-se como língua-mãe de uma determinada comunidade crioula, como é o caso dos crioulos falados em Cabo Verde e noutras áreas do globo onde houve contacto directo de civilizações num mesmo solo. No caso particular do crioulo de Cabo Verde, pode-se afirmar, sem exageros, que o seu conteúdo lexical é composto maioritariamente pelo português, numa proporção superior a 95.0 % ou 99.0%, dependendo da ilha, as restantes percentagens sendo oriundas de línguas africanas (caso dos crioulos de sotavento) ou de outras línguas.
    A génese dos crioulos decorreu de um longo processo (pelo menos 500 anos), que culminou, modernamente, nas formas actualmente utilizadas no mundo e em Cabo Verde.
    O crioulo (composto por 9 versões) é a língua materna dos cabo-verdianos, adquirido e formatado no primeiro contacto com a realidade e desde logo tornado instrumento de comunicação no dia-a-dia. Neste artigo, designo como crioulo todas as variantes do mesmo, faladas no arquipélago, porque em cada ilha realidades específicas tanto culturais como psicossomáticas moldam um perfil próprio no falar, com inflexões na semântica, na fonética e na entoação. É nesta lógica que defino crioulo de S. Vicente, de S. Antão, de Santiago, do Fogo, etc, e defendo as suas oficializações.
    No caso do crioulo de S. Vicente, este resultou do encontro, da interacção e da miscigenação de vários crioulos falados no arquipélago, resultantes das sucessivas vagas migratórias de populações oriundas das vizinhas ilhas de Sº Antão e de Sº Nicolau, assim como do Fogo e da Brava, não negligenciando, obviamente, a contribuição das outras ilhas, tal como o Sal, Boavista e mesmo Santiago. Acresce a este facto o de que o crioulo de S. Vicente esteve em contacto directo com diferentes línguas estrangeiras. Primeiramente, beneficiou até recentemente de um contacto directo com a ‘língua mãe’, a língua portuguesa, devido à forte presença de contingentes militares e de profissionais liberais portugueses residentes nesta ilha. Por outro lado, a forte presença inglesa desde os primórdios da ocupação da ilha determinou uma influência não negligenciável de vocábulos de origem inglesa no crioulo de S. Vicente. Pode-se assim afirmar que S. Vicente constitui um laboratório linguístico vivo e natural onde o crioulo está em constante evolução mercê das interacções com o mundo. Este forte dinamismo do crioulo desta ilha constitui a sua riqueza.  
    Em Cabo Verde, a questão linguística tornou-se nos últimos anos uma questão central da sociedade cabo-verdiana em processo de consolidação da sua identidade nacional. Este assunto tem sido polémico, pois na prática alguns sectores têm tentado ir mais longe do que era suposto, impondo incorrectamente uma visão centralizada da problemática do crioulo, em torno de uma matriz que predefiniram como pura e genuína, que pretendem dever representar todos os crioulos do arquipélago, e que corresponderia à matriz de Santiago. É assim que quando referem à língua cabo-verdiana subentendem que se trata do crioulo falado nesta ilha, por ser a mais populosa do arquipélago, o que corresponde a um desrespeito pela diversidade do crioulo (composto por 9 versões) falado em Cabo Verde.
    Uma língua encontra-se em risco quando diminui o seu número de falantes ou quando estes passam a utilizar de forma sistemática uma outra língua deixando de falar a sua, ou seja, são assimilados. Os grupos minoritários são empurrados para uma posição de desvantagem social e cultural, e inconscientemente vão assimilando a cultura e a língua do grupo preponderante. Este comportamento pode constituir, subconscientemente, uma forma de integração no seio do referido grupo, o que poderá corresponder a uma forma de dissolução dos valores e identidade do grupo integrado, acarretando uma perda da identidade cultural e histórica para os seus falantes. É assim que a oficialização de uma língua maioritária no seio de uma comunidade linguisticamente diversa condena implicitamente as línguas minoritárias a um desaparecimento e com ela todo conjunto de valores a elas associados, ou seja, a extinção da própria minoria enquanto comunidade linguística única.
    Com o 25 de Abril de 1974 e independência em 1974, o(s) crioulo(s) cabo-verdianos ganharam prestígio, afirmação e abrangência, ao serem abandonados os complexos que outrora ensombravam a sua expressão (era politicamente incorrecto antes do 25 de Abril de 1974 exprimir-se em crioulo, em situações formais), ao mesmo tempo que, de uma maneira irrealista, tentou-se relegar o português para um segundo plano. Não é novidade para ninguém que a partir de 1975 alguns sectores da sociedade de então defenderam uma revolução linguística em Cabo Verde com a eliminação pura e simples da língua portuguesa. Esta é uma vã utopia, mas é infelizmente o argumentário político para quem faz do assunto sério e delicado, a oficialização do crioulo, uma bandeira de exclusividade. Este é o problema que assombra o actual debate sobre o crioulo, muito poluído por questões de ordem ideológica, quando as questões técnicas e políticas deveriam tomar, doravante, preponderância.
    É impossível falar da oficialização do crioulo e não falar da problemática do português. Uma visão de guerra entre a língua portuguesa e o crioulo está fora do tempo e da época, não interessa a ninguém, e mormente os cabo-verdianos. A defesa da língua portuguesa em Cabo Verde é a defesa do crioulo e a defesa do crioulo é a defesa da língua portuguesa, pois estas línguas devem ser vistas como gémeas e não numa perspectiva maternalista ou paternalista de raiz conflituosa. A propósito desta problemática, o escritor Germano Almeida em tempos afirmou que o Crioulo não estava ameaçado de extinção em Cabo Verde, mas sim a língua portuguesa (2). Esta afirmação deveria preocupar muita gente, nomeadamente os responsáveis políticos, pois a oficialização do crioulo não pode ser vista como uma escapatória à presumível impossibilidade de o cabo-verdiano exprimir-se correctamente na língua portuguesa ou noutras línguas. É preciso saber que a competição internacional do mundo globalizado em que todas as nações e povos vão estar mergulhados, onde vender serviços e produtos se fará ao ritmo da internet, o facto de não se dominar línguas, de não se ter um discurso estruturado, poderá vir a ser penalizante. No séc. XXI, a comunicação escrita e oral será uma ferramenta essencial, tudo tem que ser apresentado em línguas internacionais, inglês em geral, ou alternativamente nas grandes línguas que ligam vastas comunidades linguísticas, o espanhol, o francês, e o português. O debate da oficialização do crioulo deve portanto incluir o debate de como operacionalizar a questão do bilinguismo, uma vez que, tendo em conta os condicionalismos de Cabo Verde, é irrealista ou mesmo utópico encarar prescindir-se da língua portuguesa como ferramenta de comunicação e trabalho. Este é um problema que exige uma reflexão muito ponderada, dada a sua complexidade. Qualquer fuga em frente ou solução voluntarista pode ter consequências irreversíveis e graves. Não se pode alimentar expectativas exageradas ou usar demagogia com um assunto tão delicado e que envolve o futuro do país.
    O grande enigma que encerra a oficialização/padronização do crioulo em Cabo Verde é, na realidade, a forma como ela vai se processar. A oficialização do crioulo pode ser uma ferramenta útil para revivificar e redinamizar o crioulo, desde que seja reconhecida a existência de crioulos minoritários para que sejam utilizados como veículos de comunicação oral e escrita das diferentes comunidades, e, mais importante ainda, se se conceder espaço para que eles se afirmem nos diversos sectores da sociedade. Ela pode, todavia, transformar-se num instrumento de destruição de identidades, se se optar por uma via abrupta de unificação/fusão artificial dos crioulos, denominada padronização. Ao longo da história, tem-se verificado sistematicamente que as tentativas de extinção de uma ou mais línguas num país são explicadas por razões políticas.
    A padronização de uma língua corresponde à instituição de um conjunto de regras gramaticais por que se vai reger a utilização da língua. No caso de Cabo Verde, deveria corresponder a instituição de regras comuns e básicas para todas as versões do crioulo. Todavia, muita gente não sabe em que é que consiste a padronização ou tem entendido este processo como a instauração de um crioulo padrão escolhido entre as 9 versões, desconhecendo-se os contornos deste processo, não estando clara a forma como vai ser implementado. Um tal projecto de padronização entendido desta forma acarretaria que, a longo prazo, os crioulos de Cabo Verde fossem forçados a extinguirem-se (seria decretado oficialmente a sua extinção e a escolha e eleição do crioulo padrão?), não por falta de falantes mas por serem coagidos a se suplantarem e/ou a misturarem-se, contribuindo assim, inconscientemente, para a morte lenta da sua identidade cultural e linguística. Temos que ter bem presente que uma língua morre quando morre o seu último falante. Este processo poderá, portanto, acarretar a perda gradual do crioulo falado em cada ilha, pelo facto de passarem a ter menos preponderância como veículos de comunicação escrita e passarem a ter um estatuto inferior como língua e pelo facto de se verem sobrepostas pela língua de um grupo dominante. É um processo que resulta assim na dissolução cultural da ilha, pela imposição de valores culturais alheios à sua própria identidade linguística. Ilhas, com fraca densidade populacional, são ambientes frágeis, que poderão ver o seu panorama linguístico ameaçado. Seria uma perda para a diversidade cabo-verdiana que os santantonentes começassem todos a falar sanvicentino ou que estes começassem todos a falar santiaguense. Assim, a tese oficiosa que pretende a fusão/assimilação das versões do crioulo de sotavento por uma baseada no crioulo de Santiago e a fusão/assimilação das versões barlavento por uma baseada no crioulo de S. Vicente, como preconizado por alguns teóricos, seria a todos os títulos um erro. Uma questão importante é saber como os ‘especialistas’ irão viabilizar e protagonizar esta inédita e utópica experiência linguística de laboratório, levado a cabo em tempo real e à escala do país real, para não falar dos meios e custos políticos e sociais envolvidos. 
    Mas se havia alguma dúvida sobre os verdadeiros propósitos dos mentores da oficialização, elas ficam esclarecidas quando se questiona sobre a ou as versões do crioulo utilizadas actualmente nos meios de comunicação social (rádio, televisão), nos aviões etc., ou ensinadas nos cursos. Outra questão que se coloca é a de saber por que se apresenta internamente e internacionalmente uma versão do crioulo como sendo a única genuína e oficial, votando-se as restantes ao silêncio.
    Teme-se, portanto, que o fenómeno da oficialização e padronização venha a espoletar situações que ponham em risco a existência ou continuidade da diversidade linguística e cultural de Cabo Verde. Consequentemente, o(s) crioulo(s) cabo-verdiano(s), no sentido da diversidade e riqueza linguística cabo-verdiana, poderão estar condenados, a longo prazo, se as gerações futuras forem restringidas à aprendizagem de um único crioulo.
    Se a oficialização do crioulo constituiu até agora um assunto pacífico para todos cabo-verdianos na medida em que deveria corresponder, em princípio, à valorização da sua língua materna, ela, todavia, poderá deixar de o ser, se o processo for mal conduzido e se servir para dividir as pessoas e o país.
    Este cenário pode, à primeira vista, reflectir certo pessimismo, mas a longo prazo é muito susceptível de vir a acontecer, e só muito tarde se aperceberá do erro cometido, quando já não haverá possibilidade de arrepiar caminho. 
    Neste sentido, se compreendem as preocupações e ansiedades geradas no seio de vários sectores mais esclarecidos da elite cabo-verdiana.
    Devemos todos estar atentos ao desenrolar do processo de oficialização ou simplesmente parar para reflectir sobre as vias alternativas para não virmos a estar confrontados com factos consumados de consequências incontroláveis.
    Assim, considero que qualquer oficialização deve salvaguardar e respeitar os estatutos de cada grupo de falantes do crioulo e a sua coexistência em pé de igualdade com os demais, pelo que é indispensável uma fase longa de estudo aprofundado das diferentes versões do crioulo abrindo aos investigadores um enorme campo de estudos, investigação e produção de trabalhos com qualidade científica credenciada. A língua portuguesa poderá ser o refúgio e o amparo contra eventuais tensões regionais, bairrista ou étnicas de origem linguística no pós-oficialização. Por conseguinte, este processo deve ser efectuado no quadro do bilinguismo e não pode implicar de maneira nenhuma a ostracização da língua portuguesa. 
No âmbito do que precede, deve-se levar a cabo investimentos na área do estudo e da investigação dos crioulos para que a sua implementação como língua oficial tenha o sucesso desejado e implique a protecção dos crioulos minoritários. É extremamente importante que este processo não seja levado ao rufar dos tambores, politizado, fechado numa visão única e comunitária. Deve-se recentrar o debate, torná-lo abrangente, participativo, democrático e levado a cabo em cada ilha. Todas as implicações devem ser estudadas, analisando os prós e os contras de cada decisão. A oficialização deve abranger todas os crioulos, ilha por ilha, sem discriminação alguma.
    Urge pois:
– Valorizar todos os crioulos como línguas e que isto fique bem definido na constituição de Cabo Verde; 
– Ter em consideração que negligenciar os crioulos considerados minoritários é colocá-los em risco de desaparecimento;
– Promover o acesso igual e indiscriminado de todos os crioulos aos principais meios de comunicação;
– Promover o uso de todas as versões do crioulo sempre que ocorrer a necessidade;
– Divulgar ou apresentar ao mundo todas as versões do crioulo;
– Fazer tudo para que se respeite a herança linguística de cada comunidade ou ilha, e tomar medidas por forma a assegurar que a sua língua seja transmitida às gerações futuras, evitando o risco de ela desaparecer; em cada ilha deve ser ensinado e estudado o crioulo que nela se fala;
– Fazer um estudo exaustivo e documentado de todos os crioulos cabo-verdianos e produzir material escrito e de apoio a todos, nomeadamente material didáctico; 
– Fazer uma avaliação dos crioulos em risco, nomeadamente monitorizar a sua progressão em termos de número de falantes e grau de utilização, documentação escrita e registo, e incentivar a sua escrita e aprendizagem para evitar que desapareçam;
– Inventariar e registar os contos, lendas e tradições de cada ilha;
– Produzir dicionários, gramáticas ou outros meios didácticos que simultaneamente contemplem os diversos crioulos falados em Cabo Verde.

