terça-feira, 21 de outubro de 2014

[7544] - O PRIMADO DA "CUNHA"...


O mais angustiante de tudo é perceber que os cabo-verdianos enraizaram a ideia de que para conseguir trabalho/emprego/sucesso aqui no país dependem exclusivamente dos seus contactos e da tal “mão amiga” ou “cunha”. Esta é a herança mais pesada e mais dramática desses anos de governação do PAICV liderado por José Maria Neves: a destruição do mérito e da crença nas nossas capacidades ilimitadas de ter sucesso pelo esforço do nosso trabalho. Logo a seguir vem o medo, o pânico de “pensar pelas nossas próprias cabeças”. Ironia pura, não é Amílcar Cabral?!


...oooOooo...


José Castilho - Colonização, colonização e mais colonizacão, será que conhecem a verdadeira história de Cabo Verde? Dos países da lusofonia foi o único que não foi colonizado, mas sim POVOADO, pois é POVOADO, o mérito deste povoamento deve-se a Portugal, que como trouxe coisas boas, também deixou coisas menos boas, como quer dizer o meu amigo Abraão Vicente... Temos uma auto estima muito por baixo ou em baixo, trabalhar ou conquistar com mérito enferma nas ajudas a qualquer preço, cunhas, compadrios, amizade, família, tudo vale, competência e empenho são as menos valias na apreciação aos candidatos.

5 comentários:

  1. Eu sou um Atlântido.
    Não aceitar a sua condição é fraqueza ou doença que necessita de sérios cuidados psiquicos. Nunca me coube na cabeça revoltar-me contra os meus Pais porque não me fizeram da cor negra de um meu avô ou branca de outro avô. Nunca me senti um complexado e, a cada vez que a ocasião se me proporcionou para definir a minha origem, começava por dizer "sou cabo-verdiano". A partir dai, e conforme a curiosidade do(s) meu(s) intermocutor(es) respondia da forma mais apropriada, com bom humor e boa educação, demonstrando que não era candidado a branco nem apologista da negritude, e que louvava os meus antepassados que tiveram a feliz ideia de pôr o leite no café de Santo Antão, terra da origem da minha côr morena. E nunca me encontrei mal em parte nenhuma embora tenha ouvido cobras e lagartos de neo africanistas. Africano sim mas cabo-verdiano, ilhéu.
    Antes mesmo de ter ouvido alguém o pronunciar "criei" o meu gentilico - sou um ATlÂNTIDO.

    ResponderEliminar
  2. Seria interessante ler:
    ARUIPÉLAGO DE CABO VERDE / por
    JOSÉ LOPES / Professor do Liceu / 1929
    (Excerto):

    ... As ilhas descobertas e perlustradas por Diogo Gomes, Noli e outros nossos famosos navegadores, ou pilotos ao serviço de Portugal, receberam de fora os primeiros elementos de povoamento.
    A nossa África, evidentemente, contribuiu com o maior quinhão, o que era caminho a seguir por natureza, sobretudo nesses tempos em que, como os irmão de José, os homens vendiam e compravam irmãos... Descobertas primeiro as ilhas de Sotavento e sendo a maior e mais rica a de S. Tiago, por esta começou o incremento populacional. Do intercurso das nossas navegações começaram a afluir elementos raciais de várias procedências, em tempos sucessivos; vinham do Reino próprio, dos Açores, da Madeira e, porventura, muito mais tarde, da Asia e da América, mais certo do Brasil. Como esses elementos heterogéneos se confundiram e unificaram, é deveras curiosíssimo, e o facto mais honroso que o que muita gente pensa para as aptidões colonizadoras de Portugal. E que eram nos primórdios heterogéneos prova-o o simples facto de cada ilha, cada povo, ter a sua "fácies característica" , inconfundível"...

    ResponderEliminar
  3. Para J.L. Cabo Verde eram as Ilhas Hespérides e, seus habitantes, hesperitanos...Em boa verdade, se não são iguais a uns ou a outros é porque são, necessáriamente, diferentes! E, pergunto eu, qual é, afinal, o mal?!

    ResponderEliminar
  4. Problema recorrentes sobre a identidade de Cabo Verde e dos cabo-verdianos ? Origem e agora uma questão lancinante qual é o destino destas ilhas hesperitanas ou macaronesianas?

    ResponderEliminar
  5. Esta conversa sobre a colonização de Cabo Verde faz-me lembrar o general Arménio Ramires de Oliveira, pouco antes de ele falecer em Dezembro do ano passado, aos 89 anos. Ele discordava em absoluto que esse estatuto se aplicasse a Cabo Verde, no pressuposto de que um território desabitado povoado por uma nação não podia considerar-se colónia. Dizia que se sentia em Cabo Verde como se estivesse na sua terra natal, em Bragança. Convém dizer a quem não saiba que o general prestou serviço no Comando Territorial Independente de Cabo Verde, entre 1959 e princípios da década de 60, nos postos de capitão e major. Ele tinha grande amor por Cabo Verde porque, entre outras razões, nasceu em S. Vicente uma das suas filhas. Lembre-se também que o oficial, durante o seu serviço em Cabo Verde, fez parte de um grupo de trabalho nomeado pelo então governador Silvino Silvério Marques para elaborar um plano para a prevenção das situações de fome que ciclicamente assolavam o território. Ele tinha muito orgulho nessa missão que prestou, dizendo que foi das mais gratificantes que teve na sua carreira. O general era um oficial de alta craveira e um Homem com H grande. Descanse em paz, Meu General!

    ResponderEliminar