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sábado, 3 de dezembro de 2016

[9975] - AS CRÓNICAS DE ARSÉNIO DE PINA...


 

 O efeito de estufa/aquecimento global

A notícia do Acordo de Paris sobre o aquecimento global assinado pelos maiores poluidores mundiais, China e EUA, e a Reunião de Marraquexe, em Marrocos, em curso, para a execução desse Acordo, dão-me alguma esperança que o bom senso vá prevalecer para limitar os danos e evitar a catástrofe previsível que já vai dando sinais da sua gravidade. É óbvio que para se proceder assim, é preciso ter no coração e cérebro, uma boa dose de senso moral e convicção, virtudes bem raras nos políticos, parecendo alguns ser antes sociopatas. Aproveito a ocasião para recapitular algo que já escrevi, acrescentando algumas novidades relativamente ao efeito de estufa e suas consequências imediatas, o aquecimento global e as consequências desta.
O actor de cinema Leonardo Di Caprio, um patrocinador da luta contra a poluição e o aquecimento global, vem mostrando, através de um filme, as consequências do efeito de estufa, através de entrevistas de cientistas, líderes políticos e das vítimas desse desmando, tentando dar força às resoluções da última Reunião de Paris, a qual, finalmente parece ter levado a tomar medidas pertinentes, os principais líderes políticos mundiais, cujos países são os maiores responsáveis pela poluição atmosférica e do meio ambiente, que já levou à destruição da biodiversidade em mutos países, com a subversão de muito ecossistemas onde animais e plantas viviam. Como já não se pode negar os efeitos nefastos da poluição do meio ambiente pelo uso imoderado de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás), que são fontes de energias não renováveis, os países mais poluidores aceitaram pôr em marcha a substituição deste tipo de energias por outras, as renováveis (solar, eólica, das ondas do mar, e, no futuro, com o avanço da tecnologia, à base de hidrogénio).
Ultimamente, tem havido grandes progressos na produção de baterias. Elas armazenam energia elétcrica, o que vem estimulando a construção de automóveis eléctricos que, no futuro, irão substituir os movidos a gasolina e gasoil. Venderam-se, em 2016, cerca de 500.000 automóveis eléctricos, e graças aos progressos tecnológicos aplicados às baterias, esse número subirá para 50 milhões em 2025, portanto, daqui a nove, dez anos. Ter em conta que os automóveis e outros meios de transporte utilizam 55% do petróleo consumido no mundo. As empresas que mais investem nessa tecnologia (baterias) são a Tesla, Nissan e BMW.
Os plásticos, que vieram revolucionar imenso a nossa maneira de viver e de economizar, dada a variedade de formas a que se prestam, vêm, infelizmente, sendo um dos grandes poluidores do meio ambiente, dada a sua durabilidade e resistência. Grande percentagem do lixo doméstico e industrial é composto por plástico, criando problemas para a sua destruição ou reciclagem, utilizando-se, na maioria dos casos, o fogo, que faz libertar grande quantidade de gases tóxicos. O mar está intensamente poluído com plástico boiante, prejudicando peixes, aves e tartarugas que o ingerem, matando-os. Havendo plástico biodegradável, deveria proibir-se terminantemente a produção de plástico não degradável com a sua substituição pelo biodegradável, mesmo com aumento de preço, dado os benefícios para a Natureza.
A substituição do carvão e petróleo pelo gás – estratégia europeia em salvação das petrolíferas, quando deveria defender a saúde dos povos e do ecossistema – não resolve o problema, pelo contrário, agrava-o, dado que o metano que se liberta na extracção do gás, no seu transporte e uso, têm setenta vezes mais poder de estufa do que o dióxido de carbono ou anidrido carbónico, isso devido ao facto de o gás combustível ser composto principalmente por metano, segundo nos informa o engenheiro do ambiente e investigação João Camargo. Outro grande produtor de metano é a criação de gado para produção de carne, havendo estudos que demonstram libertarem tanto ou mais metano do que os carros (30% da poluição atmosférica). Grande quantidade de metano está retida por baixo do gelo dos glaciares e o aumento da temperatura global vem diminuindo a espessura do gelo e provocando a sua destruição com libertação de enorme quantidade de metano. Nas últimas décadas tem havido uma subida de temperatura da ordem de 1 a 1,5 graus C., e prevê-se aumento dessa temperatura da atmosfera, devido aos danos já provocados com consequente continuação do degelo e maior subida do nível da água do mar. Esta subida afecta vários países (Bangladeche e ilhas do Pacífico, que já estão com graves problemas e, com o tempo, os seus habitantes terão de emigrar), cidades costeiras e praias. Um aquecimento global acima de 2 graus C. será potencialmente catastrófico para o planeta por pôr em causa o equilíbrio global. O Acordo de Paris tem por objectivo não ultrapassar 1,5 graus C. de aquecimento global.
Dois terços do anidrido carbono são retidos pelo mar, mas o aumento desta taxa de absorção provoca acidez da água e leva à libertação de metano retido no fundo do mar sob forma neutralizada.
O aumento da temperatura acarreta evaporação da água do mar e maior massa de vapor de água quente na atmosfera, temperaturas mais elevadas da água, com alterações nas correntes marítimas que têm reflexos nos países por onde circu*Pediatralam essas correntes marítimas. Disso resultam temporais, tufões, ciclones, chuvas copiosas acompanhadas de temporais que arrasam tudo pela sua passagem. A nível de outras regiões, afectam terras e florestas, provocando secas e incêndios com destruição de florestas e animais. A Corrente quente do Golfo do México, por exemplo, que se dirige para o Norte e beneficia o Reino Unido e outros países da região, poderá deixar de circular devido à entrada de água doce fria do degelo dos glaciares do polo Norte, criando uma nova era glaciar no Norte da Europa.
O Programa das Nações Unidas para o Ambiente declarou, depois do Acordo de Paris, que os estragos já feitos pelos países e as indústrias criadas levarão a que, ainda em 2030, sejam libertadas para a atmosfera 12 a 14 mil milhões de toneladas de anidrido carbónico acima do limite máximo, limite para que não haja alterações climáticas perigosas. Se não começarmos já a assumir acções às do Acordo de Paris, iremos chorar uma tragédia humana que poderia ter sido evitada, avisou o director da Agência da ONU, Erik Solheim. 97 países, daqueles 197 que assinaram o Acordo, já o ratificaram. Juntos são responsáveis por 66% das emissões de gases com efeito de estufa.
Termino congratulando-me por não estarmos mal, em Cabo Verde, no capítulo da substituição das energias fósseis não renováveis pelas renováveis, embora pudéssemos estar mais avançados, se os diferentes governos tivessem escutado as vozes de alguns técnicos nacionais conhecedores do assunto, sem estarem a olhar para a sua militância política – a pecha maior do nosso Estado, de privilegiar a militância em substituição da competência -, de entre os quais cito dois que conheço melhor, António Pedro Silva e Januário Nascimento. Se usasse chapéu, o que nos tempos actuais ninguém já usa, tirá-lo-ia em homenagem às suas lutas.
Praza ao Bom Deus de todas as religiões que o Presidente Trump não venha a destruir as esperanças que nasceram com o Acordo de Paris, por ser dos que não acreditam no efeito de estufa.

