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quarta-feira, 2 de maio de 2018

[10058] - ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

CABO-VERDE - SETEMBRO 2017

Estes belos exemplares foram degustados no restaurante "Sodade", na minha bela cidade natal. Estavam tão bons, quanto o aspecto denúncia, e a conta nem de perto se aproximou dos valores que se praticam em terras lusas!

terça-feira, 10 de abril de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

[10054] - REGIONALIZAÇÃO


Concluindo a análise à conferência de S. Vicente sobre regionalização 


      A intervenção do Primeiro-Ministro (PM) pareceu-me clara e assertiva quanto ao modelo de regionalização que pretende para o país, bem como sobre a metodologia e o timing da sua implementação. Independentemente do desfecho que o processo possa vir a conhecer, no mínimo tem de se lhe tributar coragem política, em contraste com o seu antecessor, que atirou sempre para as calendas gregas uma decisão sobre esta matéria. Resta saber até onde resistirá aos lobbies que não se identificam com os objectivos desta reforma e sempre se lhe opuseram.

      Sendo certo que entretanto a regionalização foi já aprovada em conselho de ministros, contudo não está ainda completamente esclarecido o quadro institucional e financeiro que viabilizará a implementação da reforma e garantirá o seu sucesso. Sempre me pareceu de meridiana evidência que a regionalização é uma reforma de tal magnitude que não pode ser encarada como simples peça que se encaixa na máquina do Estado, como creio ser intenção. Tem custos de instituição e funcionamento que não são negligenciáveis num país de parcos recursos, ainda que o PM não os valorize quando afirma que se estimam na ordem de pouco mais de “400 mil contos, 0,2% do PIB nacional”. Mas não é só este o custo a equacionar; as regiões terão de ser dotadas, logo no arranque do processo, das primeiras muletas financeiras para poderem dar os primeiros passos, sob pena de se verem goradas as expectativas criadas. É irrecusável que uma primeira armadura financeira das regiões tenha de provir do OGE. Como fazê-lo sem introduzir outras reformas sistémicas e de efeito convergente, é questão até agora não abordada, antes pelo contrário, foge-se dela como o diabo da cruz.

      Mas, em minha opinião, a resposta só pode encontrar-se nestas medidas essenciais: reduzir a dimensão do Estado central (Praia), emagrecendo não somente o governo mas também desconcentrando e deslocalizando do centro para a periferia, superestruturas, como ministérios, órgãos de soberania, nomeadamente tribunais superiores, e outras instituições públicas; repensar o dispositivo autárquico de Santiago e mesmo de outras ilhas, onde muitos municípios surgidos como cogumelos têm uma relação mais directa com a distribuição dos Fundos de Financiamento Municipais do que com os objectivos de um judicioso ordenamento territorial. Ora, todo este quadro aglutinador é que explica que 80% do OGE são afectados a Santiago, justificados não tanto pela sua condição de ilha mais populosa mas sobretudo por aquele encargo auto-instituído. 

      Com efeito, sem uma efectiva reorientação da política orçamental, não é credível que a regionalização possa relançar as economias locais apenas com o estímulo de uma “diferenciação fiscal”, como anunciou o PM. O investimento privado não funcionará com uma varinha mágica se as regiões não forem dotadas de um suporte infra-estrutural mínimo, o que requer meios financeiros que só poderão disponibilizar-se aliviando consideravelmente o peso do Estado central. Só com esta medida se consegue prover os “Planos Estratégicos de Desenvolvimento Sustentável” com o suporte financeiro necessário e suficiente para realizarem os seus fins. Será um absurdo pensar que a aplicação discricionária de um qualquer princípio da solidariedade inter-regional atingirá o mesmo objectivo. Resultaria numa igualitarização albanesa, ou seja, um nivelamento por baixo, como observou Ricardino Neves, em que as regiões com reais potencialidades para crescer ficariam com as pernas cortadas, sem que, em contrapartida,
melhorasse significativamente a situação das regiões mais deprimidas. Portanto, não reduzir consideravelmente a espessura do Estado central compromete os objectivos da regionalização.

      Perfila-se um outro problema que pode implicar com o funcionamento eficaz dos poderes regionais. Prende-se com a afirmação do PM sobre a intocabilidade das atribuições municipais. Experiências comparadas poderiam por si só demonstrar que não é um valor absoluto a manutenção dos municípios tal como existem quando se reconfigura de alto a baixo a administração do território. Basta um olhar realista para a escassa dimensão territorial e demográfica das nossas ilhas para logo ficar nítido que a criação do poder regional requer um reajustamento criterioso da organização autárquica e até mesmo a eliminação da figura do município, substituindo-a por estruturas inframunicipais de composição variável com o tamanho e a natureza de cada comunidade. Com o poder regional dimensionado à cada ilha, é um desperdício e ao mesmo tempo uma inconveniência institucional manter as actuais estruturas municipais como estão. O pragmatismo aconselha a repensar o poder municipal nas ilhas unimunicipais, substituindo-os por estruturas menores e com diferente estatuto jurídico, sob a dependência directa dos governos regionais. E porque não  o mesmo nas ilhas plurimunicipais? É inquestionável que as actuais facilidades de comunicação derrogam as razões que outrora determinaram a proliferação de municípios em ilhas de baixa densidade populacional. Além da medida de poupança em si, eliminar ou remodelar na administração pública local o que descartável ou redundante, contribui para que o poder regional se exerça sem se emaranhar numa teia de empecilhos e equívocos. 

      Outra questão também aflorada e suscitada durante o debate foi a criação de um parlamento bicameral, defendida por João do Rosário, Ricardino Neves e outros, mas não acolhido pelo PM, que argumenta que semelhante alteração iria atrasar a implementação da regionalização (2020), já que tal exigiria revisão da Constituição e do Código Eleitoral, além de, segundo ele, poder arrastar sine die o debate. Estou em concordância com os que alegam que a reforma em causa justifica que a Constituição seja revista para lhe poder consagrar a figura jurídica adequada e para, em oportunidade, acolher as restantes alterações tidas como convenientes. E acrescento que a reforma da organização autárquica seria outra medida a incluir. A pressa pode não ser a melhor conselheira perante uma reforma que assinala a transição para a III República.

