Por Américo Antunes, da Agência Inforpress
Mindelo, 03 Nov (Inforpress) – O investigador Leão Lopes não tem dúvidas: o romance “Chiquinho” é a autobiografia de Baltasar Lopes da Silva, seu autor, pois “está lá tudo” é só “descodificar”, incluindo o processo de programação da revista Claridade.
"Li o livro de outra maneira, um livro para se ler sempre, e posso dizer que "Chquinho" é Baltasar Lopes da Silva" revelou o estudioso de Baltasar Lopes da Silva, que, aliás, detém um doutoramento sobre a vida de "Nho Baltass"
Foi na 5ª edição dos “Passeios com História (s) ”, iniciativa do Centro Cultural Português do Mindelo, que Leão Lopes “abriu o livro” da ligação de Baltasar Lopes da Silva a São Vicente, palmilhando, durante três horas, calçadas, ruas e caminhos que dão a lugares de referência de “Nhô Baltas”, no Mindelo.
Às 09:15 estão concentradas na Pracinha do Liceu Velho, o “primeiro local de referência” de Baltasar Lopes da Silva, em São Vicente, duas dezenas de pessoas, entre elas universitários, professores, políticos, estudiosos e curiosos, que se inscreveram para este passeio, guiados por Leão Lopes, detentor de doutoramento sobre Baltasar Lopes da Silva.
Primeiro as origens, foi precisamente no ano lectivo de 1920 que Baltasar Lopes da Silva chega de São Nicolau para frequentar o 4º e o 5º ano no Liceu Infante Dom Henrique, que nesse ano começa a funcionar no conhecido Liceu Velho.
Devido à cólera, Baltasar teve que voltar à São Nicolau, mas regressa em 1921 a São Vicente para fazer os exames do 6º e 7º ano no mesmo ano, partindo de seguida para Lisboa, em Outubro de 1922, para formação superior.
O passeio já deixou, por esta altura, a Pracinha da Igreja, e o grupo concentra-se agora na Rua Franz Fanon onde, ao de longe, Leão Lopes indica a primeira casa onde morou Baltasar Lopes da Silva, no Mindelo, e, do lado direito, onde agora está a Delegacia de Saúde, a casa de Adriano Duarte Silva, que acolheu Baltasar, em 1930, quando regressa ao Mindelo.
Leão Lopes empolga-se quando fala de Baltasar, pede que se leia “Chiquinho” sempre, e abre o sorriso para falar do regresso de Baltasar Lopes da Silva a São Vicente, em 1930, “um miúdo de 23 anos” com duas licenciaturas, uma em Filologia Românica e outra em Direito.
“A recepção em São Vicente foi especial, pois já era um notável, aos 23 anos, com duas licenciaturas”, lança Leão Lopes, agora junto ao edifício onde funcionou a Papelaria Gomes, nas traseiras da Câmara Municipal, do conhecido comerciante mindelense Toi Pombinha, amigo de “Nhô Baltas” e um dos “construtores das referências urbanas” de São Vicente.
O passeio está no início, mas é hora de Leão Lopes lembrar que Baltasar Lopes da Silva transfere a experiência de estudante no Mindelo que não teve para inícios dos anos 30, quando “conhece realmente” a cidade.
Já na Pracinha da Igreja, Leão Lopes enaltece dois momentos protagonizados por Baltazar Lopes da Silva, o primeiro em Junho de 1934, quando discursou do coreto por causa da revolta do capitão Ambrósio e, no 1º de Maio de 1974, quando o povo pediu a presença do autor de “Chiquinho” nos Paços do Concelho.
Este improvisou um discurso “claramente de cariz sociopolítico” da varanda dos Paços do Concelho, cujos extractos são lidos, nesta manhã solarenga, no local, por Manuel Brito Semedo.
“Baltasar tinha uma faceta de activista político no contexto da época pouco valorizada”, lança Leão Lopes, no caminho para o Tribunal de São Vicente, outro lugar de referência em que Baltasar Lopes da Silva, agora na pele de “advogado dos pobres” escreveu “páginas magníficas” e de onde, várias vezes, saiu aos ombros dos populares.
Para trás ficaram duas horas de caminhada lenta, debaixo de um sol abrasador mas ninguém no grupo dá sinal de cansaço, pelo menos até a Praça Estrela, antiga Salina, onde todas as modalidades desportivas se concentravam nos anos 30/40.
