sexta-feira, 29 de agosto de 2014

[7328] - OPINIÃO DESCOMPROMETIDA...

FaceBook - Maria Verdiana

"Enquanto o governo afunda o país, a oposição dorme..."
Se o país está à deriva a culpa é de todos, incluindo a oposição.
País desgovernado.
Este é um artigo que não vai agradar a nenhum político de profissão.
Falaremos de fato da indolência cronica tando do partido do Governo (PAICV) como dos dois que estão na oposição (MPD - UCID).
O quadro de gestão do país é dramático. O desemprego é galopante, os transportes são desorganizados, as empresas do estado estão todas falidas, a saúde não dispõe de algodão, a segurança não consegue controlar quatro delinquentes e as políticas de desenvolvimento continuam a ser inexistentes.
Bem, se a responsabilidade e as falhas do governo são óbvias e evidentes, também está a ir mal o trabalho que deveria ser da responsabilidade das forças da oposição: nada de concreto para querer que o governo recupere um país que está á deriva.
Haveria condições para incriminar os indivíduos responsáveis pelas respetivas áreas, mas ninguém avança.
Haveria condições para trazer as pessoas para as ruas, mas isso é considerado muito perigoso pelos mesmos opositores.
Haveria condições para declarar que os cabo-verdianos, na verdade, tendo que pagar metade do salário para voar de ilha para ilha, estão sequestradas em sua ilha natal, mas mesmo neste caso, não levantam qualquer problema.
Haveria condições para fazer muito mais, mas nenhuma iniciativa é tomada.
A nenhum dos lados convém tomar medidas drásticas. Governo e oposição têm todo o incentivo para deixar as coisas como elas estão.
Trazer as pessoas para as ruas criaria um precedente perigoso porque, mais cedo ou mais tarde, este mesmo povo se iria revoltar contra aqueles que tomaram essa iniciativa.
Elevar o tom do debate político não convém minimamente á oposição porque poderia incentivar alguém para fundar um novo partido ou, pior ainda, um movimento de cidadãos de boa vontade.
Incriminar um colega político, mesmo se da oposição, não convém porque "a casta não ataca a casta."
Acusar de roubos e de abusos quem está no governo não convém porque, mais cedo ou mais tarde, mesmo quem está na oposição vencerá as eleições.
Em suma, para os três partidos que se sentam no parlamento, as coisas estão bem como estão.
Pouco importa ao político que tem um gerador se a Electra não fornecer energia.
Quem faz de político já tem um trabalho que é capaz de garantir economicamente toda a sua família até à segunda geração.
Quem faz de político tem descontos nos transportes e permanece nas salas VIP e é avisado a tempo, se os voos estão atrasados ou cancelados.
Quem trabalha como político trata-se no exterior e não arrisca a má saúde.
Quem se senta no parlamento tem uma longa lista de benefícios e privilégios que correriam o risco de perder ou de reduzir se a casta não permanecer unida.
Tudo isto é uma grande pena, porque as pessoas têm direito a um governo forte, capaz e eficiente e a uma oposição atenta, dinâmica e provocadora.
Se o país está à deriva a culpa é de todos, incluindo a oposição.
Cidade e Município de Santa Maria, 27 Agosto 2014

Adriano Evora

1 comentário:

  1. Haverá quem discorde do pessimismo do autor destas palavras? Dizer-lhe, por exemplo, que está a exagerar, que o cenário não é como o pinta, que os problemas sociais em Cabo Verde não têm esse rosto feio, que, enfim, as actuais dificuldades são uma etapa transitória para um futuro esperançoso? Bem, só dirá isso quem quiser fazer como a avestruz

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