      E então vem a propósito o chavão usado pelo conferencista Francisco Tavares de que “não há ilhas capazes e outras menos capazes”, induzindo a ideia de que são todas iguais. Se isso é verdade como abstracção ideológica quando se concebe a igualdade de acesso das populações aos bens essenciais, dir-se-á que, por antinomia, as ilhas são diferentes em função de uma série de factores: condições naturais; demografia; dinamismo social; provisão de quadros técnicos e de estruturas-base; enfim, massa crítica. Desta maneira, perante variáveis tão distintas na sua índole, utilizar indicadores estatísticos descontextualizados e obliterados do seu significado, não será a melhor metodologia para interpretar as verdadeiras causas das nossas assimetrias regionais. Essa tentativa ainda se perceberia se todas as ilhas tivessem sido objecto da mesma bitola de favorecimento político, ou estatal, pois a leitura dos indicadores ocorreria num plano de uniformidade de tratamento. Diferente é quando o progresso resulta do concurso de oportunidades históricas, que, fruto do acaso ou do determinismo, são produto da acção do homem e das dinâmicas sociais que livremente empreende e que, pela sua natureza, são difíceis de prever e de quantificar. As nossas ilhas têm, pois, diferentes capacidades para operar como pólos do desenvolvimento global do país. Cada um dos pólos deve ser magnetizado, conforme a sua capacidade de carga, para gerar riqueza em proveito próprio mas, acima de tudo, do
conjunto nacional. Por isso é que também não é pertinente apregoar que “ninguém fica para trás”, porque todas as ilhas, sendo iguais mas no entanto diferentes, deverão posicionar-se na linha de partida envergando a camisola a que fazem jus pelo curso da sua história e pelas dinâmicas sociais e culturais que geram. Portanto, em vez de retórica moralista vazia de sentido prático, impõe-se uma atitude racional e o sopeso conveniente da realidade. 

      Mas esta questão não vem por acaso. O PM tem afirmado que São Vicente iria crescer, mas com o investimento privado. A afirmação, podendo ser pacífica, preocupa porque a mesma sentença parece excluir Santiago, a ilha que nas últimas décadas mereceu o privilégio do investimento estatal. Na verdade, não é aceitável que, ao contrário de Santiago, São Vicente só possa progredir e sair da letargia a que foi votada pela política centralista se o investimento privado vier a toque de caixa bater-lhe à porta. Os mais optimistas ou mais crédulos dirão que é pela reminiscência histórica do passado da ilha de São Vicente que o PM acredita na reedição do milagre do maciço investimento privado que outrora fez dela a principal geradora de receitas do arquipélago. Mas os mais pessimistas ou realistas dirão que hoje nem Jesus cristo consegue operar milagres de semelhante calibre. É certo que as ilhas do Sal e da Boavista saíram do “estado de natureza” das suas potencialidades naturais porque o investimento exterior as contemplou, mas a regionalização pode ser também a oportunidade para uma reflexão sobre o modelo de turismo que mais convém ao relançamento da nossa economia. 

      Em suma, é impossível, se não indesejável, fazer das ilhas réplicas umas das outras. Aquelas onde o empreendedorismo privado tiver larga primazia sobre a iniciativa do Estado, caminharão pelos seus próprios pés e é sempre difícil prever até onde, por estarem em causa variáveis que não dependem exclusivamente da sua vontade. Outras, pelas suas características, necessitarão mais do amparo do Estado, em grau variável. No entanto, todas as ilhas devem ser as mesmas portas de entrada e saída de todos os cabo-verdianos, de Santo Antão à Brava. Ao Estado compete melhorar as ligações internas, em especial as marítimas, para, juntamente com as actuais tecnologias de comunicação, serem criadas todas as condições para os cabo-verdianos se sentirem cidadãos de parte inteira em qualquer das regiões, tornando irrelevante a pertença a esta ou àqueloutra. Esperemos que doravante os gráficos e os indicadores estatísticos sirvam apenas para corrigir a rota.


Tomar, 31 de Março de 2018

Adriano Miranda Lima

quarta-feira, 28 de março de 2018

[10052] ONDE ESTIVE EM SETEMBRO DE 2017

CABO VERDE - SETEMBRO DE 2017

Esta é a minha praia de referência do arquipélago. Não me perguntem porquê, talvez porque ela guarde memórias minhas, e eu também as guarde dela. Certo é, que me sinto sempre em paz e completa harmonia, quando me banho nestas águas.

Alguém sabe onde estamos?

sábado, 24 de fevereiro de 2018

[10036] - REGIONALIZAÇÃO

Hoje dia 23 de Fevereiro de 2018, a Regionalização saiu da Clandestinidade.

