quinta-feira, 3 de julho de 2014

[7114] - SÓ O LEÃO SE SAFA...

 

“ O próprio Pombal ´´é o desejado? Não! Fez-se temer, não se fez amar. Cabeça de bronze, coração de pedra. Moralmente ignobil. Rancoroso, ferino, alheio à graça, indiferente à dôr. Inteligência vigorosa, material e mecânica, sem vôo, sem azas. Um brutamontes raciocinando claro. Falta-lhe o génio, o dom de sentir, nobreza heróica, vida profunda – humanidade sem suma. Máquina apenas … Por isso a obra lhe foi a terra. Pulverizou-se: Sò dura o que vive. Uma raíz esteia mais que um alicerce. Pombal em três dias, num deserto, quís  formar um bosque. Como? Plantando través: Adubou-as com mortos e regou-a a sangue”.
Guerra Junqueiro --  “Pátria”
 
Colabor. A.Mendes.

1 comentário:

  1. Pombal foi um estadista implacável, que não olhava a meios para atingir fins. Mas deixou obra e também motivo para uma reflexão: o povo português precisa sempre de um pulso de ferro para ser governado. Verdade ou mentira, o facto é que Portugal só se tornou grande quando teve ao leme gente de têmpera e vontade férrea, ainda que deixando à sua passagem um rasto de espezinhados.
    Ainda hoje esta reflexão se coloca quando nos mostramos incapazes de reformar seja o que for no Estado porque temos logo à perna os sindicatos, os presidentes de câmara, os presidentes de freguesia, as ordens profissionais, e as costumeiras oposições sistemáticas. Só que muitas vezes se quer reformar o Estado, não à luz do bem público tout court mas para satisfazer interesses e compromissos pouco claros, travestidos de várias maneiras. Por isso é que tanto o Pombal como o Salazar permanecem em certo imaginário português como estadistas que fizeram uma certa escola. Não impediram que Portugal se libertasse do ciclo que o manieta desde há séculos, mas ainda assim volta e meia vêm à talhe de foice as suas figuras pouco vulgares na nossa idiossincrasia.

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