quinta-feira, 31 de julho de 2014

[7236] - RENOVAR A REPÚBLICA...

Há alguns dias, na televisão, vi e ouvi o Dr. Pinto Balsemão, no âmbito de uma qualquer celebração ligada ao PSD, dizer algo que me impressionou por vir ao encontro daquilo que eu próprio sinto e penso sob a situação actual do nosso País...
Dizia ele que é tempo de a Constituição ser revista, não com simples retoques cosméticos, como tem acontecido nas revisões anteriores, mas tão profundamente quanto necessário, inclusivamente,  prevendo a criação de uma segunda câmara e a alteração do próprio regime com passagem a um sistema semipresidencial...
Alem disso, referiu a necessidade de uma nova lei eleitoral e a implementação do voto electrónico...
Não sei se alguma vez os comprometidos deputados da Assembleia da Republica, escolhidos pelos partidos e não pelo povo que neles é forçado a votar, terão coragem pessoal e discernimento politico suficientes para três quartas partes deles fazerem, finalmente, algo de valioso pela Nação cujos interesses juraram defender, de dedos cruzados atrás das costas!


6 comentários:

  1. Podemos rever e alterar os dispositivos jurídico-políticos da República, mas não creio que isso resolva o problema de fundo. O resultado poderá ser como soe dizer-se: mudam-se as moscas mas o resto continua na mesma. E o resto percebe-se bem o que é. Não somos capazes de mudar nada que mexa com o núcleo do sistema, e este não tem a ver com o país real mas sim com forças endémicas contrárias ao interesse nacional. Ora, nesse núcleo cabe o nosso individualismo, o nosso conformismo e a nossa apatia cívica, factores inibidores do progresso colectivo.

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  2. Desculpe, Adriano, mas não me conformo nesse atavismo negativista.....Se fomos capazes de crescer entre 1140 e a gesta de 500, porque razão tenho que me conformar com a actual "austera, apagada e vil tristeza"...O povos necessitam de regras e leis de conduta que se adaptem à sua ideossincrasia sem desvirtuar os principios fundamentais do humanismo civilizacional e penso que, em determinada altura do nosso percurso histórico procurou-se fazer o inverso...Pelos vistos, não resultou!
    Eu quero acreditar - acredito - que é possivel mudar. o povo português não pode ser tão incapaz como por vezes se pinta e já lá vão cerca de 900 anos!!!

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  3. Escapamos!... Mas para uma novidade nova... novamente, faltam-nos bons condutores. E não estou a falar de messias nem de ditadores. Condutores, no bom sentido da palavra. Não os vejo por aí. Os que estão ao volante (ou ao leme) parecem não ter carta...

    Braça com esperança, apesar de tudo,
    Djack

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  4. O inconformismo é necessário, Zito, mas é preciso que ele seja consequente, ou seja, que leve a alguma parte. E para que ele seja consequente ter-se-á que promover aquilo que o Eduardo Lourenço designou por autognose nacional. Isso significará analisar-nos profundamente, sem receio e sem complexos, para exorcizar os nossos traumas e desmistificar o que ele entende ser a nossa hiperidentidade.
    Há dois factos históricos que perturbaram o percurso do povo português. Foi a expulsão das comunidades judaicas (eram portugueses como os outros), uma importantíssima massa crítica que se perdeu irremediavelmente. Foi a Inquisição, que castrou drasticamente a alma e a mente do povo português. Depois disso, nada tem dado certo. O Liberalismo teve os resultados que sabemos, falhando o Constitucionalismo Monárquico, a I República, o Salazarismo e…. agora estamos nesta II República cujos resultados são o que sabemos. Esbanjamento de dinheiro atrás de esbanjamento, líderes medíocres, crises, FMI, Troika e toda esta actual situação que nos confrange e nos devia fazer reflectir profundamente.
    E no entanto o nossos povo é tão trabalhador e realizador como outros que têm sucesso no plano nacional. Lá fora, com outro enquadramento político, a nossa gente marca ponto, e aqui...
    Por isso é que eu penso que mudar constituição e lei eleitoral talvez seja menos importante do que arrumar a nossa cabeça.

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  5. Desculpe mas acho que os que "marcam pontos lá fora" são iguais aos que ficam e, segundo diz, necessitam arrumar a cabeça...Questão de enquadramento politico? Claro que sim,,,Afinal, estamos de acordo, pelos vistos: é necessária (também) uma mudança politica que "enquadre" a nossa gente!

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  6. Pois é, Zito, é uma questão de enquadramento político e social. Mas o sucesso deste depende de um conjunto de predicados que não temos por razões que eu atrás deixei mais ou menos subentendidas mas que constituem matéria para um case study. Somos bons no improviso (desenrascanço) quando melhor seria que fôssemos capazes de organizar e planear com um sentido de prazo e não de imediatismo. E é este imediatismo que nos impede de, por exemplo, racionalizar que o investimento nas ciências e nas tecnologias é o único caminho que nos permitirá diminuir o fosso em relação aos mais avançados. Mas como isto é objectivo a prazo mais ou menos longínquo, não conseguimos tolher o impulso (primário) de acudir preferencialmente ao que enche a barriga ou engalana os egos repentistas.
    É evidente que há defeitos congénitos ou instilados na psique colectiva pela Igreja Católica e o seu braço tenebroso que foi a Inquisição: a inveja, a suspeição, a denúncia, o medo, etc. Repare que estes males reflectem-se na classe política e nos jogos políticos, e eis o busílis do nosso problema. Com o jogo político livre (liberalismo), parece que os nossos problemas afloram com mais evidência, porque é o curso da liberdade que não contém ou não controla a sua manifestação. Parece um paradoxo mas a ditadura (Salazar) foi mais capaz de joeirar a nata social para escolher os melhores políticos e governantes do que o jogo livre da democracia. Não é por acaso que nestes 40 anos de democracia já conseguimos derreter bilhões e no entanto estamos neste momento como estamos. E também não foi por acaso que fizemos uma descolonização vergonhosa. Tivesse ela sido conduzida por um poder ditatorial as coisas teriam acontecido de outra maneira.
    De resto, Portugal foi grande no passado porque foi projectado por um poder capaz mas de mão dura e tenaz (D. João II). O Infante D. Henrique era também um déspota, que não media meios para atingir os fins. Mas atingiu-os.
    Portanto, as raízes dos nossos problemas entrelaçam-se na tenebrosa herança da Inquisição e na impossibilidade de vivermos convenientemente em democracia. Há uma “autognose” que é preciso fazer mas há uma aprendizagem colectiva que se impõe. Mas onde estão os mestres para essa aprendizagem?

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