sábado, 23 de janeiro de 2016

[8840] - ONÉSIMO, O REGIONALISTA...

Dia de São Vicente: Onésimo Silveira volta a levantar a bandeira da regionalização!

O diplomata, escritor e ex-presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Onésimo Silveira foi homenageado esta sexta-feira,22, durante sessão solene alusiva ao dia do município.No seu discurso Silveira centrou as suas baterias na luta pela regionalização, que considera ser um prolongamento da luta pela Independência. Num tom crítico o ex-autarca defendeu que, sem "a regionalização, a república de Santiago irá escravizar” a ilha do Monte Cara...

Onésimo Silveira entende que a “república de Santiago está a esmiolar São Vicente” que não tem poder regional. Mas, está convicto de que este cenário vai mudar para que a ilha do Monte Cara recupere a sua dignidade e alcance um novo patamar. "Mais depressa do que pensamos, São Vicente vai ganhar a batalha da regionalização para atingir um patamar superior em nível da Administração Pública”, advogou o ex-autarca para quem a excessiva regionalização que se instaurou no país foi obra do arrastamento do partido único.

Na mesma linha o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves também contestou a centralização do poder que a seu ver tem prejudicado o desenvolvimento da ilha do Porto Grande.

“Não se consegue que uma Nação possa viver e, sobretudo, prosperar com uma forte centralização governamental. A centralização só serve para limitar os povos a ela submetidos porque tende continuamente a diminuir-lhes o espírito da cidadania.Por muito sapiente e esclarecido que possamos imaginar o poder central ele não pode abarcar sozinho todos os pormenores da vida de um grande povo, não pode porque uma tarefa dessas ultrapassa as forças humanas”, entende Neves.

Corroborando o edil sãovicentino, Jorge da Luz, líder da bancada do MpD, defendeu que é preciso devolver à ilha de São Vicente a sua vocação apostando nas mais diversas áreas como a economia do mar, a cultura e o comércio.

“Temos de apostar em políticas que tem como fim o desenvolvimento da dignidade humana, centrado na juventude, na família e numa sociedade cada vez mais próspera. Isto só é possível dando a São Vicente a possibilidade de realizar a sua vocação que esta região sempre teve. Esta vocação nos impele a colocar em destaque a cultura, o desporto, o mar, o comércio, a indústria ligeira, sem esquecer que nos dias de hoje o empreendedorismo e o turismo devem ocupar os seus devidos lugares”.

Entretanto, Alcides Graça, líder da bancada do PAICV na Assembleia Municipal, realçou que apesar dos tempos áureos São Vicente deve deixar o discurso saudosista ancorada ao passado para redesenhar o seu desenvolvimento no contexto actual.

“O nosso passado certamente nos orgulha. Mas, por mais venturoso que tenha sido não podemos ficar fundeados nele, colocando em risco os desafios do presente e a projecção do futuro que temos pela frente. São Vicente precisa urgentemente de resituar-se nos saberes económicos e cultural que é estruturalmente diferente do contexto quando a ilha era o principal pólo cultural e económico do arquipélago.”

In A Semana

5 comentários:

  1. Sem qualquer dúvida o m´rito do Onésimo Silveira.

    Não resisto a comentar as palavras de Alcides Graça, líder da bancada do PAICV na Assembleia Municipal, quando diz que apesar dos tempos áureos São Vicente deve deixar o discurso saudosista ancorada ao passado para redesenhar o seu desenvolvimento no contexto actual”. Esmiuçando as suas palavras, a notícia transcreve:

    “O nosso passado certamente nos orgulha. Mas, por mais venturoso que tenha sido não podemos ficar fundeados nele, colocando em risco os desafios do presente e a projecção do futuro que temos pela frente. São Vicente precisa urgentemente de resituar-se nos saberes económicos e cultural que é estruturalmente diferente do contexto quando a ilha era o principal pólo cultural e económico do arquipélago.”

