Afinal não é esta noite que inauguro a mesa de "king"...De manhã, o Administrador disse-me que tinha que o acompanhar até ao Lumbala (cerca de 300 km) e, depois, já com o Chefe Pimentel, até ao Balovale na. então, Rodésia do Norte, hoje Zâmbia. O nome da vila também mudou para Zambezi e ficava a cerca de 200km (ou mais) do Lumbala.
Claro que não perguntei ao que íamos e foi já a caminho da Rodésia que deduzi que se ía em missão quase secreta, falar com uns chefes indígenas...Só meses mais tarde, quando a rainha Nhacatole mudou de "pátria", é que entendi a finalidade desta viagem...
Ao fim de quase cinco horas de viagem, chegamos, nos arredores de Balovale (começava a cair a noite), a uma "Resthouse" que era uma espécie de hotel de estrada mas sem empregados à vista...Era uma construção que tinha três módulos formando um U: do lado esquerdo havia uma série de casas de banho (com água quente e tudo); do lado oposto, uma ampla cozinha com várias bocas de gás, louças, talheres, um frigorífico com manteiga, fiambre, queijo, sumo de laranja, leite, salsichas, bacon e nas prateleiras, ovos, pão, café, chá, geleias, bolachas várias, torradeira, máquina de café, açúcar, mel, etc., etc.
Entre a cozinha e as casas de banho havia oito quartos com camas duplas e os móveis essenciais, tudo ao longo dum corredor coberto que percorria a totalidade da construção...E, como é que tudo isto funcionava? Parecia inacreditável mas cada hóspede deixava num cacifo com o numero do seu quarto, o valor da dormida e dos géneros que consumisse pois tudo tinha o preço marcado. Era só preencher uma lista com os nomes de tudo o que se podia consumir com a quantidade e os respectivos valores, somar e deixar a quantia em dinheiro, nome e morada permanente, sem esquecer a gorjeta. Mas, havia mais: quando as pessoas se fechavam nos quartos deixavam os sapatos à porta e, no dia seguinte, às 06,30, entrava um funcionário no quarto, pé-ante-pé e depositava uma bandeja sobre a cómoda, com uma garrafa termos de café, outra de chá, uma leiteira cheia, açúcar e bolachinhas de água-e-sal...Trazia também, para dentro, os nossos sapatos, devidamente engraxados e desaparecia sem fazer ruído...Este era o único "contacto" visual que se tinha com os invisíveis funcionários do exemplar hotel do deserto...
...Continua...



Relato de fazer crescer a água na boca. Onde é a paragem do autocarro para fazer a viagem no tempo?...
ResponderEliminarBraça,
Djack
Algures, em pleno deserto, entre Zambezi e a frnteira de Angola...
ResponderEliminar