    Considerando por fim que é impossível isolar Cabo Verde do Mundo e da Comunidade Lusófona, e que a língua portuguesa é uma herança do país, considero que é imprescindível:
– Preservar o actual estatuto da língua portuguesa e melhorar o seu ensino;
– Generalizar o bilinguismo em Cabo Verde e adoptar medidas para que todos os cabo-verdianos expressem correntemente em português e que dominem o inglês e eventualmente o francês/espanhol.
    Convinha deixar claro que embora seja favorável à instauração do bilinguismo em Cabo Verde, mesmo assim continuo céptica em relação à eventual adopção num futuro próximo do crioulo no sistema educativo cabo-verdiano, não somente devido às dificuldades que um processo feito a pressa enferma e enfrentaria, mas também pela falta de transparência e diálogo sobre o mesmo, já viciado por alguma deriva etnicista, inspirando portanto alguma desconfiança e apreensão. Também porque duvido da sua viabilidade actual tendo em conta os constrangimentos do país, dos custos/benefícios desta estratégia, quando se perspectiva a inserção do país na comunidade Lusófona e no Mundo.

(1) OS CRIOULOS DE CABO VERDE – ESTATUTO MENOR OU MORTE LENTA, in Cabo Verde, os Caminhos Da Regionalização, p. 294-299, 2014
http://noticiasdonorte.publ.cv/17658/os-crioulos-cabo-verde-estatuto-menor-morte-lenta/

(2) http://expresso.sapo.pt/lingua-portugues-deve-ser-ensinado-em-cabo-verde-como-lingua-estrangeira-defende-germano-de-almeida=f573370. 

