O Dr. Baptista de Sousa, médico cirurgião militar que integrou a força expedicionária que estacionou em S.Vicente (Cabo Verde) durante a última Guerra Mundial e infelizmente falecido prematuramente, acabou por ter o seu nome atribuído ao Hospital do Mindelo, numa homenagem mais do que merecida ao homem que contra ventos e marés salvou muitas vidas em época especialmente difícil e dolorosa em que, desgraçadamente, se morria de fome... Apelidado de "engenheiro humano" pelo povo, Baptista de Sousa granjeou a simpatia de todos, na ilha e fora dela, graças à sua permanente disponibilidade, à sua proficiência, à sua generosidade e ainda hoje é lembrado com ternura e saudade por aqueles que o conheceram e assistiram à sua partida em 1944, principalmente aqueles a quem ele terá salvo de mortes certas e de mazelas incapacitantes...
O amigo António Miranda Lima acaba de fazer publicar, no Blogue "Esquina do Tempo" uma extraordinária resenha da vida breve desta figura excepcional de homem e de médico que aconselho a todos os meus amigos a lerem e a relerem...Daqui endereço ao autor de tão belo texto o meu abraço de admiração!


O Adriano Lima reincide e apresenta novo texto de estalo. E sobre um camarada de "armas" que no entanto trabalhava sobretudo com o bisturi e o simpósio e não com a espada ou a pistola regulamentar. Já conhecia as fotos (aquela da bandeira do meu clube Mindelense no bote é um "must") e alguns aspectos aqui descritos, mas o desenvolvimento dado ao assunto tornou-o desta feita muito mais interessante.
ResponderEliminarO Dr. Baptista de Sousa faz parte de um conjunto de médicos militares que ficaram no coração dos cabo-verdianos (em particular dos mindelenses), entre os quais pontuam também o Dr. Augusto Regala e o Dr. António Lereno (este mais ou apenas em Santiago). Todos três eram pessoas de bem e dedicadas ao próximo, não só pelo juramento de Hipócrates como pelo seu especial feitio. Em inúmeros casos, o mester clínico que desempenhavam nem sequer tinha contrapartida monetária porque eles não a queriam, sabendo todos como a vida dos seus doentes era difícil em tempos de miséria. Baptista de Sousa teve nome de hospital, Augusto Regala uma pracinha no Mindelo e busto na mesma, esculpido por R. Castro em 1941 e António Lereno monumento na Praia, de Maximiano Alves nos anos 50 do século XX. Três homens bons, três homens que foram como deviam ser...
Braça congratulante para o coronel-escritor e amigo Adriano,
Djack
Obrigado, Zito, pelo abraço, que retribuo com amizade. Obrigado também, Joaquim, pelas palavras amigas. O que é de relevar é constatar como a memória do Dr. Baptista de Sousa nos une a todos no mesmo sentimento de reconhecimento e admiração pelo tamanho desmesurado da sua humanidade e da sua coragem cívica. Isto para não falar do emérito cirurgião cujo nome figura na "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", além de outros testemunhos que o consagram para a posteridade.
ResponderEliminarÊ com grande emoção que ouço falar de tal personagem que conheci . Nunca hei-de esquecer tantos "milagres" que fez como nunca esquecerei o dia do seu embarque. Tinha eu 11 anos e era o vizinho dele. Sabia o que para ele preparavam e fui "goitar" e depois ir atrás do povareu dando "Viva o nosso Engenheiro Humano" que procurou ir a pé mas... não conseguiu. Os mais hábeis conseguiram levar-lhe aos ombros da Praça Nova ao Cais Novo de onde tomaria o butim (em vez de gasolina).
ResponderEliminarNunca é demais falar do que fez o "Engenheiro Humano" para o povo que o queria como um fazer de milagres.
Obrigado, meu Amigo Manuel, Obrigado meu Caro Adriano por mais esta romagem de saudade.
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Se me é permitido, friso duas das muitas que contavam e que provam o quanto andavam com o seu nome..
1) O "Engenheiro Humano" veio quando diziam "Sr. dator Baptista de Sousa ta calofetà pé d'gente até vràs drête" Isto referindo aos pés botos
2) A sua criada, horrorizada, foi contar que amigos do alheio entraram em casa do benemérito e levaram quanto puderam. A noticia correu célere e no dia seguinte encontraram à porta todos os pertences.
Caro Zito: - Pelo que me toca, com um Obrigado, vai um "braça" pela contribuição do Arrozcatum.
Estou certo que te lembras de muita coisa desse tempo e desse ilustre Cidadão.
Djack - Obrigado pelas adendas oportunas, apanágio do investigador histórico que, ainda por cima, é um plumitivo de primeira água...
ResponderEliminarAdriano - Eu é que agradeço a oportunidade de conhecer, com tal pormenor, o percurso de uma figura cujos contornos me foram inculcados na memória dos meus 10 anos, primeiro, e depois por tradição oral no decorrer da m/ já longa vida...Muito Grato!
Valdemar - As minhas memorias desta figura remontam aos meus 10 anos e recordo o borburinho que percorreu o Mindelo no dia do seu regresso à Metrópole...Depois nunca mais deixei de ouvir falar do Engenheiro Humano, primeiro, em casa de meus pais, na Rua de Senador, quando à noite se juntavam alguns militares e o capelão do exército para animadas partidas de suéca e à meia-noite ouvir o noticiário da BBC na inconfundivel voz do Fernando Peça. Depois, ao longo da vida muitos relatos ouvi e li pelo que a sua figura se me tornou quáse familiar! É uma daquelas histórias e experiuencias de vida que nos aquecem a alma...
Um forte abraço a todos vós!
Zito