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sábado, 5 de maio de 2012

O ETERNO TRIÂNGULO...


Da janela de minha casa, na esquina da Rua de Lisboa, frente ao Palácio, eu vi-a passar, todos os dias, por volta das cinco e meia da tarde, com duas ou três companheiras... E o seu perfume trepava pela parede e vinha infiltrar-se nas minhas dilatadas narinas...Era um cheiro estranhamente quente e agressivo que inundava o cérebro em brasa, explodindo em miríades de estrelas como em noite de S.Silvestre...Mais tarde, mais maduro, mais vivido e mais conversado, rememorando esses aromas do passado concluí que, afinal, Mariazinha transpirava sexo por todos os poros do seu corpo roliço e eu, tão inocente nos meus 15 anos, à procura de um nome para os incensos que inundavam as minhas emoções e me aceleravam o ritmo cardíaco à velocidade da luz...
Vivi mais de um ano neste sobressalto platónico, sonhando com os vestidinhos curtos às florzinhas, sandálias de finas tirinhas, que deixavam à vista um pé de deusa, de unhas de um vermelho berrante que contrastava com a sua tez de alabastro, o passo bambaleante, de anca pronunciada e peito pequeno e firme dançando levemente quando ela dava uma corridinha fugindo de um carro ao atravessar a rua, cabelo cor de barba de milho, farto, ondulante ao ritmo dos ventos do Mindelo, olhos claros, cristalinos, brilhando como diamantes regados a champanhe, nariz desenhado a régua e esquadro, lábios cheios, ricos de promessas escarlates, da cor das unhas dos pés e das mãos irrequietas como duas pombas brancas...Um espectáculo de miúda, capaz de fazer inveja a Cleópatra!
(Continua um dia destes...)

1 comentário:

  1. Como é possível ninguém ter comentado esta linda prosa poética!!!
    Paula Simão

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