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A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NOS DESAFIOS DO MUNDO GLOBAL (1)

José Fortes Lopes

     Como vimos no artigo anterior, parece haver um propósito, mais ou menos disfarçado, de eliminar o bilinguismo em Cabo Verde erradicando paulatinamente dos nossos hábitos a língua portuguesa, que herdámos e com a qual convivemos durante quinhentos anos, substituindo-a por um crioulo oficial e padronizado em função do dialecto santiaguense e da assimilação progressiva dos outros crioulos, condenados assim ao desaparecimento.
   É provável que seja o inconsciente colectivo a aconselhar o refúgio no crioulo, pela constatação de que a maioria dos cabo-verdianos, inclusivamente as elites, demonstra notória dificuldade em se exprimir correntemente em português. Mas se tivermos em conta que antigamente o cenário linguístico era bem melhor, correspondente a uma situação de bilinguismo em que, todavia, o crioulo era largamente dominante, só se pode concluir que a causa principal da presente situação é a falência do sistema de ensino. Pretender-se, com uma reforma arrevesada, mascarar a resolução de um problema eminentemente técnico, é como tapar o sol com a peneira. Porém, o problema do domínio do português em Cabo Verde perseguirá eternamente os cabo-verdianos se ele não for atacado de raiz e resolvido definitivamente. Estou certo de que se a língua portuguesa for expulsa pela porta, ela retornará sub-repticiamente pelas janelas. Os especialistas linguísticos deveriam, por conseguinte, antes do salto no escuro, debruçar-se com muita seriedade e rigor sobre o problema do português em Cabo Verde, apresentando pistas e soluções para a sua resolução. A questão que se coloca e levanta dúvidas aos cépticos da metodologia seguida no processo da oficialização do crioulo, é se esta será mesmo uma solução, como apontam e advogam os “especialistas”, nos quais se incluem os chamados Fundamentalistas. Ou seja, a questão é saber se o mais conveniente é mesmo o retorno umbilical ao crioulo, como poção mágica para os problemas linguísticos bicudos de Cabo Verde, a contento dos que vêem a língua materna como o regaço para o sossego da sua inquietação identitária. Esta é uma dúvida fundamental. 
    O(s) crioulo(s) de Cabo Verde conviveram naturalmente, ao longo dos quinhentos anos, com a língua portuguesa, de tal maneira que os laços umbilicais e o permanente vaivém entre as duas línguas foram e são a única e verdadeira fonte de enriquecimento do crioulo. A prova disso é o facto de mais de 90% do léxico de todos os crioulos cabo-verdianos terem origem portuguesa. Nunca o crioulo, nem mesmo durante os momentos mais altos da perseguição salazarista, esteve realmente ameaçado, pois, ao mesmo tempo que se alimenta do português, está fortemente enraizado nas diversas ilhas, com os seus diferentes cambiantes. Portanto, independentemente da questão da oficialização do crioulo, aproveitar a oportunidade para eliminar a língua portuguesa da convivência dos crioulos é tirar a estes o húmus onde crescem e florescem, é privá-los do único substrato linguístico capaz de lhes fornecer uma futura gramática e um léxico minimamente credíveis. Por conseguinte, é falso o argumento da necessidade da instauração imediata do monolinguismo em Cabo Verde para proteger o crioulo. A língua portuguesa é e será um elemento de referência estruturante e o tronco de onde emana a seiva vivificante do crioulo. Daí que seja essencial voltar a ensinar bem o português, investir fortemente nesta língua para que qualquer cidadão possa falá-la correcta e correntemente, assim como o faz o brasileiro, o angolano o moçambicano ou o santomense, que não parecem querer prescindir da herança linguística que receberam e é ponte disponível para ligação com o mundo. Fechar-se no crioulo e romper com a língua portuguesa só pode conduzir à atrofia do crioulo: o proteccionismo nunca deu bons resultados. Infelizmente, muitos teóricos que advogam esta tese parecem convencidos de que o crioulo foi gerado espontaneamente, através de uma autocriação, devendo portanto ser preservado numa espécie de éter.
    Na verdade, quem pode provar e garantir que a maioria dos cabo-verdianos, depois de uma atabalhoada e pretensa reforma/revolução, conseguirá exprimir-se integralmente em crioulo, como língua estruturada gramaticalmente e propiciadora de um raciocínio e discurso formal, coerente e abstracto, com vantagem em relação ao português? Como disponibilizar todo um acervo livresco, documental e bibliotecário convertido subitamente num suposto crioulo erudito e à altura das múltiplas exigências da literatura, da filosofia e das ciências? Será que de repente vai haver literatura abundante e generalizada em crioulo? Quem vai fazer todo este trabalho e com que meios e dinheiros? Que aliciantes verdadeiros levarão os cabo-verdianos a ganhar hábitos de leitura e escrita em língua restringida aos seus estreitos horizontes? Como correr o risco de lançar Cabo Verde numa experimentação linguística na ausência de respostas às inquietações acima referidas?  Tenho, e tal como eu muitas pessoas, sérias dúvidas sobre esta matéria e assiste-nos todo o direito de as expor. Limitando-se até hoje à pura retórica política, nenhum “especialista”, nem o governo, nem os acérrimos defensores daquilo que chamam a oficialização do crioulo, até hoje responderam a qualquer das dúvidas aqui colocadas e a outras mais. 
    Num país onde o fosso entre os ricos e os pobres aumenta de dia para dia, há uma elite a viver desafogadamente, pelo que a supressão oficial da língua portuguesa em nada a afectará, pois que continuará a cultivar-se com o acesso à literatura e aos meios multimédia sofisticados expressos naquele idioma e em outros, imediatamente disponíveis em casa ou via internet, enquanto o seu poder de compra lhe faculta ainda estágios e turismos linguísticos e a possibilidade de ver os seus filhos prosseguirem formações universitárias em vários países e em várias línguas estrangeiras. Portanto, uma sociedade dual e a duas velocidade estará em gestação, uma que domina o português e/ou línguas estrangeiras, e uma outra “indigenada”, confinada ao horizonte do crioulo, já que nem ao português terá acesso. Este é o cenário muito provável que a nova elite dominante oferece a um país que não pode dar-se ao luxo de experimentalismos e devaneios sem sentido.  
    A falácia da migração total para o crioulo fica ainda mais desmontada quando se verifica que as elites que dominam o português, ao exprimirem-se actualmente em crioulo, mais de 90 % dos termos são plagiados directamente do português erudito e artificialmente crioulizados, denunciando assim uma total impossibilidade de se abdicar da língua portuguesa. Para mais, não deixa de ser preocupante esta flagrante miopia estratégica que é rejeitar a língua portuguesa em Cabo Verde num momento em que se assiste à ascensão vertiginosa do Brasil como país emergente na economia global, depois de há muito se ter afirmado como a primeira potência regional na América do Sul. Só pode honrar e prestigiar a lusofonia ver o Brasil aspirar-se a uma potência global através da sua participação cada vez mais activa na política mundial, desde a sua inclusão no clube dos G-20 às suas pretensões a futuro membro permanente do Conselho de Segurança. Esta perspectiva brilhante para o Brasil eleva a língua portuguesa à condição de língua de trabalho num mundo globalizado, ganhando assim, e inesperadamente, vigor e importância. Não se pode esquecer também as grandes potencialidades económicas de Angola e de Moçambique e a sua crescente influência mundial. É neste contexto que são bem oportunas as seguintes e recentes declarações de duas figuras do mundo lusófono: Xanana Gusmão, ex-Presidente do Timor, ao jornal Correio da Manhã (2): “Temos orgulho em falar português. A Língua Portuguesa é um dos nossos grandes factores de independência e afirmação, neste contexto asiático e com vizinhos tão poderosos. Por isso, pretendemos reforçar o ensino do português”; Pedro Pires ex-Presidente Cabo Verde, ao jornal A Nação (3): “é necessário que exista um esforço da comunidade académica, da sociedade civil e dos governos dos países lusófonos para elevar o estatuto da língua portuguesa no campo da pesquisa. Para além de uma língua de cultura, o português deverá ser uma língua de tecnologia e caberá aos países mais avançados e mais populosos como Brasil, Portugal, Angola e Moçambique trabalharem para fazer da língua portuguesa uma língua de cultura, mas sobretudo uma língua de ciência e tecnologia. As investigações nos mais diversos domínios vão precisar de ser em língua portuguesa. É um esforço que deve ser feito”. É assim que, olhando o problema numa perspectiva global e de longo prazo, querer forçar os cabo-verdianos a numa experimentação aventureira afastando-os do bilinguismo só pode levar a concluir que quem dirige os destinos de Cabo Verde traz o passo desacertado com a realidade e a história.
