quinta-feira, 27 de outubro de 2016

[9842] - A PEDRADA-BOOMERANG...


Encontram-se reunidos desde  segunda-feira, 24 do corrente mês, os deputados da Nação e o Governo para discussão e análise do Estado da Justiça e Segurança em Cabo Verde.
No dia de ontem, no período de tarde, os deputados eleitos da Nação colocavam questões ao Governo nas pessoas dos ministros ali presentes. problemas que afectam a vida do seu eleitorado. Todos os deputados das ilhas, em especial os dos municípios de Santiago Norte, desfiaram um rosário de dificuldades que enfrentam as populações das zonas que representam, falando de economia, saúde, educação, desemprego, habitação, fornecimento de água e electricidade, etc., mas não se ouviu uma única palavra dos nossos ilustres representantes nem dos deputados da situação, e nem tão pouco dos da oposição, sobre  a realidade socio-económica de S. Vicente. Mas, eis que aparece um deputado da nação, não eleito pelo circulo eleitoral de S. Vicente, julgo eu, de nome José Carlos Silva ou Luís Carlos Silva (confesso que não percebi o nome do rapaz) perguntando ao Sr. ministro da economia, José Gonçalves, acerca da privatização da Cabnave, dos Portos da Praia e do Mindelo e do Bunkering,  o que é que o governo tem feito ou tenciona fazer nestas matérias, acrescentado que a Praia tinha e tem que se interessar mais por S.Vicente...  Ouvidas as explicações do Sr. Ministro, a deputada Filomena Martins pede a palavra ao Sr. Presidente da Assembleia para interpelar a mesa, pelo facto de não concordar que o jovem Silva tenha mencionado a expressão  "pressionar a Praia" e que o regulamento é bem claro: a pergunta tem ou devia ser concreta e objectiva! 
S. Vicente, que já atingiu o limite da asfixia económica e da degradação social, devia ser a prioridade das prioridades do País e requer soluções económicas urgentes. 
A Filomena, assim como os colegas deputados (paicv, mpd e ucid) eleitos pelo circulo eleitoral de S. Vicente estão no Parlamento para defender os seus partidos, os seus tachos, o enriquecimento pessoal e se promoverem socialmente... Servem-se da politica para as suas realizações pessoais e não para servi-la. (Eduardo Monteiro) - FaceBook

1 comentário:

  1. Os despautérios são tantos e já tão corriqueiros contra os interesses de S. Vicente e do seu povo, que quase já nada nos surpreende. E isso é mau. Significa que vamos adquirindo uma carapaça de resistência contra a injustiça e os vexames, e que perigosamente podemos estar a entrar numa atitude escatológica de resignação e incapacidade de lutar contra um destino adverso.
    Imaginem, em Cabo Verde os representantes de Santiago é que se acham no direito de reivindicar e exigir a correcção de distorções provocadas pelo centralismo. Eles até podem ter razões pontuais, mas o que é intolerável é o silêncio dos nossos deputados, como que desobrigados de abrir a boca, nem sequer para simularem uma tentativa de justificar o seu mandato. Estão lá para tratarem apenas das suas vidinhas, parece não haver dúvidas.
    Mas o que é absolutamente invulgar é a atitude dessa deputada Filomena Martins. Ela, deputada da oposição, censura outros por pressionarem a "Praia". Vejam bem, a "Praia". Isto confirma as nossas razões quando denunciamos que a "Praia" é o único móbil dessa gente. Seja este ou aqueloutro partido no governo, a "Praia" é a realidade supra-partidária que os une a todos. A "Praia" é esse ente sagrado em nome do qual governo em exercício e oposição se dão as mãos, despudoradamente, para defender a sua integridade.
    Perante isto, pode-se dizer que há democracia em Cabo Verde? Quando a oposição age como almofada protectora do governo, porque há um interesse comum e inconfessável perante o qual o jogo democrático deixa as armas à porta? Isto é a mais evidente prova de que a nossa terra está mesmo a precisar de cuidados.

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