terça-feira, 22 de março de 2016

[9040] - O QUE É UM PARTIDO?!

Um partido não é uma seita ou um culto de personalidades; não deve ser uma mafia nem um Lobby de interesses; não é um clube de futebol nem a 'Nomenklatura' de Estado, não é um Cartel de Padrinhos e nem sequer uma irmandade de sangue ou um reduto de fanatismo e obediência dogmática. 
É, sim, um grupo de cidadãos conscientes que, em prol do bem comum e do progresso de uma nação, comungam uma mesma filosofia politica; um projecto consensual de desenvolvimento, principios sociais e éticos, e um doutrina ideológica que terá sempre como chapéu a lei-mãe que é a Constituição da República.
O orgulho de pertencer a um partido é legitimo em democracia, enquanto esse mesmo partido for, realmente, um servidor da causa comum, um espaço privilegiado de exercício de cidadania e liberdade, e um motor para o desenvolvimento humano e procurador de felicidade geral.
A ambição de governar também é legitima tanto quanto um partido acredite ter a melhor plataforma e encerrar maior competência técnica e política na sua estrutra para materializaçāo dos anseios do povo: unidade, trabalho, progresso,
O que não é aceitavel em democracia é quando um partido da República, por corrupçao de poder, se transforma num FEUDO, num circuito fechado de influências para o enriquecimento de camaradas; num pequeno Estado dentro do Estado, com estatutos à parte e previlégios determinados pela cor política.
O que foi severamente penalizado nas urnas no passado dia 20 de Marco por uma nova raça de eleitores mais cidadāos que militantes neste ou aquele partido, foi exatamente esse tipo de cultura partidária que passa a militancia à frente da caboverdianidade, põe a competência muito atrás da ideologia politica e é capaz de uma gestão lesa-pátria para preservar os interesses da corporaçäo politica. 
Os partidos cabo-verdianos, que continuarem no seu autismo político e não tirarem as ilações do que aconteceu nas passadas eleições (sobretudo em São Vicente e no Fogo) e não procederem à reeducação das suas fileiras numa nova ética, com um maior sentido de Estado e do bem comum e, mantendo o discurso e a pratica sectária, persistirem no cultivo do ódio do outro (que eu chamo de politica à Myke Tyson que, quando não pode pôr KO o adversário morde-lhe a orelha) e em vez de fomentar o TODOS POR CABO VERDE E CABO VERDE PARA TODOS repito, esse género de partido irá perder o comboio da História.

Emanuel Ribeiro

2 comentários:

  1. Este texto merece nota máxima e é daqueles que eu gostaria de escrever. E, se escrevesse, nada mais eu acrescentaria porque tudo, mas tudo, está aqui dito.
    Para nosso infortúnio, está aqui o retrato fiel do que o partidarismo político se tornou na nossa terra. Há toda uma educação cívica que está por fazer e não se pense que deve visar especialmente os estratos sociais menos instruídos e informados. Ela deve ter uma incidência transversal.

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  2. Um partido deve ser o receptàculo dos nossos desejos e o defensor dos nossos desideratos. Infelizmente ouve-nos e serve-se de nós para seus desejos pessoais.
    Vade retro !!!

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