Mais de meio século sobre o debate da Regionalização de Cabo Verde e quase 10 anos após o Lançamento do Manifesto da Regionalização, o governo promoveu hoje uma Conferência da Regionalização que decorreu na sala de conferências do Palácio do Governo da Praia. Foram convidadas várias personalidades, políticos, autarcas ex-ministro, até um ex-primeiro-ministros, e membros da sociedade civil, a maioria praiense, e alguma elite que dá as cartas no país. Após excelentes intervenções do Primeiro e Vice Primeiro Ministros as questões levantadas foram de excelente qualidade.
Esvanece assim a tese de que a Regionalização é uma cabala bairrista contra a ilha de Santiago, e que iria dividir Cabo Verde, já que a região mais pobre de Santiago, Santiago Norte, já reconhece as virtudes desta reforma e antevê ganhos. Paradoxalmente, alguns já até vêm na regionalização uma ferramenta que vai unir, já que vem colmatar lacunas deixadas pelo estado e diminuir as assimetrias. Vinga-se com esta adesão o conceito, e a batalha está praticamente ganha, já que se torna consensual de que Cabo Verde deve ser organizado como um país regional e não continental. O resto logo se vê, obviamente que não será um detalhe. Mas o importante é o consenso que se alcançou hoje.
Este evento é um marco importante pois a Regionalização sai da clandestinidade, deixa de ser encarada como subversiva, e já constitui uma futura ferramenta para a governação do país, como defendem com muito optimismo o governo e a maioria da classe política. Imaginem o caminho que foi percorrido a tinta vertida por um grupo reduzido de carolas para que este dia acontecesse?!!
A Regionalização não é um assunto novo tem quase dois séculos. Com efeito o decreto ministerial e de uma portaria régia, datada de 11 de Junho de 1838, decide que a capital de Cabo Verde sai da Praia e passa para Mindelo em São Vicente. Este decreto nunca foi aplicado já que a resistência política localizada na então capital inviabilizara a decisão, que nunca chegou a ser concretizada. Com efeito nesta altura Mindelo já era uma grande cidade como a conhecemos hoje, impulsionada pela presença britânica e do fluxo de população de todo o arquipélago e do mundo, ao passo que a Praia não passava de uma pequena aldeia com meia dúzia de ruas.
Ao longo do século XX a cidade do Mindelo era o paradigma do cosmopolitismo, constituída por uma forte elite intelectual cultural e económica. O seu protagonismo em todo o arquipélago era reconhecido em todo Mundo. A elite local reivindicou para a ilha um outro estatuto, em vez de depender da capital colonial que era a Praia. Na carta aberta do importante industrial mindelense, Jonaz Whanon a Bento Levy, influente advogado da Praia e deputado de Cabo Verde em Lisboa, intitulada 'NOTAS DO CANHENHO DE UM CABO-VERDIANO', JONAS WHANON' (http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/notas-do-canhenho-de-um-c…) revela o estado de lama dos mindelnses da época. É assim, que resultantes das pressões da elite mindelense, os poderes de Lisboa decidiram uma espécie de Regionalização de Cabo Verde, com a colocação de um governador para a Região Barlavento a partir de 1973, o que não veio a acontecer com o evento do 25 de Abril de 1974. Esta decisão não tinha motivações políticas de Lisboa, para contrariar a independência, tal como alguns defendiam, mas sim reconhecia o estatuto e a importância de Mindelo no contexto da época, já que era notoriamente impossibilidade transferir a capital para a ilha de S. Vicente.
Cabo Verde entra assim num novo ciclo e poderá afastar-se definitivamente dos países menos democráticos aprofundando a sua democracia com uma forte componente do poder local que é a Regionalização. Como disse o debate teve um bom nível, foram levantadas várias questões e abordado vários modelos, tendo sido apontados várias problemas e insuficiências do modelo do partido do poder, e até indicado soluções e modelos alternativos. O governo mostrou-se bastante aberto e até convidou ao envio de sugestões e contrapropostas. E seria bom que o PAICV principal partido da oposição apresentasse as suas ideias ou mesmo a sua proposta, já que a UCID tem desde o seu nascimento uma proposta federal para Cabo Verde, tal como defendeu hoje o seu representante.
Aguarda-se agora para a proposta definitiva do governo, estando ciente que o modelo que se decidir proximamente, não será estático nem definitivo, já que o modelo de Ilha-Região, sendo o mais consensual e viável na presente conjuntura, tem detractores e há modelos alternativos desde o modelo de duas Regiões, Barlavento Sotavento, ao de grupo de Ilhas e mesmo o modelo federativo da UCID. Neste momento alinho com a tese do Dr Rui Moreira, mais vale começar por um mau modelo, que se aperfeiçoa com o tempo, do que matar a Regionalização eternizando-a em querelas infinitas e sem solução. Nesta e noutras matérias o Bom é inimigo do Óptimo.

COLABORAÇÃO: JOSÉ F. LOPES

segunda-feira, 3 de abril de 2017

[10024] - A BRINCAR!...

Cabo Verde toca à campainha. “O Reino Unido saiu? Nós entramos”

Resultado de imagem para brexit

Ao som de Césaria Évora, o primeiro-ministro de Cabo Verde foi chamado a falar num evento do Congresso do PPE, na inciativa EPP Talks, em La Valeta, Malta. “Quem mostra bo es caminho longe?”, ouvia-se nas colunas enquanto Ulisses Correia e Silva se acomodava para falar. Em tom de brincadeira, conquistava pouco depois a sala repleta de europeístas: “Sei que é um dia triste para a Europa, porque o Reino Unido saiu, mas não seja por isso, nós entramos. Estamos in.” Cabo Verde é um país africano e por isso houve sorrisos por toda a sala, mas nem tudo é brincadeira: em breve, até euros vão poder circular em Cabo Verde.
Ulisses Correia e Silva falou em português, já que, com humildade, reconhecia não ter o suficiente domínio do Inglês para se exprimir da forma que queria. Humildade redobrada: foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Filipe Tavares, que foi fazendo a tradução, num tom profissional. Antes disso, Ulisses Correia e Silva ainda falou um pouco em inglês, mais uma vez captando a atenção da assistência, lembrando que dizem que todos os cabo-verdianos tocam um instrumento. It’s true. I play guitar. Luís [apontando para o ministro] play’s doors bells“. (“É verdade. Eu toco guitarra, o Luís toca às campainhas”).
Falando mais a sério, já fora da conferência, o primeiro-ministro de Cabo Verde lembra ao Observador que o país tem “há já algum tempo uma boa parceria com a União Europeia, construindo várias pontes“. E explica: “Começámos em 1998 com o PEC fixo do escudo em relação ao Euro, reconhecido pelo Ecofin, reduzimos ou eliminámos os riscos cambiais de transações com a Europa. Vamos implementar um programa de supressão de vistos para cidadãos da União Europeia. E temos um projeto de circulação do euro na economia cabo-verdiana. Vai-se suprimir assim mais uma barreira que é a da circulação monetária.”
Ulisses Correia e Silva diz, assim, que está “pronto para o in: é evidentemente que não somos um país europeu, e reconhecemos isso, mas as relações entre Cabo Verde e a União Europeia podem ir até onde for possível ir. Relativamente, não só a esta integração de espaços, mas Cabo Verde ter uma utilidade também dentro da região africana em que se insere, quer no domínio da estabilidade, da segurança, da promoção de valores comuns. Portanto, podemos ser úteis nesta ponte entre a Europa e África.”
Ulisses Correia e Silva falou ainda sobre a ida do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa ao país, entre 8 e 12 de abril: “Cabo Verde vai receber um grande amigo, que não é de hoje, que já foi a Cabo Verde várias vezes. Que tem relações muito estreitas. Vai ser um grande momento também da diplomacia e do estreitamento das relações ao mais alto nível, através do Presidente da República”.
O primeiro-ministro de Cabo Verde explicou ainda que o facto de ser presidente do MpD (Movimento para a Democracia), que é o partido homólogo do PSD naquele país, não afeta as relações com o atual Governo socialista de António Costa. Ulisses Correia e Silva destaca que “as relações são de Estado entre os Governos. O PSD e o CDS fazem parte da nossa família política, o PS tem também a sua família política. Temos boas relações institucionais, quer com o PSD, quer com o PS.Tranquilo. Nós fazemos a democracia funcionar quer do lado de Cabo Verde, quer do lado de Portugal.”
Texto de Rui Pedro Antunes 
in O OBSERVADOR

sexta-feira, 3 de março de 2017

[10015] - POEIRA DOS TEMPOS


Esta fantástica foto da "nossa" Praça Nova, foi-nos gentilmente enviada pelo Artur Mendes. Segundo o próprio, está datada do "Tempo de Canecadinha!" (Eu cá sempre ouvi "Caniquinha", suponho que a esta expressão corresponda um horizonte temporal, mais recente ;))

Alguém quer avançar com uma data mais "específica"!!!

