domingo, 5 de outubro de 2014

[7491] - POEIRA DOS TEMPOS...


Esta foto, não é tão antiga como isso: data de 1956 e foi obtida num dos bares do paquete "Vera-Cruz", fundeado na baía do Porto Grande...
Localizei-a, hoje, no fundo de um baú de recordações e a sua importância reside no facto de fixar a imagem de um homem cujo destino continua a ser  um enigma, o meu amigo Henrique Pereira...


Como muitos, decerto se recordam, Henrique era um jovem madeirense, industrial de calçado na fábrica de seu pai e se seu tio mas, e sobretudo, o homem que fez cinema de longa metragem em S.Vicente, nos anos 40/50, sendo guionista, operador de câmara, montador, produtor e realizador de alguns "westerns" e do drama "Segredo dum Coração Culpado", cuja única cópia desapareceu, misteriosamente, segundo consta, na Alfandega de Dakar...
Faço esta postagem como preito de homenagem a um amigo que muito admirei,  um dia desaparecido numa viagem ao Brasil, um pioneiro a quem o Mindelo é capaz de dever algum reconhecimento!



10 comentários:

  1. Mais uma revelação interessante, um subsídio para a história do Mindelo.

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  2. Acompanho o Zito na expressão do seu sentimento, ainda que nunca tenha conhecido o Henrique Pereira.

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  3. Lembro-me muito bem do filme em que participou Dante Mariano exibido no Cruzeiro, ao ar livre na cidade da Praia, pela firma que Fernando de Sousa dirigia em simultâneo com a Agência de Navegação Marítima. Não me lembro da data mas como tive uma adolescência precoce o filme faz parte do registo das minhas preferências na minha cronologia do Facebook. Concordo que ao realizador Henrique Pereira, Mindelo terá alguma razão para dele guardar boa memória como um registo cultural.

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    1. Dou as minhas boas-vindas a mais este confrade e confirmar que o o Grande Dante Mariano fazia, nesse filme, o papel de padre que, a certa altura, se benze...com a mão esquerda...Só se verificou quando o filme veio de Lisboa onde fora para revelação...Já nada se podia fazer e creio que muito pouca gente terá notado. Acrescento que o fundo musical desse filme era da minha lavra, a partir de discos de vinil, de musica clássica...Tempos épicos, meu amigo!

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  4. Bem haja Zito! por trazer à nossa memória cultural-fílmica, o tão afamado e já lendário filme «Segredo dum Coração Culpado». Quando miúda em S. Vicente a estudar Admissão aos Liceus, ouvi falar dele e muito, pelos famíliares mais velhos. Correram rumores que o filme teria sido destruído (?) em Lisboa?... em Mindelo?... e não ficou cópia alguma. Agora vejo que se perdeu na alfândega de Dacar. Muitos anos se passaram...é pena que nada dele tenha restado. Já agora um desafio, a quem souber e ao nosso Zito, em primeiro lugar: Seria capaz de reconstituir o argumento do filme? Em que consistia o drama? Qual era o segredo? Onde se desenrolaram as filmagens' Tudo em S. Vicente? para além de Dante Mariano (se calhar o "galã" do filme) quem mais? Actores, e actrizes? Figurantes?. Que trechos musicais usou para o "fundo musical desse filme"?
    Obrigada e abraços

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    1. Minha cara amiga, esse pedido vou satisfaze-lo com indizivel prazer, embora com as limitações de algo, velho de quase 60 anos...O filme foi estreado no Parque Mira-Mar, em 26 de Novembro de 1955, com o projector a meio da sala para que a projecção não ultrapassasse as dimensões do écran...Os galã era o Antonio Silva (Puntchinha) e a "vamp" a Anita Tedde. Havia ainda o Basílio Tavares (pai da vamp), Dante Mariano (pároco) Mário Matos e Manuel Santos...A história passa-se no Mindelo e termina na Chã de Cemitério e conta o drama de uma linda moça colocada entre dois amores tendo que lutar contra o próprio pai tirano que recusava ferozmente o romance da filha com o nosso herói porque, como se veio a revelar nas ultimas cenas, eram...irmãos! O filme termina com o pai (Basilio) prostrado sobre a campa da filha morta em condições trágicas, fincando os dedos na terra humida até ao estertor final, qual sentença divina por não ter conseguido evitar o incesto para não revelar um segredo de uma paternidade extra-conjugal que carregou no seu coração, até à morte!
      Quanto à música, havia sons de Mozart, de Wagner, de Elgar e muitos outros, "roubados" aos discos da vinil da discoteca do Rádio Clube Mindelo. Foi um trabalho sem rede, que tinha que ficar bem à primeira pois não havia possibilidades técnicas para repetir...Deu para um longo suspiro de orgulho!
      Como já escrevi antes, foi um tempo épico!
      Braça...

