segunda-feira, 13 de abril de 2015

[8005] - A PROPÓSITO DA CIMEIRA DA REGIONALIZAÇÃO...

José Fortes Lopes
Até parece não ser verdade mas vai ocorrer durante os dias 14 e 15 deste mês de Abril a dita Cimeira da Regionalização, no sigilo, sem grandes propaganda nos media, para além da notícia no Jornal ANação, quando se sabe que este regime não é pródigo em propaganda. Mas a regionalização, importante para Cabo Verde, não interessa ao regime publicitar muito, um regime muito pouco interessado em Reformas e Mudança já que, SEGUNDO ELE, está tudo bem e quando as pessoas reclamam é que não têm razão, etc.
Recordem que este assunto veio a público em 2010, mas andava a ser discutido em S. Vicente desde os inícios dos anos 2000, para além de ter sido levantado durante as legislaturas do MPD nos anos 90. Mas, o pontapé de saída deu-se com a iniciativa da Diáspora, que se juntou aos residentes, nomeadamente, os de S. Vicente, que têm denunciado perante o Mundo as trágicas politicas centralistas que têm vitimado todas as ilhas periféricas, nomeadamente, S. Vicente, que se encontra numa situação de marasmo social e económico, aquela que era a ilha mais importante do arquipélago. Esta Cimeira deveria ter sido efectuada em Novembro mas foi adiada... Recorde-se que não tinha sido convidado para esta Cimeira nenhum elemento activo na reflexão desta problemática (houve dezenas de cidadãos na Diáspora e em Cabo Verde que contribuíram com artigos de opinião) tão pouco o Grupo de Reflexão da Regionalização, sediado no Mindelo. Recorde-se que este Grupo emitiu, em Novembro passado, um comunicado criticando a forma como esta Cimeira se realizava. Desta vez, o Grupo recebeu para estar de corpo presente, um convite, mas somente para escutar o show off  ‘dos especialista’,  pessoas que nunca disseram nada sobre nada e agora aparecem de repente musculadas pela sabedoria... 
Mas, a primeira fase desta discussão tinha que ser política: saber se o regime quer ou não quer regionalização, olhos nos olhos, entre os principais políticos do país (Pai, Mp e UCid),  a sociedade civil e os movimentos que se engajaram neste combate. Depois disso partíamos, dávamos luz verde a congressos, estudos académicos, etc e todo o tipo de actividade académica e de investigação. Assim, estão a matar a ideia ela mesma e já estou a ver o cozinhado e o sabor de tudo.
O que tem dito o convidado Germano Almeida sobre Regionalização e outros assuntos sociais e políticos que têm assolado cabo Verde?  Alguma vez se engajou neste tema?  Qual é a razão da sua presença?
Bom, eu não espero nada deste congresso pois é a consagração do centralismo na Praia e em Santiago: tudo o que for feito acabará por ser decidido segundo os interesses deles e da elite que quer o status-quo. 
Como tinha expresso anteriormente, para um evento académico deste tipo concordaria com o convite de especialistas estrangeiros para palestrar. Para além do Prof Freitas do Amaral ( que me parece um convidado do Onésimo), especialistas alemães, suíços, franceses, espanhóis e porque não, americanos, que têm regionalização nos seus países, ou seja, experiência e legislação.
Porque não convidaram o então Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio?
Para além disso, vejo mais gente de Sotavento, gente académica, ex-estudantes, talvez alguns docentes da Unicv.,  etc., neste encontro. Pouca gente de Barlavento por exemplo, o deputado Humberto Cardoso, o Tony Pascoal, Manuel Fernandes, Brito Semedo, Carlos Fortes Lopes, António P. Silva, Arsénio de Pina, Luiz Silva,  Eva Caldeira Marques,  Marcos, etc. Isto dá uma ideia do Cabo Verde do século XXI, o grau de marginalização, desertificação humana da ilha e como ela foi reduzida á sua expressãomais simples... Esta ilha, no passado, tinha gente que dava cartas no arquipélago e no Mundo. Os seus cidadãos eram escutados. Tudo o que acontecia de importante, social, político ou cultural no arquipélago, era ali que acontecia. A independência de Cabo Verde foi conquistada ali!  Mas desde que entrou o Paigc, infelizmente, podemos considerar que ela perdeu importância progressivamente, ao ponto de hoje ser uma sombra daquilo que já foi. É esta a razão da nossa luta.
De qualquer maneira considero que é preciso ir mais longe do que a Regionalização e as minhas ideias de há 2 anos já estão ultrapassadas e há dias apresentei um conjunto de ideias para reformar Cabo Verde. Pelo que o conteúdo do debate já está ultrapassado...
 Em relação a isto tudo só posso dizer que temos que esperar que o MPD/UCID ganhem,  para falar seriamente com esses dois partidos pois, com o PAICV,  é pena perdida.
Vou anexar a COMUNICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO GRUPO DE REFLEXÃO PARA A REGIONALIZAÇÃO DE CABO VERDE SOBRE CIMEIRA DA REGIONALIZAÇÃO, QUE FOI PUBLICADO, ONTEM, NO ARROZCATUM.

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