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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

(6243) - ÉCOS DA ILHA BRAVA...

 

BRAVA: Orlando Balla diz que “acabou o tempo das lamentações” e defende regionalização!


Para o autarca é preciso transmitir uma visão positiva da ilha, encontrando motivações na sua história, e defendendo a adoção de um modelo de regionalização, bem assim a necessidade implementar as infraestruturas necessárias para sair do isolamento – nomeadamente, um aeroporto -, abrindo caminho ao desígnio local: o turismo natural, histórico e cultural

O presidente da Câmara Municipal da ilha das flores disse hoje, na abertura do Fórum Nacional de Desenvolvimento da Brava, que é tempo de acabar com queixumes e meter mãos à obra. “Acabou o tempo das lamentações sobre o nosso dramático isolamento”, afirmou Orlando Balla, acrescentando ter “desde cedo” assumido a necessidade de “transmitir uma visão positiva” da ilha. “Motivados por uma história que nos orgulha a todos, na Brava e na diáspora, somos obrigados a reescrever a história e a colocar a Brava na autoestrada do desenvolvimento. Queremos uma Brava útil ao país e ao mundo”, afirmou o edil na presença dos ministros da Defesa e da Cultura, respetivamente, Jorge Tolentino e Mário Lúcio Sousa.
Para o edil, a ilha de Eugénio Tavares não pode ser dissociada do todo nacional, porquanto, “enfrenta o mesmo desafio de Cabo Verde”, nomeadamente, a “unificação do mercado” e afirmar-se como “uma plataforma de prestação de bens, serviços e capitais”, pelo que a utilidade da ilha deverá ser “vista de fora para dentro”, única forma de se encontrar um “mar de oportunidades, enquanto destino portador de um turismo natural e cultural de alto valor acrescentado”, mas também “oferecer qualidade de vida àqueles que procuram descanso e reencontro com a história da humanidade”, refere Balla.
Reencontro com a História
Segundo o autarca, importa dar “resposta à demanda mundial de um turismo que valoriza o património histórico e cultural”, sendo que é condição essencial preparar as condições para “um sistema de ensino que valoriza a história e que esteja preparado para responder às vocações da ilha”, juntando o conhecimento e o estudo às necessidades de desenvolvimento da Brava.
“Quem não reconheceria a vocação marítima e universal do homem bravense, simbolizada na pesca da baleia e na emigração para os Estados Unidos da América?” - questiona Balla, afirmando que a ilha tem “história para contar”, uma mais-valia para “esse tipo de turismo com grande dimensão humana, que possibilita e promove o contacto e a interação com as comunidades locais” e que “pode potenciar o desenvolvimento de vários setores ligados ao turismo, como a restauração, a atividade dos guias turísticos, músicos locais, artesãos, comércio, agronegócio”, entre outros, para além de ser “propiciador da participação da nossa diáspora nos diversos investimentos na ilha, quer recuperando as suas habitações, colocando-as à disposição dos turistas, como na edificação de novas unidades turísticas”.
Em defesa da regionalização
“O processo de integração da Brava no contexto nacional está diretamente ligado e dependente de uma verdadeira e ambiciosa visão de desenvolvimento regional, que passará necessariamente pelo reforço da descentralização e pela adoção de um modelo de regionalização, capaz de potenciar todas as capacidades e potencialidades da ilha, dando mais poderes e recursos às instituições locais”, sustentou o edil bravense, assumindo com clareza a sua comunhão com uma novo ordenamento administrativo do país.
Discriminação positiva
Balla defende igualmente uma “discriminação positiva” para as regiões que “necessitam de uma maior atenção por parte dos poderes públicos”, e apelou ao Governo para que dote a ilha de “infraestruturas vitais para o aproveitamento de todas as suas potencialidades, como é o caso do equacionamento definitivo e realização no médio prazo do Aeroporto da Brava”, fundamental para o desenvolvimento e progresso social da ilha e parte integrante do próprio desenvolvimento de Cabo Verde.
No Fórum Nacional de Desenvolvimento da Brava, que se prolonga até esta sexta-feira, 6, e a cuja sessão de encerramento preside Jorge Carlos Fonseca, participam, para além dos ministros da defesa e da Cultura, o ex-Primeiro-ministro Gualberto do Rosário, deputados, membros do corpo diplomático, gente ligada à cultura, ao mundo empresarial e à diáspora bravense, bem assim representantes das confissões religiosas e dos partidos políticos.
in JORNAL DE S, NICOLAU

1 comentário:

  1. São justas as aspirações do edil bravense, e que correspondem, certamente, às do povo da ilha. O seu desejo entronca com o que os naturais de S. Vicente vêm exteriorizando desde há uns anos. Tudo terá de ser pensado e sopesado com realismo e pautado por critérios de equidade e solidariedade entre todas as ilhas. Sim, discriminação positiva, mas com noção das realidades para evitar reivindicações que não façam grande sentido. Uma delas é a pretensão de um aeroporto internacional no Porto Novo, a meia hora de barco do de S. Vicente. O pretendido pela Brava será regional, segundo deduzo.

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