    Cabo Verde, pela exiguidade do seu território e da sua população, pela inexistência de matéria-prima, pela sua débil economia e grande atraso tecnológico, e sobretudo devido à ausência, até hoje, de estratégias adequadas para o desenvolvimento, dificilmente encontrará uma ou várias das aplicações-chave para a passagem de um país totalmente dependente da ajuda internacional para a um país viável, e no melhor dos casos emergente. Uma aplicação-chave é o termo que define o conjunto de estratégias que fizeram o sucesso, outrora, do Ocidente, nomeadamente o mundo protestante impelido pela Revolução Científica, o Iluminismo e o Reformismo, e de que se aproveitam hoje os países ditos emergentes como a China, a Índia, Singapura, o Brasil, etc. É difícil definir as aplicações-chave determinantes para fazer migrar Cabo Verde do estatuto de um país subdesenvolvido para o de um país emergente. Este é o grande problema que tem desafiado os sucessivos governos dos últimos 35 anos. Problema cuja solução constituirá talvez uma utopia, segundo os mais pessimistas. 
    Mas é bom que os cabo-verdianos o saibam e tirem as devidas ilações desta crise mundial, no sentido de que é necessária uma tomada de consciência da pesada responsabilidade que têm em cima dos seus ombros: terão que ser, efectivamente, os senhores dos seus próprios destinos, com todas as responsabilidades implícitas, assumindo todos os riscos e os proveitos da sua soberania. E isto implica necessariamente serem eles próprios a criar condições para a sustentação da sua economia. Não há lugar para os estados viverem eternamente da ajuda ou caridade internacional: os povos dos países em crise começaram a pensar egoistamente nos seus próprios problemas. Ou se encontra a solução para o desenvolvimento de Cabo Verde ou ele se inviabiliza como estado soberano. Esta é a dura realidade e o dilema que até mesmo estados desenvolvidos vêm já experimentando amargamente, como é o caso da Grécia, o que não deixa de ser um oportuno alerta para Cabo Verde. É também uma realidade para a qual os políticos deveriam sensibilizar o povo, invocando a seguinte máxima de um grande político mundial: “Não perguntes o que a tua pátria pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ela” (John Kennedy).
    Pois a questão que se coloca à economia cabo-verdiana imbrica directamente com a sobrevivência do país, à semelhança de muitos outros países incomparavelmente mais desenvolvidos, neste mundo de hoje que se revelou uma selva globalizada e planetária, que suscita interrogações sobre como se inserir e beneficiar de uma parte deste enorme bolo que é a economia mundial globalizada. Sendo de excluir sectores como agricultura ou indústria pesada, restam os serviços, sector que engloba vários subsectores, os tais nichos de mercado, altamente competitivos envolvendo mão-de-obra altamente especializada, assentes nas novas tecnologias, no saberes e na ciência. Assim, perante a carência de potencialidades mais exploráveis, o turismo, parece ser a área estratégica em que Cabo Verde deve continuar a apostar. Nesse sentido, uma estratégia de sucesso terá que assentar na formação dos jovens no domínio por excelência de línguas estrangeiras (inglês, francês, espanhol, mandarim, língua maioritária na China), expressão oral e escrita fluentes, assim como na elevação do nível cultural e intelectual e no melhor conhecimento do mundo, transformando cada jovem num potencial cidadão do mundo. Nesta perspectiva, o português em vez de relegado para condição de língua estrangeira, deverá, pelo contrário, merecer prioridade no investimento, por todas as razões anteriormente enunciadas e por ser suporte e alavanca imprescindível para a aprendizagem das línguas dominantes no mundo, nomeadamente o inglês: o futuro de Cabo Verde só pode-se construir num bilinguismo assumido politicamente e socialmente, num quadro em que os crioulos das diferentes ilhas viveriam em democracia e harmonia e evoluiriam livremente, sem intromissão política ou administrativa. Não é possível conceber Cabo Verde enclausurado num monolinguismo autoritário, onde imperaria um crioulo eleito. Por isso, condenar os jovens ao fecho umbilical no crioulo é condenar Cabo Verde ao isolamento ou uma espécie de provincianismo, representando uma marcha em sentido inverso ao movimento no mundo, um retrocesso sociológico e uma aventura desastrosa, danosa para qualquer estratégia de desenvolvimento. Para além disso, poderá saldar-se em perdas potenciais de competitividade económica, numa perspectiva de inserção de Cabo Verde no comércio mundial. Como fazer negócios com os outros quando se está limitado comunicacionalmente, não podendo compreender as outras línguas nem exprimir noutra língua senão no crioulo? Estas verdades de La Palisse deveriam nortear a visão das pessoas que dirigem qualquer país hoje, e no caso de Cabo Verde reveste-se de uma importância capital, a exigir bom senso em vez de voluntarismo pacóvio. 
   É também importante que se perceba que, para além dos custos invisíveis e imateriais da implementação actual do crioulo que vêm sendo apontados, acrescem custos reais e aí ninguém talvez tenha feito as contas ou imaginado que elas se terão de fazer com rigor inadiável e imprescindível. Há um conjunto de implicações sérias que não podem deixar de ser colocadas no tratamento de uma questão em que só o máximo rigor, cuidado e seriedade devem pautar a conduta dos responsáveis políticos, não podendo haver amadorismo nem entusiasmos nacionalistas em matéria tão extremamente sensível como uma reforma/revolução linguística. Assim, deve-se de se perguntar quem vai pagar a monumental factura, que se prolongará pelo tempo fora, da erradicação da língua portuguesa e da conversão integral da vida do país num determinado crioulo oficial, a solução pelos vistos minimalista escolhida pelo regime. Toda a literatura e publicação disponíveis em português ou noutras línguas serão convertidas no crioulo? No final, será Portugal, a ex-potência colonial, que pagará ou ajudará a pagar o programa revolucionário de erradicação da língua portuguesa de Cabo Verde? Ou serão os outros, os parceiros, países amigos doadores, como por exemplo os EUA ou a China, a pagar os custos do aventureirismo? Ao excluir-se voluntariamente da lusofonia com a adopção do monolinguismo crioulo, Cabo Verde deixará de falar oficialmente o português, isolando-se da comunidade lusófona e ficando numa situação similar à da Guiné Equatorial, como país observador?
    As questões que precedem ainda não estão respondidas, mas em matéria de língua ou outros encargos de soberania, é irrealista, para não dizer patético, imaginar que a cooperação internacional ou algum país mecenas possam sempre assegurar as despesas de outrem que não se prendam com gritantes prioridades de desenvolvimento ou assistência humanitária. Sem querer ser adivinho da consciência alheia, a resposta que vier só poderá ser esta: “Quem quer luxo que o pague!”
    Espera-se que no debate sobre a relação língua portuguesa/Crioulo, Onésimo Silveira, um patriota no verdadeiro sentido da palavra, detentor de enorme prestígio intelectual, com experiência internacional e uma vivência cosmopolita, um dominador exímio do português e de línguas estrangeiras, continue a usar todo o seu capital de prestígio e uma pedagogia de bom senso para colocar as autoridades perante as suas responsabilidades. As tomadas de posição corajosas têm contribuído ao desbloqueio de debate sobre a Regionalização em Cabo Verde. Espera-se que não seja levado por um discurso politicamente correcto, consensual, mas que assuma as suas responsabilidades na defesa e preservação da herança cultural de Cabo Verde, ameaçada por tendências fundamentalistas, esconjurando estas três grandes ameaças: a eliminação dos crioulos maternos das ilhas periféricas à ilha capital; a erradicação do português em Cabo Verde; a eleição de um crioulo padrão artificialmente clonado e baseado no da ilha de Santiago. É preciso que outros cabo-verdianos, residentes e na diáspora, que possam opinar e reflectir sobre a problemática da língua, na multiplicidade das suas envolventes (culturais, sociais, políticas, económicas e internacionais), acordem e façam ouvir a sua voz, no sentido de contrariar soluções ditadas por impulsos primários e voluntaristas que só podem ter consequências irreversíveis e nefastas sobre o futuro de Cabo Verde. Que o Senhor Presidente da República, professor universitário e homem de cultura, sensível às questões regionais do país, zelador dos interesses estratégicos de Cabo Verde no mundo, jogue um papel de moderador junto das partes envolvidas no processo de oficialização do crioulo.  
    A suspensão imediata de todo o processo de oficialização do crioulo para uma posterior reflexão, pelo menos no quadro de um verdadeiro debate sobre a Regionalização, deve ser uma exigência, um imperativo nacional.

