quinta-feira, 14 de julho de 2016

[9444] - ZONA SOBREVIVENTE...

Foto Clube Maiota

Esta é uma amostra do que resta da arquitectura colonial da cidade do Mindelo, em vias de desaparecer, substituída por um modernismo vulgar e de mau gosto. E aposto destas casas que têm os dias contados...
A Classificação da Cidade como Património Nacional de nada vale, se a própria Câmara de S. Vicente se está nas tintas e ordena o abate indiscriminado, não tendo um conceito de urbanismo para o desenvolvimento de uma cidade em vias de favelização a partir dos bairros novos que proliferam nas periferias do Mindelo.
José F. Lopes

5 comentários:

  1. José, conheço eu muito bem porque vivi desde os 7 aos 11 anos na primeira casa dessa "renca". Fica em Fonte Cónego. Essas casas desenvolviam-se para a retaguarda terminando numa sala de jantar com janelas envidraçadas que confinavam com um quintal cimentado onde ficavam a casa de banho, a cozinha e uma retrete. No sobrado (sótão) havia pelo menos dois quartos. Naquele tempo a pintura exterior era uniforme, de cor clara.
    Na segunda casa vivia a família da Professora Nominanda Fonseca, na quarta vivia o enfermeiro Manuel de Mechô e família, e na última o velho Mochim Pinto, sua esposa Adelina e os filhos que ainda pude conhecer: o Eduardo e o Álvaro, Lopes Pinto.
    Creio que naquela zona é a única coisa que se mantém intacta.
    ADRIANO MIRANDA LIMA - Por e-mail

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  2. É mesmo isso Adriano: Fonte Cónego. Lembro-me bem da família da Professora Nominanda Fonseca. Estas casas têm pinta e podiam ser um modelo/padrão para desenvolver algo típico de S. Vicente, um cartão de visita,com com potencial turísitico. O centro da cidade com arquitectura colonial requlificada (tenho referido com insistência à zona Praia de Bote) pode atrair muitos visitantes turistas e dar emprego a muita gente, através do aluguer destas casas ou tranformando-as em spots turísitcos diversos, tal como acontece no resto do Mundo. Mas só pensam em resorts para encher os bolsos de uns tantos. ' cabeça câ tem'.
    Abraço
    José
    JOSÉ FORTES LOPES - Por e-mail

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  3. Concordo plenamente consigo! Por acaso morei numa casa neste arredor durante oito anos, mas como sabe esse é um dos problemas negativos de desenvolvimento de uma cidade e não temos por onde escapar. Infelizmente mais a frente será ainda pior. As zonas mantêm-se os nomes mas a estrutura jamais será a mesma!!!

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  4. Eu acrescentaria que este complexo de casas é a correspondente horizontal de um prédio de andares. É provável que um dia qualquer será mesmo demolido para dar lugar a dois ou três blocos de prédios de andares. Mas provavelmente não será fácil porque cada uma das casas tem o seu próprio dono.
    A que pertenceu à família da Professora Nominanda Fonseca foi objecto de uma grande remodelação interior que aproveitou o largo espaço da parte traseira para acrescentar mais quartos e servidões, como a própria me contou. Só que preservou o poço antigo que havia no meio do quintal, para manter a memória. Aliás, todas essas casas foram remodeladas. Há 11 anos, o neto do enfermeiro Manuel de Mechô, Arlindo, mais conhecido por Jimba, meu antigo companheirinho de futeboladas na rua, convidou-me a ir a essa casa, onde então vivia. Todo o interior fora completamente remodelado, com especial incidência no "sobrado" e na parte traseira. Também, e na mesma altura, visitei a última dessas casas, que pertence a uma enfermeira já reformada, de nome Lídia. que é irmã do Onésimo Silveira. Era a casa onde viveu o velho Mochim Pinto e sua esposa Adelina, que são avós do Professor da Faculdade de Direito de Lisboa de nome Eduardo Vera-Cruz Pinto. Este é filho da pessoa do mesmo nome que vive em Lisboa e quen foi, juntamente com o irmão Álvaro, meus vizinhos na minha infância. Mas eu era mais próximo de um neto do casal de velhotes que se chamava Eduardo Lopes Pinto, por ser da minha idade. Esse, já falecido, era filho, fora do casamento, do "Tuta", também filho do casal de velhotes, mas que não cheguei a conhecer porque quando fomos morar no lugar ele já tinha partido para Moçambique.
    Dos filhos do enfermeiro Manuel de Mechô, que tinha a patente de tenente enfermeiro reformado, conheci o Xisto e duas irmãs. O "Jimba" era filho de um outro filho do enfermeiro Manuel de Mechô, de nome Mário, mas que também não cheguei a conhecer porque também já tinha partido para Angola ou Moçambique. O Mário fora guarda-redes da Académica do Mindelo.
    Resta dizer que na esquina da primeira casa, onde morei, reunia-se à noite um grupo de jovens mais velhos para falar de cinema e organizar brincadeiras de cowboy que eram conhecidas por "hands up" ou "stick out". Desse grupo faziam parte: o Moraizinho e o seu irmão Gene, filhos do nhô Caquim Morais, que moravam a poucos metros noutra casa; o Xisto Siva, atrás referido, noutro comentário; dois filhos do senhor Marques (irmão do nhô César, dono o Eden Park),e D. Lilica, o Jorge Onet e o Djohn, que moravam numa vivenda próxima localizada num alto, o Jorge Vitória; dois irmãos mais velhos da Professora Nominanda Fonseca; o filho mais velho do Djandjan, que tinha a drogaria, e que moravam mesmo ao lado numa casa de outro conjunto; e outros mais...
    Dá para ver que esse lugar retém muito do meu imaginário infantil. E até fiz um poema na altura em que revisitei o lugar, que vou pedir ao Zito para publicar.

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  5. Adriano este bairro como muitos outros desta cidade tem histórias intra-muros e extra-muros. Se destruirmos a cidade são as memórias e uma parte da nossa história que vai água abaixo

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