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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

[10008] - REGRESSO...


Exactamente trinta dias depois, regressei ao meu cantinho... Está tudo como devia estar, já o locatário, como se sabe, está bem diferente, infelizmente, para pior...
Mas, como creio já ter escrito algures, posso ser, agora, fisicamente incapacitado mas continuarei a lutar para ser mentalmente activo...
Peço que me desculpem este silencio de alguns dias, mas, como compreenderão, há rotinas que têm que ser adaptadas à minha condição actual que requer muita ajuda externa para o que conto com o apoio desvelado da Maiuca que me ajuda a suplantar as dificuldades mecânicas com que me defronto.
Agora, como sempre, aliás, estou nas mãos do destino e, se prometo não me divorciar deste nosso Arrozcatum, também não posso garantir uma presença tão alargada como era habitual... Creio, no entanto, que com o passar do tempo - seja ele quanto for - eu consiga aumentar a constância das minhas intervenções...
Termino este capítulo da minha existência com um abraço colectivo aos amigos/as da nossa confraria mais restrita  mas englobando no mesmo amplexo todos os que, de uma forma ou de outra, me manifestaram as suas  preocupações e "torceram" pelo alivio dos meus males... Um obrigado a todos, do mais fundo do meu coração! 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

[9959] - A U S Ê N C I A ...

A minha médica de Pneumologia, uma ainda jovem carioca de nome Heidi Liberato, detectou numa das TACs aos meus pulmões, um nódulo persistente, desde 2015 que merecia alguma atenção e, ontem, lá fui - uma vez mais - de abalada até ao Hospital Amadora/Sintra para uma Biópsia ao aludido nódulo, operação levada a cabo com a ajuda do aparelho dos TACs...Eram nove horas quando fui e eram quinze quando regressei a casa...
A colheita de amostras do tal nódulo foi feita através de uma incisão na base da omoplata direita com o apetrecho ilustrado ao lado e que é, fundamentalmente, uma fina lâmina de aço que abre caminho a uma cânula finíssima através dos tecidos e do pulmão até ao nódulo onde são colhidas pequenas amostras por efeito de sucção e que, agora vão ser submetidas a análise... Vamos lá a ver se não arranjei mais sarna para me coçar... A conselho do médico guardei o leito, desde que regressei a casa até hoje de manhã e, durante o dia de hoje, não devo fazer esforços, mantendo-me sentado o máximo que me for possivel... Devo adiantar que, para além de um ténue sensação de queimadura aquando da introdução da lâmina não registei qualquer incómodo de maior e não fui acometido por nenhuma das possiveis sequelas referidas pelo clínico...Fica, assim, justificada a minha ausência de ontem e a minha menor visibilidade de hoje...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

[9914] - É ILEGAL, O CASAMENTO GAY ?!

Sexta-feira 15 de julho 2016


 Estrasburgo, França. - Por unanimidade, o Tribunal líder mundial dos Direitos Humanos estabeleceu textualmente que "não existe o direito ao casamento homosexual"


Os 47 juízes dos 47 países do Conselho da Europa, que integram o pleno do Tribunal de Estrasburgo (tribunal mais importante do mundo dos direitos humanos) emitiram uma declaração de grande relevância, que tem sido surpreendentemente silenciada pelo progressismo informativo e sua área de influência.

Na verdade, por unanimidade, os 47 juízes aprovaram o acórdão que estabelece que "não existe o direito ao casamento homosexual"

A sentença foi baseada num sem número de considerandos filosóficos e antropológicos baseados na ordem natural, senso comum, relatórios científicos e, claro, no direito positivo. Dentro deste último, principalmente, a sentença foi baseada no artigo n ° 12 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Dito é equivalente aos artigos dos tratados de direitos humanos, como no caso do 17 do Pacto de San José e No. 23 do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.