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  5. Vou acrescentar duas palavrinha, pedindo de antemão desculpas aos que não concordarem. Ê o direito de cada um discordar e aceito. Cada um tem o seu livre arbitrio.
    Quando o Henrique fazia o "casting", era na altura em que participei nos teatros do Castilho, Amarante a Académica. Fui sondado pelo Franco Frusoni (talvez a pedido do Henrique) para aceitar o papel de padre. Eu não podia recusar isso ao Franco que me tinha introduzido junto do Pai para a ajuda impagàvel. Sucede que sai de Cabo Verde logo apôs o teatro da Académica e là se foi o "padre" cantar a missa em terras muçulmanas: - Dakar. (Ver o livro "O Teatro é uma Paixão, a Vida é uma Emoção".

    Para a Dra. Ondina Ferreia e quem mais se interessar.
    O Henrique levou o filme para projecção em Dakar e, antes de ir à Alfândega para o respectivo despacho, a pelicula foi caçada por um funcionàrio mais zeloso que decretou (e pôs) fogo. Jà tinha deixado Dakar e, estou certo que, na minha qualidade de funcionàrio (cabo-verdiano) da Embaixada de Portugal, tudo faria para impedir essa maldade. Hoje posso dizer que o Henrique foi traido (não era do partido).
    Como não havia côpia nenhuma, dizem que isso abalou o Henrique para não se levantar mais.

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  6. Queridos Amigos:
    Muito e muito obrigada pelos vossos esclarecimentos e históricas informações!
    Foi bom conhecer - eu e mais leitores - os actores, o enredo e as condições em que foi erigido esse lendário filme e a infeliz trajectória final da película. O filme ao que parece, marcou - de forma indelével - a nossa (parca), cinematografia cabo-verdiana, uma vez que não caiu no esquecimento. Há quem fale ainda das peripécias que rodearam as filmagens, como se o passado disso ainda estivesse perto e vivo! Interessante!

    Para Zito e Valdemar um "Xi" coração!

    Abraços
    Ondina

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  7. Bom dia. Só há pouco li os vossos comentários sobre o filme "Segredo de um coração culpado", de Henrique Pereira, Não conheci Henrique Pereira nem vi o filme, mas quero acrescentar que, há pouco mais de 20 anos, uma das minhas tias deu-me, em Boston, duas grandes bobines destinadas ao Sr. Tuta Melo, dizendo-me que continham um dos filmes realizados em São Vicente, no qual o meu então já falecido tio, Humberto (Bebé) Feijóo, contracenava com o Sr. António Puntchinha, salvo erro. Não sei em qual dos filmes de Henrique Pereira participou Bebé Feijóo, mas tenho a certeza de que foi num deles, e a minha tia tinha receio de que a cópia - ou o original de que era detentora - se perdesse. Entreguei as bobines ao Sr. Tuta, em São Vicente, que na ocasião disse-me que ia tentar reabilitar um projector para vermos o filme, o que, creio, não conseguiu. Após a partida do Tuta, perguntei ao meu sogro John, filho do Tuta, se sabia que destino tomaram as citadas bobines, mas ele pura e simplesmente desconhece o assunto e não me pôde ajudar, apesar de ter perguntado a outros familiares se sabiam da existência da dita película.

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  8. Bom dia. Só há pouco li os vossos comentários sobre o filme "Segredo de um coração culpado", de Henrique Pereira, Não conheci Henrique Pereira nem vi o filme, mas quero acrescentar que, há pouco mais de 20 anos, uma das minhas tias deu-me, em Boston, duas grandes bobines destinadas ao Sr. Tuta Melo, dizendo-me que continham um dos filmes realizados em São Vicente, no qual o meu então já falecido tio, Humberto (Bebé) Feijóo, contracenava com o Sr. António Puntchinha, salvo erro. Não sei em qual dos filmes de Henrique Pereira participou Bebé Feijóo, mas tenho a certeza de que foi num deles, e a minha tia tinha receio de que a cópia - ou o original de que era detentora - se perdesse. Entreguei as bobines ao Sr. Tuta, em São Vicente, que na ocasião disse-me que ia tentar reabilitar um projector para vermos o filme, o que, creio, não conseguiu. Após a partida do Tuta, perguntei ao meu sogro John, filho do Tuta, se sabia que destino tomaram as citadas bobines, mas ele pura e simplesmente desconhece o assunto e não me pôde ajudar, apesar de ter perguntado a outros familiares se sabiam da existência da dita película.

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