Braça

Paulo Azevedo

(COLABORAÇÃO ARTUR MENDES)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

[9994] - ILHEU DOS PÁSSAROS...

Esta tranquila aguarela do Capitão Sarsfield (1845), oferece-me, pela vez primeira, uma ideia do porquê do nome "Ilheu dos Pássaros"...
(Remetida por A. Mendes)

[9993] - OFICIALMENTE... SEGUNDA...


O governo vai introduzir a partir do próximo ano lectivo o ensino do português como língua segunda com o objectivo de fortalecer a língua portuguesa no país, disse hoje a ministra da Educação, Maritza Rosabal.




O Governo vai contar neste processo com o apoio técnico de Portugal, ao abrigo de um acordo de cooperação assinado hoje, na cidade da Praia, pela ministra e pelo vice-presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, Gonçalo Teles Gomes.

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia, Maritza Rosabal apontou a baixa eficiência do sistema de ensino cabo-verdiano e sublinhou a necessidade de atacar este problema.

"A língua portuguesa é abordada como língua primeira de Cabo Verde, quando não é. Temos uma eficácia do sistema muito baixa, em que apenas 44% das crianças que começam o primeiro ano finalizam o 12º em tempo. Temos muitas perdas", disse.

Maritza Rosabal adiantou que entre os alunos cabo-verdianos a capacidade de leitura e interpretação e a proficiência linguística são questões que se colocam "com muita acuidade".

"Toda esta duplicidade linguística afecta o processo. Reconhecemos que a nossa língua materna é o crioulo, mas como língua instrumental de trabalho e de comunicação temos que fortalecer a língua portuguesa", sustentou a ministra.

A responsável assinalou também "algumas dificuldades" de Cabo Verde na inserção no espaço lusófono.

"O Brasil exige provas de língua portuguesa aos nossos estudantes, o instituto Camões exige provas de língua portuguesa o que quer dizer que, apesar de estarmos no espaço lusófono, começamos a não ser reconhecidos como um espaço com proficiência linguística em português", disse.

Por isso, já no próximo ano lectivo, o ensino de português como língua segunda ou língua não materna começará a ser introduzido no ensino pré-escolar (4/5 anos) e no primeiro ano no ensino básico, estendendo-se depois progressivamente aos restantes anos do primeiro ciclo.

Neste momento está em curso, segundo a ministra, a elaboração dos materiais com o apoio do instituto Camões, que irá ainda dar assistência técnica na elaboração de metodologias, programas e desenvolvimento e alteração de currículos.

O protocolo envolve os ministérios da Educação de Cabo Verde e Portugal e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua como entidade financiadora do projecto avaliado em 45 mil euros.

"O Camões será o financiador do protocolo, o ministério da Educação vai disponibilizar um dos seus quadros para vir para Cabo Verde trabalhar com o ministério da Educação cabo-verdiano na área do desenvolvimento curricular e capacitação técnica", explicou Gonçalo Teles Gomes.

(Expresso das Ilhas)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[9992] - RECUPERAR O ESPÍRITO CLARIDOSO...

Quem pode concluir por mim?
Sobre a prova produzida dos crioulos...

Alguém em Cabverde conhece? Escola primária, ensino liceal, universidade? Talvez, aos poucos, por net, comecemos a perceber melhor a razão de ser do nosso crioulo, da nossa Cultura e, também, do Crioulo. O que se fez em Cabverde foi muito grave. Gravíssimo. Foram crimes. Crime (crimes) contra a Humanidade. Amputaram gerações e gerações, já não contando com o tempo de Salazar, o grande amigo de Nhô Balta. Penso, quase tenho a certeza, as pessoas, naquele tempo de obscurantismo político, não o eram culturalmente: eram mais unidas, solidárias, lúcidas e muito informadas e conhecedoras. Brilhantes! Quiseram matar uma Geração de Ouro de Cabverde. Como aquela, outra não haverá! Temos o enorme dever de lutar por ela e expandir os seus doutos conhecimentos: a espinha dorsal de Cabverde.
Não podemos baixar os braços. Temos que também perseguir criminalmente os autores que são pessoas identificadas. Devemos ter a decência moral de obrigar as pessoas que executaram e geriram o golpe de estado cultural (complô ilegítimo historicamente, sem legitimidade na história e cultura cabverdianas) a responder publicamente.
E é isto e muito mais que, minhas senhoras e meus senhores, o PAICV e seus dirigentes andaram a esconder, a omitir, a não ensinar nas instituições de ensino de Cabverde intencionalmente.
O dever fundamental da Educação foi claramente violado. As anteriores e as atuais autoridades cabverdianas sabem-no perfeitamente.
A primeira pessoa a ter que responder, por razões e motivos já invocados na minha Acusação Pública, é o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga. Por ter sido governante, por ser professor universitário e doutorado por universidade francesa, matriz linguística. O senhor professor tem informação valiosa e conhecimento de mais realidades sobre o Crioulo, além daquelas que têm sido reveladas pela internet, facebook.
Na apresentação do seu livro “O Dialecto Indo-Português de Damão”, Monsenhor Sebastião Rodolpho Dalgado dá a informação da realização de trabalhos sobre os crioulos em curso e outros a concretizar, por ele e por outro investigador de nacionalidade europeia que não a portuguesa (Hugo Schuchardt). Indica, igualmente, a proveniência de vários crioulos (Cochim e Mangalor, por exemplo) e sua raiz comum. O próprio dá também a perceber, mais uma vez, sobre o caráter universal do Crioulo. Inclusivamente, Monsenhor Sebastião Dalgado invoca e refere-se a Leite de Vasconcelos, insigne Professor, como autor obrigatório para qualquer aluno de linguística e que verse, especialmente, sobre os crioulos.
Julgo que está mais que provado e demonstrado à saciedade que o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga nada fez em e por Cabverde de decente e de útil. Nada informou, nada ensinou, ensinamento académico idóneo algum transmitiu, nada de válido deu a conhecer em prol do Povo e Cultura Cabverdianas.
Julgo que está mais que provado e demonstrado que o Senhor Professor Doutor agiu com grave dolo.
Julgo que está mais que provado e demonstrado, agravado ao facto do conhecimento de que Manuel Veiga pertence a um grupo fechado do Facebook de investigação linguística sobre o crioulo falado em Korlai, Índia – surpreendido em flagrante delito por mim, figura jurídica mais próxima que me ocorre -, que o Senhor Professor Doutor agiu com intenção de prejudicar a criança e o jovem na sua formação académica, científica e cultural, o Povo e a República de Cabverde.
Mais que provado e demonstrado que o Ministério Público de Cabo Verde deve agir contra o Senhor Professor Doutor Manuel Veiga.
Depois de uma análise mais atenta do movimento do tempo histórico, constata-se que, com o advento da República em Portugal, o ímpeto de investigação crioulística abrandou bastante e que Baltasar Lopes da Silva tentou recuperá-lo, mas foi completamente abafado por Salazar e, depois, desrespeitado, destronado do seu árduo e profundo trabalho histórico, cultural e linguístico e, fundamentalmente filosófico – como que deitado ao lixo -, em prol das gentes da sua Terra, pelos seus próprios conterrâneos.
Destronaram Baltasar e a Claridade, para assumirem um poder cheio de nada e levarem Cabverde ao abismo de um país sem raízes, sem História, supérfluo, superficial e leviano.