Nesta histórica, mas nada divulgada, resolução, o Tribunal decidiu que a noção de família não só contempla "o conceito tradicional de casamento, ou seja, a união de um homem e uma mulher", mas também que não devem ser impostas a governos a "obrigação de abrir o casamento a pessoas do mesmo sexo".

Quanto ao princípio da não-discriminação, o Tribunal também acrescentou que não existe qualquer discriminação, já que "os Estados são livres de reservar o casamento a apenas casais heterossexuais."

Nós precisamos de divulgar este tipo de notícias, porque vai haver governos que não querem que as pessoas saibam.

http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/2016/09/02./

Sugestão de
Valdemar Pereira







segunda-feira, 31 de outubro de 2016

[9862] - EVOLUÇÃO HUMANA...

Nº 2 -SOBREVIVER

Evoluir significa desenvolver. Nós, seres humanos, gostamos de pensar que temos evoluído de forma maciça. Mas temos realmente?  Estes desenhos certamente dão-nos algumas pistas de reflexão. Eles farão rir também, mesmo que seja o riso do desconforto!


Sugestão de Adriano M. Lima


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

[9813] - MEMÓRIA DE "IL MONDO"..


Esta, claro, é uma edição de luxo do "Il Mondo",  que Jimmy Fontana tornou célebre quando, em Abril de 1965, lançou a canção em Itália, em disco de 45 rpm... Desde então, dezenas de artistas de línguas várias interpretaram esta vibrante musica que, no entanto, aqui recordo por razão talvez por demais egoísta: é que terão  decorrido mais de quatro décadas desde uma noite memorável em que, no palco do Eden-Park, cantei esta espécie de hino, acompanhado pela Voz de Cabo  Verde!
Nessa noite, tive outro pequeno minuto de glória, com outra canção de que, um dia destes, falarei...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

domingo, 14 de agosto de 2016

[9566] - PAPINHA...TECNOLÓGICA...


Aínda me recordo bem das autênticas "batalhas" que eram dar de comer aos meus filhos quando aínda bebés e, mais tarde, aos meus netos... As horas da papa eram exercícios de paciência em que era necessário deitar mão a uma vasta gama de estratégias das quais, o aviãozinho era a mais utilizada... No fim, metade da papa tinha escorrido para o "babete" e o braço estava entorpecido de tantas voltas e reviravoltas ao som dos "vum-vuns" onomatopeicos... Finda a batalha, a vida regressava ao normal durante umas tantas horas até à refrega seguinte, numa rotina que tinha tanto de fatigante como de exultante...
Ontem de manhã, no restaurante onde fui, com a Maiúca, comer a sardinhada dos sábados, vi algo que, de certa forma, me chocou...Uma mãe, muito jovem, dava a papa ao seu bebé, com a ajuda de um desses telemóveis inteligentes que debitava um vídeo acompanhado por uma melopeia sonora mas que captava, de forma quase hipnótica, a atenção do miúdo - ou miúda - que lá ía abrindo a boca em sequência cronométrica, nitidamente robotizada...
A tecnologia acabou, neste pormenor, por dar cabo do romantismo que envolvia as heróicas lutas de dar a papa aos bebés e, naquele momento, aflorou-me aos olhos uma lágrima de imensa saudade dos bons tempos em que não havia telemóveis a substituír o aviãozinho que transportava toneladas de amor e carinho em cada colherada de papa!










[9565] - HINO À LIBERDADE...


Mulheres Sirias queimam burcas em sinal de regozijo pela libertação da sua cidade do jugo do ISIS!

sábado, 13 de agosto de 2016

[9562] - O QUE SERÁ (Á FLOR DA TERRA...)..


NÃO CONFUNDIR COM "À FLOR DA PELE"
 

Em 1976, Chico Buarque teve o vislumbre do que seria o seu - nosso - mundo, 40 anos
mais tarde, numa professía que o próprio Nostradamus não repudiaria assinar por
baixo, nos idos do século XVI..
.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

[9513] - VIAGENS AO PASSADO...