    Presumo que este é dos tais que são mais fiéis ao partido que ao povo que representam. O que ele diz é um desses chavões baratos e sem conteúdo. Como pode S. Vicente fazer isso se lhe são retirados os instrumentos políticos e financeiros necessários? Imaginem, “resituar-se nos saberes económicos e culturais”! Ninguém deve ter pedido a esse deputado municipal para traduzir por miúdo as suas palavras. É precisamente a autonomia regional o veículo para alcançar esse desiderato. Mas ele não só discorda da regionalização como deve ter a fidelidade ao partido como o móbil da sua consciência como política. Apetece-me dizer um palavrão proferido pelo almirante Pinheiro de Azevedo, antigo primeiro-ministro, depois de ter sido sequestrado na Aseembleia Nacional.


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  2. Com a gente que temos presentemente e a forma como aderem a partidos, sem se lembrarem de que têm a obrigação de defender os eleitores, somos obrigados a ter saudades de figuras que no passado lutaram como touros na arena para obter quanto possível para Cabo Verde.
    Como não havemos de lembrar o passado se havia amor à terra e não a deuses pré fabricados ou a lideres que escolhem a quem proteger? Não!!! Temos de procurar, quanto antes, uma política que adeque com o espaço e o tempo. Não podemos esperar mais

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  3. Vi algures, de um caboverdeano puro e duro, a frase que transcrevo:
    "O Onésimo não é uma virgem impoluta mas é um cidadão de excepcional valor cívico e intelectual. Admiro sobretudo a sua têmpera e a sua capacidade de resiliência".
    Assino e aplaudo.

    Eduardo Oliveira

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  4. Quis escrever "móbil da sua consciência política" e saiu "consciência como política"

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  5. Goste-se ou não goste-se dele, Onésimo Silveira é uma figura marcante de Cabo Verde do século XX : um intelectual excepcional que deu uma grande contribuição para a independência de CV, um presidente da câmara de S Vicente durante uma década que deixou obra política na ilha (não estou aqui a fazer o balanço, deixo para outra ocasião) e um pensador (de resto tem estado tanto na retaguarda como na linha da frente, sempre que tal exige, no debate da Regionalização).
    Segundo Onésimo a excessiva centralização que se instaurou no país foi obra do arrastamento do partido único. É o que andamos a dizer. Para perceber as enfermidades e os males de que sofre Cabo Verde temos que nos recuaar ao partido único , daí que a nossa missão é cívica, mas também social e política. É por isso que os que se opõem à Regionalização são os mesmos conservadores que foram contra a instauração da verdadeira democracia em CV, não a transvertida. Como bem analisa Humberto Cardoso no seu livro , o sistema montado pelo partido único criou metásteses perigosas na sociedade cabo-verdiana. Para mim a que mais substiste é a do Pensamento Único, uma forma perversa de Partido Único enquistada na cabeça das pessoas, pois ela é a mãe da intolerância, da visão totalitária do mundo, dos caminhos únicos e da não alternativa.
    Apesar de Onésimo Silveira ter defendido um modelo de regionalização conservador, hoje nos encontramos em sintonia, pois percebeu que é impossível ter regionalização sem a componente política. Porque se assim não acontecer, num cenário de Regionalização à la mode dos centralistas reaccionários, a ilha de Santiago tiraria de novo todas as castanhas do lume: ela teria o luxo de ter na prática uma Regionalização Política e o restante das ilhas contentariam com uma Regionalização Administrativa, que é a pior de todas as soluções. Assim saltávamos de um centralismo corrente para um mais subtil, mas não mais perverso.
    Por isso defendo que a Regionalização tem que ser total, sendo a primeira etapa de um processo mais longo que se concretizará num federalismo de base regional, em que se regrupará as ilhas pela suas proximidades geográficas socio-culturais e económicas, no sentido de uma melhor complementaridade e sinergia. Assim a minha visão de CV é federativa.
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    No momento de usar a palavra Onésimo Silveira voltou a sua atenção para o tema que tem defendido ao longo dos anos, e com maior preponderância nos últimos tempos, a regionalização. E para ele o futuro é simples: “São Vicente vai ganhar a batalha da regionalização”. Ele que vê a Regionalização como um problema da administração pública, sublinha que o país vai atingir um patamar superior de administração pública quando se ganhar a batalha da regionalização.

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