Parede, Novembro de 2016 
Arsénio Fermino de Pina
Pediatra e sócio honorário da Adeco

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

[9969] - LÍNGUA-MÃE...

Princípios para uma Pátria da Língua Portuguesa
TEXTO: CARLOS FRAGATEIRO · 29 NOVEMBRO, 2016
IMAGEM: RUTE HENRIQUES



Entrar no projecto a Minha Pátria é a Língua Portuguesa obriga-nos, como já dissemos, a descentrarmo-nos, a sermos, para além de portugueses, brasileiros, angolanos, timorenses, cabo-verdianos, guineenses e moçambicanos
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Terra Pátria / Língua Portuguesa

Mas da mesma forma que é necessário sermos de múltiplos lugares, os da língua, é fundamental que as análises e as perspectivas que se desenvolvam sobre essa Pátria tenham em conta os múltiplos olhares e as diferentes perspectivas que esses lugares trazem. Porque juntar na mesma mesa gente de diferentes culturas e religiões a falar sobre o estado do mundo e os futuros possíveis é, necessariamente, uma vantagem estratégica no contexto internacional e uma das forças desta Pátria da Língua Portuguesa.

Da mesma forma que se hoje existe uma clara consciência que, para sermos capazes de construir um conhecimento global e complexo, é necessário trabalharmos com equipas multidisciplinares, começa também a haver consciência que temos de trabalhar com elementos das diferentes partes do mundo para que as diferentes culturas e os diferentes olhares se encontrem, se cruzem e se contaminem, na procura de uma ideia cada vez mais clara e global desta nossa Terra Pátria, como diria Edgar Morin.

Por isso, para compreendermos a realidade múltipla desta Pátria / Língua temos obrigatoriamente de trabalhar com equipas dos diferentes olhares e culturas que esta língua transporta, pois a importância de olhares de diferentes lugares que, naturalmente, trazem diferentes perspectivas, é de uma riqueza única para a compreensão do mundo complexo e múltiplo em que hoje vivemos.

Do Multidisciplinar ao Multilocal

A questão com que hoje nos confrontamos é que apesar de termos consciência que o facto de trabalharmos com equipas multilocais dá uma outra riqueza e profundidade ao que fazemos, a verdade é que isso raramente acontece. As estruturas e os projectos ficam, maior parte das vezes, fechados no seu pequeno mundo, nos seus interesses e na sua visão, sem minimamente se questionarem, e por isso há ainda muito a fazer para que esta outra realidade dos múltiplos olhares, que pensamos fundamental para a construção dum sentido para a Pátria da Língua, se possa concretizar.

O que aconteceu recentemente com o lançamento de um Atlas da Língua Portuguesa é exemplo dessa dificuldade: concebido por uma equipa do ISCTE, e patrocinado pelo Instituto Camões com prefácio do Ministro Augusto Santos Silva, este Atlas, que foi apresentado na última cimeira da CPLP no Rio de Janeiro e que pode ser um instrumento fundamental para a afirmação duma cidadania global, foi concebido por uma equipa de portugueses, quando o deveria ter sido por equipas com os múltiplos olhares e culturas que o universo desta língua tem e que são a sua grande riqueza.

Caso contrário, como acontece, não ultrapassamos as visões parciais da realidade, algo que já tinha acontecido com um outro trabalho do ISCTE sobre o Valor Económico da Língua Portuguesa, onde há uma lista de personagens de referência da língua portuguesa que se percebe claramente que é produto duma visão unilateral.

Faz – Ideias em Português

E tudo poderia ser tão simples, como se pode ver no projecto Faz, Ideias em Português, da Fundação Calouste Gulbenkian, onde olhares cruzados, entre portugueses que vivem dentro e fora de Portugal, criam propostas para melhorar o quotidiano dos portugueses. Apesar de se confinar só ao universo de Portugal, este projecto tem sido uma prova que, se juntarmos olhares múltiplos sobre uma determinada realidade, as propostas que surgem são efectivamente inovadoras. Na verdade o terreno propício para a inovação é o dos espaços múltiplos onde a discussão e o confronto de ideias são possíveis [1].

Talvez a abertura da exposição de Lisboa Global no Museu de Arte Antiga em Lisboa, adiada por razões até à vista inexplicáveis, nos possa abrir perspectivas, e ajudar-nos a perceber o que foi feito para termos sido os pioneiros da globalização, e como se construiu uma visão que nos permitisse interagir e trabalhar com outras culturas e olhares do mundo.

[1]– FAZ, ideias de origem portuguesa, é uma iniciativa dirigida à diáspora portuguesa. Sabe-se que existem 2,3 milhões de portugueses no mundo, nascidos em Portugal, e que se contarmos com os descendentes, a soma aumenta para os 5 milhões. Com o mote “Lá se pensam, cá se fazem”, FAZ desafia esses 5 milhões a conceberem, um projecto de empreendedorismo social a concretizar em território português. No fundo, FAZ é um concurso de ideias, mas também um apelo aos talentos da diáspora portuguesa para que se mobilizem no sentido de construírem o futuro da comunidade que é de todos

domingo, 14 de fevereiro de 2016

[8910] - AVE, HABEMUS ONDAS...