Referências:
1- A IMPORTÂNCIA DA LÍNGUA NOS DESAFIOS DO MUNDO GLOBAL, in Cabo Verde, os Caminhos Da Regionalização, p. 288-293, 2014;
http://noticiasdonorte.publ.cv/5150/a-importancia-da-lingua-nos-desafios-do-mundo-global/
2-http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/mundo/orgulhosos-por-falar-portugues
3-http://www.alfa.cv/anacao_online/index.php/destaque/3269-portugues-tem-de-ser-lingua-da-ciencia--pedro-pires

quarta-feira, 4 de março de 2015

[7857] - QUANDO A NATUREZA SE DIVERTE...


Ela pesa quase três vezes menos que uma moeda de 10 cêntimos, mas a sua fama está longe de ser tão minúscula como as suas dimensões. Com apenas 1,22 gramas, a pequena tartaruga almiscarada (Sternotherus odoratus) foi encontrada pela ONG americana "Pacific Northwest Turtleworks" e foi logo parar ao Facebook. A equipa de conservacionistas realizou  uma sondagem na rede social para escolher um nome para o minúsculo animal, que acabou baptizado como “Quinn”.

[7856] - HÁ FILHOS E ENTEADOS...

Bom exemplo... Só que,  para umas coisas há dinheiros para reconstrução, para outras... nada! Porque é que os Estado não teve esta consideração com a Casa Adriana  e com o  Eden Park?! Património NON GRATUS de uma ilha NON GRATA?! (J.F.L.)

ACTUALIDADE

São Nicolau: Antigo Campo de Concentração do Tarrafal vai-se transformar em espaço cultural 
04 Março 2015

O edifício do antigo Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau, que está em ruínas vai ser reconstruído para servir como espaço de cultura, formação e educação. Esta ideia surge do memorando de entendimento assinado entre o Ministério da Cultura, tutelado por Mário Lúcio Sousa, e o presidente da Câmara do Tarrafal de São Nicolau, José Freitas de Brito. O documento abarca também iniciativas de apoio ao Carnaval, Festival da Morna e Centro Cultural Paulino Vieira.


O Antigo Campo de Concentração do Tarrafal vai-se transformar em espaço cultural...
Segundo o acordo assinado esta segunda-feira, 02, a Câmara deverá trabalhar também no sentido de impulsionar a declaração desse edifício como monumento nacional. O Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau foi criado em 1931 e destinou-se a instalar provisoriamente os presos no Seminário/Liceu antes de iniciarem os trabalhos num outro, no Tarrafal de Santiago (aberto em 1936), tendo sido concebido para "internar" os revolucionários que tomaram parte na Revolta da Madeira, de 1931.

O projecto de São Nicolau, porém, seria abandonado e, hoje em dia, apenas restam partes dos muros do antigo seminário. Mário Lúcio Sousa explica que a ideia é reerguer o edifício e transformá-lo num espaço de cultura, formação e educação, razão pela qual Câmara do Tarrafal terá de trabalhar para classificar o edifício como património local, impulsionando a sua declaração como monumento nacional.

"Devemos ter cuidado com o nosso património para além do ciclo normal da gestão política. Estamos a fazer isso há já algum tempo, mas entendemos que deve haver um documento oficial público, que obrigue aos próximos eleitos a continuar com o trabalho", sublinhou o governante.

http://www.asemana.publ.cv/local/cache-gd2_6c3167e4ea7f8d26226c4d7fc2c1f65d.png

(Sugerido por Jose F. Lopes)

[7855] - MAIS SAÚDE NO SEU PALADAR...



O alho devido ao facto de conter essências aromáticas é muito utilizado na cozinha, tornando as refeições com um sabor muito acentuado. O dente de alho pode ser utilizado esmagado, picado, fatiado. Em termos nutricionais, fornece vitaminas (B1, B2, C, provitamina A e E) e minerais (selénio, cálcio, iodo, sódio e ferro).

Propriedades terapêuticas - Prevenção de doenças cardiovasculares: redução das concentrações séricas de LDL, triglicerídeos, redução da pressão arterial, inibição da agregação plaquetária.
Deve ser evitado nos casos de úlcera gástrica, dispepsia, cistite, problemas de visão e epiderme (erupções cutâneas, eczema).

Usos culinários - Temperar refogados no geral, utilizado no tempero de carne, peixe, hortícolas cozidos e na preparação de arroz, feijão, pizas e sopas.

[7854] - NAVIOS E MARINHEIROS...


1934 – O Navio farol de Nantucket (Estados Unidos da América) é abalroado por um cargueiro e afunda-se,  provocando a morte a toda a  tripulação,  constituída, sobretudo, por cabo-verdianos. Na altura, o advogado Alfred J. Gomes (1897 – 1974) incentiva a comunidade cabo-verdiana a estabelecer o "Seamen’s Memorial Fund",  para conceder bolsas de estudo e auxilio aos familiares dos malogrados tripulantes.
Nota: 
Alfred J. Gomes  emigrou para os EUA (New Bedford) com a idade de 7 anos. 
À custa de muito trabalho e força de vontade, consegue formar-se em direito em 1923, pela Universidade de Boston, tornando-se num dos mais importantes líderes da comunidade na cidade. Os cabo-verdianos na diáspora e os do arquipélago muito lhe devem… A sua história é merecedora de ser contada…
……(Col. Amendes)

[7853] - M E M Ó R I A S ...

Cristóvão Falcão de Sousa terá nascido em Portalegre entre 1515 e 1518 de uma família nobre. Seu pai era cavaleiro, tendo servido como capitão na Mina. Foi educado a partir dos nove anos no Paço, onde aprendeu as belas-artes. Por ter casado com uma menor em segredo, foi condenado e preso no castelo de Lisboa. Saído da prisão cinco anos depois, procurou a sua amada em Lorvão, começando entretanto a escrever o poema Crisfal, onde canta a arrebatadora paixão que o tomara. Em 1542, o rei D. João III, para evitar mais escândalos, enviou-o a Roma como seu agente particular. Regressado ao reino, é despachado em 1545 como capitão da fortaleza de Arguim, na África. Regressou a Portugal em 1547, tendo sido novamente preso devido à agressão a um fidalgo. Em 1551 obtém uma carta de perdão. Terá casado em 1553 com Isabel Caldeira, não se conhecendo mais nada sobre o que depois lhe sucedeu.

A écloga Crisfal (criptónimo de Cristóvão Falcão?) foi publicada de 1543 a 1546 numa folha volante. Em 1554, é publicada em volume por Ferrara. Em 1559 teve uma edição em Colónia baseada na de Ferrara. A. Epifânio da Silva Dias organizou a edição de 1893 e o brasileiro Sousa da Silveira a de 1933.

Até 1908 era opinião unânime de que a obra fora escrita por Cristóvão Falcão. Nesse mesmo ano, Delfim Guimarães publicou o livro Bernardim Ribeiro, o Poeta Crisfal e no ano seguinte Teófilo Braga e a Lenda do Crisfal, em que tentou demonstrar que o autor do écloga era Bernardim Ribeiro e não Cristóvão Falcão. No entanto, estudos mais recentes reafirmam a autoria de Cristóvão Falcão. (Projecto Vercial)

Desde os tempos áureos do Liceu Gil Eanes - já nem sei em que ano lectivo - que perdi o rasto a este assunto que, na altura, me empolgou, não sei se pela beleza do poema se pela sua extensão - mais de 1.000 versos - naquele português castiço de quinhentos quando as caravelas andavam por aí a "escrever" os Lusíadas, Cristóvão queimava as pestanas a escrever "Crisfal" uma epopeia romântica, quase ingénua...

1

Antre Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n'água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amarom
como males lhe causarom
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidarom.

2

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele tam mal merecia.
Sendo de pouca idade,
não se ver tanto sentiam
que o dia que não se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

E, por aí fora!...

[7852] - BOM PORTUGUÊS?!...


A RTP tem uma rubrica diária com o título de "Bom Português" em que um repórter de exterior coloca aos transeuntes uma questão relacionada com a escrita "correcta" de uma determinada palavra ou expressão, face aos conceitos do chamado "Acordo Ortográfico"...
Esta manhã, a dúvida era se SEMI REBOQUE se escreve com ou sem hífen...Claro que cerca de 90% dos inquiridos foram peremptórios: escreve-se SEMI-REBOQUE...
Aí, interveio o locutor de estúdio rectificando as certezas da maioria pois, segundo o tal desACORDO, deve escrever-se sem hífen, dobrando a consoante da segunda palavra o que redunda num palavrão mais do que que arrevesado: SEMIRREBOQUE!
Creio que, em nome do que julgamos ser a vontade dos povos dos países lusófonos, a RTP deixe de apresentar esta rubrica ou, então, que lhe altere o título pois, na realidade, não se trata de falar em BOM PORTUGUÊS, mas sim, "falar português conforme o acordo" com o qual, afinal, quase ninguém concorda!


terça-feira, 3 de março de 2015

[7851] - BEIJA-FLOR-ABELHA...


