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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

(6260) - MORNAS DE ANTIGAMENTE...


  1.  
  2. Corria o ano de 1969, Agosto estava quente mas a "imperial" custava, apenas, 2$50...Estava de licença, em Lisboa, com a família e, na qualidade de Director de Programas do Rádio Clube Mindelo, naquela segunda feira, estava a caminho da Rua do Quelhas onde ficava a, então, Emissora Nacional, hoje RDP, e onde tinha uma entrevista aprazada com uma senhora, cujo nome não retive, que era Chefe do Departamento de Intercâmbio.
    Palavra puxa palavra, deixei-me descair na afirmação de que gostava muito de cantar mornas...A senhora logo, ali, combinou para essa mesma tarde, uma gravação, no Estúdio A para o programa "Vamos Ouvir..." Algo receoso acedi e, horas mais tarde, dei de caras com o Marino Silva, que eu só conhecia de nome e os seus acompanhantes, convocados para me acolitarem...O que é certo é que gravamos, numa sucessão praticamente sem ensaio, cinco músicas que, segundo o engenheiro de som, tinham ficado óptimas...Pedi à senhora que, mais tarde, desse uma cópia do programa ao Marino que se prontificou a mandar-ma para S.Vicente, pois o meu regresso estava marcado para dois dias depois...
    Por estranho que possa parecer, a bobine de "open-reel" com a gravação, só me chegou às mãos em 1994...O Marino, cerca de duas semanas depois da gravação, recebeu-a pelos CTT e pediu a um amigo que, dias depois seguia para S.Vicente, que fosse portador. Assim aconteceu mas o infeliz, ao chegar ao Sal, soube do falecimento do pai, em Lisboa, e não seguiu para o Mindelo, regressando no mesmo avião à capital portuguesa. De novo na posse do Marinho, a encomenda, na azáfama de uma mudança de casa, acabou por desaparecer...Um dia, 25 anos mais tarde, encontrei-me com ele, na Associação dos Ex-Alunos do Liceu Gil Eanes, de S.Vicente...Celebrámos o encontro com um rijo abraço enquanto ele me dizia que, ao cabo de tantos anos, tinha encontrado a gravação...Acabei por tê-la nas minhas mãos dias mais tarde, ainda na embalagem original tal como expedida pela Emissora Nacional, com os selos dos Correios e tudo...
    Entretanto, foi o som separado da voz de uma locutora que anunciada os títulos e mais algumas palavras de circunstancia e passadas as músicas para uma "cassete"... Mais tarde, foram parar a um CD que ontem, o meu neto Miguel, conseguiu colocar no YouTube...Creio que não ficou mal de todo! Elas aí estão, para quem quiser ouvir, cinco mornas, cantadas à moda antiga!

13 comentários:

  1. OK, OK, mas e que é do link para o youtube? Vou tentar encontrar a agulha no palheiro, mas mesmo assim é melhor colocar aqui o link, seu crooner de mornas.

    Braça a pesquisar,
    Djack

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  2. Asneira...

    Li o texto e só depois vi o filme em cima...

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  3. Impressionante!!!
    Mornas muito coimbrãs cantadas numa voz de luxo!
    Verdadeira surpresa e uma pena pelo desaproveitamento destas qualidades. Um ou mais discos poderiam ter sido gravados.

    Braça pasmada,
    Djack

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  4. One surprise...

    Apesar do tom de voz ligeiramente "mondrongado"

    parabéns.

    Felicidades e que avoz não te doa!

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  5. Eu sempre admirei de forma especial as mornas da Brava (Eugénio Tavares)e as serenatas em que participai, em Nova Sintra, eram acompanhadas num tom muito semelhante ao das Baladas de Coimbra, com base em violas de 12 cordas e até guitarra portuguesa...Quanto ao tom mandrongado, seria inelutavel evitá-lo mas não foi cultivado, saiu de forma espontânea

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  6. Qa ganda supresa !!!
    Como é que este menino, que trabalhava na Ràdio, não gravou mais umas destas?
    Talvez tenha sido proibido pela noiva di Djabrava.
    Foi pena mas, se a voz melhora com o tempo...
    Braça

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  7. ... e o Marino não tre està longe, ZITO !!!
    Vai um desafio
    Força !!!

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  8. Meu querido amigo,
    Solhe conheço de depoimentos, posts e fotinha 3x4 e mesmo assim, andas de sapato no meu coração. Tenho-o em conta dos melhores amigos que já fiz e contigo partilho os meus dias, alegrias e tristezas.
    Ouvir sua voz foi de intensa emoção e alegria.
    Confesso havia passado batida no post, tenho feito visitas rápidas ao Arroz e não tenho acesso ao player no trabalho.
    Serei tão feliz quanto fui ao ouvi-lo cantando, no dia que conversamos, que seja, ao telefone.
    Beijos úmidos de lágrimas.


    Já que não se pode voltar no tempo, vamos perpetuar enviando o link aos amigos.

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  9. Gosteian, especialmente da morna do Jorge Pedro, que não escutava há muito.

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  10. Continuo a gostar muito...

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  11. Lamento não me ter apercebido deste post em devido tempo, mas nunca é tarde. Às vezes, somos assoberbados por afazeres que momentaneamente nos afastam de coisas belas, como esta. Não há palavras para exprimir a surpresa de quem, como eu, ignorava que o Zito fosse dotado de uma tão bela voz para o canto e ainda por cima de real aptidão para a morna. Como alguns aqui comentaram, e é verdade, há sonorizações do fado de Coimbra transpostas para o teu canto, mas isso não desvirtua a autenticidade do estilo bravense das mornas interpretadas, porque há uma similitude de modulações entre ambos. Ouço as mornas da Brava em outras vozes, como a da Gardénia Benrós, e o mesmo acontece. Além disso, as mornas deste pequeno reportório são das que mais gosto. Em minha opinião, nunca é tarde, Zito, para retomares o canto e gravares o que achares bem. A não ser que sejas um inveterado fumador e a voz se tenha esbatido um pouco, acontece que a idade por vezes até tem o condão de refinar e amadurecer as qualidades vocálicas. Seu fosse artilheiro, dir-te-ia: Fogo à peça!

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  12. Palavra que nunca esperei receber tantos e tão belos comentários a algo que fiz há já tantos anos, quiçá num momento de inspiração que acabou por perdurar e, pelos vistos, não iludiu as espectativas de, com uma mão-cheia de músicas, devolver à terra e às gentes de Cabo Verde, um pouco do muito que delas recebi durante os 34 anos que lá vivi, desde o longinquo 1943...
    Valeu a pena, mau grado a maldade humana que me subtraíu à convivência com as ilhas onde, decerto, me manteria, não fossem os pérfidos ventos da História...
    Essas terras e essas gentes, trago-as no meu coração como as mornas que canto e me encantam!
    Bem hajam, todos vós!

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