Mais um Puzzle desvendado!
Até hoje, e apesar dos milhares de milhões investidos na procura deste Santo Graal nunca se tinha detectado ondas gravítacionais o que continuava a ser da maior perplexidade, um mistério da história da física e mesmo das Ciências. Daí a festa de antes-de-ontem, que reuniu cientistas e os media do mundo inteiro!!1

Os físicos colocavam a questão: mas bolas, se a gravidade existe no espaço vazio intersideral como a sentimos no dia-a- dia, ela só pode ser transmitida por ondas como é o caso da luz que se propaga por todo o Universo, vazio ou não?!
O problema é que não podendo detectar tais ondas já se questionava se a natureza escondia algo mais pérfido e ruim (se Deus não jogaria aos dados, não brincaria com os meninos terrenos, uma hipótese que irritava Einstein), ou se as nossas teorias estavam a esbarrar contra um muro, o que seria muito grave, a maior crise da Física... Felizmente, estamos tranquilos neste aspecto, a menos que...
A verdadeira razão é que a tecnologia (meios de detecção) não estava suficientemente desenvolvida para detectar ondas tão caprichosas. Hoje, os físicos respiram de alívio pois os conceitos desenvolvidos pela Física desde há séculos, são coerentes e Einstein está satisfeito lá no alto das nuvens... De resto congratula-se com Deus mais esta ousadia dos homens, que é a procura incessante, a descoberta dos mistérios da natureza, e as mais primordiais: porque estamos aqui, de onde viemos e para onde vamos, quem está por detrás disto tudo? O que é Deus, afinal?!
Agora, resta  saber 'por onde põe a galinha os ovos', o instante do Big - Bang, o que havia antes, se este Universo é  único ou se vivemos em vários dimensões do espaço-tempo! Esta é a procura incessante do Santo Graal...
José Fortes Lopes

terça-feira, 10 de março de 2015

[7877] - DÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA...


A língua portuguesa é fértil em áreas de dúvida gramatical que ninguém parece preocupado em resolver definitivamente, ao passo que houve pressa em decidir sobre a questão do Acordo Ortográfico, objecto de muitas dúvidas e reticências.
Essa questão das dúvidas gramaticais é transversal e não deixa ninguém de fora. Há uns 20 anos, a Agustina Bessa Luís, numa entrevista, disse que tinha muitas dúvidas e que a consulta de dicionários e prontuários é algo a que se vê obrigada constantemente, não obstante a sua longuíssima prática de lidar e trabalhar com a língua.
Sucedeu-me que, há dias, quis escrever a palavra “encarnação” e de repente perguntei-me se não seria “incarnação”. Algo no meu subconsciente dizia-me já ter visto a segunda grafia. Para tirar a dúvida, fui ao Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, e encontrei, entre outras respostas dúbias, a seguinte situação vivida por uma senhora muito letrada e que passo a transcrever:
“Eu bem tento ler um livro pelo seu conteúdo, deixar-me absorver pela informação que estou a retirar da leitura. Mas, a cada passo, vejo-me obrigada a parar e a questionar-me sobre o uso da língua que o autor ou o tradutor faz. Por mais interessante que seja o assunto (e é!), não consigo evitar distrair-me com o português! É o mal da minha profissão...
Desta vez, fiquei perplexa com o facto de, na mesma página do livro que citei no desafio de ontem, aparecerem duas variantes da mesma palavra:
Muhammad Yunus incarna antes de mais o ideal híbrido [...].
Estes alter-empresários [...] não se manifestam para reclamar a mudança, encarnam-na e provocam-na.
Como se não bastasse, na página seguinte ainda li:
Então incarnemos o desenvolvimento sustentável nos exemplos de sucesso [...].
...e achei que deveria ter a humildade de ir verificar se o verbo “incarnar” não existiria mesmo, ao contrário do que eu pensava. O resultado na Mordebe foi “palavra não encontrada”. Porém, e depois de a Infopédia me ter aconselhado a verificar a ortografia da palavra incarnar, que também não constava da base de dados, pasmei quando abri o dicionário on-line da Texto Editora, que apresentava incarnar como variante de encarnar (na verdade, o verbo em latim começava com i).
Agora ficam-me duas perguntas: por que razão aqueles dicionários não apresentam a mesma informação em relação a este item? E por que motivo o tradutor do texto resolveu usar alternadamente uma e outra grafia?
E depois admiram-se que eu só leia uma página do livro por dia!!”

                                      Adriano Miranda Lima




sábado, 7 de março de 2015

[7866] - LUSOFONIA - O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO...


Andamos todos distraídos com a questão da 'Oficialização do Crioulo' e do ALUPEK, mas o ArrozCatum publicou há dias um muito interessante artigo, que é um Editorial do "Jornal de Angola" sobre o ACORDO ORTOGRÁFICO ou o DESACORDO ORTOGRÁFICO (dependente da perspectiva reaccionária ou revolucionária)... De facto (ou melhor, 'de fato', se se usar o novo acordo), um verdadeiro ALUPEK à escala global, ou seja, da LUSOFONIA. Como sabem, Angola tem sido muito crítica em relação a esta Reforma da Língua Portuguesa, língua que é considerada um Património Angolano, e o editorial reflecte esta posição com um título bem acutilante: "Património em risco"!!!
'Bonne Chance', Angola, nesta luta pois aqui,  estamos noutra, temos um 'problema de trazer para casa ' o ALUPEK, a confusão da Oficialização do 'Crioulo', ou seja, na prática, a adopção da versão de Santiago, vulgo 'Badio', como língua oficial, para além da ameaça da erradicação pura e simples da língua portuguesa em Cabo Verde, um projecto muito caro aos fundamentalistas!
(José Fortes Lopes)

...oooOooo...


 Gualberto Rosario
7/3 às 11:24
Caro José Fortes, devo manifestar o meu desacordo. As pessoas falam do novo acordo ortográfico sem o conhecerem. Eu tive que estudar o acordo para escrever um romance inteirinho na base do novo acordo. E, uma vez estudado, não só não tive dificuldades em escrevê-lo como foi tudo mais fácil. Hoje, só escrevo, e com naturalidade, no respeito pelo novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Confesso-lhe que é muito melhor. Não é a primeira vez que a Língua Portuguesa sofre evoluções dessa natureza. Tenho algumas "velharias" cá em casa. Vou transcrever uma parte da primeira página de "Portugal Contemporaneo", de Oliveira Martins (figura insuspeita quanto ao bom uso da Língua Portuguesa). Logo na primeira página vem: "LIVRO QUARTO A ANARCHIA LIBERAL". E, depois, continua: "No dia 15 de agosto, D.Pedro abriu solemnemente as camaras. A physionomia da assembléia era diversa em tudo da de 26-8. Bem se póde dizer que não estava alli a maior parte da nação...". A edição é de 1919. Asseguro-lhe que não errei na transcrição. O "chi" que foi substituído pelo "que", o "m" que caiu em "solenemente", a palavra "camara", em vez de câmara, o "ph" que foi substituído pelo "f", o "y", que desapareceu, "assembléia", substituído por "assembleia". Comparativamente ao que ocorreu, na penúltima reforma, a atual é muito suave. Mas tem a virtude de unificar a Língua Portuguesa, o que é importante para uma língua que se afirma crescentemente como língua de relações internacionais, mas, sobretudo, de tornar a sua escrita mais fácil para todos nós, especialmente para as crianças.