                                                   SENTIMENTOS RETROACTIVOS

Aquela “rapariga branca”


     De vez em quando, acordo de madrugada e sou repentinamente assaltado pela recordação de episódios remotos da minha vida. Guardados na memória, de onde nunca saíram nem se deliram nos seus pormenores, estão arrumados em prateleiras que a mente constrói para não colapsar sob o peso do quanto vai sendo acumulado.
     Em Julho de 1967, era, desde há quase dois anos, comandante de um pelotão no Leste de Angola (Zona de Intervenção Leste), que se tornara de intensa actividade de guerrilha, a partir do momento em que o MPLA resolveu abrir a chamada “Frente Leste”, reduzindo a pressão no Norte. No decurso de várias acções, diferidas no tempo, o meu pelotão havia perdido em combate duas praças, um cabo e um soldado, e sofrido dois feridos com alguma gravidade, mas que regressaram à actividade depois de hospitalizados e recuperados. O pelotão, que era independente, isto é, não integrado em companhia, estava de reforço a um batalhão sediado num lugar que se chamava Gago Coutinho, hoje designado Lumbala Nguingo. 
     Por essa altura da nossa comissão, entendendo os comandos superiores que as tropas da zona já tinham a dose suficiente de desgaste físico e moral, foi ordenada a sua rendição e transferência para região mais tranquila. O batalhão foi para as zonas de Benguela, Lobito e Moçâmedes, onde não havia guerra, e o meu pelotão para Luanda, integrando a Reserva da Região Militar de Angola. Foi assim que deixámos o mato e rumámos a Luanda, num percurso terrestre de quase dois mil quilómetros, tendo ficado aquartelados no Campo Militar do Grafanil, uma mega infra-estrutura militar localizada nos arredores daquela cidade. Para trás ficaram dezanove meses de isolamento e constante tensão psíquica.
     No Grafanil, ficámos disponíveis para a escala de missões de escolta a colunas de reabastecimento para a Zona de Intervenção Norte. Mas foi sol de pouca dura a permanência em Luanda. Um mês depois, éramos transferidos para a Fazenda Tentativa, um colossal empreendimento agro-industrial, cerca de sessenta quilómetros a norte de Luanda. A Fazenda Tentativa integrava uma extensíssima plantação de cana-de-açúcar, cujos canaviais se espraiavam pelas margens do rio Dande, e uma fábrica para a transformação no produto final – o açúcar. Tudo isso pertencia à Companhia de Açúcar de Angola, que exportava o produto para todos os cantos do império. Nunca tinha visto um empreendimento daquela extensão, possuidor de muitas valências e autónomo nas suas funcionalidades orgânicas e sociais. Com efeito, a Fazenda possuía apoio sanitário próprio, igreja, hospital, farmácia, laboratório de análises, escola, um cinema ao ar livre, e até um improvisado campo de futebol. A infra-estrutura fabril, com vários armazéns, era enorme e debitava continuamente na sua função de produzir açúcar e outros derivados, mas com o inconveniente de poluir o ar com a fuligem das suas chaminés, conspurcando as roupas de quem estava nas imediações. A cana crescia livremente nos extensos hectares formando um matagal intransponível, a qual, depois de cortada, era transportada em pequenos vagões que rolavam por carris de ferro puxados por tractores desde o local da colheita até à fábrica.
     A mão-de-obra agrícola era privativa, instalada num grande aldeamento tipo roça, constituído por modestas habitações de alvenaria para alojar os trabalhadores e suas famílias, que seriam de muitas centenas se não milhares. A direcção e os funcionários dos serviços administrativos viviam em moradias com os requisitos normais de conforto. Enfim, aquele complexo surpreendia pela sua grandiosidade e pela modernidade da sua concepção, embora se questione a óbvia exploração da mão-de-obra barata que era garantida pela população indígena, e também por cabo-verdianos, que suponho terão ido para Angola com contratos que não difeririam muito dos das roças de S. Tomé no que concerne à questão laboral. Tinham, é certo, habitação e assistência sanitária, e eram-lhes fornecidos alguns géneros alimentícios essenciais (farinha, peixe seco, óleos), mas a remuneração monetária era indubitavelmente de valor irrisório, como viria a saber.
