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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

(6272) - REVER A HISTÓRIA...

2 comentários:

  1. "A César o que é de César" e a Maturino o que me enviou".

    A reportagem foi-me enviada pelo amigo Maturino Cohen e lembrei-me logo dos dois blog's que estão sempre prontos para noticiar: - O Arrazcatum e o Praia de Bote.
    Pensei que a vida deste Heroi podia sair em ambos pois têm leitores que não são comuns.
    Obrigado pelo que me toca, Zito.
    Um braça rije

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  2. Amigo, também desconhecia por completo a existência e a história deste bravo gigante de origem açoriana. Dá para ver que mereceu da nação americana o devido reconhecimento do seu mérito como combatente pela independência do país. De facto, ele é desconhecido em Portugal porque neste país não existe suficiente respeito, para não dizer nenhuma consideração, por aqueles que servem a pátria de arma na mão, sacrificando as suas vidas. Se o que ele fez tivesse sido em Portugal, é quase certo que a projecção do caso seria diferente, só porque não era nobre ou general. O pouco que se faz em Portugal como preito de homenagem aos combatentes da Pátria que se destacam é uma modesta réplica do que se faz no mundo inteiro, e é mais para desobrigar do que um culto de respeito verdadeiramente interiorizado e assumido. Uma vergonha! Mas, enfim, cada povo é como é, e nestas coisas deixamos muito a desejar.

    Para conversar agora um pouco mais, ao ler esta história lembrei-me de um soldado açoriano que eu tive no meu pelotão em Angola (1965-1967) e se chamava Medeiros. É que ele era também uma autêntica bisarma, embora longe da estatura do personagem histórico aqui evocado. Teria quase 1,90 mas era de uma compleição física impressionante, coisa genética, não produto de ginásio e hormonas. Lembro-me de que, em brincadeira com ele, pedia-me para lhe desferir murros com o máxima da minha força no seu estômago, para eu poder certificar de que não sentia efeito nenhum. Pois, antes de receber os murros, retesava os músculos daquela área de tal maneira que parecia que eu estava a bater contra uma parede elástica. Um belo dia, entrou de arranjos amorosos com uma nativa da aldeia. Só que ela tinha o seu homem, e ele, sabendo da coisa, um dia entrou com um amigo dentro da cubata para o surpreender e aplicar o devido (e merecido) correctivo. Mas o rapaz Medeiros (ele era uns 3 anos mais velho que eu, por ter sido incorporado como refractário), levantou-se do leito do amor e com um único safanão despachou os dois homens, quase que os arremessando como sacos de batata para fora da cubata. Como é evidente, as coisas não ficaram por aí e o marido foi queixar-se ao chefe de posto e este foi ao quartel apresentar o caso ao capitão comandante de companhia. Então, foi instaurado um processo de averiguações (que poderia transitar para um processo crime) e coube a mim a tarefa de oficial instrutor do processo. Ouvi em auto todos os intervenientes no caso, incluindo, claro, a mulher. Isso ter-se-á passado em 1966, mas recordo ainda o nome do queixoso: Fulai Maitche. Só que, na diligência seguinte feita 2 ou 3 dias decorridos, o homem apresentou-se e identificar-se com um nome diferente (desse é que não me lembro já), alegando que pela vergonha da traição de que foi vítima teve de mudar de nome. Mais adiantou que a sua vergonha só seria totalmente lavada se o soldado pagasse a afronta em dinheiro contado, o que para ele seria a única e verdadeira justiça. E assim se fez, com mediação do administrador, foi estipulada uma quantia que o Medeiros pagou. Foi calculada com base no valor do pré que ele recebia, coisa de pouca monta mas o suficiente para o Fulai Maitche considerar-se ressarcido, arquivando-se o processo. Não me lembro se o Fulai aceitou de novo a mulher mas é provável que sim. É natural que o Medeiros tenha continuado com as suas visitas ao aldeamento, mas sem se meter com mulher comprometida.

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