quarta-feira, 3 de setembro de 2014

[7349] - ERA UMA VEZ, S. VICENTE...(1)


É a partir do reinado de D. João V que se começa a pensar a sério na colonização da ilha de S. Vicente.
Em 23 de Setembro de 1727, escrevia o rei ao Capitão–mor de Santo Antão e S. Vicente, pedindo detalhados esclarecimentos sobre as duas ilhas. Ordenava diligências minuciosas sobre as condições agro-pecuárias da ilha, seu clima e salubridade e qualidades militares e comerciais do Porto Grande.
Em Novembro desse ano veio a fundear no referido porto uma fragata de guerra sob o comando do coronel Álvaro Sanches de Brito, trazendo a bordo um engenheiro para estudar as fortificações que conviria levantar para defender o porto, cobiçado por franceses, ingleses e holandeses. Começava-se a reconhecer o valor militar do porto.
A fragata fez aguada em abundancia e o comando diz no seu relatório tê-la encontrado de boa qualidade na vizinhança da baía. Contra a opinião do engenheiro foi o comandante de parecer que à entrada do porto se poderiam construir duas fortalezas.
A fragata seguiu depois para Santo Antão, onde foi deixar uns soldados, e, voltando para S. Vicente, percorreu o comandante o interior da ilha, enviando apontamentos para informar El-rei.
Em 1737 são acusados os feitores de Santo Antão e S. Vicente de crimes de roubo de urzela. S. Vicente estava ainda despovoada, tendo sido ordenado em 16 de Novembro de 1743 que ficasse anexada a S. Nicolau. É em 1781 encarregado o bispo Frei Francisco de S. Simão, após uma visita que fez à ilha, de a mandar povoar. O prelado relatou a sua visita, tendo enviado para Lisboa amostras de sene, canafístula e tamarindos. Começa-se desde então a tratar do povoamento da ilha e em 1795 (22 de Julho), por uma provisão desta data, aceita o rei a proposta de João Carlos da Fonseca Rosado, morador na ilha do Fogo, que se ofereceu a ir com 50 escravos seus povoar a Ilha de S. Vicente, debaixo da obrigação de edificar uma igreja à custa da sua fazenda, paramentando-a e sustentando o pároco que ali residisse. Para esse fim achavam-se já dispostos e prevenidos 20 casais das ilhas adjacentes, além de outros que se tinham expedido do reino, para lançarem os fundamentos da povoação. 
Foi assim o referido Fonseca nomeado capitão-mor da ilha e para ela se dirige com 20 casais das ilhas e seus escravos. O lugar escolhido para a sua fixação tomou o nome de Nossa Senhora da Luz. Em 18 de Julho de 1797 lavra-se a escritura de concessão e, a 20, o Governador Marcelino António Basto deu solenemente a posse e comando da ilha ao 1º. Capitão–mor, João Carlos Fonseca Rosado, repartiu os terrenos pelos 232 primeiros colonos, demarcou os baldios de Câmara e os montados dos particulares, determinou o perímetro da nova povoação, a que deu o nome de D. Rodrigo, em atenção ao ministro Rodrigo de Sousa Coutinho, e ocupou-se em seguida da ordem e planos da mesma”… 
Em Novembro, o vigário geral já ali se encontrava e os colonos tinham já aberto 30 poços de boa água e feito muita sementeira de milho e algodão e trabalhavam na Salina.
Esta tentativa de povoamento vem porém a falhar, ausentando-se em pouco tempo os colonos para as outras ilhas, ficando nela apenas alguns que cultivavam o Monte Verde, que ainda hoje é um magnífico lugar de cultura.
Em 1814, Pedro Machado de Miranda pede, de sesmaria, a ilha, para à sua custa a cultivar e povoar com casais do reino e Açores. Tanto o ouvidor como o governador informam bem a petição, dizendo este, D. António Coutinho Lencastre, que “S. Vicente era uma das mais importantes ilhas de Cabo Verde, apesar da pouca atenção que ela tinha merecido até ali” …
João Gomes da Fonseca
“Separata do nº. 45 – Março de 1929”
“Boletim da Agência Geral das Colónias”

Pesquisa de A.Mendes


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