     Em instalações adaptadas dentro do perímetro da Fazenda, encontrava-se sediado um comando de batalhão, apenas com uma das suas companhias orgânicas, estando as restantes três aquarteladas no Grafanil. Esse comando de batalhão exercia o comando de um subsector militar naquela região, o qual integrava ainda duas companhias de origem diferente, instaladas, respectivamente, na vila do Caxito e na localidade das Mabubas, onde havia uma barragem hidroeléctrica.
     Toda esta sucinta descrição serve para introduzir o que vem a seguir, que é do foro mais íntimo. Na Fazenda Tentativa, onde reencontrei alguns camaradas alferes que eu já conhecia, por terem embarcado comigo para Angola na mesma viagem do navio Vera Cruz, ao tempo transformado em transporte de tropas para a guerra do Ultramar, foi-me proporcionado algum retorno à “civilização”. No entanto, apesar da situação de descompressão que passámos a fruir, fomos empenhados em certas missões, como aconteceu com a protecção militar à safra do café na região de Uíge e a ocupação durante um mês do destacamento militar da Barra do Dande, junto ao mar.
     Depois da minha chegada à Tentativa, soube logo que havia dois cabo-verdianos funcionários dos serviços administrativos da Fábrica, ambos naturais de Santo Antão e pertencentes a duas famílias conhecidas da Vila da Ribeira Grande, respectivamente, de apelidos Medina e Benrós, com os quais viria a estabelecer contacto e relações pessoais, tendo, inclusivamente, sido convidado para o almoço do dia de Natal em casa do Benrós, que era casado. Ambos eram bem mais velhos que eu, pelo que não havia um conhecimento pessoal que remontasse ao tempo do liceu Gil Eanes.
     Certo dia, um alferes disse-me: − “Lima, há uma rapariga cabo-verdiana branca entre os pretos do aldeamento dos trabalhadores. Ela é mais ou menos da nossa idade e parece que vive com um deles. Destoa completamente naquele meio”. Respondi-lhe que podia, de facto, dar-se o caso que lhe atraiu a atenção, já que em Cabo Verde o processo da nossa miscigenação ocasionou e continua a ocasionar os mais diferentes tipos étnicos, embora com predomínio da cor escura. Mais adiantei que na nossa terra, dum modo geral, o comum das pessoas não interioriza a cor da pele como um factor de diferenciação social, sendo até vulgar verem-se pessoas de cor branca em condição muito modesta e outras de tez escura bem instaladas na vida. Prestado este esclarecimento, o tempo foi fluindo, entre as rotinas da vida militar e as horas de ócio. Um dos passatempos era o jogo de cartas, em que o tenente-coronel comandante participava. Bracarense, era homem de poucas palavras e pouco aberto a elucubrações, fossem elas de teor genérico ou, muito menos ainda, de natureza política. Mas um dia, a dado passo da conversa, teve este desabafo: “ Estamos aqui desterrados a guardar tudo isto, que não passa de um negócio de exploração de mão-de-obra barata para não dizer escrava. Os donos vivem principescamente nos seus palacetes no Estoril e em Cascais e estes desgraçados são pagos com uma macheia de farinha e um salário miserável”. Surpreendeu-me ouvir isso de quem ostentava um ar sisudo do alto da sua avantajada estatura. 
