sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[7578] - QUEM É QUE "EISPILICA"?!


XPLIKAM


PORQUÊ E COMO? 

...que da condição de país ex-território de Portugal que melhor falava Português, lá pelos anos 70s e 80s, passámos agora para um dos que pior fala, lê ou se expressa em Português? Se grande parte dos professores foram os mesmos durante estes anos desta alteração, o quê que mudou no ensino? 
Agora, nem Crioulo nem Português, nem nenhuma outra língua é falada e utilizada fluentemente e com qualidade pela grande parte dos cabo-verdianos. Porquê?
Quem sabe? César Schofield Cardoso, Germano de Almeida, os acérrimos defensores do Alupek, os defensores do bi ou multi linguismo nas escolas, os defensores da língua mãe e da língua comum? Quem? 
QUEM? Quem explica porque é que os jovens hoje não conseguem articular uma ideia, e tão pouco expressá-la oralmente? Nas reportagens da televisão, as respostas da juventude são: "sim, ... foi fixe, ... tá bom, foi giro, nunca tinha ouvido falar..." e pouco mais!  Isto é, os que conseguem utilizar este escasso vocabulário em Português, porque quando as respostas são em Crioulo, a quantidade de palavras, de expressões ou de ideias é reduzida a pouco mais do que " sabi, cool(Crioulo?), 'n ta gosta tcheu, 'n gosta sin, tav'interessante, foi fixe"!
Agora, venham lá, se fazem o favor, explicar que alupek é este?

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9 comentários:

  1. Pelas ruas da amargura que vai a prática da língua portuguesa haverá falantes correntes em Português em Cabo Verde daqui a 50 anos? Duvido

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  2. O problema agora ganhou foros de autêntica "demagogia" linguística ao invés da boa pedagogia da Língua portuguesa, que é a língua veicular do ensino, o idioma oficial do país, língua segunda do falante cabo-verdiano e a língua do desenvolvimento ténico, cultural e científico de Cabo Verde. Para além do mais, o português é o nosso primeiro veículo de comunicação com o exterior. Tantas, tamanhas e transcendentes funções e papéis que nós, seus falantes naturais lhe atribuímos ao longo de séculos! Para assim ser asfixiada, a Língua portuguesa? Por onde andam o cuidado, o afecto, o respeito que nos devia merecer esta vetusta Língua que é também cabo-verdiana? Que faz parte indissolúvel da nossa identidade? Quem são os responsáveis desta morte lenta e à sorrelfa que estão a infligir à nossa bela língua aqui nas ilhas? Sou defensora de uma sã convivência, entre as duas línguas, a crioula e a portuguesa, com as funções e os lugares respectivos, bem repartidos, com respeito mútuo e não, o "massacre" do português por que está a "estorvar" - na òptica destes iluminados de trazer por casa - o crioulo. Esta é a realidade linguística nacional! Considero isso um crime cultural!

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  3. É de lamentar que tudo isto tenha resultado da ausência de uma efectiva aposta na língua portuguesa, de permeio com a intenção de privilegiar o crioulo com um estatuto que dificilmente poderá alguma vez atingir. Mas mesmo na hipótese pouco provável de o crioulo vir a afirmar-se como língua escorreita em toda e qualquer espécie de comunicação e no ensino das áreas mais sofisticadas, sempre se colocará o cenário de os cabo-verdianos ficarem a falar sozinhos uns com os outros.

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  4. Coloquei isso no facebook
    Quando o problema da relação Crioulo e Português é debatido no ArrozCatum com duas opiniões bastantes balizadas de Ondina Ferreira e Adriano Miranda Lima. Recorde-se que o Movimento para a Regionalização não rejeita a hipótese da Oficialização futura dos Crioulo (e sublinhamos Crioulos, para que ninguém venha com tentativa de eleger um Crioulo legítimo (estão a ver a que refiro. Estamos a falar de um horizonte de décadas, depois de uma comissão independente séria se debruçar sobre esta questão), . De qualquer maneira esta questão embora não pareça está em cima da mesa do debate da Regionalização e será depois do debate do Modelo a 2ª questão em cima da Mesa. Estaremos atentos em relação a qualquer tentativa de fuga em frente. Não passaria pela cabeça de ninguém erradicar a língua portuguesa do convívio dos cabo-verdianos como alguns radicais fundamentalista pretendem. Sobre a Oficialização do Crioulo o Dr Baltazar disse em 1988 numa entrevista a um jornal português:
    Sobre a Oficialização do Crioulo foi o próprio Baltazar que numa entrevista em 1988 dizia:

