quarta-feira, 19 de outubro de 2016

[9809] - MOMENTOS DE HISTÓRIA...(4)

CABO VERDE NA I GRANDE GUERRA
1914-1918


A DEFESA DE CABO VERDE
ENTRE 1917 E 1918

2º Ataque ao Porto Grande de São Vicente - 9 de Fevereiro de 1917

A 9 de Fevereiro de 1917, ao anoitecer, foi avistado pelos vigias do Ilhéu dos Pássaros um submarino inimigo dentro do canal. Dado o alarme, a "NRP Ibo" procurou o submarino tendo encontrado a esteira e identificado o local onde este terá submergido. Também contribuiu para que o submarino se afastasse os tiros efectuados por uma das peças de 76mm do posto do Ilhéu dos Pássaros.

3º Ataque ao Porto Grande de São Vicente - 2 de Novembro de 1917

A 28 de Outubro chegou uma comunicação da presença de um submarino alemão entre Dakar e Cabo Verde, e sendo o porto de São Vicente escala dos navios brasileiros em trânsito para a Europa, era muito provável que se tornasse um porto de ataque à frota mercante brasileira.

No dia 1 de Novembro, a "NRP Ibo " encontrava-se em vigilância extrema, tendo circundado a Ilha e observado o fundeadouro de Santa Luzia, local muito suspeito e com boas condições para ocultar um submarino inimigo.

Pela 7 da manhã, do dia 2 de Novembro, foram disparados dois torpedos para dentro do Porto Grande de São Vicente pelo submarino U-151, comandado Waldemar Kophamel, a uma distância de 450 e 300 metros dos alvos, que atingiram os navios brasileiros "Guahyba" e "Acary" ao nível da linha de água, provocando grandes explosões e o afundamento destes.

A canhoneira "NRP Ibo" que se encontrava acostada em abastecimento largou logo que obteve pressão e navegou em perseguição do submarino entre os destroços que flutuavam pelas águas do porto. O submarino entretanto ao ver a "NRP Ibo" a aproximar-se submergiu e com um 30m de água sobre o casco ficou imune a qualquer tiro que sobre ele se fizesse.

O submarino U-151 manteve-se escondido por alguns dias, mas na noite de 7 de Novembro, com alguma ousadia acostou dentro do porto ao navio holandês "Kennemerland", que na verdade era um navio espião alemão, mas foi prontamente repelido a tiro, que o fez  mergulhar e fugir.

O submarino alemão manteve-se ainda até ao dia 14 de Novembro, quando desapareceu de vez das águas de São Vicente, tendo se dirigido para as águas da Madeira, onde voltou a fazer um afundamento no dia 16 de Novembro de 1917, o navio americano "Margaret L. Roberts".

Em Fevereiro de 1918, chegou a São Vicente a Canhoneira "NRP Beira". O seu comandante, o Primeiro-tenente António Alemão de Cisneiros e Faria, que também assumiu o Comando Central da Defesa Marítima, reorganizou a defesa do Porto Grande, reforçando o sistema defensivo com uma barragem constituída por três panos de redes, num comprimento total de 2.340 m, com 52 minas e três barcaças onde se encontravam instaladas as baterias eléctricas por acumuladores. Ao serviço de barragem ficaram adstritos 1 oficial, 2 sargentos e 6 praças, auxiliados por numerosos civis.

A instalação das barragens assegurou a defesa dos cabos submarinos e permitiu que em Setembro de 1918, chegassem a entrar 80 navios de alto bordo em segurança no Porto Grande e se tivessem formado dois comboios, um de 24 navios e outro de 19 navios, escoltados por cruzadores auxiliares ingleses, dirigidos à Europa. Com a acção do Comandante Cisneiros e Faria o porto de São Vicente foi revitalizado, conseguindo retomar o abastecimento de carvão a navios, que inclusivamente tinha sido abandonado pelos navios nacionais em detrimento de Dakar. As condições de defesa do Porto Grande também permitiram operações conjuntas de patrulha das águas de Cabo Verde, com navios patrulhas franceses e brasileiros. (18)

Cabo Verde como Centro de Comunicações do Atlântico Sul

O posto de radiotelegrafia da Cidade da Praia (Cabo Verde), foi inaugurado em 1912. Em 1916, era operado pelo radiotelegrafista Alberto Carlos de Oliveira, que no decorrer Grande Guerra serviu de intermediário entre a Esquadra Inglesa no Atlântico Sul e o Almirantado em Londres, através da transferência das mensagens que chegavam por cabo submarino ao arquipélago de Cabo Verde e retransmissão via TSF.

O posto TSF de São Vicente também era de importância vital para a comunicação militares e civis com as colónias portuguesas, o que levou a que o Governo da República , após ter decretado ma metrópole a 26 de Abril de 1916, a censura postal, (Decreto n.º 2352), a 27 de Abril tenha sido recebido por telegrama, proveniente do Ministério das Colónias/Direcção Geral das Colónias, na Província de Cabo Verde ordem para a instalação de um serviço de censura a telegramas e rádio telegramas particulares de, ou para, em trânsito nas colónias portuguesas. O serviço de censura ficou operacional a partir de 1 de Maio de 1916.

Estação Telegráfica de São Vicente - Cabo Verde 1916

A ordem recebida em 27 de Abril de 1916, pelo Governo da Província de Cabo Verde, foi publicada no Boletim Oficial de Cabo Verde n.º 18, de 29 de Abril de 1916, determinava a instalação do "Serviço de Censura" a partir de 1 de Maio, a telegramas e rádio telegramas particulares de, para ou em trânsito nas colónias portuguesas. (Portaria n.º 234, - Vistas as disposições do decreto n.º 2 465, de 22 de Junho do corrente ano que mandou vigorar nas colónias o decreto 2 352, de 20 de Abril pretérito, ambos referentes à Censura Postal estabelecida pelo Governo da República para vigorar enquanto durar o estado de guerra).

Militares portugueses sepultados no Cemitério do Mindelo

Na Ilha de São Vicente encontram-se sepultados 19 militares do Exército e Armada, cujas campas estão datadas entre 1917 e 1918. Esta preciosa informação sobre os militares falecidos em Cabo Verde, foi recolhida no Arquivo do Registo Civil de S. Vicente pela Doutora Lia Cordeiro Lima Medina, professora universitária da Universidade de Coimbra.

FIM


3 comentários:

  1. Eu só não tenho comentado estes posts porque já me mandaram o presente texto (que já tinha encontrado em pesquisas pessoais) aí umas 10.000 vezes aos longo dos últimos tempos. Ou seja, já nem o posso ver...

    Braça de olhos fechados,
    Djack

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    1. Felizmente, parece que há gente que nunca o tinha visto...

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  2. Bem, eu já conhecia muito do que diz este texto e os anteriores, mas reli sem enfado. E há muita gente que calculo nunca leu ou não conhece.
    Quantos aos militares sepultados no cemitério de S. Vicente e aqui referidos, tive ocasião de verificar as suas campas em 2012.

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