sexta-feira, 28 de outubro de 2016

[9848] - MORRENDO DE MORTES VÁRIAS...

A primeira cruzada decretada pelo Papa Urbano II teve o objectivo duplo de auxiliar os cristãos ortodoxos do leste e libertar Jerusalém e a Terra Santa do jugo muçulmano...   Seguiu-se um conjunto de acções bélicas de inspiração religiosa protagonizadas em várias cruzadas que partiram da Europa comandadas por Reis e outros nobres sendo mais famosa a cruzada de 1101.
Em 1975, com a independência formal do país sob a batuta de Pedro Pires, deu-se inicio â reconstrução do país, tendo-se iniciado, também, as nossas cruzadas... Cruzadas a partir da capital contra S. Vicente, nos seis meses que se seguiram à independência,quando o Governo do então 1º ministro já tinha posto a nossa ilha de rastos: o movimento comercial havia desaparecido, com a criação da EMPA que detinha o monopólio de importação de bens de primeira necessidade, de materiais de construção, etc.. Todo o movimento comercial até então feito pelos privados passou para as mãos da referida empresa, e os movimentos de cabotagem e navegação internacional até então feitos no Porto Grande, foram paulatinamente transferidos para o Porto da Praia, desferindo-se um golpe letal na economia de S. Vicente.
De transferência em transferência chegou a vez dos barcos de cruzeiros  se irem embora de S. Vicente... Todo o discurso do Director da Autoridade Turística sobre o Turismo de Cruzeiros, tem como objectivo atingir, uma vez mais, a martirizada ilha de S. Vicente... Não sou contra a medida, mas será que não se vai repetir tudo a que temos assistido ao longo desses 41 anos que contamos como país independente?
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Assinala-se no próximo dia 13 de Novembro, o dia do Desporto Cabo-verdiano, sob o lema " Mais Olimpismo, por uma Nova Pedagogia do Desporto". Não conseguem, no entanto, esconder as politicas persecutórias , discriminatórias , movidas contra S. Vicente...Refiro-me à atleta Sofia Reis, uma jovem oriunda do Madeiral , S. Vicente, que actualmente treina nos Estados Unidos, graças a uma bolsa do Comité Olímpico Internacional (COI), e  que em 4 anos coleccionou 12 medalhas sendo: sete de ouro, três de prata e duas de bronze, na modalidade de "Taekwondo" mas cujos feitos são silenciados enquanto soam trombetas na recepçãoa  os atletas que defenderam as cores de de Cabo Verde, no Brasil, como o Graciano Barbosa que conquistou uma única medalha... Que fique pois, claro, que os atletas de S. Vicente não podem representar Cabo Verde: são previamente excluídos e impedidos de participarem nas competições internacionais. - Eduardo Monteiro

3 comentários:

  1. Ninguém mexeu. Ninguém mexe. Subimos !

    Mais uma vez se confirma que "os medíocres discriminam tudo quando lhes faz sombra". Desconhecia a existência da atleta caboverdiana que brilha nos Estados Unidos.

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  2. Permita-me uma correção:

    "A EMPA que detinha o monopólio da importação de bens...."
    1- A EMPA, além da importação de "bens" VENDIA os que eram doados.
    2- A Empa não tinha o monopólio da "importação", várias Casas Comercias podiam também importar. Contudo, sujeitas a previa autorização estatal.

    Tudo o mais OK
    Saudações
    Am

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  3. A “cruzada” contra a ilha de S. Vicente não terminou com as primeiras medidas do pós-independência. Vem-se mantendo ao longo do tempo como intenção e como propósito, embora com métodos e processos mais açucarados para evitar acidez no caldo da aparência da democracia instituída em 1990, por pressão da comunidade internacional.
    Mas dir-se-á que, com maior ou menor desfaçatez, a ruinosa política centralista e concentracionária na Praia pouco ou nada precisava de disfarçar as intenções, a partir do momento que a ela aderiram os filhos das ilhas marginalizadas, sobretudo a de S. Vicente. A troco de prebendas e privilégios caucionados na esfera partidária, conseguiu-se lavrar a traição na alma dos sanvicentinos. Os deputados da ilha de S. Vicente não representam e nunca representaram outro interesse que não o dos partidos em que se inscreveram.
    De outra forma, seria bem mais difícil atingir o desiderato que hoje nos indigna e nos obriga a usar da palavra para mostrar a nossa revolta. Se os deputados de cada ilha tivessem estado à altura do seu cargo, imbuídos da responsabilidade ético-política que lhe é inerente, creio que o gigantismo absurdo e desconexo da cidade da Praia, à custa das ilhas da periferia, em especial S. Vicente, não teria sido possível. Esta é, a meu ver, a mais perversa traição cometida contra a ilha de S. Vicente e outas. Nem sequer foi preciso montar Cavalos de Tróia à porta das ilhas prejudicadas, bastou a voz do partido soar, maviosa ou intimidante, no terreiro, para os traidores e cidadãos de má consciência venderem a sua alma.
    Chegou-se a uma situação em que não acredito em qualquer forma de regeneração moral e política da nossa gente. Além do mais, sobram evidências da sua incompetência generalizada e, pior ainda, da sua abulia cívica e do seu conformismo com o estado da nação – um país cheio de problemas e gangrenado pela errada estratégia política adoptada no pós-independência e prosseguida sem desfalecimento pelo tempo fora. Um Estado centralista e concentrado.
    O despautério é tanto que, segundo li, a deputada Filomena Martins, do PAICV, censurou um deputado por “pressionar a Praia”, ao defender os interesses da sua ilha. Ora, a “Praia” é o Estado Cabo-verdiano, e actualmente é assumido político-juridicamente pelo governo do MpD. Portanto, temos uma deputada do PAICV a intervir a favor do governo do MpD, exactamente porque é visada a “Praia”, ou seja, a realidade política e sociológica à sombra da qual se acolitam todos os deputados, independentemente dos partidos em que estão filiados. Esta é a verdade sobre o país em que se tornou Cabo Verde. Esta é a mais flagrante afronta aos princípios mais elementares da democracia. Torna-se uma verdadeira falácia uma democracia em que os deputados não agem em conformidade com as suas convicções ideológicas e em função dos seus mandatos, mas sim em obediência aos ditames de uma realidade construída à margem das regras do direito e da justiça – uma realidade que é suprapartidária, não por congregar um desígnio nacional de igualdade e justiça, mas por ser a colmeia onde os partidos se dão as mãos para proteger o seu mel. Isto é a “Praia”, onde uma deputada que, sendo oposição, devia ter voz activa contra o governo, intervém a censurar um deputado que questiona o poder em exercício.
    Em matéria de discriminação e favorecimento quase exclusivo da “Praia”, leio que S. Vicente vai ficar sem os navios de cruzeiro. Custa-me a crer, tanto que será de esperar que o Eduardo Monteiro esclareça bem essa notícia.
    Há um nível a partir do qual o descalabro até deixa de fazer sentido, pela perda total das referências de navegação. Será nessa altura que o povo de S. Vicente perderá a cabeça e terá, ao menos uma vez, uma atitude digna dos seus antepassados, fazendo soar a sua revolta de modo a que a comunidade internacional (que dá o dinheiro) abra os olhos e intervém no país para exigir outros parâmetros de justiça, ordem e equanimidade?

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