...oooOooo...

Uma opinião respeitável como as demais. Só que ele se esqueceu das particularidades do Acordo que são uma autêntica aberração em termos linguísticos e gramaticais. Como não sou especialista no assunto, baseio-me na opinião de ilustres homens da cultura como o  falecido Vasco Graça Moura e outros. Eu estava nos antípodas do Vasco em questões políticas, mas nesta e em tudo o que se relaciona com a cultura, estava inteiramente com ele.
Penso que a língua portuguesa até devia justificar uma certa clarificação, mas não em muito do que foi Acordado. Há dias tive dúvidas sobre se escrevia "encarnar" ou "incarnar". O meu subconsciente dizia-me ter já visto as duas formas. Então fui ao ciberdúvidas. E o que encontrei? Uma especialista da língua tivera a mesma dúvida e pesquisou a fundo. Correntemente, predominava "encarnar" e os dicionários o consagram. Mas depois encontrou textos de escritores de renome com a outra forma. E encontrou um dicionário prestigiado que continha "incarnar" e dizia que era o mesmo que "encarnar". Ora, estas coisas é que não deviam acontecer, mas acontecem em muitos casos. Ou seja, há dúvidas na língua que permanecem por resolver, baralhando as pessoas.
(Adriano Miranda Lima)

quarta-feira, 4 de março de 2015

[7853] - M E M Ó R I A S ...

Cristóvão Falcão de Sousa terá nascido em Portalegre entre 1515 e 1518 de uma família nobre. Seu pai era cavaleiro, tendo servido como capitão na Mina. Foi educado a partir dos nove anos no Paço, onde aprendeu as belas-artes. Por ter casado com uma menor em segredo, foi condenado e preso no castelo de Lisboa. Saído da prisão cinco anos depois, procurou a sua amada em Lorvão, começando entretanto a escrever o poema Crisfal, onde canta a arrebatadora paixão que o tomara. Em 1542, o rei D. João III, para evitar mais escândalos, enviou-o a Roma como seu agente particular. Regressado ao reino, é despachado em 1545 como capitão da fortaleza de Arguim, na África. Regressou a Portugal em 1547, tendo sido novamente preso devido à agressão a um fidalgo. Em 1551 obtém uma carta de perdão. Terá casado em 1553 com Isabel Caldeira, não se conhecendo mais nada sobre o que depois lhe sucedeu.

A écloga Crisfal (criptónimo de Cristóvão Falcão?) foi publicada de 1543 a 1546 numa folha volante. Em 1554, é publicada em volume por Ferrara. Em 1559 teve uma edição em Colónia baseada na de Ferrara. A. Epifânio da Silva Dias organizou a edição de 1893 e o brasileiro Sousa da Silveira a de 1933.

Até 1908 era opinião unânime de que a obra fora escrita por Cristóvão Falcão. Nesse mesmo ano, Delfim Guimarães publicou o livro Bernardim Ribeiro, o Poeta Crisfal e no ano seguinte Teófilo Braga e a Lenda do Crisfal, em que tentou demonstrar que o autor do écloga era Bernardim Ribeiro e não Cristóvão Falcão. No entanto, estudos mais recentes reafirmam a autoria de Cristóvão Falcão. (Projecto Vercial)

Desde os tempos áureos do Liceu Gil Eanes - já nem sei em que ano lectivo - que perdi o rasto a este assunto que, na altura, me empolgou, não sei se pela beleza do poema se pela sua extensão - mais de 1.000 versos - naquele português castiço de quinhentos quando as caravelas andavam por aí a "escrever" os Lusíadas, Cristóvão queimava as pestanas a escrever "Crisfal" uma epopeia romântica, quase ingénua...

1

Antre Sintra, a mui prezada,
e serra de Ribatejo
que Arrábeda é chamada,
perto donde o rio Tejo
se mete n'água salgada,
houve um pastor e pastora,
que com tanto amor se amarom
como males lhe causarom
este bem, que nunca fora,
pois foi o que não cuidarom.

2

A ela chamavam Maria
e ao pastor Crisfal,
ao qual, de dia em dia,
o bem se tornou em mal,
que ele tam mal merecia.
Sendo de pouca idade,
não se ver tanto sentiam
que o dia que não se viam,
se via na saudade
o que ambos se queriam.

E, por aí fora!...

[7852] - BOM PORTUGUÊS?!...


A RTP tem uma rubrica diária com o título de "Bom Português" em que um repórter de exterior coloca aos transeuntes uma questão relacionada com a escrita "correcta" de uma determinada palavra ou expressão, face aos conceitos do chamado "Acordo Ortográfico"...
Esta manhã, a dúvida era se SEMI REBOQUE se escreve com ou sem hífen...Claro que cerca de 90% dos inquiridos foram peremptórios: escreve-se SEMI-REBOQUE...
Aí, interveio o locutor de estúdio rectificando as certezas da maioria pois, segundo o tal desACORDO, deve escrever-se sem hífen, dobrando a consoante da segunda palavra o que redunda num palavrão mais do que que arrevesado: SEMIRREBOQUE!
Creio que, em nome do que julgamos ser a vontade dos povos dos países lusófonos, a RTP deixe de apresentar esta rubrica ou, então, que lhe altere o título pois, na realidade, não se trata de falar em BOM PORTUGUÊS, mas sim, "falar português conforme o acordo" com o qual, afinal, quase ninguém concorda!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[7796] - O CARNAVAL ENTRE OS CRIOULOS DO MUNDO...

