Há um facto no rol de efemérides que hoje escolhemos que, por questões de sensibilidade, talvez, me mereça algumas reflexões pois se refere a situações de limite com que a humanidade por vezes se confronta mas das quais, pelos vistos, parcos ensinamentos recolhe...Daí, a escolha de um "pensador" um tanto diferente do de Rodin...Escolha, também ela, limite...Em 1918 tinham-se calado as armas após a chamada I Grande Guerra e, como acontece depois da casa roubada, havia que colocar trancas nas portas, enterrar os mortos, varrer os escombros, reorganizar os serviços públicos e, mais do que tudo isso, talvez, restituir às pessoas um mínimo da dignidade que todas as guerras roubam aos vencidos. Então, no meio da barafunda geral estala a notícia: a ração diária do pão, vai descer para 150 gramas por pessoa... Hoje, serão raras as pessoas que concebam uma situação em que seja necessário racionar aquilo que as gentes habitualmente consomem...Infelizmente, quando o tecido produtivo dos países se mostra destruído pela guerra e não havendo suporte moral para ajudas externas, não existe outro caminho e os bens essenciais são racionados, como medida para que possam chegar a um maior numero possível de cidadãos...É o caso do pão, por escassez de farinhas, do leite, por escassez de gado leiteiro, o que também afecta a produção de manteiga, queijos, etc...Era a hora de as populações sofrerem, depois dos horrores da guerra aberta, os horrores silenciosos das suas consequencias mais mortificantes...Só que o pão tem um lugar muito especial nos hábitos alimentares de meio mundo e as pessoas têm, com ele, uma relação de quase afectividade e suficiência pois é convicção generalizada que, havendo pão, nunca haverá fome o que, de certa maneira, é verdade e até a religião consagra, quando reza "...o pão nosso de cada dia nos dai hoje..." Por isso é que, ouvir proclamar, em tempo de crise absoluta, que a ração de pão vai ser reduzida é extremamente penalizante até sob um ponto de vista psicológico...Que jamais nos falte o pão!
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