     Aconteceu que, certo dia, estando eu em frente da instalação que funcionava como messe/bar para os oficiais, apercebi-me de uma jovem mulher que vinha na companhia de outra igualmente jovem. A diferença entre as duas é que uma era branca e outra escura, mas ambas descalças e com vestes modestas, em tudo denunciando-se a sua condição social. A branca poderia, como é normal em Cabo Verde, ser mestiça, mas as suas características pouco ou nada o denunciavam. A outra, embora de tez escura, pareceu-me do tipo cabo-verdiano, pelas feições regulares e até pela sua pose natural. A branca susteve o passo e simulou continuar a conversa com a companheira, mas ficando a olhar detidamente para a minha pessoa, pouco ou nada disfarçando a curiosidade. Tal como eu soube que havia uma cabo-verdiana “branca entre os pretos”, ela, provavelmente, terá tido conhecimento de que havia chegado um oficial cabo-verdiano à guarnição militar. Por momentos, senti-me algo confuso porque a mulher olhava-me da cabeça aos pés, ao passo que eu, pela discrição que me é própria, não correspondia com igual desfaçatez, mas sem deixar de notar que ela possuía um rosto atraente, de tez bem clara, feições regulares e cabelos castanhos lisos e corridos. Seria ela a tal cabo-verdiana “branca” de que me falara o meu camarada? Viria a saber que sim e que ela era do Fogo e vivia com um natural da sua ilha, de outra cor de pele. Admiti que ela poderia estar a trabalhar na Fazenda em trabalhos domésticos e não propriamente na actividade da fábrica ou da plantação.
     Tempos depois, estando eu no cinema da Fazenda a ver um filme dos que ali se projectavam regularmente, verifiquei que a jovem em causa e, supostamente, o marido, ou companheiro, estavam sentados mais à frente e obliquamente ao sítio onde eu me encontrava. De novo, ela voltou a incidir a atenção sobre a minha pessoa, virando constantemente a cabeça para me olhar, pouco se importando com a presença do par ao lado. Houve mesmo uma altura em que este se virou para olhar na mesma direcção, talvez estranhando que a mulher persistisse naquela sua curiosidade. 
     Depois disso, não me recordo de ter voltado a encontrar a rapariga no meu trajecto dentro do imenso espaço da Fazenda. Até porque estive afastado da guarnição em duas missões diferentes e prolongadas, como atrás referi. De vez em quando, percorria de jeep a área do empreendimento, passando pelo vasto aldeamento dos assalariados, em tarefas ligadas à fiscalização da segurança militar do perímetro. Será que no meu íntimo a queria reencontrar, sabe-se lá movido por que instigações íntimas? Na verdade, não a esquecera. Sei que arrisco a que se veja nas minhas palavras o recalcamento de um inconfessável desejo secreto. Todavia, não houvera qualquer contacto entre nós, sequer uma conversa, apenas uma silenciosa e tensa curiosidade recíproca, ostensivamente assumida por ela e convenientemente mitigada por mim. Mas é aí que radica uma arreliadora ambiguidade no meu comportamento. Se lhe tivesse prestado uma especial atenção por causa da sua cor, estaria a cair na mesma armadilha mental que o meu camarada alferes. Ambas as raparigas que eu vi pela primeira vez frente à instalação da messe/bar eram cabo-verdianas. O interesse que me poderiam despertar a mim, um cabo-verdiano, só poderia ser em função do seu valor humano e não da cor da pele. Só que uma delas, a branca, é que aparentou uma atitude de interesse focalizado na minha pessoa, suscitado por mera curiosidade ou outro motivo. Daí eu admitir que talvez pudesse ter tido um comportamento diferente para com ela.