José Almada Dias
“A maioria dos estudiosos afirma que o Carnaval brasileiro surgiu em 1723, com a chegada de portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de correrias, mela-mela de farinha, água com limão, vindo depois as batalhas de confetes e serpentinas”.
Surpresos? Vamos continuar: “... foram os portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde que trouxeram o Carnaval para o Brasil. Muitos deles eram marranos, cristãos-novos que mantinham uma vida judaica em segredo, fugindo da Inquisição. Os judeus portugueses fugindo à Inquisição foram primeiro para as Ilhas Atlânticas (Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe) e depois para o Brasil. Muitos se dedicavam à cultura da cana de açúcar, que depois continuaram no Brasil”. Para todos os efeitos em 1723 os cabo-verdianos eram portugueses de Cabo Verde, de modo que até prova em contrário a essas citações retiradas de vários sites brasileiros, parece que tivemos uma perninha na introdução do Carnaval no Brasil. E esta?!  Até parece uma brincadeira de Entrudo!
Proponho em plena folia de carnaval mindelense, uma viagem ao mundo da fantasia do Carnaval, a festa que os crioulos deste mundo festejam como ninguém.
A origem do Carnaval
Vários historiadores, entre os quais o conceituado brasileiro Voltaire Schilling, afirmam que o Carnaval é a festa profana mais antiga de que se tem registo, existindo há mais de 3 mil anos. A festa terá origens agrárias e não religiosas cujas origens parecem provir do antigo Egipto e o seu processo de formalização foi concluído com a oficialização das festas dedicadas ao deus Dioníso da Grécia Antiga, de 605 a 527 a.C., que passou depois a ser celebrado em Roma como o deus Baco, passando daí para os países de cultura neolatina. Digno de registo é que nesse tempo o mote dessas festas era dado pelas mulheres que as usavam para escapar à vigilância dos maridos e cair na folia, saindo em bandos, com o rosto coberto de pó e com vestes transformadas ou rasgadas, cantando e gritando!! Segundo consta, esta tradição continua viva em Munique na Alemanha, entre outros sítios.
De acordo com Hiram Aráujo, pesquisador de Carnaval, director cultural da LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) e autor do livro “Carnaval – Seis Milénios de História”, essas festas dedicadas a Dionísio duravam 3 dias, durante os quais os pagãos dançavam, cantavam e faziam orgias, numa espécie de “vale-tudo”. De forma metafórica, actuavam num autêntico teatro colectivo de inversão de papéis, em que homens pobres se transformavam em reis, mulheres do povo em damas, num anonimato permitido pelas pinturas e máscaras e onde se podia fazer diálogos de “acerto de contas” com as autoridades.
Houve tentativas de parar estas homenagens a  Dionísio – o deus brincalhão, do deboche e da irreverência – mas as autoridades acabaram por render-se às mesmas, ao ponto do tirano grego Pisístrato no século VI a.C. ter mandado construir um templo na Acrópole, o teatro Dionísio, dedicado a concursos de peças cómicas e dramáticas. Daí o Carnaval terá chegado a Veneza e perde a característica pagã com a sua oficialização pela Igreja Católica em 590 d.C.
Carnaval – de festa europeia a celebração mundial
O Carnaval espalhou-se pela Europa, com maior ênfase pelos países católicos, quando o Cristianismo a vinculou à Páscoa, passando a ser comemorada como Terça-Feira Gorda, 47 dias antes do domingo de Páscoa, significando um tempo de diversão e exagero,  que antecede o período de reflexão e jejum dos cristãos antes da Páscoa.
A palavra Carnaval terá origem nas palavras do latim carnis (carne) e valles (prazeres). Outras fontes falam em “Carrum Navales” que eram os carros navais que abriam as Dionísias Gregas nos séculos VII e VI a.C.  Em Portugal a festa era denominada Entrudo, palavra derivado do latim introitus e que significa entrada, início, nome com o qual a Igreja denominava o começo das solenidades da Quaresma.
Ainda hoje são famosos os exuberantes Carnavais de Veneza em Itália e de Nice em França, que inspiraram os desfiles que hoje se fazem por todo o mundo. Na Alemanha o “Karneval” ou “Fasching” é muito animado em cidades como Dusseldorf, Bona e Colonia, começando a 11 de Novembro e estendendo-se até à quarta-feira de Cinzas. E depois dizem que a produtividade é afectada pelo espirito folgazão: na maior economia da Europa, o Carnaval dura meses!

