Não deixa de ter o seu quê de bizarro, ouvir os banqueiros pedir aos portugueses que poupem, eles, banqueiros, que passaram décadas a desafiar os mesmos portugueses a gastar o mais possível, facilitando os créditos a um tal nível que todo o mundo comprava casa, comprava carro, comprava férias em Bora-Bora, comprava jóias, relógios de marca, fatos italianos, enfim, um forrobodó tal que até parecia que estávamos na Dinamarca. Os Bancos ganhavam (e continuam a ganhar...) balúrdios e o zé vivia que nem um nababo pois a banca emprestava dinheiro para tudo, até para uns carabineiros grelhados no Gambrinos. O pior é que chega uma altura em que a malta começa a ter que pagar e a prestação a crescer todos os meses à medida que se venciam o sucessivos empréstimos subscritos e, um dia, o mesmo zé, de volta de umas mini-férias já passadas em casa dos pais, em Mira-Sintra, encontra na caixa do correio que lhe explica, preto no branco, que o que ele ganha e mais a mulher, já não chega para pagar as prestações ao simpático Banco que, durante uns tempos, lhe proporcionou uma vida de milionário...Milhares de milhares de clientes pouco cuidadosos estão hoje a braços com situações terríveis de insolvência...Enquanto isto, os Bancos têm a lata de, como não conseguem obter dinheiro no exterior, vir agora pedir aos mesmos que ponham o "seu" no seu Banco porque se não, ainda fecham as portas por falta da única mercadoria que transacionam - o dinheiro dos outros!
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