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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

(6264) - A DÉCIMA-PRIMEIRA ILHA...



O sonho de uma produção agrícola em larga escala sempre foi impossível de alcançar em Cabo Verde. Por isso, Adriano Pinto deixou Cabo Verde para trás e partiu em busca da 11ª ilha de Cabo Verde. Encontrou-a no Paraguai.
1976. Cabo Verde era um país acabado de nascer. Adriano Bettencourt Pinto trabalhava no Ministério das Finanças. A ideia de procurar um espaço que permitisse uma exploração agrícola em larga escala “nasceu da necessidade de resolverem problemas que Cabo Verde não teria condições de resolver internamente”, conta Adriano Pinto.
“Naquela época fiz um estudo sobre o censo populacional e chegamos à conclusão que as necessidades da população, em função das normas internacionais de alimentação reconhecidas pela FAO, não teríamos condições de albergar mais que 15 a 20 mil pessoas aqui em Cabo Verde em poucos anos”. Estava assim dado o primeiro passo para a aventura que se iria seguir. Uma aventura que iria demorar quase trinta anos até dar os primeiros frutos.
A ideia inicial era comprar um terreno agrícola no Brasil, no estado do Paraná. O preço inviabilizou o negócio. Escolheu o Paraguai, perto do lago Itaipu, o maior lago artificial da América do Sul.
Em 1987 começou a implementação do projecto nos terrenos para o efeito, com a reconversão das zonas florestais em explorações agrícolas e a construção de algumas infra-estruturas para a exploração da madeira, que juntamente com o milho deveria abastecer o mercado cabo-verdiano.
Por razoes diversas, no entanto, a exploração agrícola nunca teve o efeito desejado. Negociada em sociedade com a EMPA, esta propriedade agrícola nunca chegou a cumprir o objectivo para que foi adquirida, produzir bens alimentares em quantidades que Cabo Verde não conseguia nem actualmente consegue.
Agora chegaram a Cabo Verde as primeiras 15 mil toneladas de milho produzidas no Paraguai. Ao todo são quase duas semanas de viagem entre o Paraguai e Cabo Verde.
Primeiro, o milho ali produzido é transportado em camiões até ao rio Paraná e dali é levado até ao porto de Rosário na Argentina, onde é colocado num navio que depois faz o transporte para Cabo Verde.
O preço do transporte continua a ser um grande entrave. “Pagámos 70 dólares para trazer cada uma das 15 mil toneladas de milho para Cabo Verde”, conta Adriano Pinto. Mas o optimismo não o deixa desistir. “Se conseguirmos estabelecer uma rota regular, o preço por tonelada pode descer para os 50 ou mesmo 40 dólares por tonelada”.
Mas o projecto da Ilha Verde é muito maior que a imensa fazenda do Paraguai. Prevê também a construção, em Cabo Verde, de uma fábrica de transformação dos produtos vindos da América do Sul. Um projecto ambicioso de 103 milhões de euros a realizar num espaço de dez anos, que vai dar emprego a quase mil pessoas.
O governo cabo-verdiano anunciou o arranque deste projecto no Boletim Oficial. Lê-se ali que o “complexo industrial agrícola Ilha Verde” a ser construído na Achada Grande Trás, num terreno de seis hectares, cedido pela autarquia praiense, “terá capacidade de produção de um milhão de litros de álcool, três milhões de litros de aguardente, 116 mil toneladas de biocombustível, 60 mil toneladas de ração animal, 12 mil toneladas de óleo de soja, e 48 mil toneladas de bagaço” que alimentará depois “uma outra série de indústrias”, assegura o empresário.
Com o arranque deste projecto, o governo espera conseguir poupar cerca de 40 milhões de euros por ano só na compra de combustíveis, podendo assim reduzir a sua importação em cerca de 70%.
Mas este não é um projecto apenas para Cabo Verde. “Ganho o mercado nacional”, adianta o Boletim Oficial, o objectivo passa a ser a internacionalização desta empresa. “Prevemos que no mercado nacional fique 20% da produção, o restante é para ser reexportado”, reforça Adriano Pinto.
Para já, o objectivo principal é tornar Cabo Verde auto-suficiente a nível alimentar.
Os silos construídos no porto da Praia já receberam as primeiras 15 mil toneladas de milho vindo do Paraguai. Em breve será a vez do Porto Grande, no Mindelo, receber silos idênticos embora de menor capacidade, partindo-se depois para a possibilidade de estabelecer rotas inter-ilhas para abastecer os mercados locais com os produtos em falta. “Um quilo de milho não pode ter um preço na Praia e outro mais caro no Fogo”, exemplifica Adriano Pinto.
O primeiro passo está dado. Cabo Verde pode entrar agora num novo caminho no que respeita à produção agrícola e à auto-suficiência alimentar.
 André Amaral (A Semana)
 
Bem, eu só posso rejubilar-me com esta notícia, embora sem uma confirmação de todo o seu conteúdo, e uma confirmação para mim será conhecer os reais dividendos colhidos com esta "Ilha Verde", o que só o futuro próximo nos dirá. Especulações à parte, dúvidas por enquanto silenciadas, a verdade é que esta iniciativa é louvável e tenho de lhe tirar o meu chapéu. Outras do género apareçam.
Abraço
Adriano Lima
 
 

4 comentários:

  1. Que mal pergunte que já "tou perguntando:

    Um projeto Agrícola desta envergadura, não poderia ser implementado num país mais próximo de CV, como por exemplo, Guiné Bissau?

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  2. Esperemos que não seja como estas ilhas que aparecem e desaparecem, provocadas por erupções vulcânicas espontâneas. Convenhamos que o Estado de CV é um investidor de brandos costumes, esperar 30 anos para colher os primeiros frutos de um investimento, é ter paciência demais. Se estivéssemos a espera deste milho para comer durante todo este tempo já não haveria caboverdianos. Mas alguém sabe o que é que se passou com este investimento durante 30 anos? Terá havido secas no Paraguai ou uma granja só produz passados 40 anos? Quantas gerações de pintos é que um gato dá em 30 anos? Não vou colocar mais questões pois aqui parece-me que haverá muitos gatinhos.

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  3. O maiz sulamericano tem infinitas variedades, rogo a Deus que ja uma compra apropriads e queas industrias de trtransformação tenham seus projetos ambientais bem feitos e executados. Os efluentes tanto podem ser transformados em biofertilizantes como virar uma maldição toxica
    Ademais de que serão movidas as usinas? Será o biocombustívek gerado autisuficiente?
    FAO, melhor comer e depois transformar!!!

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  4. Nouredini - O milho, branco ou amarelo, do Brasil, de Angola, dos EUA ou do...Paraguai, é a base da alimentação dos povos das ilhas de Cabo Verde, na já universalmente famosa CACHUPA...Não haverá, creio, qualquer tipo de industrialização do produto que será consumido em espécie...Alguma quantidade oderá ser reduzida a farinha, para a também célebre "Papa-com-Leite, ou Pirão...Tudo muito Gourmet!!!

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