     A esse tempo, eu era um jovem tão discreto como hoje sou por natureza, contudo sem a actual capacidade de introspecção, fruto do posterior amadurecimento dado pelo tempo e de uma contínua reflexão sobre o sentido da vida. Hoje, com outro suporte interior, tento reproduzir, psicanaliticamente, e por mera hipótese, o que essa moça terá congeminado com os seus botões ao avistar o alferes conterrâneo. Oriunda de uma terra em que as diferenças étnicas eram quase irrelevantes nas suas consequências mais directas, terá encontrado nas paragens onde passou a viver, uma realidade diferente. Percebeu que havia discriminação pela cor da pele e que a estratificação social não era indiferente àquela condição. No entanto, ela, branca, ou quase, estava entre os “pretos”, sujeita ao mesmo fadário de pobreza e sonhos trancados. Com escassa instrução escolar, estava condenada a viver irremediavelmente no mais baixo patamar de vida, sem que a cor da pele lhe acrescentasse especial valia. Do outro lado, via alguém de tez semelhante à dela e no entanto possuindo um estatuto social diferente, vivendo entre os “brancos”. Porque é que, sendo ambos filhos de terra minguada de recursos, viviam em realidades opostas? Que oportunidades divergentes houve para justificar a deriva dos seus percursos de vida? Claro que as respostas a estas perguntas são do nosso conhecimento. Os trâmites da vida não são lineares, emaranham-se em teias que o destino tece ou o homem lhe proporciona com as suas acções. 
     Pois, é pouco provável que a jovem foguense, espírito simples, tenha entrado nesse intrincado campo de cogitações. Naquela idade, os seus impulsos humanos seriam, certamente, tão instintivos e naturais quanto eram então os do jovem alferes. Uma simples curiosidade feminina apenas a terá movido, não a conseguindo conter dentro dos limites das conveniências sociais, ignorando códigos de conduta mais sofisticados. Todavia, hoje penitencio-me de não ter mandado bugiar as convenções ou a prudência que me impediram de tomar a iniciativa de lhe falar para saber algo sobre a sua vida, não necessariamente por causa dela ou por reacção à sua indiscreta curiosidade, mas para saber dos nossos conterrâneos que ali trabalhavam de sol a sol para angariar o sustento. Quem sabe prestar-lhe, a ela e a outros, algum favor pessoal dentro das minhas possibilidades. Em boa verdade, os contactos na Fazenda que me permiti foram com pessoas mais próximas do meu estrato social e cultural. Era a atitude mais cómoda e mais conveniente para quem ainda andava na incipiência do amadurecimento psicológico, mais atraído para o óbvio e o senso comum, sem suficiente consciência de si para lançar âncora em fundos abissais. Embora com o arcaboiço psicológico de quem já tinha convivido com a Senhora Morte, o jovem Adriano ainda dormia a noite toda o sono tranquilo da inocência e não acordava de madrugada assaltado por longínquas recordações de factos e acontecimentos que não foram resolvidos em toda a plenitude da sua humanidade. 
     Que é feito dessa jovem conterrânea branca, pobre, de pés descalços, que me fitou demorada e enigmaticamente naquela manhã africana e naquela noite no cinema? Provavelmente seguiu o mesmo destino daquela terra martirizada pela guerra civil e pela selvajaria demencial. Deve ter comido o pão que o diabo amassou, como tantas outras criaturas inocentes e indefesas que sofreram penas e horrores por culpa directa ou indirecta daqueles que as queriam “libertar”. Confortar-me-ia que ela tivesse regressado ao Fogo e reconstituído a sua vida, quem sabe emigrando para a América ou outro destino risonho, deliciando-se com a presença de netos como eu.
     Quando, em Janeiro de 1968, deixei a Fazenda Tentativa para embarcar de regresso à Metrópole, observei pela última vez os extensos canaviais que se perdiam de vista no horizonte, ondulando ao sopro da brisa. Da portentosa riqueza restam hoje apenas destroços, como pude ver em imagens actuais obtidas através da net. Mas o esqueleto de toda aquela infra-estrutura ali permanece como um fantasma que, após a morte física, se obstina em não abandonar o mundo dos vivos. Foi certamente daqueles escombros de memória que emergiu a imagem da conterrânea foguense para acordar o meu espírito na madrugada passada, meio século depois.

