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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

(5995) - ERA UMA VEZ, ANGOLA - XL...


Alguns dias depois do célebre churrasco de túbaros de porco, na ilha do Rio Zambeze, ocorreu algo que haveria de me proporcionar uma nova aventura, da qual guardo gratas recordações mau grado se tenha iniciado com um, embora pequeno, desconforto...
Na Secretaria da Administração, ao abaixar-me para apanhar do chão um documento que havia caído, senti que algo se havia "rompido" ao nível da minha região cóccsixgea a que se seguiu uma sensação de humidade o que, por precaução, me levou a casa...
Verifiquei que os meus trusses apresentavam uma zona húmida de cor rosada e, passando o dedo pelo zona do cóccsix era fácil sentir uma fissura de onde saía a tal aguadilha...De um pulo estava no gabinete do Dr. Poupinha das Neves - que, desta vez, não estava de viagem - que me diagnosticou um "quisto cóccsixgeo", que era uma zona onde os pelos tinham crescido para dentro da derme...Da fissura aberta na zona retirou, com uma pinça, um tufo de pelos curtos e negros, dizendo-me que, não sendo nada de grave, era no entanto aconselhável uma pequena operação cirúrgica que extirpasse as células causadoras da anormalidade, coisa que, claro, só poderia ser feita num hospital...Ora, o hospital suficientemente equipado para tal, era o de Nova Lisboa, lá no Planalto do Bié, a mais de 800 quilómetros de distância...


 
Cumpridas as formalidades burocráticas, meteram-me uma Guia de Marcha na mão, um cheque com o adiantamento de dois meses de vencimento e o Adiministrador disse-me: - Azevedo, vá lá tratar do seu quisto e apareça-me cá sem buracos no rabo, para além do essencial!
 Com o meu melhor sorriso, estendi-lhe a mão que ele apertou vigorosamente, devolvendo-me o sorriso, com o cigarro Matinée pendurado ao canto da boca.
Nessa tarde segui para Vila Teixeira de Sousa no auto-tanque da Shell, dormi uma noite no Hotel Terminus e na manhã seguinte, bem cedo, tomei o comboio do Caminho de Ferro de Benguela, em 2ª classe como era meu estatuto, com direito a cama e lugar marcado no vagão-restaurante...Cerca de 20 horas mais tarde, saía eu da Estação de Nova Lisboa, sobraçando a minha minúscula mala de mão e dei de caras, no outro lado da rua. com o célebre Cine-Teatro Ruacaná!
 
CONTINUA
 

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