terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

[7751] - UMA LINGUA DE OITO SÉCULOS...

Arsévio F. Pina
Meus caros, no blogue "Praia de Bote" está um artigo do nosso Arsénio que vocês têm de comentar. Eu e o Valdemar já lá fomos.
Comentei assim:
"Arsénio, este texto esteve na gaveta desde Julho do ano passado, rapaz? Mas porquê? 
Soberbo, meu caro. Tem razão o Valdemar quando diz que este artigo tem de ser vertido em outros blogues e jornais, e reeditado as vezes necessárias, para  que os fundamentalistas do crioulo fiquem com a lição “prindid”. E a respeito de “prindid”, transcrevo esta tão lúcida como curiosa afirmação da mãe do miúdo perante o teu mano Viriato: “ Criol el nascê prindid; m´pol na scola pal prendê purtuguês!”. Isto é o máximo, rapaz! Pergunto como uma cidadã comum, provavelmente de poucas letras, consegue ver mais longe que alguns nossos pseudo intelectuais.
Mas quando dizes no início do texto que, “sendo a matriz do crioulo  o português, o seu aperfeiçoamento com o estudo, a aquisição de vocábulos e o tempo, fá-lo-á aproximar-se cada vez mais do português, como todos os outros crioulos da respectiva matriz, confundindo-se com esta…”, estás a cometer um verdadeiro sacrilégio aos olhos dos fundamentalistas, meu caro. E porquê? Porque o que eles querem é o contrário, que o crioulo se afaste cada vez mais da fonte poluidora, a sua língua-mãe, por incrível que pareça. Para eles, o leite materno traz um veneno qualquer que tem de ser depurado com todos os filtros possíveis, ou então traz no seu paladar indesejáveis reminiscências que têm de ser lavadas para sempre da memória colectiva. Inventaram o ALUPEC e não tardará que comecem a inventar vocábulos estapafurdiamente rebuscados numa matriz imaginária só  visível aos olhos de lunáticos ou esquizofrénicos.
Eu nunca suporia possível semelhante miopia mental da parte de alguns nossos patrícios. Claro que eles têm direito a fazer os exercícios intelectuais que entendam, mas que o façam no solidão dos seus gabinetes e vedem as portas e as janelas. 
Arsénio, foi um gosto ler este artigo. Oxalá a Dr.ª Ondina Ferreira intervenha e comente porque sabe muito mais desta matéria do que os navegantes deste blogue." (Adriano Miranda Lima)

2 comentários:

  1. Da comemoração de oito séculos de língua portuguesa; um artigo a não deixar de ler, do amigo Arsénio de Pina em que analisa a relação entre o português e o crioulo sem demagogias nem o politicamente correcto do sistema. Como ele demonstra brilhantemente é tão evidente como água que estas duas línguas têm que ser preservadas e cultivadas em Cabo Verde: só se pode falar um bom crioulo se se aprender o português ou o francês ou o inglês, línguas matrizes, lexicalmente, gramaticalmente e estruturalmente. No meu entender de profano, os crioulos de todo o Mundo, sejam quais forem, não podem viver sem essas línguas matrizes Agora uns aprendizes de feiticeiro, ajudados por políticos incultos ou demagogos, acham o contrário que quanto mais fecharmos no crioulo e somente no crioulo melhor.Outros pedem urgentemente a implementação do crioulo, queimando etapas. Isto é não ver um palmo em frente do nariz. Eu sou da opinião que não há condições para substituir o português, o que constituiria na prática na sua erradicação em cabo Verde.

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  2. Quando nos primeiro e segundo anos do Liceu Gil Eanes procurava alguns dos condiscipulos (alguns fora da minha turma) para os ouvir falar as suas variantes do crioulo sem nenhuma intenção de "fazê buze". Lembro-me dos irmãos Carlos e Viriato de Barros (Brava), Mário Pais, Chico Vieira (Santiago), do mais estroina de todos, o foguense Catita (sua nominho), além de muitos outros. De Sintantom havia o Amaro mas este falava soncente. Com cada um procurava aprender sem pensar fazer uma ordem classificativa e estava longe de pensar que havia de encontrar, anos depois, niilistas e bairristas para descobrir mais uma variante tão desnecessária como antipática por eliminar a primeira letra do nome da nossa terra, trocando-a por "K" de múltiplo uso, contribuindo para que ela (a letra K) ganhe galões de antipatia.
    Assumo ser misoneico e assaz "chauvin" para aceitar horriveis modernices que não passam de tiradas megalomànicas de ceaucesquianos. Que cada um fique com o que tem ou quiser.
    Força Arsénio. Estamos juntos.

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