Quem olha de longe seu par de asas batendo a mil por hora sobre um punhado de flores, pode até confundir o menor pássaro do mundo com um besouro corpulento. Com apenas 5 centímetros de comprimento e pesando aproximadamente 1,8 gramas, o beija-flor abelha ou Zunzuncito (Mellisuga helenae) é uma espécie de ave endémica de Cuba e Isla de la Juventud. Comilão, alimenta-se de néctar e pequeninos insectos, podendo visitar até 1.500 flores por dia. Usando pedaços de teias de aranha, cascas e líquenes, a fêmea controi um ninho de cerca de 2,5 cm de diâmetro e nele acomoda seus ovos, que são do tamanho de ervilhas.

[7850] - MONSTROS SAGRADOS...


[7849] - CARICATO...

Foto Albano B.

Um táxi a circular em Bissau...com matrícula portuguesa!!! Ai, se a moda pega..
O que faz a Direcção Geral de Viação e Transportes Terrestres? E a polícia de trânsito? Será que ninguém, nessa cidade, tem olhos no sítio? Como é que uma viatura entra no País, é pintada de azul e branco e faz com toda a calma o serviço de táxi?! (AAS)

Foto e texto - Blogue "Ditadura do Concenso"


[7848] - R E C O R D E ...


O "Arrozcatum" bateu, de novo, o seu recorde diário de visualizações!
Efectivamente, ontem registámos 712, número que nos deixa muito satisfeitos lamentando, apenas, que entre tantos visitantes tão poucos se decidam a deixar a sua marca, comentando os assuntos que aqui se abordam, numa variedade que privilegiamos precisamente para fomentar a participação...Pelos vistos, não resulta e bem que gostaríamos de conhecer o segredo que levasse os nossos visitantes a uma colaboração mais visível...
Aceitam-se sugestões!

[7847] - MAIS SAÚDE NO SEU PALADAR...

ALECRIM

O alecrim apresenta um sabor doce e fresco.

Propriedades terapêuticas - Estimula o funcionamento do fígado, facilita a digestão, indicado para combater o cansaço físico e mental e a depressão. Apresenta propriedades antioxidantes e ajuda na circulação sanguínea. Não deve ser utilizadoem situações de diarreia. Em grandes concentrações, pode provocar irritações gastro-intestinais e nefrite.

Usos culinários - Apreciado na preparação de marinadas de carne (carne de porco e borrego), aromatizar a água da cozedura de massas, batatas, arroz, molhos de tomate, saladas, manteigas aromatizadas.

[7846] - BEBA SAÚDE...



* Água à noite ... Todos conhecemos muitas pessoas que dizem que não querem beber nada antes de se deitarem, porque, então, tem o incómodo de se levantar durante a noite para ir ao quarto de banho...

 Quando perguntei ao meu cardiologista porque é que as pessoas precisam de urinar durante a noite, ele respondeu-me assim:

 * A gravidade mantém a água na parte inferior do corpo quando estamos de pé. ( As pernas incham ) . Na hora de dormir, a parte inferior do corpo está ao mesmo nível dos rins e é quando estes removem a água processada (suja), porque é mais fácil... Todos nós precisamos de uma quantidade mínima de água para lavar as toxinas do corpo.

 Muito importante: de acordo com Cardiologistas, os momento certos para beber água (beber água em determinados momentos maximiza a sua eficácia no corpo) são:
 * Dois copos quando nos levantamos - ajuda a activar os órgãos internos.
 * Um copo 30 minutos antes de uma refeição - ajuda a digestão.
 * Um copo antes de tomar banho - ajuda a reduzir a pressão arterial.
 * Um copo de antes de dormir - evita ataques cardíacos e derrames.
   O que é que acham ? Agora, vamos todos beber mais água?


[7845] - CUIDE DOS SEUS RINS...


Os anos passam mas os nossos rins estão sempre filtrando o sangue, removendo o sal e tudo que seja prejudicial  nosso organismo.

Todavia, com  o tempo, o sal se acumula, o que  requer um tratamento de limpeza. Mas ... como vamos fazer isso?

É muito simples: escolha um ramo de salsa bem viçosa e lave-a muito bem; em seguida, corte em pedaços pequenos e coloque  num recipiente, adicionando 1 litro de água limpa.

Deixe ferver por dez minutos,  coe para uma garrafa limpa, deixe arrefecer e guarde no frigorífico.

Beba um copo por dia e vai ver que todo o sal e outras impurezas acumulados no seus rins começam a ser expelidos através da urina

A Salsa é conhecida como sendo o melhor tratamento de limpeza para os rins de forma natural!

(Col. Tuta Azevedo)

segunda-feira, 2 de março de 2015

[7844] - METEOROLOGIA...



O TEMPO - 7 DIAS

02 Março
18°/10°  17 km/h  NW  0 mm

03 Março
18°/9°  35 km/h  N  0 mm

04 Março
21°/9°  52 km/h  NE  0 mm

05 Março
18°/7°  62 km/h  E  0 mm

06 Março
20°/5°  24 km/h  E  0 mm

07 Março
21°/5°  27 km/h  N  0 mm

08 Março
23°/10°  44 km/h  N  0 mm

LEGENDA:
Temperaturas do ar (Máx./Mín.) - Velocidade do Vento - Direcção do Vento- Precipitação em mm.

[7843] - FOI HÁ CINQUENTA ANOS...


MÚSICA NO CORAÇÃO


Julie Andrews


[7842] - LUSCO-FUSCO NA BAÍA...

(Col. José F. Lopes)

ESPECTACULAR ENQUADRAMENTO DO SEMPRE
ESPECTACULAR MONTE-CARA
(S.Vicente de Cabo Verde)

[7841] - ERA BELO...MAS JÁ NÃO É! ...

(Col. José F. Lopes)


Esta casa foi construida por Nhô Afonso, da Shell e continua pertença da sua Família.
O primeiro filho, Tutum e sua esposa Faninha Santiago, faleceram. Uma irmã, vivia na
Praia e o 2° irmão, o grande guarda-redes Djidjê, reside algures, no Algarve.
Essa casa, na mesma rua do cinema Eden Park,  marcou o seu tempo!

(Valdemar Pereira)

N.R. - Como se pode verificar, o edifício começa a mostrar evidentes sinais de degradação, que rápidamente levarão o conjunto à ruina...Se os actuais proprietários nada  fazem, acho que existem canais administrativos que possibilitam as Câmaras Municipais a terem a iniciativa de fazer obras em defesa do património das suas cidades...Ou não?!

[7840] - CABO-VERDIANOS NA A.R. ...

Cabo-verdianos no parlamento português: Deputados que fizeram História


Não se pode dizer que tenham sido muitos os cabo-verdianos a sentarem-se nas bancadas da Assembleia da República portuguesa. Mas o facto é que todos os deputados nascidos nas ilhas de Cabo Verde como que tiveram um encontro marcado com a História. Se não, vejamos:


Nascido e criado até à adolescência em São Vicente (família Fernandes, Alto de Mira-Mar), acabaria sendo o primeiro Presidente da Assembleia da Repúplica de Portugal(1976/78).
Aderiu na década de 30 à Aliança Republicana e Socialista. Em 1943 juntou-se ao Movimento de Unidade Nacional Antifascista e em 1945 fez parte do grupo de fundadores do Movimento de Unidade Democrática. O nome de Vasco Fernandes ficaria para sempre ligado à fundação do Partido Trabalhista, em 1947, e do Partido Socialista, em 1973.
Depois de 1974 foi eleito deputado pelo Partido Socialista, chegando a vice-presidente da Assembleia Constituinte. Em 1976 assumiu a presidência da Assembleia da República Portuguesa, cargo que ocupou até 1978.
Um ano depois demitiu-se do Partido Socialista, para mais tarde fazer parte da Frente Republicana e Socialista. Entre 1985 e 1987 foi eleito deputado nas eleições legislativas pelo Partido Renovador Democrático, partido do qual fora fundador.
Mesmo tendo-se radicado em Portugal, Vasco da Gama Fernandes nunca renegou as suas origens. A saudade da infância passada em Cabo Verde transparecia nas águas calmas, no Sol e na luminosidade das praias do Algarve, província de que gostava muito.