José Gabriel Mariano, Lisboa, 6/12/016

Post scriptum:
Gent tá escoá. Gent tá fcá cu barrig cheu de basófia. Inchód e enchid.
Bzôt tud sinhor li tá conchê kel stória di pirú, qónd ta passa linha d’ iquador?
Post scriptum I:
Devo presar a minha saudação, a minha continência e homenagem a três pessoas a quem devo o maior respeito e a minha mais alta consideração. Por representarem, felizmente vigorosamente atuantes, e por me remeterem imediatamente aos meus mais doutos, cultos e carinhosos ensinamentos de Cabverd, desde infância. São, posso dizer, a Montanha viva e atuante da nossa expansão sobre a Verdade de Baltasar, a nossa Certeza. Como o Crioulo: andámos sempre unidos, mas não encontrados. Agora há o reencontro para continuar o trabalho. Bem-haja, meu Deus!

[9990] - ABANDONO TOTAL...


Victor Hugo Rodrigues partilhou a foto de Provedor De Mindelo.
 
Todas as entradas da Praia-Santiago foram asfaltadas, com os impostos do povo cabo-verdIano, ou com os milhões de dólares da ajuda americana e chinesa que, numa política correcta, devia contemplar todas as ilhas de Cabo Verde e evitar este triste espectáculo que ofende e agride o povo de S. Vicente. Esta é a estrada que liga Mindelo à Baía das Gatas, uma das praias onde todos anos se realiza o tradicional e consagrado Festival da Baía, que atrai milagres e milhares de pessoas, nacionais e estrangeiros. A indiferença e o abandono de S. Vicente, pelo governo da Praia, constitui crime de lesa-economia. Já não é só ódio, inveja ou complexo de inferioridade, é pura estupidez daqueles que lutam pelo poder para, na prática, satisfazerem os seus desígnios mais torpes, neste caso, enterrar S. Vicente!

N.E. - Se não nos falha a memória, esta estrada foi calcetada pela Empresa Construções, Lda. do Eng. Claro da Fonseca, aí pelos anos 60 do século passado, facilitando, assim, a deslocação dos muitos frequentadores da Baía-das-Gatas - das marinhas e das outras... Cremos que os mesmos motivos que, então, terão aconselhado o calcetamento, bem poderiam ter levado, tantos anos decorridos, ao asfaltamento...
Estamos convencidos, por exemplo, que hoje se irá da cidade da Praia à praia de Quebrá-Canela por estrada asfaltada... Ou  não?!

[9988] - A CENTRALIZAÇÃO ENDÉMICA...

«São Vicente continua sob os auspícios de uma centralização desmedida» - Augusto Neves
 «São Vicente continua sob os auspícios de uma centralização desmedida» - Augusto Neves,
o presidente da Câmara Municipal considerou hoje que São Vicente continua a viver sob “os auspícios de uma centralização desmedida” e questionou o destino dos impostos e taxas municipais cobradas na ilha, nomeadamente as turísticas, ecológica e rodoviária.



Augusto Neves falava no período antes da ordem do dia, na primeira sessão ordinária na Assembleia Municipal, depois das últimas eleições autárquicas. Neves afirmou que apesar da cobrança das taxas, a autarquia continua obrigada a tapar os buracos das estradas e fazer “um duro” trabalho de limpeza durante as últimas chuvas.
Augusto Neves questionou ainda sobre o que fazer com “o número elevado” de jovens desempregados em São Vicente e atribui a situação ao que chama de centralização do poder.
“Não se concebe uma nação que possa viver e, sobretudo, prosperar com uma forte centralização governamental. A centralização só serve para irritar os povos a ela submetidos”, considerou.
“Numa palavra, a centralização é mestre em impedir”, acrescentou.
Por isso, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente entende que é preciso que o novo governo se aplique “para dar aos homens esse gesto pelo futuro”.
A sessão ordinária na Assembleia Municipal decorre hoje e amanhã. Um dos principais pontos é a apreciação e aprovação do plano de actividades e orçamento para 2017.  

FretsonRocha - Expresso das Ilhas


[9987] - QUANTO VALE A DEMOCRACIA?!

Alcindo Amado
O CUSTO / BENEFÍCIO DA NOSSA “DEMOCRACIA”
07 Dezembro 2016 - A Semana
TUDO INDICA QUE CABO VERDE PRECISA, URGENTEMENTE, DE UM NOVO MODELO DE GOVERNAÇÃO MAIS EFICAZ E MENOS CUSTOSO

O CUSTO / BENEFÍCIO DA NOSSA “DEMOCRACIA” 




Como é possível, num país que não tem onde cair morto, com 60% da sua população a sobreviver, com crianças na rua à busca do pão de cada dia, ter-se a coragem de esbanjar UM MILHÃO E QUINHENTOS MIL CONTOS de quatro em quatro anos, em eleições viciadas que não trazem nada de novo ao país, a não ser mais miséria? Isto vai ter que acabar de um jeito ou de outro.