“Baltasar era aficionado do cricket e gastava muitas horas na Salina”, explica Leão Lopes que “tira o chapéu aos ingleses” pela “grande dinâmica” que empreenderam ao desporto em São Vicente.
Próxima paragem na Praça Nova, nas imediações da qual há três referências de Baltasar Lopes da Silva: a Rádio Barlavento, espaço que frequentava como intelectual, o Eden-Park, onde proferiu diversas conferências com destaque para aquela sobre “Regionalismo e Nativismo”, e a primeira casa onde morou “Baltasar emancipado”, à Rua Angola.
O passeio termina junta a casa de Djunga Fotografo, à Rua Senador Vera Cruz.
Aqui Leão Lopes regista o facto de o convívio na “Foto Progresso”, propriedade de Djunga, com a bisca pelo meio, ter dado origem às crónicas radiofónicas “Roupa de Pipi”, que “paravam” São Vicente, tal era a crítica ao regime dominante.
Segundo Leão Lopes, para além de ser o pioneiro da antropologia em Cabo Verde, Baltasar Lopes da Silva foi também o primeiro cabo-verdiano fichado pela Polícia Política Portuguesa, em 1939.
“Passeios com História (s)”, que consiste na organização de uma série de visitas guiadas à cidade do Mindelo para dar a conhecer o património e a(s) história(s) da cidade, prossegue em Dezembro com um passeio literário pelos lugares de António Aurélio Gonçalves.
Para o mês de Janeiro, a organização escolheu o tema “Mindelo no tempo dos ingleses”.
“Viagem a pé pelo centro histórico da Cidade-Porto”, os “Pontos de Defesa de Mindelo”, “Abastecimento de Água em São Vicente” e os “Lugares do Teatro no Mindelo”, constituíram as primeiras quatro etapas do projecto “Passeios com História (s) .”
Segundo Ana Cordeiro, do Centro Cultural Português – Instituto Camões, o objectivo é chamar a atenção para a grande variedade de passeios que se podem fazer na cidade e, simultaneamente, contar a sua história.
AA
Inforpress
Remetido por José Fortes Lopes
Mindelo, 03 Nov (Inforpress) – O investigador Leão Lopes não tem dúvidas: o romance “Chiquinho” é a autobiografia de Baltasar Lopes da Silva, seu autor, pois “está lá tudo” é só “descodificar”, incluindo o processo de programação da revista Claridade.
"Li o livro de outra maneira, um livro para se ler sempre, e posso dizer que "Chquinho" é Baltasar Lopes da Silva" revelou o estudioso de Baltasar Lopes da Silva, que, aliás, detém um doutoramento sobre a vida de "Nho Baltass"
Foi na 5ª edição dos “Passeios com História (s) ”, iniciativa do Centro Cultural Português do Mindelo, que Leão Lopes “abriu o livro” da ligação de Baltasar Lopes da Silva a São Vicente, palmilhando, durante três horas, calçadas, ruas e caminhos que dão a lugares de referência de “Nhô Baltas”, no Mindelo.
Às 09:15 estão concentradas na Pracinha do Liceu Velho, o “primeiro local de referência” de Baltasar Lopes da Silva, em São Vicente, duas dezenas de pessoas, entre elas universitários, professores, políticos, estudiosos e curiosos, que se inscreveram para este passeio, guiados por Leão Lopes, detentor de doutoramento sobre Baltasar Lopes da Silva.
Primeiro as origens, foi precisamente no ano lectivo de 1920 que Baltasar Lopes da Silva chega de São Nicolau para frequentar o 4º e o 5º ano no Liceu Infante Dom Henrique, que nesse ano começa a funcionar no conhecido Liceu Velho.
Devido à cólera, Baltasar teve que voltar à São Nicolau, mas regressa em 1921 a São Vicente para fazer os exames do 6º e 7º ano no mesmo ano, partindo de seguida para Lisboa, em Outubro de 1922, para formação superior.
O passeio já deixou, por esta altura, a Pracinha da Igreja, e o grupo concentra-se agora na Rua Franz Fanon onde, ao de longe, Leão Lopes indica a primeira casa onde morou Baltasar Lopes da Silva, no Mindelo, e, do lado direito, onde agora está a Delegacia de Saúde, a casa de Adriano Duarte Silva, que acolheu Baltasar, em 1930, quando regressa ao Mindelo.