Manuel Correia, 58 anos, electromecânico, natural da ilha do Fogo, é o presidente do Sindicato dos Electricistas de Sul e Ilhas. Foi o primeiro deputado negro a sentar-se nas bancadas da AR, eleito em 1992 nas listas do Partido Comunista Português. Foi ainda o primeiro a apresentar uma comunicacação que daria origem à primeira de Lei de Entrada, Permanência e Expulsão de Estrangeiros do Território Nacional.
Actualmente é também Presidente das Organizações Cabo-verdianas em Portugal. Membro Conselho Nacional da CGTP.



Depois de passar parte da sua vida dedicada ao ensino e ao associativismo, com algumas passagens pela AR portuguesa (discussão de diplomas sobre a imigração), a entrada definitiva de Celeste Correia - natural de São Vicente - para o parlamento português acontece, em 1995, pela mão do então líder da oposição, António Guterres, que a convida para a lista dos candidatos a deputados. No bolso levava, como ela costuma dizer, algumas “encomendas” por parte de dirigentes associativos cabo-verdianos e do resto da comunidade africana, em Portugal. Estes passaram a vê-la como um interlocutor privilegiado dos seus interesses junto do poder político.
E é assim que Celeste Correia se vai ocupar das questões das minorias, em Portugal, como a regularização de imigrantes, a Lei da Nacionalidade, bem como a criação de um organismo de mediação entre as comunidades e as instituições públicas – o COCAI (Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração).
Em 2008, Celeste Correia é eleita por unânimidade para secretária da Presidência da República, passando a trabalhar directamente com Jaime Gama, a segunda figura do Estado Português. (JA)

(Col. José F. Lopes)



[7839] - UMA CARTA PARA ROSÁRIO...




Olá Rosario,

hoje falaremos um pouco da ilha de Säo Nicolau, aprecie. 

Filha da morna e da sôdade, terra de mistérios e de uma cultura imponente, São Nicolau, deve o seu nome ao dia do seu descobrimento em 1461.

De formas acidentadas e de paisagens íngremes e rurais, a magia dispersa-se no ar e nos rostos das suas gentes, crentes em mil e uma lendas e mistérios que alinham, ainda hoje, as suas vidas. Das coloridas habitações ao negro dos rochedos, São Nicolau é local de paragem para os amantes de práticas ancestrais talassoterapeuticas, como os banhos de limo e de areia. "Preguiça", "Ponta Larga – Juncalinho", o antigo vulcão (Juncalinho – já extinto), "Ribeira Prata" e "Carberinho" constituem pontos de passagem obrigatórios para quem visita a ilha.



Ilha da nostalgia, cantada por Cesária Évora, tem na Ribeira Brava o princi­pal centro urbano, cuja arquitectura, marcadamente colonial, carimba a sua identidade histórica e cultural. Falando de cultura, a música aqui é outra: a Mazurca, que, induzida ao sabor do violino, é um excelente apontamento musical para se degustar o conhecido "modje" de São Nicolau.

Aventurar-se da "Ribeira da Prata" (concelho do Tarrafal de São Nicolau) ao Parque Natural de Monte Gordo, a 1.312 metros de altitude, é, sem dúvida, um passeio de memorável beleza, por entre eu­caliptos e coníferas que marcam os trilhos. A não perder são as vistas que se têm deste monte, ora para o mar que separa e une as tradições crioulas, ora para algumas ilhas a norte do arquipélago, apenas visíveis em dias de boa visibilidade.




Para terminar Rosario, näo podemos esquecer os dragoeiros. Típicas da região da Macaronésia, onde Cabo Verde se insere, os dragoeiros são árvores raras e antigas e foram classificados como uma das espécies em vias de extinção. Contam-se, aqui, mais de cem exemplares desta árvore, completando um cenário de exuberância e beleza ímpar.



(Col. Manuel Marques da Silva)

[7838] - DE REGRESSO À BARBÁRIE...

OS SELVAGENS DO CHAMADO ESTADO ISLÂMICO VENDEM 
MENINAS EM HASTA PÚBLICA...
QUANDO É QUE VÃO COLOCAR UM TRAVÃO AOS DESMANDOS DESTES ENERGÚMENOS???

(Col. Valdemar Pereira)

[7837] - PONHA MAIS SAÚDE NO SEU PALADAR...

ERVAS AROMÁTICAS & SIMILARES
As ervas aromáticas ou ervas-de-cheiro são plantas, geralmente de pequenas dimensões, que apresentam diversas utilizações e propriedades. Devido à sua composição nutricional e funções que desempenham na saúde, as ervas aromáticas são um excelente substituto do SAL, conferindo sabores, aromas e cor às refeições.
A utilização de ervas aromáticas na redução da ingestão de sal na dieta poderá influenciar dupla e positivamente a saúde, quer pela redução da quantidade de sal nos alimentos, quer pelas propriedades benéficas que apresentam para a saúde. No entanto, para manterem as suas propriedades, as ervas só devem ser adicionadas aos alimentos no fim da sua preparação, uma vez que a maioria das suas propriedades é perdida pela acção do calor. São muito utilizadas em saladas, sopas, marinadas, carnes, peixes, chás, compotas, entre outros.
As ervas aromáticas são fornecedoras de proteínas, vitaminas (A, C e complexo B), minerais (cálcio, fósforo, sódio, potássio e ferro), fibras, componentes voláteis (óleos essenciais) e substâncias fitoquímicas (substâncias bioativas presentes nas plantas em pequenas quantidades, que actuam como antioxidantes, bactericidas, antivírus, fitoesteróis e indutores ou inibidores de enzimas).
Vários estudos indicam que as substâncias fitoquímicas parecem ser as responsáveis pelas propriedades atribuídas às ervas aromáticas, nomeadamente: prevenção do aparecimento de cancro, funcionamento cardiovascular, reprodutivo e nervoso e ainda como estimulante do sistema digestivo e potenciador do sistema imunitário.
Muitas ervas aromáticas são conhecidas como excelentes fontes de antioxidante naturais, podendo contribuir para a ingestão diária de antioxidantes. Os compostos fenólicos são os antioxidantes primários presentes nas ervas aromáticas (orégão, tomilho, manjerona, sálvia, manjericão, funcho, coentro).
Normalmente, na cozinha, as ervas aromáticas são utilizadas frescas, mas são também comercializadas secas, embora percam algumas propriedades. De qualquer modo, não devem confundir-se com as especiarias, que são em geral utilizadas secas e, muitas vezes, reduzidas a pó.
Direcção-Geral de Saúde

N.R. - A partir de hoje vamos apresentar, diáriamente,  20 das ervas aromáticas e similares mais utilizadas na cozinha mediterrânica...


O aipo cresce até uma altura de 40 cm, é composto por caules de folhas, dispostos num forma cónica sob uma base comum, com um sabor ligeiramente salgado. Um único caule é o suficiente para condimentar os alimentos, porque o seu óleo possui um aroma muito forte, que se mistura aos alimentos durante a confecção. Em termos nutricionais é uma excelente fonte de vitaminas (A, B1, B2, B5, C, E), magnésio, potássio e ferro.
Propriedades terapêuticas - Auxilia na digestão, indicado para situações de flatulência (gases), artrites, hipertensão arterial, colesterol, diabetes, funciona como diurético e possui propriedades anti-inflamatórias.
Usos culinários - Sopas, saladas, carne (estufada, guisada ou cozida)

domingo, 1 de março de 2015

[7836] - QUANDO AS APARÊNCIAS ILUDEM...


CONCURSO DE "MISSES" RECENTEMENTE, NA TAILÂNDIA...
NADA DE ESPECIAL SE NÃO SE DESSE O CASO DE SEREM, TODAS, HOMENS!!!
(Col. Adriano M. Lim)

[7835] - TIROS AO LADO...


