domingo, 29 de junho de 2014

[7094] - CABO VERDE - OS CAMINHOS DA REGIONALIZAÇÃO...

 
Um grupo de cidadãos cabo-verdianos na Diáspora apelou esta sexta-feira, em Lisboa, à urgência do governo de Cabo Verde constituir uma Comissão de estudo para discutir a regionalização do país, para a qual é imprescindível o envolvimento da sociedade civil. Denunciaram a asfixia da ilha de S. Vicente pelo”excessivo centralismo do Estado.
Equacionam a descentralização/regionalização gradual,em grupos de quatro, três ilhas, ou mesmo ilha a ilha, com redução dos custos do Estado e apelam ao envolvimento de todos os cidadãos.
O estudo, referiram, deverá analisar outras regionalizações de países que “encontraram modelos modernos para minimizar as suas assimetrias” e citam França, Espanha, Marrocos, Itália, Portugal (Açores e Madeira). Discordam de um Estatuto Especial para a Cidade da Praia, perante a “crescente degradação da periferia do país” e afirmam que tal facto só vem acentuar a preponderância de apagamento de políticos locais, divididos em querelas de baixa política.
Foi no centro “InterculturaCidade” que o médico Arsénio de Pina, residente em S. Vicente, o sociólogo Luíz Andrade Silva a viver em Paris e o físico da Universidade de Aveiro, José Fortes apresentaram sábado, o livro “Cabo Verde - Os caminhos da regionalização”, uma compilação de artigos de vários autores que têm discorrido sobre a temática nos jornais blogues do país.
O grupo que integra o Movimento para a Regionalização de Cabo Verde , centra as suas atenções na ilha de S. Vicente, como ponto de partida.
Na conferência afirmaram-se ”sem qualquer filiação partidária” mas como um grupo que pretende suscitar o debate opinativo “num momento em que urge repensar o actual modelo político-administrativo de Cabo Verde”.
Consideram existir “um excessivo centralismo do governo” que está a deixar a Ilha de S. Vicente como “um fantasma” bem como outras ilhas que “serão apenas zombies à volta de Santiago”.
Referiram que a regionalização permitirá aos imigrantes resolver os seus problemas com menos burocracia, mais confiança nos investimentos e maior participação nas suas terras de origem.
O grupo afirma pretender “contribuir para o despertar do activismo cívico e a revalorização da Democracia” como “estratégia para a saída do marasmo social e económico em que o país está mergulhado”.
Consideram ,no entanto, que o único estudo até agora apresentado não tem credibilidade e referiram ser urgente a constituição de uma comissão multidisciplinar para efetuar uma análise aprofundada que depois deve ser discutida por todos os cabo-verdianos
Admitiram na conferência, que se poderia estabelecer ilhas piloto. As outras, perante os resultados, adeririam naturalmente aos seus grupos: “A regionalização é uma coisa que demora tempo. Podia-se começar por ir descentralizando… até à regionalização plena”.
Os autores dos vários artigos fazem análises históricas, sociológicas e económicas, equacionam instituições e serviços, bem como os benefícios de um regionalização.
O livro será também apresentado no próximo dia 4 de Julho na Associação Caboverdiana de Lisboa.
(OL)
in A Semana

3 comentários:

  1. Esplêndida Otilia Leitão sempre presente em tudo quanto se relaciona com Cabo Verde

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  2. Graças a Deus que ainda há gente boa neste mundo...

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  3. Está dado o pontapé de saída que os que podiam e deviam não quiseram dar. Preferiram ir a reboque.

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