Em Portugal são tradicionais as celebrações em cidades como Loulé, Torres Vedras e Ovar, entre outras. O maior Carnaval em Portugal situa-se contudo na cidade do Funchal, na ilha da Madeira, que foi trabalhado para ser um cartaz turístico que atrai milhares de turistas todos os anos. Idem aspas para o Carnaval nas ilhas Canárias, cartaz turístico internacional nas cidades de Santa Cruz de Tenerife e Las Plamas. Excelentes exemplos para serem seguidos aqui no planeta verdiano.
Da Europa esta festa espalhou-se pelo mundo sendo hoje comemorado desde as Américas à Ásia, seguindo o percurso e a rota dos Descobrimentos e a posterior colonização de vários territórios.
Carnaval a festa adoptiva dos povos crioulos
Não deixa de ser um facto curioso a grande ligação existente entre o Carnaval e as sociedades crioulas do pós-Descobrimentos, um campo interessante para estudos aprofundados.
Nos países de colonização católica a festa é celebrada nas mesmas datas que na Europa latina, ou seja na Terça-Feira Gorda.
Tomemos por exemplo as Caraíbas. Em Aruba, Bonaire, Curaçao, Dominica, República Dominicana, Granada, Guadalupe, Haiti, Martinica, Porto Rico, São Bartolomeu, São Martinho, Trinidad & Tobago festejam na Terça-Feira Gorda. São regiões que foram colonizadas predominantemente por franceses e espanhóis, mesmo que em alguns casos como Aruba, Curaçau e Bonaire tenham mudado posteriormente de “mãos”, passando a ser holandesas.
Um caso especial é Cuba, onde tradicionalmente se festejavam dois Carnavais, um de “Inverno” com ligações religiosas e festejado na Terça-Feira Gorda e outro de Verão. O de Inverno trazido pelos colonos espanhóis era denominado o “Carnaval por los blancos cubanos”, celebrado em clubes privados. O outro era o “Carnaval de los mamarrachos” ou “Carnaval de las clases bajas”, muito ligado à cidade de Santiago de Cuba e aos escravos. É uma festa que se começou por celebrar no fim das colheitas nas plantações de cana-de-açúcar no mês de Maio, onde aos trabalhadores dessas plantações, na sua maioria negros e mulatos, era permitido festejar o fim dessas colheitas. Era igualmente uma forma de distrair esses trabalhadores, alguns escravos outros já libertos de eventuais actividades subversivas. O Carnaval continua a ser a maior e mais popular festa de Cuba.
Nos territórios caribenhos de colonização britânica, o Carnaval é festejado no Verão e está ligado igualmente à safra da cana-de-açúcar. É o caso da ilha de Babados, da famosa e para muitos leviana Rhyana, e dos arquipélagos de Anguilla, Antigua & Barbuda, Belize, Ilhas Virgens Britânicas, Santa Lúcia, São Vicente e Grenadinas, entre outros.
Um outro fenómeno mais recente são os Carnavais de Verão que se celebram no Canadá, EUA, França, Alemanha, Reino Unido e Holanda onde emigrantes originários das Caraíbas reproduzem o carnaval caribenho. Na Holanda o desfile acontece em Julho na cidade de Roterdão, cidade de acolhimento de milhares de crioulos caribenhos e cabo-verdianos.  
Nos Estados Unidos da América o Carnaval festeja-se em Nova Orleães e noutras cidades que foram colonizadas por franceses católicos, celebrando todas o “Mardi Gras” (Terça-Feira Gorda) com exuberantes e coloridos desfiles com carros alegóricos e ritmos onde se vislumbram as influências africanas, celebrações que remontam ao ano de 1857. Essa região conhecida como a terra da música Jazz, é considerada a “América crioula”, e é povoada pelos Louisiana Creole, uma comunidade que resultou da mistura de colonos franceses e espanhóis com populações de origem africana e índia e com fortes influências da cultura francesa, e de onde provém a mãe da cantora Beyoncée.
Mas é em plena América Latina que o Carnaval atingiu o seu esplendor máximo como festa popular. Introduzida pelos portugueses e espanhóis, a festa ganhou ao longo dos séculos uma dimensão popular inigualável, incorporando elementos diversos de outras culturas, designadamente africanas e ameríndias. De festa com ligações religiosas e ligada ao cultivo da terra, saltou para o palco urbano das cidades cosmopolitas de todo o sub-continente.
É celebrada como a maior festa popular da Venezuela, Panamá, Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Nicaragua, Honduras, Mexico, Costa Rica, Equador, Guatemala, México. Um continente  carnavalesco! É também nesta carnavalesca América Latina, terra por excelência de povos crioulos, que se realizam os dois maiores desfiles de Carnaval do planeta: o maior, o do Rio de Janeiro no Brasil e o segundo, o Carnaval de Barranquilha na Colômbia. Este último foi agraciado pela UNESCO em 2003 como um dosMasterpiece of the Oral Intangible Heritage of Humanity, título que o Carnaval de Oruro na Bolívia, as performances artísiticas do Frevo do Carnaval do Recife no Brasil, e o Samba de Roda de São Salvador da Baía também ostentam. 
No Brasil, o Entrudo era descrito da seguinte forma: “Tanto em Portugal, como no Brasil, o Carnaval não se assemelhava aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta. Escravos molhavam-se uns aos outros, usando ovos, farinha, cal, laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas se divertiam nas suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados, num clima de quebra consentida de extrema rigidez da família patriarcal.” Aqui em Mindelo ainda me lembro das brincadeiras de atirar ovos às pessoas, mas sobretudo da temível farinha que era atirada aos olhos de quem passava, hábitos que felizmente cairam em desuso no nosso Carnaval.
Segundo Rita Cássia Araújo, após a independência do Brasil em 1822, o Entrudo de origem portuguesa passou a ser visto como algo negativo e atrasado e por iniciativa de intelectuais, artistas e da imprensa foi substituído pelo modelo das festas da Itália e da França já com o nome de Carnaval, e incluindo bailes e desfiles nas ruas com alegorias.
Carnaval em África e no resto do mundo
Em conversa há dias com um amigo da Guiné-Conackry, que já vive em Mindelo há muitos anos e se considera o “Mandjaco mais mindelense que existe”, ele explicou-me que infelizmente na sua terra natal não existe Carnaval, ele que vive intensamente o Carnaval mindelense. Ao que parece os franceses esqueceram-se de introduzir o Carnaval em África, só o levando para o Sul dos Estados Unidos e para as Caraíbas.
O Carnaval é basicamente desconhecido em África, à excepção de Cabo Verde e de algumas cidades onde os portugueses o introduziram e do Carnaval da Cidade do Cabo a cidade crioula da África do Sul. Os crioulos das ilhas Seychelles querem inverter isso por razões de oferta turística. 
Na longínqua Malásia o povo crioulo de Malaca, que fala a língua crioula de base lexical portuguesa papiá criston, celebra o Entrudo há mais de quatrocentos anos, uma herança portuguesa. De existência recente é o Carnaval de Tóquio, no Japão, onde Escolas de Samba desfilam no Asakusa Samba Carnival...

Carnaval tá aí, vamos vadiar, vamos vadiar para a polícia não pegar...
Mindelo ê nossa, Mindelo ê de quele bom... Ariá!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

[7586] - A SEMHORA "PRESIDENTA"...

Pilar-del-Rio
A jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República.
 Ainda nesta semana, escutei Helena Roseta dizer: «Presidenta!», retorquindo ao comentário de um jornalista da SIC Notícias, muito segura da sua afirmação... 
 A propósito desta questão recebi o texto que se segue e que transcrevo:

Uma belíssima aula de português.
 Foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.  
A presidenta foi estudanta?  
Existe a palavra: PRESIDENTA?
 Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?!
No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade... 
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. 
Portanto, em Português correcto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela "ardenta"; diz-se estudante, e não estudanta"; diz-se adolescente, e não "adolescenta"; diz-se paciente, e não "pacienta". 
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

"A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Colab. Tuta Azevedo


sábado, 12 de julho de 2014

[7161] - "AIRCARBON" - O MILAGRE POSSIVEL?!

Screenshot-NewLight
 
Mark Herrema e Kenton Kimmel conseguiram sintetizar um produto em tudo semelhante ao plástico a que chamaram "AirCarbon" mas que poderia perfeitamente chamar-se "Abracadabra"...
Não se trata de nenhuma magia e existem algumas implicações económicas: o processo científico é liminar, mas não é barato!
Todavia, os dois cientistas desenvolveram um processo de catalização dez vezes mais rápido e eficiente do que os sistemas comuns o que leva a que o processo seja, agora, tanto científica como económicamente viável...
Mas, e sobre o ponto de vista ambiental? Parece provar-se que produzir um material plástico moldável a partir do dióxido de carbono disseminado no ar que respiramos leva à captura de muito mais carbono do que a quantidade que produz...É, portanto, uma boa noticia para o ambiente!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[7072] - A RAÇA HUMANA...


Quantas raças há no mundo? Uma por cada continente? Quatro, como ensinavam  nas escolas? E qual é a raça superior? São muitas perguntas para, afinal, curta resposta...Envestiguemos!
A resposta está nos "mitocôndrias", estruturas minúsculas dentro das células que nos ajudam a produzir energia...