Tomar, 1 de Agosto de 2016

Adriano Miranda Lima




quinta-feira, 28 de julho de 2016

[9501] - A GRANDE DIFERENÇA...


A Alemanha foi colonialista,

A França foi colonialista, 

A Inglaterra foi colonialista,

A Holanda foi colonialista,

A Espanha foi colonialista,

A Itália foi colonialista,

Portugal foi colonialista,

Mas SÓ PORTUGAL consegue que os povos dos países por onde andou se manifestem em massa,

SOFRAM com as derrotas de Portugal como se fossem eles próprios os derrotados,

VIBREM com as vitórias de Portugal como se fossem eles próprios os vencedores,

Gritem BEM ALTO: GANHÁMOS! GANHÁMOS! GANHÁMOS!

 É por tudo isto, por sermos multiculturais, multirraciais, que esta "Europa da treta" não nos suporta…
:::::::::
Uma imagem vale mais que mil palavras:

Uma timorense a sofrer por Portugal em 2016, meio milénio após a primeira vela com a Cruz de Cristo ter alcançado o Mar de Banda.

E há quem diga que O MUNDO PORTUGUÊS já lá vai...

Não vêem a vela bem acesa nestes olhos?

Dizem que é APENAS FUTEBOL.

Não! 

É muito mais do que isso!

É RAIZ ANCESTRAL, É PASSADO VIVO, É ESPERANÇA NO FUTURO.

É o assumir de uma IDENTIDADE, incompreensivelmente bela e tensa.

É o desejo do BEM personificado na perfeição.

=

(Rainer Daehnhardt)

(Pesquisa de Valdemar Pereira)


terça-feira, 26 de julho de 2016

[9499] - A VINGANÇA DO ISLÃO!?...


BOSSUET - CHATEAUBRIAND - CONDORCET - FLAUBERT - MONTAGNE
MONTESQUIEU - TOCQUEVILLE - VIGNY - VOLTAIRE - MALRAUX - 
DE GAULE...

Estes onze nomes pertencem a outros tantos autores franceses famosos que alguma vez nas suas vidas se referiram ao Islão, a Maomé, ao Corão, ao Islamismo, aos Muçulmanos de forma mais ou menos ofensiva, por vezes violenta e, via de regra, culpando a religião e os seus seguidores de todos os males passados, presentes e futuros, em demonstrações de um antagonismo visceral e irredutível...
Ocorre, pois, perguntar se o povo francês não andará hoje a pagar os exageros dos seus maiores mas com os juros altíssimos de perdas de vidas inocentes, sacrificadas no altar de uma querela para a qual em nada contribuíram...

[9498] - COMUNICAR...











Ouvi, na TV, este principio de tarde um sacerdote católico português, juntamente com outros dois comentadores, digamos, civis, falar sobre terrorismo e atentados, nomeadamente o desta manhã na Normadia, em que perdeu a vida um padre católico selváticamente degolado...
Para justificar os seus pontos de visto segundo os quais tem reinado, sobre estes tristes acontecimentos, um imenso diálogo de surdos, relata uma experiência que, semanas atrás, experimentou a norte de Israel, onde se encontra de visita a determinadas ruínas históricas.
Numa ruela estreita de um vilarejo, ao fim de uma tarde quente, cruzava-se com um árabe com as suas vestes e turbante tradicionais, de cenho carregado, mas deixou que dos seus lábios se soltasse a saudação árabe as-salamu alaykum...
Instantaneamente, a cara do árabe se iluminou de um largo sorriso ao ouvir alguém, que ele presumia hostil, falar-lhe na sua própria língua e, de olhar surpreendido e convencido de estar a dirigir-se a um judeu, respondeu, em hebraico, shalom...
Um pormenor, um simples pormenor, que bem poderia ser a chave para a solução de um problema de dimensões cósmicas: COMUNICAR!!!