Leão Lopes empolga-se quando fala de Baltasar, pede que se leia “Chiquinho” sempre, e abre o sorriso para falar do regresso de Baltasar Lopes da Silva a São Vicente, em 1930, “um miúdo de 23 anos” com duas licenciaturas, uma em Filologia Românica e outra em Direito.
“A recepção em São Vicente foi especial, pois já era um notável, aos 23 anos, com duas licenciaturas”, lança Leão Lopes, agora junto ao edifício onde funcionou a Papelaria Gomes, nas traseiras da Câmara Municipal, do conhecido comerciante mindelense Toi Pombinha, amigo de “Nhô Baltas” e um dos “construtores das referências urbanas” de São Vicente.
O passeio está no início, mas é hora de Leão Lopes lembrar que Baltasar Lopes da Silva transfere a experiência de estudante no Mindelo que não teve para inícios dos anos 30, quando “conhece realmente” a cidade.
Já na Pracinha da Igreja, Leão Lopes enaltece dois momentos protagonizados por Baltazar Lopes da Silva, o primeiro em Junho de 1934, quando discursou do coreto por causa da revolta do capitão Ambrósio e, no 1º de Maio de 1974, quando o povo pediu a presença do autor de “Chiquinho” nos Paços do Concelho.
Este improvisou um discurso “claramente de cariz sociopolítico” da varanda dos Paços do Concelho, cujos extractos são lidos, nesta manhã solarenga, no local, por Manuel Brito Semedo.
“Baltasar tinha uma faceta de activista político no contexto da época pouco valorizada”, lança Leão Lopes, no caminho para o Tribunal de São Vicente, outro lugar de referência em que Baltasar Lopes da Silva, agora na pele de “advogado dos pobres” escreveu “páginas magníficas” e de onde, várias vezes, saiu aos ombros dos populares.
Para trás ficaram duas horas de caminhada lenta, debaixo de um sol abrasador mas ninguém no grupo dá sinal de cansaço, pelo menos até a Praça Estrela, antiga Salina, onde todas as modalidades desportivas se concentravam nos anos 30/40.
“Baltasar era aficionado do cricket e gastava muitas horas na Salina”, explica Leão Lopes que “tira o chapéu aos ingleses” pela “grande dinâmica” que empreenderam ao desporto em São Vicente.
Próxima paragem na Praça Nova, nas imediações da qual há três referências de Baltasar Lopes da Silva: a Rádio Barlavento, espaço que frequentava como intelectual, o Eden-Park, onde proferiu diversas conferências com destaque para aquela sobre “Regionalismo e Nativismo”, e a primeira casa onde morou “Baltasar emancipado”, à Rua Angola.
O passeio termina junta a casa de Djunga Fotografo, à Rua Senador Vera Cruz.
Aqui Leão Lopes regista o facto de o convívio na “Foto Progresso”, propriedade de Djunga, com a bisca pelo meio, ter dado origem às crónicas radiofónicas “Roupa de Pipi”, que “paravam” São Vicente, tal era a crítica ao regime dominante.
Segundo Leão Lopes, para além de ser o pioneiro da antropologia em Cabo Verde, Baltasar Lopes da Silva foi também o primeiro cabo-verdiano fichado pela Polícia Política Portuguesa, em 1939.
“Passeios com História (s)”, que consiste na organização de uma série de visitas guiadas à cidade do Mindelo para dar a conhecer o património e a(s) história(s) da cidade, prossegue em Dezembro com um passeio literário pelos lugares de António Aurélio Gonçalves.
Para o mês de Janeiro, a organização escolheu o tema “Mindelo no tempo dos ingleses”.
“Viagem a pé pelo centro histórico da Cidade-Porto”, os “Pontos de Defesa de Mindelo”, “Abastecimento de Água em São Vicente” e os “Lugares do Teatro no Mindelo”, constituíram as primeiras quatro etapas do projecto “Passeios com História (s) .”
Segundo Ana Cordeiro, do Centro Cultural Português – Instituto Camões, o objectivo é chamar a atenção para a grande variedade de passeios que se podem fazer na cidade e, simultaneamente, contar a sua história.
AA
Inforpress
Remetido por José Fortes Lopes
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Grande passeata, de fazer crescer água na boca.
ResponderEliminarBraça com manha,
Djack
Sem dúvida meu caro: um ajutenticon achado!
ResponderEliminarUma excelente iniciativa, com premissas para o futuro. O turismo cultural é uma actividade com futuro na ilha o turismo for bem equacionado. S Vicente tem muita história para contar
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