quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[9992] - RECUPERAR O ESPÍRITO CLARIDOSO...

Quem pode concluir por mim?
Sobre a prova produzida dos crioulos...

Alguém em Cabverde conhece? Escola primária, ensino liceal, universidade? Talvez, aos poucos, por net, comecemos a perceber melhor a razão de ser do nosso crioulo, da nossa Cultura e, também, do Crioulo. O que se fez em Cabverde foi muito grave. Gravíssimo. Foram crimes. Crime (crimes) contra a Humanidade. Amputaram gerações e gerações, já não contando com o tempo de Salazar, o grande amigo de Nhô Balta. Penso, quase tenho a certeza, as pessoas, naquele tempo de obscurantismo político, não o eram culturalmente: eram mais unidas, solidárias, lúcidas e muito informadas e conhecedoras. Brilhantes! Quiseram matar uma Geração de Ouro de Cabverde. Como aquela, outra não haverá! Temos o enorme dever de lutar por ela e expandir os seus doutos conhecimentos: a espinha dorsal de Cabverde.
Não podemos baixar os braços. Temos que também perseguir criminalmente os autores que são pessoas identificadas. Devemos ter a decência moral de obrigar as pessoas que executaram e geriram o golpe de estado cultural (complô ilegítimo historicamente, sem legitimidade na história e cultura cabverdianas) a responder publicamente.
E é isto e muito mais que, minhas senhoras e meus senhores, o PAICV e seus dirigentes andaram a esconder, a omitir, a não ensinar nas instituições de ensino de Cabverde intencionalmente.
O dever fundamental da Educação foi claramente violado. As anteriores e as atuais autoridades cabverdianas sabem-no perfeitamente.
A primeira pessoa a ter que responder, por razões e motivos já invocados na minha Acusação Pública, é o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga. Por ter sido governante, por ser professor universitário e doutorado por universidade francesa, matriz linguística. O senhor professor tem informação valiosa e conhecimento de mais realidades sobre o Crioulo, além daquelas que têm sido reveladas pela internet, facebook.
Na apresentação do seu livro “O Dialecto Indo-Português de Damão”, Monsenhor Sebastião Rodolpho Dalgado dá a informação da realização de trabalhos sobre os crioulos em curso e outros a concretizar, por ele e por outro investigador de nacionalidade europeia que não a portuguesa (Hugo Schuchardt). Indica, igualmente, a proveniência de vários crioulos (Cochim e Mangalor, por exemplo) e sua raiz comum. O próprio dá também a perceber, mais uma vez, sobre o caráter universal do Crioulo. Inclusivamente, Monsenhor Sebastião Dalgado invoca e refere-se a Leite de Vasconcelos, insigne Professor, como autor obrigatório para qualquer aluno de linguística e que verse, especialmente, sobre os crioulos.
Julgo que está mais que provado e demonstrado à saciedade que o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga nada fez em e por Cabverde de decente e de útil. Nada informou, nada ensinou, ensinamento académico idóneo algum transmitiu, nada de válido deu a conhecer em prol do Povo e Cultura Cabverdianas.
Julgo que está mais que provado e demonstrado que o Senhor Professor Doutor agiu com grave dolo.
Julgo que está mais que provado e demonstrado, agravado ao facto do conhecimento de que Manuel Veiga pertence a um grupo fechado do Facebook de investigação linguística sobre o crioulo falado em Korlai, Índia – surpreendido em flagrante delito por mim, figura jurídica mais próxima que me ocorre -, que o Senhor Professor Doutor agiu com intenção de prejudicar a criança e o jovem na sua formação académica, científica e cultural, o Povo e a República de Cabverde.
Mais que provado e demonstrado que o Ministério Público de Cabo Verde deve agir contra o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga.
Depois de uma análise mais atenta do movimento do tempo histórico, constata-se que, com o advento da República em Portugal, o ímpeto de investigação crioulística abrandou bastante e que Baltasar Lopes da Silva tentou recuperá-lo, mas foi completamente abafado por Salazar e, depois, desrespeitado, destronado do seu árduo e profundo trabalho histórico, cultural e linguístico e, fundamentalmente filosófico – como que deitado ao lixo -, em prol das gentes da sua Terra, pelos seus próprios conterrâneos.
Destronaram Baltasar e a Claridade, para assumirem um poder cheio de nada e levarem Cabverde ao abismo de um país sem raízes, sem História, supérfluo, superficial e leviano.

José Gabriel Mariano, Lisboa, 6/12/016

Post scriptum:
Gent tá escoá. Gent tá fcá cu barrig cheu de basófia. Inchód e enchid.
Bzôt tud sinhor li tá conchê kel stória di pirú, qónd ta passa linha d’ iquador?
Post scriptum I:
Devo presar a minha saudação, a minha continência e homenagem a três pessoas a quem devo o maior respeito e a minha mais alta consideração. Por representarem, felizmente vigorosamente atuantes, e por me remeterem imediatamente aos meus mais doutos, cultos e carinhosos ensinamentos de Cabverd, desde infância. São, posso dizer, a Montanha viva e atuante da nossa expansão sobre a Verdade de Baltasar, a nossa Certeza. Como o Crioulo: andámos sempre unidos, mas não encontrados. Agora há o reencontro para continuar o trabalho. Bem-haja, meu Deus!

1 comentário:

  1. Aguardamos que o José Gabriel Mariano nos apresente as linhas de força de uma conclusão objectiva do seu pensamento. O Manuel Veiga, esse já está identificado como responsável por um projecto que a maior parte do povo cabo-verdiano rejeita e que, se não for travado, vai conduzir ao aniquilamento definitivo das nossas competências em língua portuguesa, sem que em contrapartida se consiga promover o crioulo ao patamar que ele idealiza. E jamais o consegue porque o crioulo, língua materna de uma população de poucas centenas de milhares de pessoas, só nos serve para exprimir a nossa morabeza, destilar as nossas saudades e conquistar um "pquéna".

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