 
Enquanto os "cromossomas" são herdados de pai e mãe, os "mitocôndrias" só se herdam das mães! Todos os nossos mitocôndrias são cópias dos existentes no óvulo materno...Eles passam de mãe para filha, desta para a neta e, assim sucessivamente...
"Cada gota do sangue humano contém um livro de história escrito no idioma dos nossos genes..."
Se rebobinarmos a película da história humana poderemos retroceder, de geração em geração até à nossa origem e chegar à matriz promordial, à mãe de todos os seres que habitam o mundo!

 
Todos os mitocôndrias como se fossem ligados num extenso cordão umbilical, conduzem a África...A genética revela, sem lugar a dúvidas, que a África foi o berço da Humanidade...

 
Há 150 mil anos, no Quénia, na Tanzânia, na Etiópia, evoluiram os primeiros seres humanos. Ali viveu "aquela mulher"! Dela descendem os 6.500 milhões de seres que hoje habitam o planeta!
Há cerca de 70 mil anos, um pequeno clã emigrou de África... Uns, para norte e chegaram à Europa, enquanto outros seguiram para oriente, atravessaram a Àsia, subiram pelas estepes da Sibéria e chegaram à América...
Os mitocondrias permitem-nos traçar a rota que seguiram os primeiros humanos desde a África a todo o mundo.
Então, isso significa que os nossos antepassados foram negras e negros? Exactamente! Mas, então, de onde saíram tantas raças diferentes? Diga-se, antes, tantas cores de pele...PORQUE SÓ HÁ UMA RAÇA - A HUMANA!
Então porque é que há gente com pele clara? Porque lhes falta a "Melenina"...Este, é um pigmento que dá cor à pele. Em África, com tanto sol, a pele é escura como protecção aos raios ultravioletas que provocam cancro... Quando os nossos antepassados viajaram para climas frios, foram perdendo a Melanina para poderem captar os raios do sol que lhes permiten assimilar a vitamina D...
Claro que há em todo o mundo e em todos os climas pessoas com todas as cores de pele, pois esta mudança não ocorre no decurso de uma geração mas ao longo de milhares de anos...A Natureza trabalha sempre com imensa precisão e muita paciência...
As cores da pele, os cabelos crespos ou lisos, os narizes largos ou estreitos, os olhos redondos ou de amêndoa, tudo são adaptações do corpo humano aos diferentes ambientes em que viveram os nossos antepassados mais longinquos...Não há dieferentes raças mas sim climas diferentes...Temos, todos, o mesmo sangue, pertencemos à mesma família, viemos de África, somos de África!

 
Versão potuguesa GM-Março 2014 de um trabalho de
 
Sugerido por Tuta Azevedo
 
 
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

[6763] - L U S O C O N O M I A ...


A lusofonia representa uma economia--mundo em transformação e revela uma área geoeconómica de limites estáveis e um ecossistema político, linguístico e cultural. O elemento ligante desse grande desígnio de prosperidade comum é, naturalmente, a língua lusófona - uma língua de cultura e diplomacia. Mas, também, uma língua empreendedora do futuro: com 340 a 400 milhões de falantes em 2050, segundo os dados da Unesco, é a quarta língua mais utilizada na internet, a terceira língua mais utilizada no Facebook e no Twitter e o poder económico dos falantes de português representa 4% da riqueza mundial. Se a partilha de uma língua é, por si, um agente facilitador nas transacções, a língua portuguesa - uma extraordinária moeda de troca humana - poderia converter-se no eixo manante e luminoso de uma interdependência económica solidária entre as suas centenas de milhões de falantes.

Barómetro Calvet: O português em destaque

Ressalva-se, igualmente, que a língua portuguesa alcançou a nona posição de acordo com o Barómetro Calvet das Línguas do Mundo, que avalia o peso das línguas relativamente a dez factores distintos, aos quais se atribui igual ponderação. Entre esses factores destacam-se, entre outros, o número de falantes como língua não materna, o índice de desenvolvimento humano, o índice de penetração da internet e as traduções que têm o português como língua tanto de partida como de chegada. Estou convicta de que uma conjugação de esforços levará a uma rápida subida de posição.

A lusoconomia não é um gueto

É nesta vertente que, na Sorbonne, redobramos esforços para valorizar, defender e promover a língua e cultura portuguesas em França. Fazemo-lo reforçando a faceta identitária da nossa diferença, exprimindo-a especialmente na criação de novos conceitos, tal como o de "lusoconomia", que se inscreve na nossa linha de investigação. A divulgação/conhecimento e a preservação do ensino da língua portuguesa nas universidades francesas têm-nos exigido uma luta permanente, na medida em que o português ainda é considerado como língua minoritária pelo Ministério do Ensino Superior, pelo que é de todo recomendável que os portugueses, principalmente os detentores de cargos públicos e/ou políticos, não assumam a língua portuguesa como "língua de gueto", referindo--se aos tempos remotos da emigração. A promoção da língua portuguesa tem de ser assumida por todos e sempre, seja internamente seja no estrangeiro. (Re)Lembro que compete em primeiro lugar aos agentes políticos a afirmação da língua portuguesa no palco internacional. É tempo de acordar!

Necessidade de afirmação política

Para tal, é fundamental que se arquitectem propostas concretas, e não meras teorias vagas e pouco fundamentadas. Nesta matéria, não há lugar ao conformismo. Os problemas concretos não se resolvem com retóricas. Exige-se credibilidade, conhecimento aprofundado e experiência. Só assim é possível uma efectiva afirmação política que impulsione um novo rumo para a lusofonia.

Urge uma orientação política responsável para as questões da língua em Portugal, aplicada neste caso ao português, seja como língua materna seja como não materna, que não se compadeça com simples afirmações, normalmente tomadas como axiomas, mas dissociadas da realidade internacional. É verdade que não falta quem fale sobre política linguístico-cultural e científica limitando-se, frequentemente, à exclusiva indicação de formas concretas de difusão da língua nas suas diversas vertentes, sem se saber exactamente para quem, onde, como e para quê.

Necessidade de uma política linguística

Em França demorámos cerca de 40 anos a implementar uma verdadeira política linguística que resultou na criação da Organização Internacional da Francofonia (OIF), da Agência Universitária da Francofonia (AUF) e de um Ministério da Francofonia, onde a excelência de um trabalho em rede promove permanentemente a língua francesa no mundo.

