segunda-feira, 14 de março de 2016

[9006] - O "DONA-ELVIRA" DE NHÔ HERMÍNIO...


Este é um "calhambeque" da marca Wollsley, de 1921, que um inglês do Telégrafo de regresso a casa, em 1941,  vendeu a Nhô Hermínio pela quantia de 500.000 réis, um valor que não faço a mínima ideia do que compraria hoje mas que, na altura, não devia ser de todo despiciendo...
Antes do mais, convém esclarecer que o feliz novo proprietário do elegante Dona-Elvira, aqui ao volante da viatura ostentando a farda profissional, foi uma figura bem conhecida, para além das funções no Telégrafo Inglês (W.T.C.). De seu nome completo Hermínio César Pereira, foi o pai do nosso amigo de Tours, Valdemar Pereira, e filho de César José Pereira, um bravense com origens na Madeira e de Clementina Leite Cardoso Pereira, uma mindelense de origem lisboeta...
Nhô Hermínio ficou célebre pela sua especial aptidão no encordoamento de raquetas de ténis, o que fazia com zelo e exímia perfeição sendo o único a executar tal função enquanto foram usadas as "tripas-de-gato" (cat-guts) para o efeito...Desportista de bom quilate, fez parte da selecção de golfe de S.Vicente que venceu a de Lisboa, em Portugal...
Mas, voltando ao Dona-Elvira, algum tempo passado o motor entregou a alma ao criador o que, no entanto, não provocou grande pânico...Foi-lhe adaptado, pela módica quantia de 150.000 réis, o motor de um camião que tinha sido desactivado e, com alma nova, o velho Wollsley sobreviveu anos ao transplante...
Mas, infelizmente, e por falta generalizada de pneus, após a segunda Grande-Guerra Mundial, a carripana teve mesmo que estacionar sobre quatro tijolos mas deixou o motor como herança, que foi vendido ao Manuel Matos por 1.000$00 (mil escudos)...Este, que também era homem com habilidades comprovadas, tratou de adaptar o motor, que tinha sido de um camião e, depois de um auto ligeiro, a um bote de pesca que, assim equipado, foi vendido para a Guiné por 15.000$00 (quinze mil escudos), cerca de € 75,00...
Paz à vetusta Dona-Elvira e ao seu feliz proprietário, um Homem bom, com um aceno de muita simpatia ao Valdemar, responsável pelos pormenores desta divertida história!


3 comentários:

  1. Da Dona Elvira não tenho memória, sou mocin de diazá, mas não tanto assim, mas lembro-me do Nhô Hermínio e, principalmente, da Nha Maninha, gente amiga e respeitada da minha infância na Chã de Cemitério. Bom lembrança!

    ResponderEliminar
  2. Muito interessante esta evocação tanto da viatura como, sobretudo, daquele que foi seu proprietário, o exemplar cidadão que foi o senhor Hermínio Pereira, pai do nosso Val. Sem dúvida que muito curiosa é a história do motor. Estou convencido de que esta viatura seria hoje uma relíquia e com grande valor monetário.

    ResponderEliminar
  3. Que dizer senão Obrigado ao Zito que deu vida à foto tirada por volta de 1939 pelo sr. José Vitôria, também funcionàrio da Western.
    A estôria do automovel, que custou uma fortuna (dois meses de salàrio, aproximadamente) não começou ali mas poupo-vos os pormenores porque a fé de um homem decidido, contada aqui, pode eventualmente passar por bazofaria.
    Foi bom ventilar o passado.

    *

    O meu amigo Lalela (Prof. Manuel Brito Semedo) ainda não tinha nascido quando o carro foi comprado por falta de pneus a um morador mesmo à porta da sua casa.
    Um abraço ao amigo da Chã do Cemitério.

    ResponderEliminar