É mais que evidente que não dispomos de um SISTEMA POLÍTICO credível, mas sim de um “ESQUEMA” inteligentemente montado para satisfazer os interesses instalados de uma cambada de alegados gatunos e oportunistas que o integram e/ou gravitam à volta do poder em Cabo Verde.

Vamos ter que optar por um sistema de governação mais funcional, menos dispendioso e socialmente inclusivo, e sobretudo capaz de trazer de volta a segurança e tranquilidade à população. Estaremos na disposição de erradicar a criminalidade da nossa sociedade, e resgatar a paz e tranquilidade, para que serenamente possamos construir um Cabo Verde de futuro, para que todos aqueles que hoje querem partir, venham a ter a vontade de ficar. Tudo faremos para resgatar Cabo Verde, mesmo que as forças da circunstância vierem a ditar a construção de uma prisão tipo “Guantánamo” para isolar os socialmente indesejáveis por tempo indeterminado.

Esta hipótese está sendo cozinhada a lume brando. Tudo vai depender do desempenho do Governo saído das últimas eleições. Caso este cenário não mudar durante a 9ª Legislatura, não vai haver mais eleições em Cabo Verde.

Estamos plenamente convencidos de que os problemas de Cabo Verde não se resolvem com eleições. Temos duas hipóteses – continuar a sustentar este califado que hoje temos, ou construir uma NAÇÃO capaz de nos orgulhar a todos.

A actual situação exige uma mão dura para combater a criminalidade e outros males sociais em Cabo Verde. Por outro lado, serão colmatadas as deficiências de governação que poderão estar na origem da calamidade social que se vive neste país. Temos neste momento um barril de pólvora prestes a explodir, e ninguém faz nada para o desativar. Trata-se da nossa Juventude, que constitui aproximadamente 63% da população. Os jovens não tiveram uma infância digna e o seu futuro, a cada dia que passa, vai ficando cada vez mais nebuloso.

A origem de tudo isto está numa política abstrata de governação que pura e simplesmente ignorou o investimento na infância. Neste momento também, não se vislumbra qualquer mudança de paradigma no sentido de colmatar este mal social.

Não é por acaso que as nossas prisões estão superlotadas de jovens que nasceram depois da nossa independência. É evidente que falhamos, ou melhor, não soubemos lidar com este fenómeno social. Durante estes quarenta anos, abandonámos a nossa juventude e hoje estamos colhendo os frutos. Crianças desamparadas que não tiveram outra alternativa senão enveredarem para a criminalidade infantil de subsistência. Os desvios de comportamento infantil não acontecem per si. No caso de Cabo Verde a culpa tem dono – Um governo desleixado e sem visão de futuro.

Todavia, não é somente a camada jovem da população que constitui as vítimas do déficit de desempenho dos nossos governantes inexperientes e arrogantes. Uma grande percentagem da população adulta têm vindo a comer o pão que o diabo amassou.

Um olhar atento e comparativo ao “modus vivendi” do povo, de Santo Antão a Brava, nomeadamente no mundo rural e nas periferias dos maiores centros urbanos, e à riqueza abusivamente ostentada pelo “clã” que constitui o Poder Central e os “donos” das câmaras municipais geralmente endividadas e tecnicamente falidas, depara com um desequilíbrio social abismal, originado por políticas desajustadas, falta de uma visão clara de desenvolvimento equilibrado, por parte do Poder Local eleito, agravado pelo desleixo ou mesmo abandono de importantes regiões do país, por parte do Governo Central, comodamente instalado na cidade da Praia.

Não sou defensor da síndrome de regionalização defendido por algumas pessoas que provavelmente estão focalizados nos seus interesses. Considero o poder razoavelmente partilhado, mas deficientemente exercido em Cabo Verde. Dada a pequenez do território nacional, defendo um governo integrado por nada mais nada menos que meia dúzia de pessoas competentes e moralmente intocáveis, chefias intermédias com alto nível de desempenho e não arrogância como é o nosso caso, política nacional centralizada e política económica descentralizada em que cada Ilha assume a sua vocação de desenvolvimento. Somos um pequeno país geograficamente descontinuado e extremamente pobre. Não temos espaço para alojar mais políticos-parasitas. Precisamos de homens e mulheres dispostos a trabalhar, de forma a produzir mais e consumir menos. Só assim poderemos criar alguma riqueza, e inverter o destino macabro destas Ilhas.

Vejamos, por exemplo, o cenário desolador que se vive em Cabo Verde: A Ilha de São Vicente alberga o segundo maior centro urbano, e é a região mais densamente povoada do país. Estes dois fenómenos, que infelizmente não apresentam uma paridade sócio-económica, nunca despertoaram a atenção dos governantes, sejam eles locais ou centrais. A economia da Ilha desapareceu por completo, Mindelo é hoje uma cidade fantasma, e do Porto Grande só restam memórias de um passado glorioso.

Santo Antão, a Ilha das montanhas e vales exuberantes, possuidora de um potencial de recursos naturais, nunca foi explorado convenientemente. Quando não chove o gado morre de sede, quando chove tudo é arrastado pelas cheias. O turismo de montanha (eco-turismo) o maior potencial económico da Ilha nunca foi explorada devidamente. Sabe-se que o turismo de montanha é o mais rentável dessa indústria em qualquer parte do mundo, e em Cabo Verde, se devidamente explorada, ultrapassa o turismo de cruzeiro e o turismo de sol e praia. O turismo de montanha que pode ser “economicamente” explorado nas Ilhas de Santo Antão, Fogo, São Nicolau, Brava e Santiago, é o modelo de turismo que pode impulsionar uma verdadeira economia rural em Cabo Verde, envolvendo directamente a população na venda daquilo que os turistas procuram e para o qual pagam bem, que é o serviço, e também a venda da nossa cultura como produto de marca.

A Ilha de São Nicolau, interior da Ilha de Santiago, Ilha do Maio, Brava e Fogo, carecem de políticas sociais e económicas sólidas, capazes de melhorar a qualidade de vida e fixar os residentes.

