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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O PALÁCIO DA VENTURA...


Sonho que sou um cavaleiro andante
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante,
O palácio encantado da ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante,
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas  dentro encontro só, cheio de dor,
Silencio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental 

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