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quinta-feira, 6 de março de 2014

[5728] - HISTÓRIA DAS COMUNICAÇÕES-RÁDIO EM CABO VERDE - {6}...

Os Primeiros Radiotelegrafistas em Cabo Verde
Durante a II Grande Guerra

A mala-rádio do Espião...


Um moderno receptor/transmissor instalado numa mala, outra mala com acessórios radioelétricos, uma bateria e um aerodinamo foram recolhidos e levados para as instalações da (PVDE).
Os Cabos radiotelegrafistas presentes nesta apreensão verificaram de imediato da excelente qualidade do receptor/transmissor.
Dias depois, os radiotelegrafistas convenceram o 2º sargento Telegrafista António Maria para falar como o Cap (Engº) Guardiola para este tentar a cedência do receptor/transmissor para ser instalado no QG do comando militar.
Havia possibilidades técnicas do receptor/transmissor servir para as comunicações com Lisboa (Ajuda), que era um desejo de todo o pessoal radiotelegrafista.
O Cap (Engº) Guardiola não conseguiu demover os homens da (PVDE) e da (LP) para estes entregarem o receptor/transmissor.
Disseram-lhe que todo o material capturado teria de acompanhar os presos quando estes fossem para Lisboa.
Perante a informação o Cap (Engº) Guardiola sabendo da presença no Mindelo em visita oficial do Governador Dr. Diogo Ferreira Martins, vindo da cidade da Praia, pediu-lhe uma audiência para expor a situação.
O governador ouviu o Capitão e no fim disse-lhe:
- Está com sorte senhor Capitão.
Tenho aqui nos meus documentos uma comunicação do senhor ministro das colónias datada de 3 de Junho de 1940 para todos os governadores-gerais que lhe vou ler:
“Proíbo terminantemente em todas as colónias o funcionamento de postos emissores particulares, devendo os aparelhos serem apreendidos e depositados em local do Estado que V.Exas entenderem”
No final da leitura o governador limitou-se a dizer ao Capitão:
Hoje mesmo vou dar ordens para esses aparelhos sejam depositados à guarda do QG do comando militar.
E assim sucedeu, apesar da resistência dos homens da (PVDE) e da (LP).
Com a mala receptora/transmissora em seu poder a guarnição do posto de rádio do QG do comando militar, pediu ao Cap (Engº) Guardiola para traduzir o pequeno manual em inglês que acompanhava o receptor/transmissor.
Lido o manual, verificaram da excelente qualidade deste material nomeadamente os 60 Watts do transmissor.
Em 18 de Fevereiro de 1942, o Cap Guardiola enviou, via correios, um telegrama ao Major (Engº) Quaresma que no Batalhão de Telegrafistas (Sapadores) chefiava o Serviço Rádio Militar do Continente, indicando que no dia 22 Fevereiro entre as 22H30 hora de Lisboa, o posto de rádio militar da Ajuda devia estar em escuta em onda-curta no comprimento de onda dos 35 metros.
O resultado desta experiência era aguardado pelos radiotelegrafistas com grande ansiedade. Manter as comunicações radiotelegráficas com Lisboa, significava poderem receber informações regulares dos seus familiares, numa altura em que os “vapores” só traziam correspondência e encomendas de dois em dois meses e, provavelmente, mais apoio por parte do Batalhão de Telegrafistas.
Quando o 1º cabo Armindo de Carvalho manipulou a chave de morse chamando o posto de rádio em Lisboa (Ajuda) este respondeu de imediato.
…” Durante cinco minutos trocaram sinais…”
Foi uma alegria entre todos aqueles homens. Esta ligação com Lisboa ia permitir avanços nos apoios aos militares expedicionários.
Em Março de 1942, o espião Mário Ribeiro e a mulher Isaura embarcaram no navio “Guiné” com destino a Lisboa, foram acompanhados por um homem da (PVDE) e outro da (LP).

TC ManTM António Maria Viegas de Carvalho
Nota:

Caro Camarada do RI 15 – Adriano Lima
 Informação do Arquivo Histórico do Exército” 05.03.14
…” Informa-se que o Capitão Engenheiro João António dos Santos Guardiola, com o nº. 115/77 (cx 54), história da análise ao processo verifica-se que o ex-militar exerceu as funções de Comandante da Companhia de Sapadores Mineiros em Cabo Verde no período de 23 de Julho de 1941 a 28 de Abril de 1943”

Pesquiza - A,Mendes

 

 

4 comentários:

  1. Este post merece-me um comentário do mesmo teor daquele que inseri no post anterior alusivo a este acontecimento. Portanto, reitero o meu apreço por este trabalho de pesquisa e a importância que o mesmo reveste para a feitura e divulgação da história.
    Quanto à dúvida que eu suscitei anteriormente sobre a identidade do comandante da Companhia de Sapadores Mineiros, devo antes de mais esclarecer que a minha intenção não foi outra senão atentar na contradição com elementos em meu poder que referem ter sido o capitão Firmino da Silva o comandante. É certo que não me baseei em registos oficiais, como fez o autor deste texto, mas sim no testemunho directo do ex-1º cabo Custódio Jacinto, que pertenceu a essa companhia. Esse antigo expedicionário disponibilizou-me o seu espólio pessoal sobre a experiência militar vivida em Cabo Verde. Dele constavam elementos pessoais (cartas, recordações e muitas fotografias). Uma das fotografias era do "seu" comandante de Companhia à secretária, e o nome dele estava escrito no rosto da fotografia. Foi o próprio ex-1º cabo que me disse: eis o meu comandante de companhia. Embora com 92 anos quando o ouvi, ele estava bem lúcido e até com boa memória. Gostaria de o ouvir novamente, mas infelizmente viria a falecer uns meses depois de me ter encontrado com ele.
    Será que houve substituição no comando? Mas não, parece improvável, pelo que tem de prevalecer o que consta dos arquivos oficiais e certamente foi confirmado por outro testemunho directo.

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  2. Bom trabalho este! Curiosas e significativas informações para a história de Portugal e de Cabo Verde.

    Braça com ponto traço,
    Djack

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  3. Nunca me tinha passado pela cabeça que tinham apanhado um espião em S.Vicente, muito embora o facto tenha ocorrido um ano antes da minha chegada...Curiosa história, sem dúvida!

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  4. Caro Amigo e Camarada do RI15(*) - Adriano Lima

    Não se apoquente : - A razão que me levou "investigar" o nome do dito comandante, prendeu-se unicamente com o facto de repor a história no seu devido lugar. trata-se de dados históricos que merecem e devem ser devidamente esclarecidos.; confesso que , quando indaguei junto do ARPEX, estava mais convencido da sua versão... depois poria a questão à Comissão da História das Transmissões Militares.... Emboramente, goste um" guezinha" de polémica... aqui não se tratou nada disso! No próximo capitulo vem a listagem do pessoal posteriormente embarcado e que constituiu a unidade de transmissões e respectivos comandantes, o nome que alude não consta em nenhuma listagem. Será que o Cap Firmino da Silva pertenceu a outra unidade (?!)

    Um abraço

    Amendes

    (*) O Distinto RI15 - Foi a minha unidade mobilizadora para a Guerra do Ultramar.

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