Depois de intensa preparação psicológica, resolvi começar, hoje, a maratona de renovação da carta de condução que só caduca lá para Maio...Comecei por ir ao fotógrafo e, lá chegado, dei comigo a dizer: - "Ó senhor Fernandes, preciso de umas "carinhas"... O amigo Fernandes, que é retornado de Angola, respondeu-me, prazenteiro: -"Carinhas, diz muito bem..." Está visto que, lá por Angola também chamavam carinhas aos quatro ou seis pequenos rectângulos com a nossa carinha e que normalmente se usavam para os Bilhetes de Identidade, Cartas de Condução e não sei para que mais ou, por outra, sei muito bem...
Em S.Vicente de Cabo Verde, nos meus tempos de menino e mais tarde, a gente recorria aos bons fotógrafos do Mindelo como Papin, Djessa, Vitória, Silvestre Rocha, Gibla, sem esquecer, claro, essa pessoa incomparável de cidadão que foi João Cleofas Martins, o Djunga Fotógrafo...
E, se bem me lembro, a gente só precisava, normalmente, de duas fotos, pelo que sempre abundavam duas ou quatro...Claro que a mamã guardava uma, como fosse um tesouro e as que se salvavam...bem, as que sobravam, normalmente, levavam uma dedicatória escrita em letra esmerada e o desenho de um coração e iam parar às mãos do nosso primeiro (ou segundo...) "cretcheu"... Por isso, as "carinhas" foram, desde sempre, uma peça importante no desenvolvimento da capacidade de amar das meninas e moços do Mindelo e serão, hoje, recordações importantes, saudosas e muito queridas de um monte de terceiro-idosos, com o eu...
Nhas carinha, ês era tude tróde na Tuta de Foto Melo.
ResponderEliminarBraça
Djack
Bem lembrado bem falado!
ResponderEliminarCarinha era "sagrada"... tanto assim, que os consagrados fotografos nomeiados, tinham no armário um casaco e uma gravata para aparamentar a carinha do "cara" ...
"Papim... você dá-me aquele toque de sport... dátôr de cinema"
- Qual dês... Tony Curtis ou Djak Palance?
-Você que sabê nha jeitim!
...
Amigos, assim sw prova que as nossas "grandes" vidas são feitas das mais "pequeninas coisas"...
ResponderEliminarÉ verdade, Zito, a vida é feita de pequenas coisas. E isso das carinhas não é tanto assim insignificante, porque não é por acaso que me lembro bem de todas as carinhas que eu tirei nos meus tempos de moço. E em Cabo Verde fui sempre ao Silvestre Rocha, e tenho de confessar que se me varreu completamente da memória o estabelecimento de nhô Djunga. O Papim era o mais falado e procurado, claro.
ResponderEliminarAdriano, meu caro, pequeninas, sim, insignificantes, nunca...
ResponderEliminarNhô Djunga tinha o seu laboratório e residencia, ao fim da rua Senador Vera-Cruz, do lado direito de quem vai da rua de Lisboa. Era meu vizinho, separado por duas outras casas...Assisti a partidas de bisca, memoráveis, entre ele e nhô Xinxim, outra figura carismática do Mindelo dos anos 40!