sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

[8722] - REFLEXÕES SOBRE A REGIONALIZAÇÃO...

Mindelo, 03 Dez (Inforpress) – O presidente da Associação Grupo de Reflexão para Regionalização de Cabo Verde (AGRRCV) considerou hoje que a ilha de São Vicente tem “todas as condições” para ser um “polo de experiência” de regionalização em Cabo Verde.


Camilo Abu-Raya, que falava em conferência de imprensa, no Mindelo, para lançamento do encontro/debate “Regionalização: a solução - o caso de São Vicente", previsto para este sábado, no auditório da Universidade do Mindelo, explicou que a ilha “está preparada” para a regionalização e que, por isso mesmo, o grupo propõe falar de São Vicente como região experimental para a regionalização.

Os oradores serão o economista Gualberto do Rosário, e o professore universitário e especialista em assuntos do mar, Manuel Vicente.

Embora sem avançar os conteúdos previstos para as comunicações dos dois especialistas, Camilo Abu-Raya considerou que o essencial é falar de um “Estado à altura dos seus cidadãos”, pois “aquele que temos hoje” é “bastante centralizado”.

“Parece que há dois tipos de cidadãos em Cabo Verde, aqueles que vivem na Cidade da Praia, não confundir com ilha de Santiago, e os outros que residem nas demais ilhas, sem qualquer saída”, concretizou a mesma fonte.

É que, para a AGRRCV, “cada vez mais”, o Estado, em Cabo Verde, “distancia-se dos seus filhos” com um desemprego que “mete medo”, empresas que “encerram portas” e a delinquência juvenil a “ganhar terreno”, o que “interpela e clama” por uma cidadania “mais activa”.

Camilo Au-Raya vai mais longe e admite que “ganha as eleições em São Vicente” no próximo ano o partido que apostar na regionalização, pois o trabalho que a AGRRCV fez “em todos os bairros e arredores” de São Vicente, em três anos, pelos contactos com as pessoas, “dizem” que “mais de 80 por cento” da população sanvicentina está com a regionalização.

A AGRRCV, assinalou a mesma fonte, já tem “a anuência” dos dois partidos da oposição, nomeadamente o Movimento para a Democracia (MpD) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) na questão da regionalização, mas do PAICV diz não ter obtido “feedback”, apesar das solicitações do grupo.

“O MpD e a UCID estão dispostos a assinar um compromisso antes das eleições com a AGRRCV, o que será feito através de um acto público”, lançou Camilo Abu-Raya, que explicou que “preto no banco” ficará estabelecido que, caso vencerem as próximas eleições legislativas, levarão esse assunto ao Parlamento para ser debatido e para criar as condições para a sua concretização.

“Mas seria bom que todos os partidos aderissem, seria o ideal para nós, que haja consenso nacional sobre a regionalização”, concluiu Camilo Abu-Raya.

A Associação Grupo para Regionalização de Cabo Verde, com sede no Mindelo, legalizada há três anos com base na lei das associações, é um espaço de cidadania que tem “apostado na promoção e divulgação” da necessidade de o país se descentralizar em Regiões Político Administrativas.

A associação, que já trouxe a São Vicente para proferir conferências sobre o tema regionalização, figuras portuguesas como Freitas do Amaral, Adriano Moreira e Rui Rio, estabelece que “só a descentralização em Regiões Político Administrativas” tarará competências e meios para se decidir “in loco” que planos, projectos, desenvolvimento e prioridades são melhores para as regiões ou para cada ilha.

AA/FP
Inforpress/Fim

1 comentário:

  1. "Região sim! Cada ilha não! Não! Por amor de Deus....
    .... Tínhamos amanhã um "Cesária Évora" ou um "Mandela" na Porto Novo.... e uma Universidade no Paul ( Sem ofensa para a minha querida ilha de Santo Antão)

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