A Ilha do Sal está em decadência, dada a negligência dos sucessivos governos em proteger e negociar melhor os interesses económicos da Ilha, nomeadamente a viabilidade do Aeroporto Amílcar Cabral que, como é do domínio público, é deficitário, assim como os restantes aeroportos do país, exceptuando o da Boavista, que por acaso é a Ilha que apresenta o melhor crescimento económico do Pais, independentemente de uma política de habitação inexistente, e deficiente investimento na segurança pública, o que poderá vir a prejudicar ou mesmo afugentar o potencial turístico da Ilha. Governar Cabo Verde não é tarefa para qualquer um, e os problemas do dia a dia não se resolvem à martelada.

Nesta base, devemos investir em personalidades competentes, honestas e sobretudo patriotas para governar o país, de forma a encontrarmos uma saída para um desenvolvimento sustentado e distribuído por todas as Ilhas, e promover o equilíbrio no índice de felicidade de todos os cabo-verdianos. O habitual abraço de fraternidade a todos, de Santo Antão a Brava.

Mindelo, 28 de Novembro de 2016.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[9985] - H O J E ...


O Artur Mendes informa:

Noticia do “Observador” ... Acordo de cooperação Portugal- Cabo Verde no domínio da Habitação e Urbanismo. (a assinar hoje, segunda-feira)...

Pelo que se depreende da noticia, S. Vicente, deve ficar de fora... É pena, pois seria uma boa oportunidade para uma visitinha histórico-turística  ao  Fortim, ao Eden Park, e a outras ruinas emblemáticas do Mindelo!

Braça

[9984] - POEIRA DOS TEMPOS...

(Remetida por Artur Mendes)

[9983] - COUP D'ETAT...


Golpe de Estado Cultural em Cabverde

A independência cultural de Cabverde foi facto histórico assumido, não declarado literalmente, pelo movimento intelectual e cultural da Claridade.
A declaração de independência de Cabverde, em 5 de julho de 1975, foi política, jurídica e administrativa. A sua autonomia como gente identificada, criadora da sua cultura, com usos, costumes e língua próprios tinha sido já constatada e afirmada durante os anos trinta do século XX.
O que se passou em 1975 foi apenas um culminar natural de um processo gradual de autonomia que se vinha fazendo notar e a afirmar ao longo da existência de Cabverde que teve como resolução sua independência política, jurídica e administrativa.
Já havia matéria-prima trabalhada e bem trabalhada. Já havia substância, conteúdo, para que as Ilhas pudessem afirmar-se como país, com gente capaz - formada, informada, ilustrada e ilustres pessoas – de gerir os seus destinos. Por isso fácil se apresentou ao PAICV assumir a gestão política e administrativa do país. Ao PAICV incumbia o dever Nacional de continuar o rumo traçado pelo movimento a Claridade. Ao Mpd igualmente incumbia prosseguir o mesmo rumo. Acontece que o tempo de governação desta força política apenas demonstrou leves intenções. O tempo parece não ter sido suficiente, com direito ao benefício da dúvida. Mas o tempo foi suficiente para mostrar falta de iniciativas.
Com o chegar da independência política, jurídica e administrativa, em vez de criar-se um ambiente de estabilidade social - porque tal proporcionava-se com gente adulta e madura que lá vivia e outra que previa o seu regresso, disposta a ajudar e a contribuir para a construção de uma Nação -, provocou-se um ambiente injustificado de instabilidade social e política, aberrante, pejado de complexos de inferioridade; criou-se o medo, a violência física e coacção moral, a perseguição sem motivos, a falta de respeito, a falta de tolerância, a falta de aceitação pela diferença (naquilo que era e é a concepção de igualdade e diferença no ideário totalitarista “paicêvista”), a falta de consideração pelos valores culturais e intelectuais do país em formação e afirmação cultural.
Desrespeitou-se profunda e gravemente o Povo, a sua História, a sua Língua, a sua Cultura.
Com a criação do Mpd procurou-se travar a sangria de completo desvirtuamento que se assistia e ocorria em Cabverde, mas tal não lhe foi possível, em tempo útil. Com o regresso do PAICV ao Poder, encabeçado por José Maria das Neves, vimos a confirmar a continuação, a prossecução, afirmação e finalização do GOLPE DE ESTADO CULTURAL em Cabverde.
Golpe de Estado que afastou de sua Terra muita gente de valor, com capacidade intelectual, cultural e científica e, fundamental, capacidade de trabalho.
José Maria das Neves e acólitos vieram confirmar o afastamento de grande parte da Elite de Cabverde, por medo, por complexo de inferioridade, para promoverem a sua própria mediocridade que salta e exala de seus poros respiratórios.
José Maria das Neves e acólitos apenas confirmaram a vontade antiga e assumida por alguns destacados elementos do PAICV em prosseguir outro qualquer rumo que não aquele traçado pelo movimento Claridade.
Quem são estes indivíduos para assim renunciarem, subvertendo-os, aos ditames já douta e superiormente plasmados em doutrina e apontados em política para Cabverde pelo movimento Claridade que respirava cultura cabveridana e o seu povo? Conduta política “paicêvista” que buliu direta e agressivamente com o fundamento de uma cultura política sã e com a política de e da Cultura em Cabverde.
José Maria das Neves e seguidores declararam expressamente guerra à nossa Claridade!
Incumbe agora ao Mpd retomar o seu trabalho que fora interrompido, cumprindo o benefício da dúvida.
Incumbe agora ao Mpd repor a Verdade Histórica, Cultural e Linguística de Cabverde. Repor o estado de direito democrático em todas as suas matrizes, matizes, vertentes e variantes. Repor e assumir a Claridade como fonte estruturante e constitutiva de uma nação, da Nação Cabverdiana. 
O cabverdiano hoje não é apenas emigrante que vive na diáspora – linda palavra, mas enganadora – ou simplesmente ultramarino, mas é também um exilado político e um exilado cultural.
Desta feita é meu convicto entendimento que devemos todos, todo o Povo de Cabverde, das Ilhas e ultramarino, deve assumir e iniciar o caminho para a realização da nossa necessitada suave, doce e delicada revolução de mentalidades.

Lisboa,4/12/016,
José Gabriel Mariano

http://claridade.org/temas/claridade/

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sábado, 3 de dezembro de 2016

[9974] - DUVIDA LEGITIMA?!


