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sábado, 7 de dezembro de 2013

(6255) - SINAIS DOS TEMPOS...

EM 2007 NÃO HAVIA UM ÚNICO
CINEMA EM CABO-VERDE...
 
Cabo Verde sem uma única sala de cinema!
por Luis Cardador
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Cinema em Cabo Verde
Caboverdianos limitados a vídeo e DVD
Em Cabo Verde não existe hoje uma única sala de cinema em funcionamento, apesar de várias tentativas, frustradas, de tentar reavivar alguns espaços.
São apontadas razões como a falta de apoio, de investimento e, inevitávelmente, problemas de bilheteira e a revolução digital, que afastou o público do grande écran.
Os cabo-verdianos estão assim "condenados" ao DVD, ao vídeo e àquilo que as televisões têm para oferecer. Um destino com o qual os amantes do cinema não se querem resignar.
É o caso dos realizadores cabo-verdianos Leão Lopes e Júlio Silvão Tavares, que em declarações ao programa Tribuna Cultural da BBC, expressaram a sua frustração com o actual panorama da sétima arte naquelas ilhas.
Para Júlio Silvão, "Cabo verde acabou por sofrer com a onda do desenvolvimento da tecnologia digital, que tornaram as grandes salas pouco rentáveis".
Leão Lopes, que já foi Ministro da Cultura de Cabo Verde, considera ser frustrante para um realizador de cinema não poder, nem ele nem o público, gozar da experiência que é assistir a um filme num grande écran, "especialmente em Cabo Verde, que tem uma história e cultura onde o cinema esteve sempre presente".
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Leão Lopes
http://www.bbc.co.uk/worldservice/images/furniture/800_left_quote.gif Não se ouve nenhum discurso à volta da importância do cinema na educação dos jovens (...), na sua preparação crítica para o que se passa hoje, onde o cinema pode ter um papel muito importantehttp://www.bbc.co.uk/worldservice/images/furniture/800_right_quote.gif
Leão Lopes
Mas o realizador vai mais longe e afirma "que se perdeu esta relação cultural e social com o cinema, sobretudo porque desapareceram as políticas de promoção, de fruição e produção ligadas a esta arte".
Foi assim, diz Leão Lopes, que se tem verificado "uma ausência total de responsabilização de políticas públicas", algo que, acrescenta, está interligado com a questão comercial e tecnológica.
Soluções precisam-se
Júlio Silvão acredita contudo que os cabo-verdianos não estão condenados aos vídeos e aos DVDs, "pelo menos na Cidade da Praia, onde está aberta ainda a discussão sobre o redimensionamento das salas existentes, nomeadamente da sala do Plateau".
O realizador explica "que já se provou ser difícil a projecção de filmes em salas com capacidade para mais de 300 pessoas". Júlio Silvão julga mais apropriado manter salas com capacidade para 50 a 80 pessoas.
Isto poderia, em parte, resolver o problema, que no seu entender, se prende - pelo menos na capital Cabo Verdiana - com "questões de bilheteira".
À questão comercial, Leão Lopes adiciona contudo "questão do público e sobretudo a questão cultural".
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Júlio Silvão Tavares
http://www.bbc.co.uk/worldservice/images/furniture/800_left_quote.gif Seria importante que os poderes decisórios e políticos encontrassem formas de apoiar os privados a explorarem melhores as salas e também levar um bocadinho o cinema até à comunidadehttp://www.bbc.co.uk/worldservice/images/furniture/800_right_quote.gif
Júlio Silvão Tavares
Diz ele que pouco se faz neste domínio, "não há programas educativos, não se ouve nenhum discurso público à volta da importância do cinema na educação dos jovens, nem na sua educação visual nem na sua preparação crítica para o que se passa hoje, onde o cinema pode ter um papel muito importante".
Trazer o cinema à comunidade
Júlio Silvão Tavares, concorda que se verifca uma certa "ausência de discursos no sentido de ressaltar a importância do cinema na sociedade".
Na sua opinião, "seria importante que os poderes decisórios e políticos encontrassem uma forma de apoiar os privados a explorarem melhores as salas e também levar um bocadinho o cinema até à comunidade".
Silvão Tavares deu como exemplo o trabalho que a sua produtora está a realizar "no sentido de trazer o cinema até à comunidade", que vê "como uma saída, entre muitas outras".
Leão Lopes e Júlio Silvão Tavares falaram ao programa Tribuna Cultural da BBC no dia 5 de Novembro de 2007...

2 comentários:

  1. Bem, o debate sobre o cinema em S. Vicente voltou, e eis mais um contributo. É evidente que a solução passará por um espaço de utilização polivalente (cinema, teatro, passagens de moda, sessões musicais, recitais de poesia, etc). Desta forma é inevitável que o Estado terá de ter também um papel, em conúbio com a iniciativa privada. Eis uma resposta que terá de partir do Ministério da Cultura.

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  2. É isso mesmo, meu caro...Essa ideia tive a felicidade de a referir, nestas colunas, há já algum tempo...As salas de cinema de grandes dimensões deixaram de ser rentáveis havendo, pois que redimensionar toda a área disponivel noutras actividades artistitas e/ou sociais, numa zona privilegiada, que é uma espécie de estuário onde desaguam todos os mindelenses - Praça Nova!

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