sábado, 28 de março de 2015

[7946] - TERCEIRIZAR, É PRECISO...

Cândido Rodrigues
Cândido Rodrigues, deputado nacional do Movimento para a Democracia eleito pelo círculo eleitoral Américas, pede mais qualidade para preencher os lugares de Presidente da República, Primeiro-ministro e deputados de nação. Este desabafo do ex-coordenador ventoinha, que agora pertence à ala de dissidentes do MpD nos EUA, surge na sequência da aprovação do novo Estatuto dos Titulares dos Cargos Políticos.
Estatuto Titulares de Cargos Políticos: Deputado do MpD nos EUA pede um “outsourcing” da classe política.

Cândido Rodrigues começa por dizer que sempre pensou que a política, sobretudo a “alta política”, fosse uma questão de vocação. Mas descobriu agora que se enganou profundamente ao ver a proposta do novo Estatuto dos Políticos aprovada no Parlamento esta semana. “Vergonhosa, e sobretudo um sinal claro de que vivemos num país de pouca vergonha. Pensei também que a política era o chamamento interior em prol da pátria, com direitos a sacríficios e tudo, pois servir o seu povo é diferente de servir-se a si próprio.Também enganei-me profundamente, e vejo altos dignatários do meu pobre País a fingirem que afinal não estão interessados em falar deste assunto porque é um mal menor”.
Perante esta situação, este eleito nacional questiona se não é altura de recorrer ao “outourcing” para preencher os lugares de Presidente da República, Primeiro-ministro, deputados e outros altos cargos políticos no país. “Se tenho que pagar mais, então quero ter garantia de qualidade! Realmente, o que é bom deve-se pagar caro mas este conceito não se aplica à nossa classe política porque não defende o povo. Temos corruptos, vigaristas e sobretudo pessoas que vêm de uma grande miséria e que sai da política com uma grande fortuna”, afirma.
Cândido Rodrigues mostra-se agastado e defende que o povo de Cabo Verde precisa abrir os olhos. “Isso foi sem margens para dúvida a maior afronta contra este povo pobre e miserável. Temos professores em manifestações diárias, médicos mal pagos, polícias sem recursos e com um salário de miséria, uma função pública que recebe uma merenda e um parlamento que aprova uma proposta vergonhosa para a classe política”.
Sem deixar margens para qualquer especulação, este eleito nacional diz estar indignado, sentir-se envergonhado e afirma que precisa pensar bem se vale a pena continuar metido nisso. “Agora entendo as guerrilhas das listas e os interesses instalados. Uma vergonha”, conclui. (in A Semana)

1 comentário:

  1. Este homem tem toda a razão no que diz, e aplaudo-o. Sempre pensei que os servidores públicos em Cabo Verde, nomeadamente a classe política, deviam sentir no fundo do coração um apelo secreto para servir só por servir. Sim, o país é pobre e a sua população vive nos limites da miséria, pelo que o serviço público devia ser uma inspiração de vida, um encontro com a razão de ser e estar. Mas, afinal de contas, estamos todos enganados, e não só de agora. Há muito que se apercebeu de que a independência de Cabo Verde mais serviu para criar um Estado à sombra do qual se acolhe gente que não teria outras saídas para as suas vidas. Um aparelho de Estado despudoradamente inflacionado, sem paralelo com o que havia antes da independência do território. Por isso, dificilmente sairemos da cepa torta, porque nenhum país tem futuro onde existe um Estado criado para se servir a si próprio e... aos amigos e correlegionários.

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