    P. — Em Cabo Verde volta a agitar-se a bandeira do Crioulo como instrumento de criação literária. O dr. Baltazar, também linguista e filólogo, que tem para dizer-me?
    R. — Bom, há demagogia e ignorância. Esta temática do Crioulo é bastante complicada, e não é para qualquer. E evi¬dente que o Crioulo como língua natural, falado naturalmente, existe por si. Existe por si inapelavelmente. Agora como língua literária está dependente de dois pressupostos. Primeiro na realidade não há um Crioulo, há Crioulos. Qual será o Crioulo que deverá assumir este papel de língua literária no caso de poder vir a' sê-lo?

    Deixo isto à reflexão de quem tem pressa mas mesmo muita pressa.

    http://arrozcatum.blogspot.pt/2014/10/7578-quem-e-que-eispilica.html#comment-form

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  5. Caro Zito: Vou ter de pedir desculpas e voltar a entrar para continuar a minha indignação (que é afinal, bem semelhante à de todos os amigos que comungam este simpático espaço)pelo estado a que chegou a Língua segunda, no país.

    1 - O abandono é de tal forma galopante que os falantes lusófonos quando cá chegam - a Cabo Verde - sentem já dificuldades na comunicação com a geração actual (refiro-me a visitantes angolanos, brasileiros, portugueses, etc,) em português.
    O pior de tudo é a admiração que demonstram quando encontram uma pessoa que se expresse bem em português ... ao que se chegou, nestas paragens!

    2 - Encontramos a cada passo e cada vez mais, estudantes dos anos terminais do secundário, sem capacidade de desenvolver um raciocínio técnico, lógico e dedutivo; inábeis para o pensamento abstracto/filosófico tão necessário para a cultura e o saber do estudante finalista!
    Isto tudo a acontecer porquê? Não só devido à má preparação didáctica de muitos professores actuais, mas também devido ao desconhcimento e à falta de traquejo da língua de ensino, o português, um instrumento linguístico já bem elaborado, perfeitamente estruturado e devidamente preparado para apoiar o estudante cabo-verdiano a desenvolver o "cogito" que todos almejamos que o nossos estudantes alcancem quando fazem o percurso académico.

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  6. Sobre a situação linguística a Drª Ondina veio reforçar a sua ideia em mais um poste que todos deviam ler. Traçou um panorama deveras preocupante e peço-lhe desculpas para transcrever no facebook para quem de direito reflicta. Eu na minha carreira de 25 anos como docente universitário encontrei alunos com este problema que ela denuncia aqui e que sublinho. Existem jovens universitários com pensamento abstracto pobre, derivado, a meu ver, ao baixo uso da língua portuguesa e de não mais se ouvir esta língua no dia-a-dia em Cabo Verde.
    '''' Encontramos a cada passo e cada vez mais, estudantes dos anos terminais do secundário, sem capacidade de desenvolver um raciocínio técnico, lógico e dedutivo; inábeis para o pensamento abstracto/filosófico tão necessário para a cultura e o saber do estudante finalista!'''
    Amigos todos concordamos que o Crioulo é a nossa língua materna aprendida a amamentar da nossa mãe, mas privar os cabo-verdianos da fluência, pelo menos na língua portuguesa (para não falar do inglês e do francês), é um crime de uma irresponsabilidade que nunca ninguém poderá pagar. Privar os cabo-verdianos de falar minimamente o português no mundo global é como arrancá-los os dois olhos e a língua ao mesmo tempo. Mas a política libertária da esquerda caviar está a falar alto e bem alto e desde o 25 de Abril não se consegue uma normalização de Cabo Verde para se começar a reflectir os problemas de Cabo Verde com tecnicidade e sangue frio. É preciso pôr termo a demagogia como instrumento de políticas.