Para além de um ódio quase visceral pela Alemanha, o Senhor Tsipras vem há semanas alimentando uma campanha conta Portugal e Espanha por, supostamente, os representantes destes países terem tomado posições que dificultaram ou procuravam dificultar as negociações da Grécia com o Eurogrupo...
Da imprensa escrita retirámos os três parágrafos que passamos a reproduzir:

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, acusou os Governos de Portugal e da Espanha de formarem um “eixo contra Atenas” durante as negociações mantidas com o Eurogrupo para o prolongamento do programa de resgate financeiro, com o objectivo de derrubar o executivo liderado pelo Syriza.
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Relatando as negociações em que o país se viu envolvido em Bruxelas, com o Europgrupo e com o Conselho Europeu, Alexis Tsipras aludiu à oposição das forças conservadoras europeias, com Portugal e Espanha à cabeça, e as suas tentativas para “minar” um acordo entre os gregos e os seus parceiros, “assumindo o risco de uma evolução descontrolada” por razões tácticas que têm a ver com a conjuntura eleitoral interna.
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Tsipras defendeu o compromisso alcançado pelo seu Governo em Bruxelas, e para contrariar as críticas da facção mais à esquerda do seu movimento referiu o ataque que a chanceler alemã, Angela Merkel, sofreu quando levou o acordo com a Grécia à apreciação do parlamento germânico. “Basta ouvir as críticas dos deputados alemães, que se queixaram das concessões inaceitáveis que foram feitas aos gregos”, observou.

Portanto, há um "eixo-do-mal" luso-espanhol cujos pecados, no entanto, o Senhor Tsipras não enumera nem explica, apenas refere...E, por outro lado, argumenta de forma estranha para satisfazer a asa mais à esquerda do seu próprio partido, com as dificuldades da Chanceler alemã aquando da apresentação do acordo com a Grécia ao seu Parlamento quando, afinal, dos 587 deputados alemães presentes à votação, 542 se pronunciaram favorávelmente a tal acordo...
Cremos existir no discurso do PM grego algum défice de coerência, para alem do que, quem teme as tempestades não deve semear ventos!
O Sr. Tsipras e o seu Partido ganharam as eleições e não estamos aqui a discutir o como nem o porquê... Governa em coligação com uma força politica dos antípodas do espectro político, o que também não é problema nosso...Desejamos, sinceramente, que tenha êxito e consiga retirar o seu país do lodaçal em que os seus pares o mergulharam, ao longo de décadas do mais completo laxismo politico-económico...Em troca, desejaríamos que o Sr. Tsipras não se socorresse de muletas alheias para se equilibrar na subida da escorregadia ladeira que são os compromissos que assumiu com o seu eleitorado... Creio que, até hoje, ninguém fechou a porta ao Sr. Tsipras, que deve concentrar todas as suas energias na resolução dos problemas da Grécia, em vez de se escudar atrás de fantasmas e papões em que já ninguém acredita...

[7834] - DESINVESTIMENTO E BUROCRACIA...

Carlos Abu-Raya
São Vicente: Empresa norte-americana desiste de investimento de 8,6 milhões de dólares no sector das pescas

27 de Fevereiro de 2015, 13:36

A empresa África Pesca desistiu hoje de um investimento de 8,6 milhões de dólares no sector das pescas em Cabo Verde, por alegada “má-vontade de certas instituições do Estado”, conforme o sócio cabo-verdiano da empresa, Carlos Abu-Raya.

A empresa África Pesca tinha o suporte financeiro do investidor norte-americano Carlos Rafael, tido como o maior armador dos Estados Unidos, e proprietário da empresa C&R Fishing LLC, e que tencionava investir, numa primeira fase, 8,6 milhões de doláres (cerca de 770 mil contos) no sector das pescas em Cabo Verde.
Em conferência de imprensa, na cidade do Mindelo, para anunciar a “retirada definitiva” do projecto, o sócio-gerente Carlos Abu-Raya considerou que o investimento encontrou “forte resistência” do Instituto do Desenvolvimento das Pescas (INDP) e da Direcção-Geral das Pescas, e, paradoxalmente, “elogios” da ministra do Turismo, Investimento e Desenvolvimento Empresarial, Leonesa Fortes.
É que, apontou Carlos Abu-Raya, o navio Voyager, uma embarcação de arrasto de meia-água, encontra-se em São Vicente há 71 dias com inspecção de navegabilidade, segurança e sanitária concluída e validada, registo na Agência Marítima Portuária (AMP) e com licença de pesca para pequenos pelágicos por seis meses, emitida pela Direcção-Geral das Pescas (DGP), “mas sem conseguir pescar”.
Só que, explicou a mesma fonte, a DGP incluiu na licença uma cláusula em que proibia o navio de pescar sem um plano de pesca experimental aprovado pelo INDP. “Submetemos o plano ao INPD no dia 28 de Janeiro e até hoje não recebemos uma resposta”, acusou.
Segundo Carlos Abu-Raya, “a meio do jogo”, as autoridades cabo-verdianas introduziram novas condições, nomeadamente que a embarcação só poderia pescar melva (catchorrinha) e não as outras espécies de pequenos pelágicos como a cavala preta, o olho largo e a sardinha, uma quota de captura máxima para a embarcação fora das 12 milhas, e aprovação dos planos de pesca, trabalho e investigação.
“Podemos também concluir que o INDP não demonstrou vontade em participar numa investigação, que a própria empresa África Pesca iria financiar, para determinar a biomassa de pequenos pelágicos existentes nos mares de Cabo Verde”, apontou Carlos Abu-Raya, para quem o arquipélago acaba de perder um “grande projecto”.
É que, assinalou, segundo cientistas da Uni-CV e da Universidade de Massachusetts (EUA), os estudos actuais sobre a biomassa de pequenos pelágicos em Cabo Verde, realizados em meados dos anos 80, em inícios de 90 e em 2011, “são inconsistentes” e têm “muitas discrepâncias”.
Por isso, explicou, o objetivo dessa investigação, a ser feita “de forma directa com pesca exploratória” fora das três milhas, era o de dotar Cabo Verde de um “plano de gestão sustentável” para a pesca de pequenos pelágicos dentro e fora das 12 milhas náuticas.
Por outro lado, em números, a mesma fonte explicou que o projecto da África Pesca iria proceder ao desembarque de 100 por cento da matéria-prima em Cabo Verde, que seria vendida na totalidade à Frescomar, e que iria ainda distribuir o produto da conserveira cabo-verdiana em 2.700 supermercados do Canadá e em 10.000 supermercados dos EUA.
Da mesma forma, seria criada uma Fundação África Pesca através da qual cinco toneladas de pescado por cada viagem seria convertido em dinheiro e gerido para acções sociais como o financiamento de projectos relacionados com o mar e bolsas de estudo, entre outras.
"Não pelas autoridades, mas pelo povo de Cabo Verde sinto-me amargurado pois em toda a minha vida de 47 anos de labor no sector das pescas este foi o primeiro projecto em que sinto que fui discriminado”, declarou o investidor Carlos Rafael, natural dos Açores (Portugal) e casado com uma cabo-verdiana.
“Claro que nunca pensei em destruir os recursos marinhos de Cabo Verde, nem tampouco limpar o peixe dos seus mares, pois quero que os filhos e netos continuem a desfrutar desse recurso”, lançou Carlos Rafael.
Num desbafo, e quando perguntado em que condições poderia aceitar repensar o seu projecto, o armador norte-americano foi taxativo: “O PAICV [partido no poder]terá que ir à vida”, concluiu.
A Agência Inforpress tentou contactar via telefone o director-geral das Pescas, Juvino Vieira, que, por se encontrar em reunião, não estava disponível para reagir às declarações dos dirigentes da empresa África Pesca.

Inforpress 

[7833] - QUEM ACREDITA NOS PRAZOS DE VALIDADE?!...


[7832] - NAVIOS E MARINHEIROS...


Voz de Cabo Verde - 1911


(Amendes)



...

[7831] - SERÁ QUE AÍNDA EXISTE?!


A PERGUNTA É DO AMENDES...ESTE MIRADOURO, NA OURELA DA BAÍA DO PORTO GRANDE, CHAMAVA-SE "CRAVEIRO LOPES"...
(Foto AHU)

[7830] - A OESTE, NADA DE NOVO...

Vladimir Bukovsky
Assunto: Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky, sobre o Tratado de Lisboa


"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE).
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabe-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovamos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coação, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».. Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (…)
Eu já vivi o vosso «futuro»…"

(Colab. de Veladimir Cruz)