“Se em 1975 tivesse adiado por um pouco a independência, possivelmente Cabo Verde tê-la-ia adiado até hoje”, afirmam os professores universitários José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin, num artigo hoje publicado no jornal português ‘Observador’.



Seria hoje Cabo Verde um país independente se, em 1975, tivesse optado pela autonomia? A entrada de Portugal naquela que, na altura, se designava de CEE teria provavelmente adiado esse sonho, apontam os professores universitários José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin.

Fazendo inicialmente um retrato sobre o que eram as Canárias antes da entrada de Espanha na CEE e aquilo em que se tornaram, os dois autores recordam que aquela região espanhola era, em 1986, “uma das regiões mais pobres da Europa”. 30 anos passados e o arquipélago transformou-se “beneficiando das ajudas europeias e do acesso ao mercado único, o crescimento do rendimento dos seus habitantes tem sido acelerado, o seu desenvolvimento económico tem sido rápido e o bem-estar das suas populações tem aumentado significativamente”.

E é aqui que entra a possibilidade de Cabo Verde ter, em 1975, optado por outro caminho qe não o da independência. Em 1975, “Cabo Verde, um arquipélago ao largo da costa africana a sul das Canárias, tinha-se tornado independente, não só devido a vontade própria, mas também empurrado por vontade alheia”, escrevem José Miguel Pinto dos Santos e José Ramón Pin no texto publicado pelo ‘Observador’.

Reconhecendo o mérito de Cabo Verde “Verde ter agarrado a oportunidade quando ela lhe surgiu” e que desde então “não obstante a pobreza dos seus recursos naturais e de vários entraves estruturais ao crescimento, Cabo Verde tem feito um notável percurso de desenvolvimento económico e humano, e também de melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes, através da liberalização e abertura da sua economia”. Um caminho que fez com que Cabo Verde se tornasse num “país democrático, livre e em paz, e já deixou de ser um dos países mais pobres do mundo, como o era há quarenta anos”.

Mas, e se, questionam, Cabo Verde tivesse decidido adiar a sua independência? “Certamente que em 1976 se teria tornado numa Região Autónoma tal como os Açores e a Madeira. Depois, quando Portugal iniciou o seu processo de ascensão à CEE em 1977, decerto que teria sido também incluído, juntamente com os Açores e Madeira, no dossier de adesão. À medida que as diversas ajudas comunitárias de apoio ao desenvolvimento regional e humano tivessem sido disponibilizadas, e com a consciencialização de que ainda mais viriam no futuro próximo, o desejo de adiar o início do processo de independência, pelo menos entre aqueles que as recebiam e administravam, ter-se-ia intensificado”, apontam Pinto dos Santos e Ramon Pin.

Com a entrada de Portugal na CEE em 1986 e com a entrada dos apoios comunitários, “a vontade de adiar o projecto de independência nacional ter-se-ia alargado a uma faixa populacional mais ampla. É razoável assumir que dentro da União Europeia (UE) o crescimento económico cabo-verdiano teria ainda sido mais espectacular do que foi, mesmo que não resultasse no nível de rendimento que as Canárias têm hoje”.

Outra vantagem, apontam os dois autores: “E depois viriam ainda o Euro e Schengen. E uma vez dentro do Euro e de Schengen quem seria o cabo-verdiano que quereria a independência, deixar a UE e aderir à OUA?”

Hoje, Cabo Verde, estaria, enquanto membro da EU, a lidar “com uma crise de refugiados e a sofrer das decorrentes tensões sociais e falta de segurança”. “Não há UE sem senão”, ironizam.

“Se em 1975 tivesse adiado por um pouco a independência, possivelmente Cabo Verde tê-la-ia adiado até hoje. Provavelmente seria bastante mais rico. Mas de certeza que seria menos autónomo e independente. Mas, ter aproveitado a janela de oportunidade em 1975, terá sido visão estratégica ou acaso?”, concluem. (Expresso das Ilhas)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

[9971] - POEIRA DOS TEMPOS...

Remetida por Artur Mendes

[9970] - TI LOBO E CHIBIM...



Cauberde nunca se afirmará linguística, histórica e culturalmente contestando, mas sim assumindo-se!
“Ti Lob e Chibinh” é uma história tipicamente cauberdiana – cauverdiana-, contada em Casa, nas famílias. Eu e os meus irmãos conhecemo-la desde “rapazes novos”.
A história que segue em anexo – “Adiu e Cambel”- é contada em Damão. Pois aqui encontramos uma pertinente relação entre elas: o fundamento moral e social é o mesmo. A amizade, a amizade interessada, a esperteza, o logro, a intrujice, o abuso de coisa alheia, a consequência, a resposta inteligente, a ironia que é uma caraterística dos textos crioulos.
Proponho ao jovem, ao estudante – de História, de Línguas, Linguística, Filologia, Antropologia, Sociologia e outras áreas científicas - a todo o curioso cauberdiano interessado que procure realizar investigação ao nível da antropologia social, cultural e religiosa dos textos de Korlai, Ceylão (Sri Lanka) e Damão, mas não somente. Os resultados serão, seguramente, inesperados e entusiasmantes para qualquer pessoa. Revelarão, estou seguro disso, muitas características do cauberdiano no seu meio familiar, social, cultural e religioso. 
Assim é que em Cabo Verde deve fazer-se, e muito, muito mais: investigar. Tanta e tanta área para fazer investigação científica e obter nova e mais informação. Vejamos, exemplos. 
História: seminário de S. Nicolau- conjura/revolta dos Pintos, Goa, Abade Faria; 1787 – 1850; aquela frase lapidar de Gabriel Mariano de que “em Cabo Verde nunca houve escravatura”.  
Linguística: investigar os crioulos escritos e os falados, diacrónica e sincronicamente; 
Antropologia: analisar o comportamento familiar, social, cultural e religioso da pessoa cauberdiana... 
Apenas pouquíssimos exemplos, dentre inúmeros. Cauberde só está a perder e muitíssimo... “tud paicv e mv e ôtres mas pikinin”. O mal está feito, não há que chorar sobre o leite derramado. É recomeçar, simples, paciência! Recomeçar limpo e nos caminhos da interrogação e da busca pela Verdade Científica, Moral e Sentimental da nossa Nação! Que seja exemplo para todas as áreas académicas/científicas e da nossa sociedade. Que não se repita, nunca mais. Não esquecer, perdoar, no plano moral, não repetir e seguir caminho! - José Gabriel Mariano