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  7. PS:Léxico A Esquerda Caviar foi um termo inventado em França nos anos 80 para desmascarar a hipocrisia de uma certa esquerda milionária dos salões parisienses que levavam uma vida milionária, despreocupado do mundo e da sorte das pessoas, muitas vezes na prática pouca solidária ou seja tinham a carteira à direita e o coração à esquerda. Esta esquerda é terrível, pois é dadora de lições mas que a prática não acompanha, o que descredibiliza a própria esquerda. Quantos em Cabo Verde se dizem de esquerda e fazem como um tal padre: façam o que digo e não o que faço. Portanto é muito fácil dizer-se de esquerda ou de direita como se alguma superioridade há nestas obediência ideológicas

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  8. A Dr.ª Ondina Ferreira vem, desde há muito, emitindo opiniões sábias e bem fundamentadas sobre esta problemática do Crioulo, uma problemática que não é de hoje mas que no pós independência nacional se tornou uma espécie de cavalo de batalha para alguns intelectuais de Santiago. Não que estes estejam em vias de espetar a sua lança em África, mas tanto tem bastado para que no inconsciente da nossa juventude se instale um sentimento de descrença, dúvida ou menor interesse para com a língua portuguesa. Receio que, mesmo sem se colocar o cenário desastroso em que o Crioulo se instale com o estatuto pretendido, a situação da língua portuguesa vai agravar-se continuamente. E porquê? Exactamente pela má preparação didáctica dos actuais professores, como refere a Drª Ondina Ferreira, e também por muitos deles (sobretudo os mais jovens) já serem vítimas da situação deletéria em que a língua portuguesa mergulhou em Cabo Verde. Imaginem agora o círculo vicioso que se cria e o panorama com que nos vamos deparar dentro de alguns anos, com todos os convenientes citados pela Dr. Ondina Ferreira a agravarem-se sem apelo nem agravo.
    Tenho acompanhado os artigos publicados pela Drª e lembro-me de que certa vez ela escreveu um texto intitulado o “Crioulês” (Expresso das Ilhas), que me serviu de mote para uma réplica em que manifestei a minha total concordância ( texto publicado no antigo Liberal), falando das minhas percepções sobre o que ela caracterizou, e muito bem, como “uma forma particular de comunicar e de se fazer entender, utilizada, sobretudo, nos “media”, pelos técnicos, pelos políticos e pelos professores da terra, que, parecendo, não querer exprimir-se nem em Crioulo, nem em Português, ou fugindo a isto, optam e fazem-no através desta espécie, híbrida, de compromisso, para uma fala situada entre o Crioulo e o Português.”
    Ora, tenho para mim que, se não houver uma inversão desta tendência, abrir-se-á caminho para um autêntico abastardamento daquilo que deve ser o nosso instrumento de comunicação, meio caminho para a liquidação definitiva da língua portuguesa chez nous. Creio que será até um cenário ainda mais ultrajante do que utilizar o Crioulo puro e duro como a tal língua oficial que nos distinga como nação. É que, assim, os portugueses, brasileiros ou angolanos, embora não nos entendam, sempre poderão dizer: “bem, os cabo-verdianos lá arranjaram a sua própria língua, e tiremos-lhe o chapéu pela originalidade”. Diferente e mais grave, para não dizer vergonhoso, será virmos a ficar limitados, por indução natural, a essa “língua híbrida”, pela impossibilidade da almejada afirmação do Crioulo e por entretanto as competências no uso do Português se terem degradado, mas restando-nos deter alguns resquícios daquela língua por necessidade de comunicação com os nossos parceiros da CPLP, isto desde que eles consigam pescar os salvados da língua portuguesa na salganhada do “Crioulês”. Obviamente que a impressão com que ficarão aqueles parceiros não será nada abonatória a nosso respeito, a menos que se previna e recorra, por consenso casuístico, a uma outra língua estrangeira para a comunicação entre todos, mas solução nada recomendável quando a intenção oficialmente consolidada é que a CPLP seja o espaço de afirmação de uma língua comum. Vejam a que cumes pode ir o absurdo por causa da simples estupidez humana!
    Meus caros, para mim será a maior desfeita para a imagem que se tinha antes do cabo-verdiano, povo sempre considerado dotado de maior capacidade cognitiva do que os seus parceiros das ex-colónias, mas que hoje parece incapaz de perceber a importância de uma língua comum num enorme espaço de aglutinação cultural (CPLP) e num mundo global em que a língua portuguesa ganha terreno.
    Haja luz nos espíritos!





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