É que, imagine-se, o amor recíproco que os que a haveriam de gerar se dedicavam não era do agrado de familiares o que, ao contrário do que se poderia esperar, lhes deu forças para, com o incondicional apoio de Tatai, seguirem o seu destino, que haveria de ser o que se deseja a dois apaixonados. Numa das primeiras paginas do seu livro de poemas "A Ternura da Água", publicado em 2000, Carlota de Barros escreveu: "À memória de meus pais que me ensinaram a amar e a sonhar para além das desilusões da vida"...Ainda bem, digo eu!
Enfim, e para que esta crónica tenha, finalmente, algo de interessante, deixo-vos com um poema do livro "Sonho Sonhado", de 2007: O RUMOR DA CHUVA !
*
Ouvi dizer
que chove nas ilhas
e que a terra rejubila de frescura
*
as nuvens partilham
a água com os potes
*
as fontes agora cheias
trocam rumores
com a chuva nos telhados
nas latas dos tanques nas cisternas
*
o coração da terra
se alegra
vamos ter
espiga madura nos santos
*
batata doce ervilha verde
abóbora menina
*
ouvi dizer
que o ar veste-se de azul
e as pedras se enternecem
porque a chuva
amou a ilhas perdidamente
e os cântaros se enchem de doçura
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