A questão é, pois, muito mais vasta e complexa do que meras acções fantasmagóricas ou efervescentes discursos floreados. Não é tempo de experimentalismos, aventuras ou fantasias.

Estamos em tempo de mudança! Aproveitemo-lo para efectivar uma mudança que irradie o incontestável valor de ser lusófono - que nos outorgue a lusofonia como um valor seguro.
 
Prof.Doutora Isabelle de Oliveira
Directora da Faculdade de Linguas,
Civilizações e Sociedades, da Univ.
de Sorbone
 
(Por sugestão de Veladimir Cruz)
 
 

sábado, 15 de março de 2014

[6663] - O EMBRIÃO DA COMPUTAÇÃO...

 
A MÁQUINA DE TURING
 

É um dispositivo imaginário que formou a estrutura
para fundamentar a ciência da computação moderno. Seu inventor, o matemático Alan Mathison Turing,
mostrou que a computação das operações de leitura,
escrita e exclusão de símbolos binários poderiam ser
satisfeitas por uma máquina que continha uma fita
de comprimento ilimitado, com quadrados de
tamanho definido sobre ela e um dispositivo com um
número finito de estados, que realizava as operações na fita.
Em 1936 foi formalizado o termo algoritmo: um
conjunto finito de instruções simples e precisas, que
são descritas com um número finito de símbolos.
“Qualquer processo aceite por nós, homens ,como um
algoritmo é, precisamente, o que uma máquina deTuring pode fazer” (Alonzo Church, matemático).

 
 
Fonte - Web

sábado, 8 de março de 2014

[5736] - PRÉMIO LITERÁRIO EM CABO VERDE...

 

Assinalando a futura inauguração e abertura da Biblioteca Municipal de Ribeira Grande de Santiago Dr. Pedro Silva (nome do benemérito português que lhe ofertou grande parte do seu recheio e Cidadão Honorário de Cidade Velha), que se prevê que seja instalada provisoriamente em São Martinho Grande – onde decorrem obras para esta instalação -, está a decorrer até dia 30 de Abril próximo a recepção de candidaturas de originais de livros concorrentes ao Prémio Literário Pedro Silva. O júri do PLPS é composto por 5 elementos:

• Dr. Pedro Silva – historiador e escritor português;
• Dr. Carlos Alberto Lopes – vereador da Cultura na CMRGS;
• Prof. Dr. João Lopes Filho – historiador, escritor e sociólogo cabo-verdiano, e presidente da Fundação João Lopes;
• Dr. Joaquim Saial – professor, historiador e crítico de arte português, ex-director da revista Callipole, Cidadão Honorário de Cidade Velha;
• Nuno Rebocho – escritor e poeta português, indicado por dr. Pedro Silva.

Mais informações, incluindo o Regulamento do Prémio, no Blogue "Cidade Velha-1462", do nosso amigo Djack, Cidadão Honorário da Cidade Velha, a quem vivamente saudamos!


quarta-feira, 5 de março de 2014

[5723] - CIÊNCIA OU MERA COINCIDÊNCIA?...


Esta é a letra grega Phi (fi), sendo a da esquerda a maiúscula...É simultâneamente, uma constante matemática igual a 1,618 que, apesar de pouco conhecida, parece ter um valor fora do comum...
Durante séculos o homem tem procurado a beleza perfeita, a proporção ideal... Mas, os gregos há muito que criaram o chamado rectângulo de ouro, uma figura geométrica da qual se extraiu uma constante dividindo o comprimento pela largura, ou Phi = 1,618...A partir desta proporção tudo passou a ser construído. No Parthenon, nas faces central e laterais, dividindo a largura pela altura encontramos a proporção ideal: 1,618...
Os egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides: cada pedra é 1,618 mais pequena do que que fica por baixo e, esta, 1,618 mais pequena do que a terceira e, assim, sucessivamente, até à base da pirâmide...
E  eclosão do padrão gótico na construção, com as suas formas arredondadas, fez esquecer um tanto o rectângulo de ouro dos gregos...Mas, cerca de 1200, Leonardo Fibonacci, um matemático que andava a estudar o crescimento das populações de coelhos, criou aquela que é considerada, provavelmente, a mais famosa sequência matemática, a Série Fibonacci...A partir de um casal de coelhos, foi contando como eles se reproduzem e, após vária gerações, chegou a uma sequência onde cada numero, a partir, obviamente, do terceiro, é igual à soma dos dois números precedentes - 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 e, por aí fora! Mas, aqui surge a primeira "coincidencia" - a proporção de crescimento média da série é de...1,618, o número Phi! Poderão verificar-se pequenas alterações para mais ou para menos, mas a média geral é de 1,618 tal como no Rectângulo de Ouro Grego e nas Pirâmides do Egipto...
A partir desta sequência, dos coelhos e do génio de Fibonacci se descobrem coisas fantásticas:
- Numa colmeia, a proporção entre abelhas fêmeas e machos é de 1,618...
- A proporção do aumento do diâmetro das espirais de uma concha de caracol, é de 1,618...
- As espirais das sementes do girassol crescem na mesma proporção de 1,618...
- A proporção em que diminui a numero de folhas de uma árvore à medida que nela se sobe, é de 1,618...
Mas, até fora da Terra se encontra a mesma proporção. Nas galáxias, as estrelas distribuem-se em torno de um astro principal, rodando em espirais cuja amplitude obedece ao mesmo padrão de 1,618...Por isso, o número Phi ficou conhecido como  A DIVINA PROPORÇÃO...
E não é tudo...Por volta de 1500, em pleno Renascimento, Leonardo Da Vinci descobriu que nada obedece mais à Divina Proporção do que o corpo humano...a obra-prima de Deus!
- A nossa altura, dividida pela distancia umbigo/solo é de 1,618...
- O comprimento do braço dividido pela distancia cotovelo/dedo é de 1,618...
- O comprimento da perna dividido pela distancia joelho/solo, é de 1,618...
- A distancia entre a cintura e a cabeça dividida pela altura do tórax, resulta em 1,618...
Mais, verifique as proporções do seu cartão de crédito, do seu livro preferido, do seu jornal, da sua fotografia...Ressalvados erros prováveis por medidas à régua ou à fita métrica, o Phi estará presente com o imutável 1,618...
Encontram-se exemplos da constante na 9ª Sinfonia de Beethoven e outras obras de outros autores...
SERÁ UMA MERA COINCIDÊNCIA?
Como disse Aristóteles, "o ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflecte"...
 
Colab. T.Azevedo